1° Alessandro Panagazzi

                         Gênova - Itália

Alessandro acordou atordoado, não era comum para ele dormir até tão tarde. Assim que virou o rosto para a esquerda, se deparou com a janela aberta, e o céu completamente escuro, limpo, e com poucas estrelas. Mais sentiu o aroma leve e inebriante de rosas vermelhas

- Já é noite?

-Claro, você dormiu que nem pedra.

-Por que você ficou?

-Ué, você disse que não gosta de acordar com a cama fria, então resolvi ficar e dar uma esquentadinha só para varear. - disse a loira maliciosamente com um largo sorriso no rosto.-

-Vem, vamos tomar um banho juntos, depois jantamos, e eu te levo para o seu apartamento, antes de ir para o trabalho. - falou se levantando da cama completamente nu e estendendo a mão para a loira  que aceitou prontamente. Ele a puxou para o seus braços e lhe beijou ardentemente enquanto a conduzia até o banheiro do quarto. 

Depois de trocarem algumas caricias e fazer um sexo rápido, eles finalmente tomaram um banho, e se aprontaram. Alessandro ligou no " Guadalupe" um dos seus restaurante favorito, e pediu uma comida mexicana. Quando o pedido finalmente chegou, ia dar nove horas da noite. E eles fizeram suas refeições em absoluto silencio. De vez em quanto Alice falava um pouco, mais ele permanecia ali serio e pensativo demais.

Era sempre assim, eles tinham uma noite louca de puro prazer, e depois cada um seguia a sua vida. Era apenas sexo casual e nada mais.  Porém, na verdade ele queria muito mais que isso, e já estava na hora dele tomar rumo na sua vida, e procurar alguém que quisesse ficar ao seu lado. E por mais que ele gostasse de estar com a Alice, ele sabia que a loira não queria nada serio. E tudo o que eles tinham era apenas sexo e nada mais que isso, pois a loira não se imaginava se casando ou tendo filhos. Mas na verdade ele já estava cansado de festas, e garotas diferentes em sua cama. Ele queria alguém fixo, que ele pudesse contar e conversar depois de um longo dia de plantão. Ele queria alguém para ficar ao seu lado.

- Porque está tão pensativo? - perguntou a loira no momento que se acomodou no acento do automóvel e colocou o sinto de segurança, enquanto Alessandro dava partida no veiculo e saia pelas ruas tranquilas de Gênova.- Aconteceu alguma coisa?

-Não! Só estou pensando em algumas coisas do trabalho. Nada de especifico. Essas mudanças que houve no hospital deixou as coisas bem complexas.

-Por que se preocupa tanto, você é um dos melhores médicos daquele hospital. -falou a loira sinceramente.- Sem contar que o Vincenzo confia completamente no seu trabalho, e do Matteo.

- Isso é por que Matteo e eu, nos formamos juntos, e se especializamos na mesma área.

- Sim, isso é verdade. Vocês acabaram optando por cirurgia geral. É por isso que todos os residentes são loucos para trabalhar com vocês.

- Isso é um exagero.

-Exagero! - murmurou a loira o encarando seriamente no momento que ele dobrou o carro na esquerda, completamente atento com a estrada.- Os novos residentes que entraram nesse semestre queriam entrar para a equipe do doutor Panagazzi.

-Não sei qual o proposito de tudo isso, afinal de contas, somos todos médicos que se dedicam pelo bem estar de seus pacientes.

-Talvez seja por que vocês são os melhores nesta área, todos eles, querem participar de uma cirurgia com você, e o Matteo.

-Não sou tão bom assim, existe ótimos médicos e profissionais por aí, mundo a fora. Eu apenas faço o que amo, Alice.

-Mesmo assim Alessandro, todos eles querem uma oportunidade para aprender com vocês.

Alessandro não disse nada, apenas se manteve em completo silencio no momento que parou o carro em frente ao apartamento da loira.

- Está entregue bambina.

-Grazie! - foi tudo o que a loira disse e soltando o sinto de segurança, enquanto observava o homem a sua frente, que tinha uma expressão seria e distante.- Tem certeza que está bem?

- Sim, por que essa pergunta?

-Sei lá, você está estranho hoje, parece meio evasivo e distante.

- É impressão sua bambina, eu continuou o mesmo. - falou de forma calorosa e sorridente tentando tranquilizar a loira.-

-Nos falamos depois?

-Sim claro! Tente descansar, e relaxar ok. - falou tocando o rosto da garota e colocando uma madeixa atrás de sua orelha, e depois se apoderando de seus lábios com um beijo calmo e tranquilo que durou um bom tempo. E quando se afastaram ele abriu um largo sorriso maroto.- Buona notte!

-Grazie pela carona! - disse ao levar a mão a maçaneta da porta e se afastando calorosamente, depois de se despedir, a loira se dirigiu até a entrada do edifício em passos largos e tranquilos sobre o olhar de Alessandro. Quando ela atravessou o portão principal ele finalmente deu partida e se dirigiu até o hospital. -

***

Alessandro se encontrava em seu consultório quando a porta foi aberta sorrateiramente e Matteo entrou segurando dois copos de café.

-Que cara é essa? -perguntou o moreno entregando um dos copos fumegante para o amigo, que recebeu prontamente.-

- A mesma cara de sempre.

- Corta essa, eu te conheço muito bem e sei quando algo está lhe incomodando. O que foi dessa vez? Por acaso brigou com a Alice?

-Por que você acha que tem algo haver com a Alice?

-Eu te conheço bem demais irmão, e sei que tem algo errado com você Alessandro. Principalmente porque, quando você fica com essa cara de cachorro sem dono, e esse olhar de peixe morto, é por que tem Alice De Luca na história.

Alessandro bebericou um pouco de seu café preto, e depois de um tempo suspirou pesadamente e encarando o amigo.

- Talvez você tenha razão.

- Oque houve?

- Sei lá, eu acho que cansei.

- Como assim?

-Eu gosto muito da sua prima, e não é de hoje. Mas infelizmente a Alice não me vê da mesma forma. Para ela, eu vou ser sempre um bom amigo que lhe dá algumas noites calientes e cheia de prazer. - sorriu e fez uma pequena pausa antes de continuar.- No começo, achei que me conformaria apenas com sexo casual. Mas já estamos nessa brincadeira, há cinco longos anos. A gente sai algumas vezes, bebemos, vamos ao cinema, e jantamos. E tudo isso, acaba ou na minha casa, ou no apartamento dela. Fazemos sexo, e depois cada acorda e vai para o seu canto como se nada tivesse acontecido. E eu não tenho mais idade para isso irmão. Não posso ficar me prendendo a alguém, que não se importa com meus sentimentos de verdade.

-Eu te entendo irmão, mais por que você não tenta conversar com ela?

-Como se isso fosse resolver Matteo... Eu já tentei dar o primeiro passo, mais ela sempre foge, muda de assunto e me dá desculpas.

- E o que pretende fazer?

-Sei lá, conhecer um novo amor.

- Não é tão fácil assim brother.

-Eu não disse que seria Matteo, mais tenho que tentar para o meu próprio bem.

-Então você vai se afastar da Alice?

-Sim!

Antes que Matteo tivesse tempo de dizer mais alguma coisa, eles ouviram uma batida á porta e em seguida ela foi aberta, e uma das enfermeiras que estava de plantão já foi dizendo:

-Doutores, me desculpe interromper, mas temos uma emergência e precisamos de vocês.

- O que houve?

- Um ônibus e um caminhão entraram em colisão, e a urgência está uma verdadeira bagunça, e o Dr. Vincenzo pediu para chamar vocês.

- Mas por que ele nos chamou? Onde está o pessoal da urgência?

- O doutor Cristiano não pode vir hoje, faleceu um parente. E os doutores Ângelo e Ricardo viajaram para uma conferencia de médicos em Veneza, e só voltam semana que vem.

- Por que logo em uma noite como essa? -bradou Matteo seriamente um tanto apreensivo.-

- Consegui telefonar para o doutor Pietro, ele deve estar a caminho.

- Ótimo, pois vamos precisar de toda a ajuda possível. - falou Matteo seriamente.- Quantos pacientes?

- Há quinze vindo para o nosso hospital, e devem chegar entre 3 e 4 minutos no máximo. - explicou a jovem enquanto se caminhava até a saída do local com os médicos até a ala de emergência.-

-Ei, vocês! Onde pensam que estão? Isso aqui é um hospital. - falou Alessandro para os residentes, e alguns enfermeiros que conversavam na recepção de emergência como se estivesse assistindo um filme da sessão da tarde.- Vão e tentem trazer todas as camas e sangue agora, isso é uma ordem.

-Notifiquem a radiologia, ortopedia, pediatria e neurocirurgia que estiver de plantão. - completou Matteo severamente aos enfermeiros e residentes.-

-Sim doutor! - disse todos em coro e rapidamente saindo em disparada para cumprir seus afazeres.-

- Pronto para salvar vidas parceiro? - perguntou Alessandro ao amigo.-

- Como sempre irmão!

- Vamos mostrar para esses residentes como se faz. - falou Alessandro abrindo um largo sorriso.-

***

Em poucos segundos o hospital se transformou em um verdadeiro caos. Pessoas correndo de um lado para o outro. O Hospital havia acabado de receber a primeira de uma serie de vitimas do acidente. Alessandro se dirigiu a um paciente com dois residentes ao seu lado, enquanto Matteo se dirigia até outra vitima.

-Pressão sanguínea, 60 por 80, nos aplicamos as medicações, e ele está perdendo e recobrando a consciência doutor.

-Paciente, qual é o seu nome?- silêncio absoluto.- Paciente! - Perguntou Alessandro novamente, mais não obteve nenhuma resposta.- Parada cardíaca, façam a ressuscitação cardiopulmonar. De a ele uma ampola de epinefrina. - ordenou Para um dos residentes que estava por perto com uma enfermeira, e em seguida foi para a próxima vitima que chegava com mais um residente, e enfermeira.-

-Pressão sanguínea de 40 por 80. A frequência cardíaca 115 Ele disse que está bem, mas o seu estado não parece tão bom. - disse a enfermeira.-

- Verifique se não há danos na artéria, se possível faça uma TAC. - falou olhando seriamente para a residente.- Você sabe o que é uma TAC?

- Sim doutor. - disse a garota nervosa para o médico.-

- E o que é doutora?

-É uma tomografia computorizada. -falou a garota baixinho.-

- Como é, acho que eu não ouvi direito doutora.

-É uma tomografia computorizada. - repetiu a residente em voz mais firme e alta.-

- E o que mais?

-A TAC é um método de diagnóstico não invasivo e pode ser utilizada para estudar o coração e as artérias, os pulmões, os órgãos do abdómen, como o fígado, o baço, o pâncreas, os rins, a bexiga e o intestino, o crânio e o cérebro, a face, os seios perinasais, os ouvidos e o pescoço, a coluna, a bacia, os membros e as articulações Dr. Alessandro.

-Muito bem, agora pode fazer o que disse. - falou calorosamente e depois se voltou para a enfermeira.- Ana ajude ela por favor.

- Sim doutor.

E assim a noite seguiu, e o hospital entrou em frenética atividade. Sem contar as vitimas do acidente, ainda tinha muitas outras, que resolviam chegar em um sábado de madrugada. Enfermeiros correndo de um lado para o outro, residentes fazendo curativos, Pacientes se queixando de dor, crianças chorando, uma mulher em trabalho de parto, bêbados alterados, drogados com overdose, e um bebe desfalecido nos braços de uma mãe.

Enquanto isso Matteo e Alessandro gritavam instruções aos residentes e enfermeiros, passando de uma vitima a outra.

- Temos algum médico obstetra de plantão hoje? - Alessandro perguntou para a chefe das enfermeiras.-

-Não senhor.

- E um cirurgião pediátrico?

- Também não senhor.

-Quem é o responsável pela pediatria, que está de plantão hoje afinal de contas?

- A doutora Beatrice, mais ela não é cirurgia.

- O que vamos fazer? - perguntou Alessandro a Matteo.-

- Eu iria fazer essa pergunta agora mesmo para você. - falou Matteo seriamente.-

-Estou vendo dois médicos choramingando á essa hora da madrugada. - ouviu a voz de Pietro ecoar pelo local.- Vocês não vivem sem mim.

-Graças a Deus você chegou Pietro. - Reclamou Alessandro para o amigo.-

- Sim, e trouxe uma ajudinha extra. - falou o amigo ao parar na frente dos médicos com dois homens ao seu lado.-

- Felipe! - disse Matteo e Alessandro em coro.-

-Doutores! - falou Felipe formalmente .-

-O que está fazendo em Gênova? - perguntou Alessandro.-

- Digamos que é assunto familiar. - falou calorosamente.- Esse é o meu irmão mais novo Vito, também é um residente médico.

- É um prazer conhecê-los, já ouvi falar muito de vocês. - disse o garoto sorridente e estendendo a mão calorosamente para cumprimentar Matteo e Alessandro.-

-Então me diga em que podemos ajudar, pois o Pietro nos tirou da cama só para virmos aqui os ajudar na linha de frente da urgência. - falou Felipe severamente.-

-Vocês precisam pagar de alguma forma a minha hospitalidade, já que estão dormindo na minha casa de graça. - falou Pietro divertidamente para os primos, fazendo Matteo e Alessandro rir da situação. E assim ás horas seguintes se resumiu em tentar da melhor forma possível ajudar todos os pacientes.-

***

P.S: oi meus amores, espero que tenham gostado do capitulo, e até a próxima.

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