Capítulo 1 - Único

Meu corpo está dolorido, meus olhos estão ardendo, minha pele, quente por conta do choro recente, meus pensamentos estão perdidos em nossas lembranças, a dor em meu peito pulsava ainda mais forte, a cada batida de meu coração, a sensação de que ele poderia se partir ao meio é real.

Meus olhos ofuscados observam o céu negro acima de mim enquanto meu corpo era tomado pela água fria da psicina, a noite estava abafada e meus pensamentos bagunçados demais para que eu permanecesse em meu quarto.

O pequeno cômodo havia se tornado estreito demais para mim e toda a dor que eu carregava do lado de dentro, as paredes em tons de cinza foram testemunhas de muitas noites de amor. Também foram elas que presenciaram quando você despejou sobre mim toda a frustração que havia em seu ser, deixando-me desolado, com um amor que foi vivido apenas de minha parte.

Suas palavras ainda pairam sobre minha mente, elas ainda têm o mesmo peso como naquele fatídico dia em que você partiu meu coração em um zilhão de pedaços, e jogou meus sentimentos por ti em uma lata de lixo, de onde ele ainda permanece. Pisou com seu salto agulha em meu coração, o fazendo explodir em gotículas por todas as partes.

Eu jurei não mergulhar mais nessas lembranças, jurei a mim mesmo que iria as apagar de minha mente, mas hoje, uma canção, a nossa canção tocou na estação local enquanto eu voltava do trabalho.

Eu estava ouvindo a rádio para mais uma vez distrair meus pensamentos, eu apenas tentava não me lembrar dos dias de sol em que jurei ser feliz ao seu lado. Estava tudo caminhando muito bem, mas aquela maldita canção começou, e com ela, uma avalanche de dor me tomou e eu mergulhei ali.

Lembro-me de estacionar o carro no acostamento da rodovia e abrir os vidros, eu precisava de ar puro, as lágrimas estavam me causando sufoco e o choro já não era tímido, a dor, aquela que eu escondia lá no mais profundo, essa começou a escalar as paredes de meu coração até o possuir mais uma vez.

Não foi algo fácil chegar até em casa, eu até cogitei a ideia de pular da sacada, mas de nada disso adiantaria, não é mesmo? Você não iria se importar, nem viria ao encontro do cadáver do seu ex-marido, não choraria por minha morte, afinal, você não sente nada, como me falou naquela noite...

— Eu apenas quero que você entenda, nunca existiu nós. — Você seca o suor que se forma em sua testa bronzeada. — Jaebeom. — Você respira fundo antes de recomeçar.

— O que você diz não me faz sentido algum. — Levanto da cama, meu corpo ainda se encontrava nu, devido ao fato de termos feito amor a poucos segundos.

— Lim. — Você prende seus fios negros e ondulados.

— Você ainda agora gemeu meu nome, de seus lábios saiam palavras doces. — Estou em sua frente e minhas mãos repousam sobre sua cintura. — O que houve para ter mudado tão de repente? — Estou confuso, mas em meu peito surge uma pontada aguda.

Suas mãos desistem de prender seus fios rebeldes e vão sobre meu peito desnudo ali ficam por poucos segundos. Seus olhos fixam nos meus e por um breve momento eu me sinto incomodado com a forma que eles parecem me engolir. Nunca havia visto aquela frieza neles, uma sombra pairava sobre as orbes esverdeadas.

— Eu não o amo, eu nunca o amei, Lim. — Meus olhos estão fixos em sua face, ela não demonstra nenhum sentimento, é como se eu olhasse para um pedaço de pedra. — Você é o único que ainda não percebeu isso.

— Mas, ma...

— Não existe mas, Jaebeom, é essa a nossa realidade. — Você começa a vestir as primeiras peças que se encontravam perdidas pelo chão do nosso quarto. — Não era você que eu esperava nesta tarde. — Você coloca a calcinha de renda vermelha, eu concluí que era nova, pois nunca a vi usando aquela peça.

— Você disse o que? — Meu peito doeu ao ouvir tais palavras.

— Isso mesmo que está imaginando, eu não o esperava porque.... — Ela pausou a fala para prender o fecho do sutiã que deixava seus seios fartos e marcados. — Porque esperava por outro homem.

Nesse momento sinto meu sangue ferver, as lágrimas já desciam sem cerimônia alguma, pouco me importava se ela estava me vendo.

Mas a dor maior ainda estava por vir, um sonho que eu jurava ser só meu se tornou de outro, e em quem eu mais confiava foi de onde veio a punhalada pelas costas.

— Você foi tão tolo, JB. — Dou um mergulho para refrescar minha mente, as lembranças estão me rasgando outra vez. — Como não percebeu antes?! — Estou a me perguntar enquanto passo tempo demais debaixo da água, o desejo pelo fim da dor é algo que grita dentro de mim, mas outra vez tomo a decisão de não pôr um ponto final e então as memórias voltam a atormentar.

— Você está me dizendo que está me traindo? — Estou no centro de nossa sala, vendo-a procurar por algo entre o sofá e as almofadas. — Me diga, quem é ele? — Eu sei que estava sendo humilhante aquilo.

— Creio que não deva saber, afinal, você não iria gostar. — Seu tom era tão calmo, como se ela dissesse sobre uma camisa nova que havia me comprado, mas aquilo era bem mais grave que um pedaço de pano qualquer.

Minha mulher, a qual eu jurei amar e ser fiel em frente a centenas de pessoas em um sábado da primavera a oito anos, me diz nesse momento que tem um amante como se isso fosse algo normal, e isso não é tudo. Segundo ela, nunca me amou de verdade, que tudo não passava de falsas palavras e juras vazias.

— Jaebeom, não dificulte mais isso. — Ela encontra o celular e parece conferir uma mensagem, um sorriso radiante brota de seus lábios. — Estou grávida ela diz.

Neste momento eu achei que tudo voltaria ao normal, que tudo não passou de um momento de loucura dado pela pressão de seus hormônios. Mas estava enganado, aquele sonho não era meu.

— Eu estou finalmente grávida. — Seu olhar encontra o meu e então sua felicidade se desmancha. — Não me olhe assim. — Reclama.

— Louise. — Você volta-se para mim. — Ele é meu? — É tudo que consigo perguntar, a dúvida me corrói.

— Não sei, não certamente. — Ela se joga no sofá vestida apenas com as peças íntimas enquanto acaricia a barriga que até o momento não tem nem sinais que um novo ser é gerado ali. — Você não é capaz nem disso, a dádiva da vida lhe foi negado, querido marido.

Tuas palavras são cravadas em mim e como uma espada elas deixam feridas sem tamanho que sangram. Como você consegue ser tão cruel, sabe tão bem quanto eu que desejei ser pai e que fizemos todos os tratamentos possíveis e que a seis meses tivemos uma esperança de você engravidar, eram poucas chances, mas ainda tinha esperança ali.

— E se for meu? — lhe pergunto tentando ignorar suas palavras. — O que vai fazer, ainda continuará com seu caso? — Eu não sabia o que falava, tudo estava confuso em mim.

— Não é seu. — Ela se levanta, seu olhar é duro.

— Como pode ter certeza, ainda a pouco disse não saber.

— Eu apenas sei. — Você está próxima, eu posso sentir seu respirar quente cruzar com o meu. — São semanas que não tínhamos nada, nem um toque.

Realmente eu a procurava mas eram sempre as mesmas desculpas, as dores de cabeça, problemas na empresa, uma comida que não lhe caiu bem. A semanas não vínhamos tendo uma relação de marido e mulher, eu deveria ter imaginado que algo estava acontecendo, mas você nunca me deu motivos para não confiar em ti.

Fui bobo ao imaginar que algo assim nunca chegaria em nossa relação, afinal, estamos todos sujeitos a passar por isso. Mas me neguei a acreditar que a doce Louise fosse capaz de algo tão sujo e baixo, você parecia amar nossos momentos e suas juras de amor fiel em todas as noites antes de adormecer em meus braços, me fez acreditar que era verdade.

As estrelas hoje estavam mais brilhantes, a lua estava tão redonda, nenhum sinal de mau tempo, seria uma noite perfeita para nadar ao seu lado. Maldito seja o dia que eu te jurei amor eterno nessas águas. Meus pensamentos gritam dentro de minha cabeça, que já dói por conta do choro.

Olho mais uma vez em volta e me pergunto de que vale ser presidente de uma empresa de grande reconhecimento, ter tudo que uma pessoa deseja na sua vida financeira, se eu não tenho o mais importante, o amor daquela mulher e o filho que hoje ela carrega nos braços.

Talvez dinheiro não seja o mais importante como muitos dizem no meu ciclo de amizade. Afinal, foi um simples funcionário que a levou de mim, que deu a ela o que eu não fui capaz de dar, e hoje é ele quem ela chama de esposo e a quem aquele garotinho de dois anos chama de papai.

Foi doloroso descobrir que não havia sido só uma traição, mas sim duas, e essa foi ainda pior.

Amar uma mulher e ver ela o deixando por um desconhecido é algo devastador, mas quando o outro é alguém que você viu crescer e se tornou seu amigo, alguém de sua confiança é ainda pior, foi assim que descobri que minha esposa tinha um caso de anos com meu amigo, Mark Tuan.

Os encontrar no restaurante que eu a levei quando pedi sua mão em casamento, foi uma das lembranças mais dolorosas que tenho. Ela estava tão feliz ao lado dele, eu via que ela o amava, eles estavam comemorando algo, talvez fosse o casamento deles que havia acontecido um dia antes deste encontro. Havia oito meses que ela havia saído de casa e três que finalmente me dei por vencido e assinei a papelado do divorcio.

Sua barriga estava enorme e você estava ainda mais linda, eu sempre imaginei como seria quando você estivesse à espera de nosso filho. Sonhei com cada momento, desde o descobrimento por meio de um exame, a emoção de ouvir o primeiro batimento de seu pequeno coração, tracei planos para o dia de seu parto.

Eu tinha tudo planejado, eu já podia ouvir o chorinho dele e sentir as lágrimas que iriam molhar minha pele. Mas nenhum destes planos se concretizou, e eu apenas pude a observar de longe, viver esse momento ao lado daquele que pouco fez por meus sentimentos.

Mark zombou de minhas emoções no fim daquela noite quando caminhei até sua mesa e os comprimentei com lágrimas nos olhos, eu pude ver seu olhar sem sentimento, as lágrimas que de teus olhos caíram, e então ele me enxotou como um animal, esquecendo que fui eu quem o fez, que deu a ele uma profissão e agora uma família.

Ele tinha tudo de mim, até mesmo a mulher que eu amava, a única coisa que eu tinha. Sempre fui solitário, ele foi meu único amigo em uma vida de dor, chorei para ele todas as vezes que me sentia atormentado pelo meu passado.

Eu não esperei por algo assim, nunca esperamos e nosso problema está aí, confiar.

Hoje eu não tenho mais confiança, não desejo amar outro alguém e talvez viver seja só um ritual do qual eu não tenho forças para sair. Ela ainda é quem atormenta minhas noites e faz de meus dias intermináveis.

Por algumas vezes eu a vejo pelos corredores da empresa de mãos dadas ao pequenino de cabelos negros como o da mãe, e sou torturado por sua voz fina ao chamar pelo homem de cabelos claros que o coloca no colo enquanto beija sua bochecha rosada.

— Papai.

É a única palavra que eu desejava que fosse direcionada a mim ao findar um dia de trabalho. Ser recebido por seus beijos e repousar minha cabeça em um travesseiro e ter a certeza que ali eu me sentiria feliz.

Eu não desejava muito dessa vida, nunca fui muito exigente.

Ela traçou meu destino naquela noite, deixou em mim um vazio no qual eu mergulho todas as noites, ao lembrar de suas falsas lágrimas sem sentimento, em suas palavras vazias e em um amor que nunca foi meu.

— Adeus.









Notas do autor:


Capítulo betado por@ZelosNation_ do blog 


Capa + Banner por @Webixing do blog @/MyeonDesign 

Essa fanfic também é postada no spirit fanfic na minha lá @/SrtaTaehy


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