Capítulo 12

Despedaçado e em um estado de completa confusão, é assim que me encontro esta manhã, sem ânimo algum para ir a escola ou fazer qualquer outra coisa.

E o pior é que por mais que eu tente ou me esforce não consigo entender a Lucia. Não posso e me recuso a acreditar que eu tenha me enganado tanto a seu respeito, que eu possa ter simplesmente imaginado tudo, ela não é assim, não pode ser. Mas talvez o meu amor seja tão grande que me faz não querer ver o óbvio.

E até posso está sendo o maior idiota da terra por ainda ter qualquer sentimento por ela, mas é impossível esquecê-la.

Mas decido fazer um esforço para não pensar nela e em toda essa situação, mesmo não sendo uma tarefa fácil.

A única pessoa que estranhou meu comportamento foi Rose, e pelo que pude ver, ninguém notou que sair de madrugada, o que é muito bom, a última coisa que quero é explicar os motivos que me fizeram sair às duas da manhã.

Chego na escola e logo avisto Nathan, caminho em sua direção e assim que ele me ver sua expressão muda.

- O que raios aconteceu com você? Você está horrível. - ele pergunta assim que me ver, antes mesmo que eu chegue perto.

- Eu sei. - digo simplesmente, ele parece dizer algo mas não o ouço, na verdade tudo ao meu redor parece parar assim que a vejo.

Sabe quando seu mundo parece está desmoronado e você pensa que não pode ficar pior do que está?

Você está errado. Porque a vida vem e te mostra que você ainda não está destruído o suficiente e que tudo pode sim piorar. E como pode.

Sei disso, porque é exatamente isso que penso quando vejo Lucia, a garota pela qual estou completamente apaixonado, ao beijos com outro cara.

Essa cena consegue ser pior do que as palavras que ela me disse, e só então vejo o quanto fui idiota ao pensar que ela talvez sentisse algo por mim também. O quão ridículo fui em ter qualquer esperança, não sinto o chão  debaixo dos meus pés, só sei que ela conseguiu quebrar ainda mais meu coração, ou o que restava dele.

- Agora eu entendi tudo. - Nathan suspira.

- Você conhece ele? - pergunto sem tirar os olhos da Lucia.

- Sim, o nome dele é Jace. Mas isso não importa porque...

- É claro que importa. - digo ainda olhando para eles, Jace caminha até um carro e nesse momento percebo que já vi aquele carro antes.

Mas é claro, a primeira vez que vi a Lucia, nos falamos e logo depois alguém a chamou e ela entrou no carro. Era ele, e talvez sempre tenha sido ele, talvez sempre estiveram juntos.

- Eu pensei... Pensei que eles não estivessem mais juntos. - Nathan diz com cautela tentando ameniza as coisas. Mas isso é impossível.

- Eles namoram? - pergunto mesmo a resposta parecendo óbvia. Tudo é tão doloroso, sinto vontade de perguntar ao Nathan porque ele nunca mencionou que Lucia pudesse ter um namorado ou qualquer coisa do tipo, mas mesmo que tivesse, talvez não teria feito tanta diferença, pois acho que a amo desde a primeira vez que a vi.

Mas posso perguntar isso depois, pois logo vejo Jace indo embora, então começo a caminhar até Lucia, com a dor em meu coração aumentando a cada passo que dou, ela logo me ver e parece surpresa, o que é ridículo pois estamos na escola e obviamente eu iria ver o "casal".

Mesmo devastado me aproximo dela, não me importo se Nathan está nos observando ou qualquer outra pessoa. Eu preciso e tenho que falar com ela.

- Você tinha razão. - digo assim que me aproximo, a dor é evidente em minha voz, sinto as lágrimas nos meus olhos e o amor e a dor gritando juntos no meu coração.

Lucia está triste, parece até que vai chorar a qualquer momento. Mas provavelmente eu só esteja tentando me "iludir" como ela mesma disse.

- Sobre o quê? - ela pergunta.

- Sobre me magoar. - Lucia olha para baixo e não diz nada.

- Realmente não dependia de mim. - digo e saio antes que ela possa dizer algo, mesmo eu sabendo que ela não o faria.

                                ••
- Você não vai mesmo me dizer o que houve exatamente entre você e a Lucia? - Nathan pergunta pela milésima vez enquanto estamos lanchando.

As primeiras aulas passaram rápido sem eu prestar qualquer atenção no que qualquer um dizia, Liv até tentou falar comigo mas acabou desistindo quando viu que eu não estava afim de conversar.

- Não quero falar desse assunto. - respondo.

Não vejo a Lucia desde que falei com ela e Nathan me questionando sobre ela a cada cinco minutos também não está ajudando em nada.

- Está bem, eu desisto. - ele suspira. - Espero que você fique bem e que seja lá qual for a merda que ela tenha te feito, espero mesmo que você fique bem.

- Eu vou. - minto, fingindo um sorriso e sei que ele sabe que estou mentindo, apesar do pouco tempo que Nathan e eu somos amigos ele me conhece bem, só não tão bem quanto Lucia, ela me conhece de uma forma que ninguém jamais conheceu. Gostaria de dizer o mesmo sobre ela.

                                ••
As aulas finalmente chegam ao fim. Me despeço do Nathan e caminho até o carro sem olhar para os lados não quero correr o risco de vê-la.

Chego em casa e vou direto para meu quarto e pela primeira vez choro por Lucia, choro tentando colocar toda essa dor para fora, só quero que tudo isso passe, mas sei que não será nada fácil, pois a cena dela beijando aquele cara não sai da minha mente.

Passo todo o restante do dia no meu quarto e quando está quase na hora do jantar Rose bate na porta para me chamar.

Eu continuo deitado e digo a ela que irei descer logo. Continuo pensando na Lucia e agora em outra mulher, a minha mãe.

Dessa vez não é um pesadelo mas sim uma lembrança.

Lembro do dia em que ela e eu saímos de casa.

- Mamãe por que temos que ir embora? Por que o papai não vem conosco? - pergunto mas ela não me responde apenas chora.

- Mamãe? - insisto.

- Teremos uma vida nova agora querido, só eu e você. Acredite na mamãe, tudo irá ficar bem, seremos felizes acredite.

Ela disse aquilo mais para si mesma do que para mim, parecia que ela queria se convencer de que tudo iria ficar bem. Mas a verdade, é que não ficamos bem e nunca fomos felizes.

Ouço o meu pai estacionando seu carro então desperto dos meus pensamentos. Essa lembrança conseguiu me deixar mais triste do que eu estava, agora sinto a raiva e a mágoa saindo de dentro de mim, desço as escadas correndo e decido finalmente confrontar meu pai.

Talvez não tenha sido uma boa idéia ou a melhor hora, mas preciso mesmo colocar algumas coisas para fora e devo começar pelo início, ou seja, a separação dos meus pais.

- Por que você me abandonou? - pergunto antes mesmo dele abrir a porta direito.

- O quê? - ele pergunta surpreso.

- Por que me abandonou? Você não se separou apenas da minha mãe, mas de mim também. Eu era apenas uma criança! Você tem noção disso? - digo cheio de raiva e mágoa.

- Charlie, estou cansado demais para brigar com você hoje. - diz ele indiferente.

- Eu não estou brigando, só quero respostas. - digo agora com lágrimas nos olhos. Ele não responde. - Eu só tinha sete anos, era feliz, muito feliz e do nada tudo foi destruído, vocês se divorciaram, você sumiu da minha vida... E eu nunca soube o porquê. - neste momento Rose aparece e vejo que ela também está quase chorando.

- Rose coloque a mesa do jantar. - meu pai diz dando as costas para mim.

- Não, você não vai fugir dessa conversa. - entro na sua frente.

- Charlie. - ele diz impaciente.

- Nós éramos tão próximos, uma família unida e feliz, eu era feliz. - será que ele não consegue enxergar o tamanho do mal que a separação deles fez comigo?

Ele tenta se esquivar de mim novamente.

- Não. - não importa o que ele diga, cansei de esperar por essa conversa e hoje terei algumas respostas.

- Não pense que foi fácil para mim também Charlie. - pela primeira vez ele baixa a guarda e me surpreendi.

- Me parece que foi, já que nunca se importou em ir atrás de mim. - atiro. Ele não diz nada. - Algum dia pensou, nem que tenha sido só por um segundo em ir atrás de mim? - sempre quis saber isso, eu cresci esperando por ele, na esperança dele salvar minha mãe e a mim daquele inferno.

- Me diga. - pressiono.

- Sim. - responde ele baixo.

- Então porque não foi?

- Não iria adiantar nada. - o quê?

- É claro que ia, se você tivesse ido atrás de nós nada disso teria acontecido, minha mãe estaria viva e nós estaríamos felizes.

- Nunca fomos felizes de verdade.

- O quê?

- Exatamente isso que você ouviu, se você se prende a esse passado onde pensa que éramos felizes só para ter algo onde se apoiar...

- Do que está falando? - pergunto o interropendo, o que ele quer dizer com isso?

- Que não éramos essa família perfeita que você acha. - ele olha nos meus olhos sem qualquer sentimento a não ser certeza.

- Isso não é verdade! - digo com raiva.

- Não me importo se você acredita nisso ou não, apenas disse a verdade que sua mãe jamais teve a coragem de dizer para você. - diz ele pegando sua pasta da mesa.

Não digo nada.

- Você Charlie, é um erro dela. - ele me dar as costas e começa a subir as escadas, todas as suas palavras não fazem sentido, tenho vontade de questiona-lo de novo, mas não consigo.

Saio de casa correndo, Rose me chama mas não olho para trás, começo a andar completamente desnorteado e a frase que meu pai disse a pouco não sai da minha mente. "Você Charlie, é um erro dela."

Continuo caminhando sem parar e me dou conta de que estou indo em direção a praia, dou um pequeno sorriso ao perceber isso, talvez lá eu encontre a mesma paz que Lucia diz sentir quando está lá, é só o que quero agora, paz.

Chego e me sento na areia, cansado da caminhada e de tudo que tem acontecido na minha vida, a praia está vazia como sempre, fecho os olhos e sinto a leve brisa em meu rosto e permito que toda a lágrima que segurei durante o caminho saia. Começo a soluçar feito criança que se perdeu da mãe e nesse momento eu ouço o que apesar de tudo é o que realmente me traz paz. Ela.

- Charlie? - Olho para trás e assim que Lucia ver que estou chorando corre até mim e me abraça forte, e percebo que não importa o que aconteça é esse abraço que sempre irei querer, é ela, sempre foi ela. E sempre será.





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