09° Emergência
O hospital estava lotado, como era de se esperar naquela época do ano. Alessandro ajustou a máscara no rosto enquanto caminhava pelos corredores movimentados, desviando de enfermeiros e familiares aflitos que se aglomeravam nas portas das salas de espera. O barulho dos monitores cardíacos, telefones tocando e vozes apressadas preenchia o ambiente, quase abafando seus próprios pensamentos. Faltavam apenas algumas horas para o fim do plantão, e ele contava os minutos para deixar aquele caos para trás. Depois de meses sem descanso, suas férias finalmente estavam à vista... Fazia uma semana que ele tinha pegado o plantão da noite, só para não ter que ver Alice... Ele precisa de um tempo...
Ele precisava disso. Não apenas para descansar o corpo, mas para afastar os pensamentos que insistiam em retornar a Alice. O sorriso dela, a voz, os momentos que ele fingia esquecer, mas que ainda o perseguiam nos dias mais tranquilos, se é que havia tranquilidade em sua rotina.
A casa do seu primo Eros, na Toscana, parecia um refúgio perfeito. Um lugar onde o mundo parecia desacelerar, entre vinhedos, sol dourado e silêncio. Um contraste completo com o ambiente frenético à sua volta.
Mas Alessandro sabia que no hospital o inesperado era uma constante. Ele acabara de atender um caso complicado, fechando o prontuário com um suspiro, quando ouviu a voz urgente de uma enfermeira.
— Doutor Alessandro, emergência chegando! Acidente grave na estrada, múltiplas vítimas.
Ele sentiu o peso da adrenalina tomando conta. Férias ou não, ele ainda era médico e, naquele momento, vidas dependiam dele. Alessandro ajeitou o jaleco, largando o prontuário sobre o balcão e caminhando com passos firmes em direção à sala de trauma. No fundo, já sabia que teria que ficar mais tempo do que planejara. O descanso poderia esperar.
Quando a porta da emergência se abriu, o som de passos apressados e o murmúrio de vozes foi cortado pelo grito de dor de uma jovem, trazida às pressas em uma maca. Sangue manchava sua roupa, e seus olhos estavam arregalados, repletos de medo.
— Fratura exposta na perna direita, possível hemorragia interna! — anunciou um paramédico, empurrando a maca em direção à sala de procedimento.
Alessandro não hesitou. Colocou as luvas, examinando rapidamente a paciente enquanto dava ordens aos enfermeiros. O sangue pulsava na ferida aberta, e ele sabia que o tempo era crucial.
— Vamos estabilizá-la! Preciso de exames agora! — Ele olhou diretamente para a equipe, sua voz firme e decidida, mas com um tom de urgência. Enquanto a equipe trabalhava com precisão, ele percebeu o olhar da jovem preso ao dele. Era um olhar desesperado, de alguém que não queria morrer. Alessandro sentiu algo apertar em seu peito, aquele mesmo olhar que já havia visto tantas vezes antes, mas que nunca deixava de o impactar. O mundo ao redor parecia parar, mesmo que por um segundo. Ele respirou fundo. Faltava pouco para suas férias, mas até lá, ele ainda tinha vidas a salvar. E, naquele instante, nada mais importava.
Alessandro estava concentrado enquanto avaliava a condição da paciente. O sangue na perna encharcava as gazes que a equipe trocava freneticamente, e a tensão na sala de emergência era palpável. Ele fez um sinal para que ajustassem os fluidos intravenosos, mantendo a voz firme:
A pressão na sala de emergência era eletricamente palpável, e o ritmo frenético das ações era como uma coreografia de urgência, onde cada movimento tinha que ser preciso e imediato. A luz branca e fria do ambiente, combinada com o som constante de monitores e máquinas, dava uma sensação de claustrofobia, mas Alessandro se manteve focado, cada parte de seu corpo e mente dedicada a salvar aquela vida.
A paciente estava quase desfalecendo. O sangue, uma mistura escura e vermelha, continuava a escorrer pela perna, encharcando as gazes que estavam sendo substituídas com rapidez. Ele olhou para o monitor, observando a pressão arterial cada vez mais baixa, e fez um gesto firme para um dos enfermeiros, que imediatamente ajustou a velocidade do soro intravenoso.
— A pressão está caindo — disse Alessandro, com a voz tensa, mas firme. — Vamos correr com o ultrassom! Preciso de confirmação da hemorragia interna antes de levá-la para a cirurgia.
A enfermeira que estava ao lado dele já havia chamado o técnico para o exame, e a sala se encheu com a correria das equipes, uma sensação de urgência tomando conta de todos os presentes. Mas Alessandro, como sempre, não deixava transparecer o peso da responsabilidade. Ele conhecia bem o processo, sabia o que precisava ser feito e tinha plena confiança em sua equipe.
Foi quando a porta da sala de emergência se abriu abruptamente, e Matteo entrou, com seu jaleco branco mal amarrado e a expressão focada, como sempre. Ele foi seguido de perto por Pietro, o neurologista, que parecia ainda mais tenso, com o olhar atento ao redor. A entrada dos dois imediatamente trouxe um certo alívio para Alessandro, mesmo em meio ao caos.
— Como está a paciente? — Matteo perguntou rapidamente, sua voz carregada de experiência, mas com a urgência que a situação pedia. Ele não estava ali para perguntar formalidades, e sua presença só reforçava o clima de necessidade de ação.
— Hemorragia significativa na perna direita, Matteo — respondeu Alessandro, sem tirar os olhos da paciente enquanto ajustava a posição das gazes. — A pressão está muito baixa, e precisamos confirmar a hemorragia interna antes de levá-la para a sala de cirurgia.
Pietro, mais calmo e meticuloso do que o usual, se aproximou da cabeceira da paciente e examinou rapidamente os sinais vitais no monitor.
— A pressão cerebral está sendo mantida, pelo menos por enquanto — disse Pietro com uma calma que contrastava com a intensidade da situação. — Mas, se essa hemorragia for interna, precisamos agir rapidamente para evitar danos neurológicos.
Matteo olhou para Alessandro, que fez um gesto afirmativo, reconhecendo a necessidade urgente de manter a pressão arterial estabilizada enquanto se decidia pelo próximo passo.
— Preparar para o ultrassom, vamos precisar de uma imagem clara da cavidade abdominal.
A tensão estava em seu ponto máximo. O som de batimentos cardíacos fracos, o zumbido constante das máquinas e a conversa rápida e técnica entre os médicos preenchiam o ambiente. A cada movimento, a equipe ganhava mais confiança, mas o relógio estava contra eles.
— Vamos ter que ser rápidos — Matteo murmurou para Alessandro, com a mão ainda ajustando a posição da paciente na mesa de emergência. — A situação é crítica.
Enquanto o ultrassom era realizado, o silêncio na sala de emergência era interrompido apenas pelos sons dos técnicos operando a máquina. O gel frio foi aplicado na pele da paciente, e todos aguardaram a imagem da cavidade abdominal se formar na tela.
Alessandro observou a tela, seu olhar fixo no que estava sendo revelado. As imagens estavam nítidas, mas ele não gostava do que via.
— Hemorragia interna confirmada.— Alessandro disse, com a voz mais grave. — Vamos para a cirurgia imediatamente. Matteo, você está comigo? Pietro, fique de prontidão caso precise monitorar a função cerebral.
Matteo fez um gesto de aprovação, já pegando os utensílios necessários e se posicionando ao lado de Alessandro, preparando-se para entrar na sala de cirurgia. Ele se aproximou um pouco mais da cama, observando a paciente com cuidado, sua expressão inabalável.
A equipe se preparava para a cirurgia enquanto as portas da sala de emergência se fechavam atrás deles. O trabalho árduo estava apenas começando.
Alessandro sentiu uma onda de alívio. Apesar do cansaço acumulado e da exaustão emocional que carregava, sabia que, com Matteo e Pietro ao seu lado, a paciente tinha as melhores chances possíveis.
Em minutos, a jovem estava sendo transferida para a sala de cirurgia. Alessandro tirou as luvas ensanguentadas e olhou para Matteo e Pietro enquanto eles se preparavam.
As horas que se seguiram foram um verdadeiro caos. Emergência atrás de emergência invadia o hospital, como se o destino tivesse escolhido aquele dia para testar os limites de Alessandro e sua equipe. A notícia de um grande engavetamento na rodovia próxima trouxe ainda mais pacientes para o pronto-socorro. Fraturas, cortes profundos, traumas cranianos. A sala de espera ficou superlotada, e os corredores foram preenchidos por macas, pacientes e vozes aflitas.
Alessandro mal teve tempo para respirar. A adrenalina o mantinha de pé enquanto ele passava de um caso para o outro. Entre os atendimentos, sua mente voltava à jovem da emergência, agora sob os cuidados de Matteo e Pietro na sala de cirurgia. Ele checou os relatórios rapidamente e se sentiu aliviado ao saber que ela estava estável e com boas chances de recuperação. Isso lhe deu um breve momento de satisfação antes que outra enfermeira o chamasse com urgência.
— Doutor Alessandro, temos um homem com suspeita de pneumotórax no box 3. Ele está piorando.
Ele correu para lá, encontrando um homem de meia-idade lutando para respirar. O som de estertores saía de seus pulmões a cada tentativa fracassada de puxar o ar. Alessandro colocou as luvas rapidamente, avaliando o paciente enquanto dava ordens à equipe.
— Preparem o dreno torácico. Vamos aliviar a pressão imediatamente.
As mãos de Alessandro trabalharam com precisão enquanto ele inseria o dreno. O som do ar escapando foi seguido por um suspiro de alívio do paciente, que finalmente conseguiu respirar. Alessandro limpou a testa com o braço, sentindo o suor se acumular mesmo sob o ar-condicionado gelado da sala.
— Bom trabalho, doutor — disse a enfermeira ao lado dele, mas Alessandro apenas acenou, já se dirigindo ao próximo caso.
O dia não dava trégua. Na sala de observação, outro paciente começou a convulsionar. Alessandro correu para estabilizá-lo, enquanto em outro canto do hospital, uma criança com uma perna quebrada chorava inconsolavelmente, trazendo um nó à sua garganta. Ele se forçou a focar no essencial: salvar vidas. No meio do tumulto, Matteo surgiu no corredor, com o jaleco ainda manchado de sangue da cirurgia.
— A paciente da emergência está estável. Conseguimos controlar a hemorragia interna e reparar a fratura. Agora é só questão de tempo para a recuperação — informou Matteo, com aquele tom sério que Alessandro conhecia bem.
— Excelente. Bom trabalho, Matteo — respondeu Alessandro, exausto, mas aliviado.
Matteo ergueu uma sobrancelha.
— Bom trabalho? Você deveria estar indo para casa agora. Não é o que você vive dizendo? Férias? Toscana? Vinhos?
Alessandro soltou um suspiro, esfregando o rosto com as mãos.
— Vou assim que o plantão acabar. Ainda tem muito o que fazer aqui.
Matteo fez um gesto leve com as mãos, como se já tivesse se acostumado com a cena. Ele conhecia o amigo o suficiente para saber que "quando o plantão acabar" era um eufemismo para "quando todo o trabalho possível já tivesse sido feito e não restasse mais nada para fazer."
— Claro, claro. Sempre a mesma história, Alessandro — disse Matteo, com um sorriso irônico nos lábios enquanto se preparava para sair. — Você praticamente implorou para o Vincenzo te liberar, e agora está aí, correndo pelos corredores como um sonâmbulo. Você não consegue desligar, né?
Alessandro levantou os olhos, um olhar cansado, mas não surpreso, encontrando os de Matteo. Eles tinham essa dinâmica, sempre se provocando, mas com uma compreensão mútua que ia além das palavras.
— Eu sei que você adora me ver dizendo isso, mas... — Alessandro deu um sorriso rápido, mas não convicto. — Eu não posso simplesmente ir embora assim. Tem muita gente dependendo disso aqui.
Matteo se encostou na parede do corredor, os braços cruzados, olhando para o irmão com uma mistura de preocupação e exasperação.
— Eu entendo, mas você não vai aguentar se continuar assim. Você já está no limite. E, se você não descansar, de nada vai adiantar essa sua dedicação toda. Não vai fazer bem para ninguém, nem para você, nem para os pacientes.
Alessandro olhou para ele, um lampejo de cansaço visível nos olhos, mas sem vontade de ceder. Ele sabia que Matteo tinha razão, mas o peso da responsabilidade ainda o mantinha firme.
— Eu sei, Matteo. Só não sei se vou conseguir descansar com tanta coisa na minha cabeça. Tem coisas que não consigo simplesmente desligar.
Matteo deu um suspiro, sabia que não ia conseguir fazer Alessandro ouvir de imediato. Mas, antes de virar as costas para seguir para outro caso, ele lançou um olhar de preocupação.
— Só não espere até cair para perceber que precisa de ajuda, irmão. — A voz de Matteo agora tinha um tom mais sério, mais um conselho do que uma provocação.
— Eu vou, Matteo. Quando der. — murmurou para si mesmo, sem realmente acreditar nas próprias palavras.
Antes que Matteo pudesse falar algo, Pietro entrou pela sala andando até a máquina de café.
— O que tá rolando? — perguntou Pietro, com a voz suave, enquanto despejava o café na xícara. Ele não parecia preocupado, mas era claro que já tinha notado o que estava acontecendo. —
— O teimoso do Alessandro, que já deveria estar em casa descansando... Como ele pretende pegar estrada com essa cara de sono? — completou, rindo baixinho e apontando para o rosto cansado de Alessandro.
Alessandro revirou os olhos, ainda não completamente disposto a ceder àquelas provocações. Mas, ao ver a expressão de Pietro, que parecia genuinamente preocupado, ele não conseguiu esconder o sorriso cansado.
— Não estou com sono, Pietro. Só estou... ocupado. — Alessandro respondeu, tentando manter o tom de firmeza, mas a exaustão na voz era inconfundível.
Pietro deu uma risadinha, mas logo se aproximou de Alessandro, com um olhar mais sério. Ele era o tipo de médico que não se deixava enganar pelas aparências e sempre tinha uma percepção aguçada das situações, especialmente quando se tratava dos colegas.
— Acho que isso é o máximo que podemos esperar de você, né? — Pietro falou, dando uma última olhada em Alessandro antes de virar para sair. — Amanhã a gente conversa, se você sobreviver a mais um plantão.
Alessandro não respondeu de imediato, mas não pôde deixar de sorrir. A franqueza de Pietro sempre conseguia quebrar a sua resistência. Ele sabia que, no fundo, seus amigos se importavam e estavam apenas tentando ajudá-lo a perceber algo que ele já sabia: estava no limite, e ignorar isso só o levaria mais rápido ao esgotamento físico e emocional.
Alessandro ficou em silêncio por um momento, os pensamentos se misturando, como se estivesse lutando contra algo dentro de si. Ele olhou para Pietro, que o observava com uma mistura de paciência e determinação. O neurologista sabia como poucas pessoas conheciam o limite de Alessandro, e, naquele momento, estava tentando forçá-lo a perceber o que ele já sabia: ele não estava bem.
A sala de emergência estava mais silenciosa agora, mas a tensão ainda pairava no ar. Alguns monitores bipavam suavemente, enquanto enfermeiros e técnicos continuavam a se mover com pressa, ocupados com outros casos. Mesmo assim, o ritmo já mais tranquilo da sala parecia contrastar com a tempestade mental de Alessandro.
Pietro, notando que o amigo estava à beira de ceder, deu um passo à frente e colocou a xícara de café sobre a mesa. Ele sabia que Alessandro estava a ponto de quebrar, mas também sabia que só ele poderia tomar a decisão de dar esse passo, mesmo que não quisesse.
— Vamos fazer o seguinte: — disse Pietro com uma leveza que, no fundo, escondia a firmeza de quem já tinha visto esse tipo de situação antes. — Por que você não vai na minha sala e descansa um pouco? Tenta dormir, cara. Matteo e eu damos conta de tudo. Qualquer emergência, chamamos você. Lá tem um sofá cama, dá pra você descansar um pouco.
Alessandro ergueu a cabeça, seu olhar fixo nas palavras de Pietro. Ele queria argumentar, queria dizer que não podia simplesmente abandonar o plantão, que alguém precisava estar lá, que ele não podia simplesmente "desaparecer". Mas a expressão de Pietro, que misturava uma preocupação sincera com uma leve exasperação, o fez hesitar.
Ele olhou para a porta da sala de emergência, para os outros médicos e enfermeiros correndo de um lado para o outro. Havia tanto para fazer, tantas vidas em jogo, e ele não queria deixar ninguém na mão. Mas, ao mesmo tempo, sua cabeça estava uma bagunça. O cansaço era palpável, e ele sentia os músculos do corpo tensionados, o sono se arrastando, mas ele ainda resistia, como se fosse uma questão de honra continuar naquele ritmo frenético.
— Pietro... eu... — Alessandro começou, mas foi interrompido pela voz calma e firme do neurologista.
— Você não vai conseguir fazer nada se desmaiar de sono no meio do plantão. Não adianta tentar ser herói, Alessandro. Você é humano. — Pietro falou, a voz sem pressa, como se estivesse convencendo um amigo que já sabia a resposta, mas precisava ouvir.
Alessandro deu um longo suspiro, fechando os olhos por um momento, e então, com um gesto cansado, passou a mão pelo rosto, como se estivesse decidindo algo muito mais profundo. Ele sabia que Pietro estava certo. Seu corpo já estava dando sinais claros de que ele não conseguiria continuar assim por muito mais tempo.
Ele olhou para Pietro, e então para a porta, como se ponderasse pela última vez. Mas a expressão séria de seu amigo e a constante pressão de seus próprios limites o fez dar o braço a torcer.
— Tudo bem. Você tem razão... — disse ele finalmente, com um tom baixo, quase cansado. — Eu vou dar uma descansada. Só um pouco. Só até conseguir pensar direito.
Pietro sorriu com leveza, sabendo que finalmente havia feito com que o amigo se rendesse. Ele já havia visto Alessandro em momentos de exaustão antes, e sabia o quanto era difícil para ele aceitar a necessidade de descanso. Mas, desta vez, ele estava convencido de que não havia outra saída.
— Isso é tudo o que pedimos, Alessandro. Vai lá, relaxa. Matteo e eu tomamos conta do PS. Qualquer coisa, a gente te chama. — Pietro deu um tapinha nas costas do amigo, em um gesto de apoio.
Alessandro hesitou um pouco, mas finalmente se levantou, sentindo a dor nas costas e no pescoço de tanto estar tenso. Ele deu um último olhar à sala de emergência, onde a equipe ainda estava coordenando os cuidados dos pacientes. Havia a sensação de que algo poderia acontecer a qualquer momento, mas, naquele momento, ele precisava realmente descansar.
Sem mais palavras, ele se virou e saiu da sala, indo na direção do corredor onde ficava o escritório de Pietro. A cada passo, sentia o peso do corpo ficar mais pesado, e a mente mais nublada. Ele odiava se sentir vulnerável, odiava admitir que precisava de um tempo, mas sabia que não tinha escolha.
Ao chegar ao escritório de Pietro, ele se acomodou na cadeira de descanso, jogando o jaleco sobre a mesa e apoiando a cabeça para trás. A sala estava silenciosa, e o aroma do café ainda estava no ar, mas, mais do que isso, ele sentia a sensação de que havia um alívio imediato. Não o suficiente para apagar o cansaço, mas o suficiente para dar-lhe um respiro.
Alessandro fechou os olhos por um momento. Em segundos, o ritmo frenético do hospital pareceu desaparecer, e ele começou a se entregar ao descanso que sabia que precisava. Mesmo que fosse apenas por uma hora, ele finalmente sentiu o peso da tensão começar a se dissipar.
Enquanto isso, na sala de emergência, Pietro e Matteo estavam dando conta de tudo. Matteo, com seu jeito calmo, tomou as rédeas de um caso complicado, enquanto Pietro, com sua presença tranquila, mantinha a vigilância sobre os sinais vitais dos pacientes neurológicos. Eles sabiam que Alessandro confiava neles, e, por isso, tinham certeza de que ele estaria pronto para voltar quando fosse necessário.
Mas, por enquanto, o hospital continuava a pulsar, e Alessandro finalmente teve um momento de pausa. Algo que, até aquele momento, ele sempre se negou a dar a si mesmo.
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