.A escuridão em um amor.
Estava inconsolável. Meus pés latejavam nos sapatos, minhas pernas doíam pelo cansaço. Eu já andava sem parar por duas horas, não tinha certeza se o que eu queria era estar ao lado de Sávio. O que fez, a dominação sobre Mirandha mexeu comigo, eu jamais poderia dá-lo uma obediência daquela.
Não sou submisso!
Ponho o capuz da blusa de frio na cabeça para que a chuva não me molhasse.
Paro na frente do prédio onde Sávio morava, em minha mente só vinha as imagens de sua dominação sobre a garota. Estava com medo de subir e encontrar novamente o monstro que vi hoje. Eu não queria chorar, estou cansado de chorar. Mais eu o amava, e aquilo me consumia.
Quando percebi a porta do elevador se abre e eu me encontro no apartamento dele. Uma voz nervosa vinha de algum lugar.
"Não quero saber, ele está sem celular, sua bolsa está aqui... Esquece, ele chegou!... Obrigado!"
Tiro o casaco úmido pela chuva pondo sobre o sofá, onde me sento.
"Onde você estava, Alec? Você sumiu o resto do dia. Já são dez e meia da noite... Eu mandei você..."
Antes dele terminar a frase eu me levanto do sofá e fico a admirar a chama da lareira acesa.
"Fui tomar uma bebida ou três enquanto você cuidava da sua ex-namorada estranha, agora está com raiva de mim?"
"Por que está falando assim?"
Dou de ombro.
"Alec, qual o problema?"– Sua voz fez meu corpo arrepiar. Ouço outra coisa em sua voz. Medo?
"Me desculpe por não ter a obediência que merece..."
Ele se põe em minha frente e pergunta:
"O que você disse?"
"Me desculpe por não ser obediente. É verdade, não posso ser seu submisso. Esse tipo de submissão, não posso te propor!"– digo olhando fixamente em seus olhos azuis.
"O que você está falando? Não quero que seja meu submisso..."
"Porque fez aquilo com ela?"– pergunto esperando a resposta correta.
"Alec, ela estava armada, faria de tudo para subjugá-la!"– disse pondo a mão no bolso.
Olho para ele e reflito sobre uma coisa:
"Cadê ela? Está no quarto?"– digo cerrando o cenho.
"Pera aí, não, claro que não. Está num hospital psiquiátrico segura, de onde não pode sair!"– disse cruzando os braços.
Pego minhas coisas e...
"Não me deixa, não vai embora."– suplicou ele.
"Eu só preciso ficar sozinho, para pensar..."
Ele me olha.
"Não sirvo para você. Não posso ser tudo o que você quer."
"Você é tudo o que eu quero. Por que você está fazendo isso comigo? Isso não tem nada a ver com você, Alec. Tem a ver com ela."– Ele inspira fundo, correndo as mãos pelo cabelo.
"Eu sei do que vocês tiveram juntos..."
"O que? Não."– Ele se aproxima, e eu dou um passo para trás, instintivamente.
Ele baixa a mão, piscando. Parece tomado pelo pânico.
"Você está indo embora?"– sussurra ele.
"Sávio...eu..."
"Você não pode."–implora ele.
Ele corre o olhar ao redor da sala, agitado.
"Você não pode ir. Alec, eu amo você!"
Os olhos arregalados de pânico,e, de repente, ele está de joelhos diante de mim, a cabeça abaixada, as mãos espalmadas nas coxas. Ele respira junto e não se move.
Me assusto com a reação.
Puta que pariu... Sávio. O submisso.
"Não...não! Está tudo bem, se levanta!"– digo olhando para ele.
Sávio não me respondeu e fechou os olhos ainda de cabeça abaixada. Me ajoelhei em sua frente e segurei seu rosto.
"Sávio...olha para mim...abre os olhos."– soltou um gruído alto.
Ele me obedeceu.
"Não vou te deixar, jamais te largaria."– digo com os olhos lacrimejando por vê-lo naquela posição de submissão.
Ele abre cinco botões de sua blusa social. Me levanto pegando minhas coisas e me dirigindo até o elevador. Sávio me pegou pelo braço e pôs em seu peito com pelo ralos e marcas que nunca pude tocar, elas eram em alto relevo, pelos minúsculos cresciam na região.
"É assim que sou, de minha parte para sua. Sou seu por completo!"– disse me olhando.
Meus pulmões se encheram de ar, meu coração estava com uma palpitação irregular. Eu sabia o quanto isso era importante para ele. Agora eu tinha certeza, meu amor por ele, me consumia, e o seu amor por mim o transformava.
"Sávio..."– pulo em seu colo chorando e beijando sua boca.
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