Capítulo Dezessete

Miguel Martins:

Nada, não consigo encontrar uma roupa para o encontro, e não sei o que fazer. Tudo que experimentei não parece se adequar a mim.

Agora sei como Arnold se sentia quando ligava para mim e dizia que não conseguia encontrar nada para sair com Thomas!

Eu já vasculhei meu guarda-roupa de ponta a ponta, experimentei diversas combinações, mas nenhuma delas parece certa para o encontro. Estou começando a me sentir um pouco frustrada com a situação.

A escolha de roupas para um encontro é tão crucial, e parece que nada está atendendo às minhas expectativas. Arnold sempre mencionava essa dificuldade quando ele mesmo enfrentava esse dilema ao se preparar para sair com Thomas. Agora, eu entendo completamente o quão estressante pode ser essa busca pela roupa perfeita.

Parece que estou presa em um ciclo de indecisão, e a pressão está aumentando à medida que o horário do encontro se aproxima. Será que devo tentar uma abordagem completamente diferente ou recorrer a uma opção que eu já descartei? A ansiedade está tomando conta, e eu só quero que essa busca por um look adequado termine com sucesso.

Desistindo de tudo, optei pela opção mais sensata no momento. Peguei meu celular, que estava jogado em cima da cama, e disquei o número do Arnold. Chegou a vez dele me ajudar a escolher uma roupa para o meu encontro.

— Oi, Miguel! — Arnold disse do outro lado e parecia cansado. — Fala logo, estou muito ocupado!

— Até imagino, ocupado com o quê? — Falei debochado. — Mas preciso da sua ajuda para escolher uma roupa para um encontro com o Alison.

Houve um silêncio e ouvi um gemido; estava quase desligando, pois não sou obrigado a ouvir meus amigos fazendo sexo. Algo que nunca quero ouvir nessa vida.

— Me fale as opções! — Arnold pediu. — Diga todas e bem rápido!

— Pode deixar, cadela no cio! — Falei e comecei a descrever as roupas que tenho e as que acho que serão boas para esse encontro.

Não sei se Arnold concordou com as roupas ou estava gemendo mais. Só fui contando as opções de roupa e combinações até acabar todas.

— A calça jeans com a camiseta branca e a jaqueta de couro — Arnold disse . — E um preservativo! Agora que já te ajudei, vá e tenha um bom encontro!

Sem esperar que eu respondesse, ele desligou e deve ter voltado à sua noite de intimidade com o namorado e pai do filho dele.

Balancei a cabeça, fui separar a roupa e guardei as outras no guarda-roupa. Quando terminei, fui checar as crianças e ver como estavam. Estava certo, estavam brincando, ignorando-me como se eu fosse um boneco desinteressante que não valesse a pena olhar, o que me magoou.

Só lembram de mim na hora de comer ou comprar algo para eles!

Fiquei ali mais um pouco e decidi ir tomar meu banho assim que ouvi as vozes de Alison e papai subindo as escadas. Saí correndo para dentro do meu quarto, pois não quero ver Alison até a hora do encontro agora.

Mas falta pouco, já são seis horas e falta apenas uma hora!

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Tomei meu banho e, ao sair do chuveiro, me enxuguei calmamente. Ao vestir minha roupa, apliquei um pouco de perfume para ficar cheiroso. Peguei o celular e o coloquei no bolso da calça, saindo do meu quarto a passos decididos em direção à escada, como se estivesse em uma daquelas cenas clichês de filmes de comédia romântica adolescente.

No final da escada, estava Alison usando uma calça jeans e uma camiseta preta, com uma cesta de piquenique e uma toalha no braço.

Nossos olhares se encontraram, ele perdeu o fôlego, e desci as escadas em sua direção. Ouvimos um assobio quando cheguei ao último degrau, e olhei para a sala, onde meu pai estava sentado no sofá, sorrindo levemente na nossa direção.

— Como estou? — Perguntei e dei uma viradinha para meu pai.

— Está lindo! — Papai falou, por alguns segundos ficou tonto, e fui até ele preocupado. — Estou bem, isso me lembra como foi a sua roupa de formatura na escola!

— Pai, você lembrou disso! — Falei feliz da vida. — Não lembrou de tudo, mas é mais um passo andado!

Sorri emocionado com a lembrança de meu pai e a conexão que ele fez com aquele momento especial da minha formatura na escola. Fiquei grato por ele ter compartilhado essa memória e por reconhecer o significado do meu esforço.

— É mais um passo, sim, e estou feliz por compartilhar esse momento contigo, pai. — Abraçamo-nos brevemente, expressando um carinho que transcendeu as palavras.

Ao nos afastarmos, percebi que Alison nos observava com um sorriso caloroso. Senti uma onda de emoções positivas, misturadas com um toque de nervosismo, antecipando o encontro que estava prestes a acontecer. Com um suspiro de gratidão, olhei para o relógio e percebi que era hora de seguir em frente.

— Fico feliz com isso — Alison disse sorrindo.

— Deixa isso de lado — Papai falou. — Vão logo para o seu encontro e tomem cuidado!

Não sei se meu pai quis dizer no sentido literal, referindo-se à estrada, ou de outra maneira que me fez olhar para sua direção chocado, com as bochechas começando a esquentar de vergonha.

— Pai! — Falei escondendo meu rosto entre as mãos. — Alison, vamos!

Peguei a mão de Alison e o puxei para fora da casa, vendo meu pai nos desejar boa sorte e dizer que cuidará bem dos netos dele.

Entramos no carro, com Alison colocando a cesta e a toalha no banco de trás, e partimos em direção à cabana.

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A viagem levou cerca de quarenta minutos, mas não perdemos o clima, pois Alison ligou o rádio do carro e a música foi nossa companhia até a cabana da cachoeira. Devo admitir que as estrelas estavam lindas nesta noite.

Rapidamente chegamos à cabana e percebi que nada mudou desde a última vez que estive aqui. Uma casa grande e alguns metros de distância, uma cachoeira que seria a cena de um casamento em qualquer filme romântico.

E está perfeita; com certeza, meu pai deve ter contratado algumas pessoas para limpar este lugar e não deixar que perdesse sua beleza!

Ao sair do carro, fomos envolvidos pela brisa suave da noite e o som suave da cachoeira ao longe. A paisagem ao redor da cabana era simplesmente deslumbrante. O terreno estava iluminado por luzes suaves, destacando a beleza natural da área.

O gramado verde se estendia até a beira da cachoeira, onde as águas caíam em cascata, criando uma melodia relaxante. As estrelas pontilhavam o céu escuro, proporcionando um espetáculo celestial que parecia pintado à mão.

A cabana em si mantinha seu charme rústico, com uma varanda acolhedora que convidava a apreciar a vista. O som da natureza misturava-se à música distante do riacho, criando uma atmosfera serena e romântica.

— É incrível como este lugar permanece tão encantador. — Comentei, olhando ao redor maravilhado.

Alison sorriu e, segurando minha mão, caminhamos em direção à beira da cachoeira, onde a magia da noite parecia ganhar vida.

— Aqui é lindo! — Alison disse. — Vamos ao nosso encontro!

— Vamos! — Falei, divertido. — Quero que me surpreenda.

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Alison Reed:

Devo admitir que este local é realmente lindo. Já me vejo vindo aqui em todos os encontros futuros com Miguel, que parecia maravilhado ao ver esta cabana. A cachoeira era espetacular, e eu imaginava o cenário perfeito para um casamento.

Balancei a cabeça diante desse pensamento, peguei a cesta de piquenique e a toalha, e desci do carro.

— Onde quer que eu coloque a toalha? — Perguntei a Miguel.

Miguel pensou por um momento, olhou para mim e chamou-me para segui-lo. Assim fizemos, dando a volta na cabana até encontrar um caminho que levava à cachoeira, proporcionando uma linda visão para o céu estrelado.

— Aqui! — Miguel falou, pegando a toalha da minha mão e estendendo-a no chão. — Este lugar é lindo para ver a cachoeira e as estrelas, sempre amei essa parte quando vinha aqui!

Sentamo-nos juntos, coloquei a cesta no meio de nós dois e aproximei-me de Miguel, olhando as estrelas ao lado dele. Devo admitir que essa visão é realmente deslumbrante.

Vi uma estrela cadente e virei para Miguel.

— Faça um pedido para a estrela! — Miguel falou.

Ele fechou os olhos, e eu observei seu rosto, percebendo o quanto amo cada detalhe dele. Não resisti e beijei sua bochecha.

— Já tenho o que eu quero! — Sussurrei no seu ouvido. — Tenho você ao meu lado!

Ele abriu os olhos e me encarou. Não resisti e roubei-lhe um beijo, foi incrível, e fiquei maravilhado ao sentir esses lábios encostando nos meus.

Ficamos nos beijando até que a fome chegou, então fomos comer enquanto conversávamos e descobríamos mais sobre o outro.

— Ainda estou surpreso que você cozinha tão bem! — Miguel falou. — Está deliciosa essa torta de frango!

Sim, o piquenique tem torta de frango, e para completar, um mousse de limão.

— Tenho meus dotes culinários para fazer outras coisas! — Falei. — Mas só fiz a torta e o mousse porque são coisas que você gosta, e são feitas com carinho!

— Eu amei — Miguel disse com um doce sorriso. — De verdade, adorei tudo que você fez.

Sorri, e voltamos à nossa conversa; o nosso encontro estava sendo perfeito, mas eu ainda guardava uma surpresa especial para Miguel.

— Miguel, você sabe o quanto eu te amo do fundo do meu coração! — Falei, olhando profundamente em seus olhos, e tirei do bolso da minha calça uma caixinha de alianças que haviam sido parte da minha vida por tanto tempo. — Por isso, quero perguntar: você quer ser meu namorado?

— Sim! — Miguel falou, com os olhos brilhando. — Eu vou adorar ser seu namorado!

Ele sorriu, estendeu a mão, e pegou uma aliança. Eu peguei a outra, e ambos colocamos as alianças que meus pais usavam quando namoravam.

— Eu te amo! — Falei, e Miguel me beijou.

— Eu te amo mais! — Miguel disse. — E sempre vou amar!

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Gostaram?

Até a proxima


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