Capítulo Quarenta e Quatro

Miguel Martins Reed:

Dois meses depois....

Olhei para a roupa em cima da minha cama e não pude acreditar que já se passaram dois meses desde o meu casamento. Hoje é o casamento do Arnold, e percebo que meu amigo está duas vezes mais nervoso do que eu estava no meu próprio casamento.

Além disso, o casamento dele está marcado para daqui a três horas e meia, em um local um pouco distante da cidade. Surpreendentemente, ele optou por não utilizar a cabana que eu escolhi para o meu casamento. Segundo ele, a cabana já estava associada às lembranças do meu casamento, e ele desejava preservar memórias únicas em um local diferente.

O mais curioso é que o casamento dele terá um tema: País das Maravilhas. Meu amigo tem um gosto peculiar para decoração, e nos últimos dias, tenho me divertido bastante ao ver as transformações engraçadas no local da cerimônia. Sempre que penso nisso, solto uma risada, e até o Alisson, que será padrinho, se diverte com os trajes inusitados que os padrinhos usarão.

O tema País das Maravilhas adiciona um toque único à celebração. Fiquei surpreso ao ver as roupas das crianças que, ao experimentá-las na loja, ficaram ainda mais adoráveis. O modo como cada detalhe é planejado pelo meu amigo só aumenta a expectativa para esse evento especial.

Saí dos meus pensamentos ao ouvir um latido, e ao olhar para baixo, deparei-me com Nala sentada no chão, me encarando atentamente.

— Nala! — Ouvi a voz de Pietro chamando enquanto ele surgia na porta, a cachorrinha se virou e o mesmo a pegou no colo. — Já está se arrumando, pai?

— Daqui a pouquinho, você também deve ir se arrumando — Respondi, e quando ele estava prestes a se virar, o chamei novamente. — Espera.

Ele parou e se virou para mim.

— Sim! — Pietro disse. — Do que está precisando?

— Aconteceu alguma coisa com você recentemente?— Perguntei, e ele balançou a cabeça negando. — Pietro, você começou a gostar de alguém? Sinto que os seus pensamentos estão longe nos últimos dois meses e isso é algo que todos vêem. — ele sorriu envergonhado. — Até a Elsie me perguntou esses dias se o irmãozão dela está bem da cabeça.

Foi muito fofo quando minha filha mais nova me fez essa pergunta, e a Adele apontou para Pietro de maneira totalmente desconfiada. Giulio ainda acrescentou que sempre vê o irmão escondendo o celular quando alguém passa, tudo em questão de segundos.

Tenho meus pequenos espiões; é claro que eles logo entregam se oferecer alguma guloseima. Já descobri várias coisas que meu pai, Rosangela, Mark e Alisson fizeram escondidos de mim através das crianças.

— Não, mas tem um garoto que diz que gosta de mim, e toda a escola sabe e fica me enchendo a paciência— Pietro disse, ajeitando Nala como se fosse um bebê no colo. — Mas esse menino, sempre que vê uma oportunidade, está aos beijos com alguém que se declara pra ele e depois fica correndo como se me devesse alguma explicação e está me enlouquecendo até com as mensagens de declaração dele.

— Caramba, hoje em dia os jovens não perdem uma — Comentei, surpreso, e Pietro riu.

— E todas as vezes, eles vêm correndo atrás de mim, falando que me amam e que não vão fazer outra vez — Pietro continuou. — E vão fazer novamente. Minha amiga Layne diz para deixá-lo ser idiota e continuar com isso e dar um soco na cara dele.

— Sua amiga está certa em dizer isso — Afirmei. — Menos na parte de dar um soco na cara dele, como adulto responsável devo dizer para fazer isso se for necessário. Mas não dê atenção a esse garoto. Que parece ser um grande idiota.

— E ele é um idiota, mas eu não dou a mínima pra ele — Pietro disse. — Antes de tudo, devo me amar em primeiro lugar.

— Que orgulho do meu garoto — Falei emocionado. — Pois é assim mesmo, amor próprio antes do amor por outra pessoa! Agora vá se arrumar. Daqui a pouquinho, estamos saindo de casa!

Ele assentiu e saiu do meu quarto para se trocar, pois já tinha tomado banho logo após o nosso almoço.

****************

Coloquei uma roupa que lembrava as cores da lagarta, e sabendo que Alison usaria a mesma vestimenta, escolhemos roupas comuns para as crianças, buscando apenas alguns detalhes que lembrassem um pouco os personagens do livro ou do filme.

Ao descer para o andar de baixo, encontrei todos me esperando. Os gêmeos estavam simplesmente adoráveis em seus ternos de sapos, semelhantes aos que trabalham para a Rainha de Copas. Fiquei encantado, especialmente com Elsie representando a Lebre de Março. Não resisti e tirei mais uma foto dos três juntos.

— O que achou, papai? — Adele perguntou.

— Vocês são uma gracinha! — Respondi, beijando as bochechas dela, de Giulio e de Elsie. — Muito fofos!"

— Papai, é fofo. — Elsie disse, abraçando-me.

— O mais maravilhoso de todos. — Giulio afirmou, balançando a cabeça, o que me fez rir.

— Minhas três fofurinhas. — Comentei.

Levantei a cabeça na direção de Alisson que abriu a boca em segundos.

— E eu? — Alison perguntou.

— Está lindo demais que iria me apaixonar novamente se fosse possível — Falei, beijando sua bochecha.

— Posso dizer o mesmo — Alisson disse me pegando pela cintura e me deu um selinho.

— E que tal o Júlio? — Rosangela perguntou, surgindo com o neto nos braços, vestindo-se da mesma forma. — Muito lindo, não é?

— Sim, ele é a coisa mais fofa do meu mundo — Erick disse, aparecendo com Mark atrás dele, que lembravam aquelas cartas que formavam o exército da Rainha de Copas.

— Meu sobrinho é uma gracinha. — Mark disse, pegando o bebê no colo e fazendo caretas para arrancar risadas dele.

Avô, pai e tio coruja e babão, uma presença comum em qualquer família. Não julgo, afinal, sou do mesmo jeito.

Meu pai apareceu, acompanhado por Dener Robson, que estava vestido com roupas que lembravam o Coelho Branco.

— Vamos? — Papai perguntou.

— Ainda falta o Pietro! — Alison disse, e nosso filho apareceu vindo da cozinha, vestido como o Gato de Cheshire.

Pietro estava vestindo um terno elegante que lembrava as cores vibrantes do Gato de Cheshire. O paletó ajustado apresentava nuances de roxo, rosa e azul, criando uma harmonia cativante. A camisa branca de botões contrastava com a gravata borboleta, adornada com padrões lúdicos, dando um toque divertido e peculiar ao conjunto. As calças, seguindo a mesma paleta de cores, completavam o visual, destacando a personalidade única de Pietro no contexto do tema "País das Maravilhas".

— Estava colocando comida e água para a Nala, que durará o resto da tarde e da noite para que ela não ficasse com forme ou se sentisse sozinha, coloquei os brinquedos perto da cama dela. — Pietro disse. — Agora, podemos ir.

Saímos de casa em três carros, e enquanto íamos a caminho, recebi uma mensagem do meu amigo, ansioso para saber onde estávamos. Respondi que estávamos saindo de casa, e ele respondeu que estava esperando, expressando sua ansiedade e nervosismo.

Minha previsão de que ele estaria mais ansioso do que eu se confirmou! Após quarenta minutos de trajeto, chegamos ao local, e meu queixo literalmente caiu ao contemplar a beleza do ambiente e da decoração. Era um espetáculo visual que superou todas as expectativas.

Ao chegarmos, fui surpreendido pela deslumbrante beleza do local escolhido para o casamento do Arnold. O ambiente era um misto encantador de elegância e fantasia. Estávamos em um amplo jardim, onde as mesas estavam dispostas em meio a uma profusão de flores vibrantes.

A decoração transportava todos para o "País das Maravilhas". Cenários deslumbrantes, como se saídos diretamente do livro, cercavam o local. Flores exóticas, tons de cores vibrantes e detalhes encantadores compunham cada centímetro. Mesas adornadas com toalhas estampadas, lembrando os personagens icônicos, e pequenos detalhes que remetiam à magia da história.

Luzes suaves iluminavam o ambiente, criando uma atmosfera mágica e acolhedora. Era impossível não se perder na imersão daquele mundo fantástico que se desdobrava diante dos nossos olhos. A dedicação à decoração transformou o local em algo digno de conto de fadas, refletindo o cuidado e o amor dedicados à celebração do casamento.

Ao estacionarmos, pude observar a movimentação frenética das pessoas, dedicadas a aprimorar cada detalhe da decoração. Dirigi-me a uma tenda, informada de que Arnold estava lá dentro, e meu pai e eu seguimos para encontrá-lo.

Ao adentrar, deparei-me com meu amigo vestindo um traje que evocava as roupas da Alice, com a exceção do barrigão de sete meses que o diferenciava de forma encantadora.

— Estou muito nervoso! —Arnold confessou.

— Eu também fiquei, mas não se preocupe, o casamento sempre deixa qualquer um nervoso — Falei. — Só saiba que vai ser um arraso, como tudo que o meu magnífico amigo faz.

Arnold riu.

— Lembre-se que você está lindo e nada vai falhar — Meu pai afirmou. — Estou orgulhoso de que você vai se casar com a pessoa que você ama.

— Também estou emocionado que vou me casar com o homem da minha vida e pai do meu futuro filho — Arnold expressou emocionado. — Este é o melhor dia da minha vida.

Assim, compartilhamos esse momento especial até que chegou a hora de iniciar o casamento, envoltos em emoções que só se intensificavam na contagem regressiva para a celebração.

*************

O casamento foi uma jornada de emoções, desde o início até o emocionante desfecho. O momento em que meu pai entregou a mão de Arnold a Thomas foi tão comovente que não consegui conter as lágrimas, especialmente quando os gêmeos, com toda a sua inocência, levaram as alianças.

Elsie, animada, aplaudiu os tios, ainda radiante por ter recebido flores minutos antes. Sua alegria se manifestou quando receberam beijos nas bochechas.

Arnold e Thomas compartilharam votos tão tocantes que era impossível não se emocionar. A atmosfera estava carregada de amor e promessas sinceras. Quando percebi, já era hora da festa, e nos lançamos na celebração deste evento magnífico.

A alegria continuou a transbordar enquanto comemorávamos, culminando no momento em que Arnold e Thomas tomaram a pista de dança. A música envolvente tornou o momento mágico, e eu simplesmente amei testemunhar a felicidade irradiar deles enquanto dançavam, celebrando o início dessa nova e emocionante jornada juntos.

A pista de dança tornou-se o palco de uma coreografia que traduzia a cumplicidade e o amor entre Arnold e Thomas. Os dois moviam-se graciosamente, como se estivessem em sua própria dimensão, ignorando o mundo ao redor. Os olhares trocados revelavam uma conexão profunda, ecoando as promessas feitas durante a cerimônia.

A música embalava a dança, envolvendo todos os presentes numa atmosfera de celebração. O brilho nos olhos de Arnold e Thomas era inegável, irradiando felicidade e realização.

Enquanto observávamos essa cena tocante, a energia festiva se intensificou, e logo todos se juntaram à pista de dança, formando um círculo de alegria e comemoração.

A próxima cena nos leva ao momento em que Arnold e Thomas, cercados pelos amigos e familiares, decidem fazer um brinde. Levantam suas taças, e em meio a sorrisos e olhares significativos, compartilham palavras de gratidão e amor. O ambiente ressoa com aplausos e felicitações.

E assim, a noite continuou, repleta de risos, dança e memórias preciosas, marcando o início dessa nova fase extraordinária na vida de Arnold e Thomas.

Cada nota musical tocada durante a festa era como uma sinfonia de emoções, envolvendo-me de uma maneira que me fez genuinamente feliz. Observar todos ao meu redor compartilhando sorrisos, dançando com alegria genuína e celebrando de coração tornou esse momento ainda mais especial. A atmosfera de felicidade era palpável, e eu me emocionava a cada melodia, grato por testemunhar a autenticidade da alegria que preenchia o ambiente.

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