Capítulo Vinte e Quatro

Miguel Martins:

Dois dias depois...

Sinto-me profundamente entristecido ao observar como os gêmeos continuam a sentir a ausência de Luigi e Stefano. Eles me perguntam diariamente quando os dois retornarão, mas, curiosamente, mantêm contato constante com os gêmeos. Para minha surpresa, Stefano revelou que seu irmão estava conversando diariamente com Júlia.

Luigi agiu de maneira peculiar desde que recebeu uma ligação no dia anterior sobre algo que não compartilhou com o irmão. Além disso, mencionou ter ligado para Rosangela e Mark, provocando expressões surpresas deles, mas mudaram de assunto rapidamente quando Stefano se aproximou.

A situação ficou ainda mais intrigante quando comentei com meu pai sobre minha insatisfação por ele se recusar a me apresentar ao namorado. Ele suspirou, lançou-me um olhar de desculpas e admitiu que estava hesitante, envergonhado pelo que havia dito ao namorado e pela liberdade que tem sentido após tudo.

— Pai! — exclamei ao perceber que ele começava a entrar em detalhes picantes sobre as conversas deles. — Informações demais.

Meu pai ficou envergonhado e sorriu na minha direção com uma expressão de culpa.

Ele recuou um pouco, percebendo que ultrapassara os limites da privacidade dele para mim depois de tudo.

— Desculpe, meu filho. Às vezes, esqueço que nem tudo precisa ser compartilhado — disse ele, tentando amenizar a situação. Decidi mudar de assunto, buscando uma conversa mais leve para dissipar o constrangimento.

— Eu sei, só fico feliz que está tudo bem com você e o namorado mais acho que deveria o conhecer — Falei. — Todos já o conheceram.

— Você vai conhecê-lo, e posso dizer que vai adorar — meu pai afirmou. — Ele conhece tudo sobre meu passado, me contou perfeitamente sobre o dele, inclusive seus defeitos do antigo casamento.

O brilho nos olhos do meu pai denotava a confiança e a cumplicidade que compartilhavam, deixando-me curioso sobre esse novo capítulo na vida dele.

Pelo menos tenho uma informação: esse misterioso namorado já foi casado.

Quando estava prestes a falar, ouvi uma expressão de susto vinda dos gêmeos enquanto passavam por nós, observando uma foto mostrada por Rosângela. Pietro estava atrás deles, soltando uma risada.

— Quem é esse? — Alison perguntou, surgindo com Elsie, que usava um macacão azul-claro que me fez tirar uma foto.

— O pai do Luigi e do Stefano — respondi, me aproximando para compartilhar mais sobre essa peça intrigante do quebra-cabeça familiar.

— Devo admitir que o pai deles parece um monstro de tão musculoso que ele é! Misericórdia — comentou Alison, e as crianças riram.

Meu pai se levantou, achando graça na situação.

— Achei que tivesse sido o único a pensar isso, que ele era um monstro — disse ele divertido. — Me assustou quando veio buscar os meninos.

A atmosfera descontraída aliviou a tensão anterior, transformando o momento em uma divertida troca de observações sobre o senhor Greco.

— As pessoas pensam isso dele mesmo — comentei, recordando vividamente o momento em que o conheci. — Fiquei assustado e chorei quando o conheci pela primeira vez. Ele ficou desesperado ao me ver naquele estado.

A lembrança da reação dele diante da minha apreensão ressoava.

— Mas ele parece com todos aqueles músculos e o tamanho — Meu pai disse. — Agora, vamos deixar isso de lado. Temos que fazer algumas compras para casa que Rosangela pediu.

Alison passou Elsie para os braços de Pietro, e a bebezinha sorriu para o irmão mais velho.

— Então, vamos à feira e depois ao mercado — Alison disse, e percebi que ele já está se acostumando muito bem em morar na cidade.

— Vamos às compras — falei. — Obrigado por ficar de olho nas crianças.

— São meus irmãos mais novos — Pietro disse com um sorriso.

Apertei delicadamente o ombro dele e dei um beijo nas crianças antes de sairmos de casa, com meu pai logo atrás.

— Pai, você está com a lista? — Perguntei.

Meu pai mexeu no bolso da calça e tirou um pedaço de papel, entregando-me uma lista bem extensa. Percebi que poderíamos dividir as tarefas entre nós três ao chegar na feira da cidade.

Rosângela sempre gostava de comprar tudo o que seria muito necessário para a casa. Mesmo cuidando agora do Eric, segundo ela, nós, o restante do pessoal, não sabíamos como cada coisa que usamos em casa deve ser escolhida. Era algo complicado, mas mesmo que ela sempre diz que as coisas são uma brincadeira da parte dela.

*******************

Como explicar a feira da cidade? Bem, é um local onde as pessoas sempre se encontram para comprar produtos de limpeza, higiene e alguns alimentos essenciais para a saúde e uma boa alimentação.

A feira possui cinquenta por cento dos itens que Rosangela pediu. Ao chegarmos, eu dividi a lista entre todos e disse que nos encontraríamos na entrada após conseguirmos tudo o que precisávamos.

Adentrando mais na feira, deparei-me imediatamente com três produtos da minha parte da lista. Estava tão concentrado em minhas compras que nem percebi quando alguém se aproximou.

— Olá, Miguel — Levei um susto e olhei para a figura disfarçada. — Sou eu, Alice.

Ele usava um disfarce meticulosamente elaborado: um chapéu de aba larga que sombreava seus olhos, óculos escuros elegantes escondendo parte do rosto e um casaco longo que o envolvia, dissimulando sua figura. A escolha das cores neutras e o jeito casual, porém elegante, sugeriam uma tentativa de passar despercebido enquanto mantinha uma aura de mistério. Seus passos eram leves e rápidos, adicionando uma camada adicional de discrição à sua presença na multidão movimentada.

— Oi, Alice — cumprimentei. — Por que está toda disfarçada?

— Estou seguindo o Dener com um outro agente — Alice respondeu. — Ele está nesta feira. Quando te vi, aproveitei para iniciar uma conversa e despistar. Há algo que preciso te contar com urgência.

— Ele está aqui! — exclamei, olhando ao redor. — Onde? E obrigado por me envolver no seu plano, mas me diz o que tem que me contar.

— De nada — disse Alice, piscando um olho. — Estou vindo agora porque queria aproveitar o tempo com seus filhos, o Alison e a bebê. Então, sobre o que eu precisava te contar... —O telefone apitou, e Alice rapidamente o atendeu. — Quem ele encontrou?

Alice me encarou, pegou minha mão sem aviso e saiu me puxando entre as barracas dos feirantes. Ouvimos alguns xingamentos enquanto ela os atropelava, mas devo admitir que essa garota corre como se fosse uma máquina.

— fiquem de olho neles — Ouvi Alice falar pelo fone. — Estou chegando!

— Alice, o que você iria me contar? — perguntei, ao mesmo tempo que ela parou atrás de uma barraca. Recuperei meu fôlego e olhei para a garota, que estava observando algo do outro lado da barraca.

Fiz o mesmo e não pude acreditar na cena que se desenrolava diante de mim. A poucos metros da barraca onde Alice e eu estávamos, em um local mais isolado, forcei um pouco os olhos e vi a parte de trás da nuca de Dener. Para minha surpresa, ele usava uma calça jeans e uma blusa amarela. Complementarmente das imagens que via dele usando ternos super luxuosos.

Foi então que reconheci meu pai, que estava à sua frente soltando uma risada divertida. Apesar da significativa diferença de altura entre eles, em questão de segundos, Dener Robson se moveu, e para meu choque, ambos estavam se beijando. O pior de tudo foi perceber que meu pai retribuiu o beijo de maneira complementarmente animada.

— Que merda é essa? — sussurrei para Alice, em descrença.

— Era isso que eu queria te contar. Eles têm se encontrado muito — disse Alice, apertando meu ombro com firmeza. — Agora se acalma. Um dos meus agentes colocou uma escuta e câmera ali perto!" Alice me puxou para trás da barraca, pegou o celular dela, digitou um código e começou a reproduzir a voz do meu pai e de Dener junto com uma imagem.

Realmente amo essa família.

— Como tem passado? — meu pai perguntou com certo divertimento, afastando-se de Dener, as bochechas levemente avermelhadas. — Posso dizer que não esperava ser recebido dessa maneira.

Dener riu levemente.

— Só queria fazer uma surpresa para você — Dener disse, sua voz carregada de emoção. — Eduardo, depois desses dias, eu quero dizer que gosto de você de verdade.

— Dener, seu bobo — Meu pai disse, rindo. — Também gosto de você, e olha que você vem mudando que até meus netos e a até a Rosangela gostam de você que me perguntam quando vai nos visitar.

— Eu também gosto deles, mas eu amo mais você e tê-lo sozinho nos meus braços me deixando mais feliz ainda do que nunca fiz — Dener disse, fazendo um carinho no rosto do meu pai. — Porque você trouxe a luz na minha vida.

— Você acaba sendo muito fofo quando quer — Meu pai disse e beijou Dener no pescoço. — Mas acho que deveria contar ao meu filho, ele merece saber assim com o Edu também merece.

O clima romântico envolveu a cena, e a conexão entre eles era palpável.

Dener fez uma expressão estranha, e ali, meu queixo caiu ao perceber que aquele homem estava com medo de mim da minha reação e do que o Edu poderia fazer.

— Eles me odeiam — Dener disse, e não tem como discordar totalmente disso. — Assim como a família do Edu, mas não posso culpá-los por sentirem isso. — Ele suspirou. — Eu era um idiota e ainda só pensava no poder. Quando o Edu preciso de mim anos antes eu não fiz nada e o deixei sofrer sozinho do que a Samira fiz contra ele.

— Eles...só precisam ver seu novo lado — meu pai disse e notei que o mesmo ficou sem saber o que dizer.

Dener não está completamente errado. Nós o odiamos pela maneira como tratava meu irmão e por não ter sido um apoio. A única coisa que deu de coração para o Edu foram as ações da antiga empresa que ele tinha antes de se casar com a víbora da Lisa.

— Não adianta dizer que eles não me odiavam — Dener disse e sorriu quando meu pai ficou sem graça. — Você fica fofo sem graça.

O clima tenso foi quebrado pelo sorriso de Dener, e meu pai, constrangido, tentou disfarçar. A tensão no ar começou a se dissipar, substituída por uma atmosfera mais leve e descontraída.

— Vamos dar uma chance a isso, então — disse Dener, com um olhar determinado. — Eu sei que tenho muita coisa para provar, mas estou disposto a mudar.

Meu pai, ainda meio sem jeito, concordou com um aceno de cabeça. Era evidente que a dinâmica entre eles estava mudando, e eu me encontrava no meio de uma situação que jamais poderia ter previsto.

Quando reparei meu pai o beijou e com paixão e Dener retribuo na hora e olhei pro lado.

— Miguel... — Alice começou e foi cortada por um grito.

— EDUARDO, O QUE ESTÁ FAZENDO COM ESSE HOMEM? — Reconheci na hora a voz do Alison. A tensão na cena aumentou, e todos os olhares se voltaram para a fonte do grito, revelando um novo capítulo inesperado nesse encontro na feira.

Olhei para o celular de Alice, e Alison se aproximava do meu pai, que estava apavorado, enquanto Dener o encarava.

— Vai dar merda — Alice falou e tocou no fone. — Advogado Babaca, preparem os agentes se o Alison fizer alguma coisa.

A tensão no ar atingiu um novo patamar, e todos estavam à espera do que aconteceria a seguir.

Não sei o que me levou a correr do esconderijo e parar no meio de Alison que ainda estava encarando meu pai e Dener com uma expressão de surpresa. O silêncio tenso pairava enquanto todos aguardavam minha reação, e eu me via no epicentro de uma situação complexa e emocional.

— Miguel — Meu pai e Alison falaram juntos. — O que está fazendo aqui?

— É uma longa história! — Respondi. — E você, Alison?

— Procurando os meus produtos. Perguntei para alguns feirantes e me falaram para vir até aqui — Alison disse. — Dizendo que o novo feirante é o melhor! E cheguei e me deparei com a cena do seu pai e Dener abraçados se beijando — A surpresa e perplexidade estavam estampadas no rosto de Alison.

— Eu vi também até agora pouco — Falei e me virei na direção do meu pai e na de Dener. — Pai, porque não me contou que o seu namorado misterioso era o Dener porque não me contou.

Mesmo sem evitar, olhei para sua direção com decepção.

— Eu... — Pai parou de falar e ficou tonto novamente, Dener o segurou antes de cair no chão. Meu pai colocou a mão na cabeça, e seus olhos perderam o foco por um momento. Vi uma expressão de confusão e, de repente, como se uma onda de coisas o atingisse, seus olhos se arregalaram. As emoções passaram por seu rosto, desde a incredulidade até a aceitação, enquanto parecia que eles estava recuperando detalhes esquecidos há muito tempo. Foi como se um véu estivesse sendo levantado, revelando verdades enterradas para ele.

Meu coração acelerou quando ele me olhou com tanta emoção.

— Pimpolho — ele disse, o apelido que me chamava na infância, e meu coração acelerou ainda mais. — Eu lembrei de tudo!

As palavras ressoaram no ar, carregadas de significado, enquanto a intensidade do momento se desdobrava diante de nós.

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