Capítulo 12 - Não foi por mal
Assim que a aula de português acabou, o Luís Felipe saiu da sala sem falar com ninguém. Levantei para ir atrás dele, mas fui parada pelo Fábio antes de passar pela porta.
- Sai da minha frente. – Ele tinha pulado duas cadeiras para conseguir chegar na porta antes de mim e, dessa forma, impedir a minha passagem.
- Calma, eu já vou sair. – Ele sorriu debochado. – Só queria falar uma coisa com você...
- Então fala logo. – Fui grossa, mas não me importava. Nunca me dei bem com ele e eu precisava ir atrás do Luís Felipe.
- Não sabia que você era tão a fim de mim...
- É o quê? – Ri um pouco alto, chamando a atenção de alguns colegas de sala. – Você tá doido?!
- Eu não... Todo mundo viu! – Ele continuava com o sorriso debochado no rosto.
- Todo mundo viu o quê? – Eu já estava perdendo a paciência.
- A forma como você falou... Desesperada para EU ser o seu par român...
- Nem termina! – O interrompi e ele me encarou sério. – Eu não quero e nem quis fazer par nenhum com você! Quando eu disse aquilo foi porque achei que o Luís seria muito melhor como o Jason...
- A quem você quer enganar? – Nós nos encaramos fixamente. Nenhum ousava desviar o olhar para não perder a batalha. – Você sabe muito bem que aqui no colégio o Luís é o mocinho e eu e o Ronaldo somos os badboys... Por que ele faria melhor esse papel?
- Porque ele sempre é melhor do que vocês! – Aproveitei que ele continuava a me olhar fixamente para desviar dele rápido e conseguir sair da sala.
Eu sabia que a minha resposta tinha sido ridícula! Era óbvio que o Fábio interpretaria muito melhor um papel que ele já está acostumado a fazer todos os dias, mas eu não tinha o que responder. Na verdade, eu tinha uma resposta muito boa, mas só quem poderia saber eram os meus amigos. Chegando ao final do corredor, parei para pensar um pouco onde ele poderia ter ido e sacudi a cabeça por não ter pensado logo onde ele com certeza estaria. Fiz o caminho de volta, passando direto pela minha sala que ainda estava sem professor, e segui em direção a escada onde nos conhecemos. O encontrei sentado em um dos primeiros degraus, com a cabeça apoiada na parede voltada para cima e os olhos fechados.
- Lu. – Me sentei ao lado dele. O esperei responder ou me olhar, mas ele continuou do mesmo jeito. – Desculpa, eu não pensei...
- Eu sei, Luciana! – Ele me olhou e pude ver o quanto ele estava triste e decepcionado comigo. – Que você não pensou ficou bem claro!
- Luís, não fala assim! Eu não fiz por mal!
- Por que você fez isso? Por quê?! – Ele fez a segunda pergunta um pouco mais alto. – Eu não falei que eu ia dar um jeito?
- Eu sei! Só que na hora eu não pensei... Eu tava em pânico!
- Por que você tava em pânico? Eu disse pra você ficar tranquila! – Ele se aproximou de mim e me olhou no fundo dos olhos.
- Porque eu não queria ser a principal! Eu não queria estar no meio de um triângulo amoroso teatral! Aí, pra piorar, me dei conta de que o meu melhor amigo e o cara que ele odeia estariam formando esse triângulo comigo! Eu enlouqueci! – Parei um tempo para respirar. – A Fabi me garantiu na hora que não teria nenhum beijo na peça, com nenhum de vocês dois... E comentou que o único problema era que teria uma briga entre vocês!
- E daí? – Ele perguntou baixo.
- E daí que eu queria que você ganhasse a briga! Eu queria que você saísse por cima! Eu só achei que era o melhor pra você... Eu não pensei na hora que você sendo o badboy, ele seria o meu par! Por favor, acredita em mim! Eu não fiz por mal! Eu nunca, NUNCA, quero ser o par dele para nada e em nada!
- Eu sei, Lu! – Ele tentou me dar um sorriso.
- A gente acabou de fazer as pazes! Eu não vou aguentar ficar brigada com você de novo! Não faz isso comigo! – Eu estava prestes a chorar e ele percebeu.
- Calma, vem aqui. – Ele me puxou para um abraço e fez carinho no meu cabelo.
- Eu juro que não fiz por mal! – Minha voz saiu abafada por estar com o rosto enfiado no pescoço dele.
- Eu sei que você não fez! Só que agora eu não tenho muito o que fazer... Você vai contracenar com ele e é isso...
- Pode ter certeza de que nós três estaremos juntos em praticamente todas as cenas... É um triângulo, lembra?
- É. – Ele respondeu pouco confiante.
- Ainda tem a melhor parte! – Me afastei do abraço e o olhei nos olhos, percebendo que ele estava menos triste. – Quem tá escrevendo é a Fabi! Ela é nossa amiga! A gente pode pedir para ela tentar maneirar de alguma forma na nossa interação! – Pisquei o olho, acreditando de verdade que isso seria possível.
- Tomara! – Ele sorriu e levantou me puxando ao mesmo tempo. – Vamos voltar pra aula.
- Tá tudo bem? – Perguntei com receio da resposta.
- Tá. – Ele sorriu. – E com relação a peça, vai ficar também. - Sorri e voltamos para a sala com o braço dele por cima do meu ombro, que ele só tirou antes de bater na porta e entrarmos.
Indo em direção a minha mesa, percebi o olhar do Fábio em cima de nós, mas preferi não encarar, já que o Luís Felipe também tinha percebido e estava com as duas mãos fechadas, com certeza, se segurando para não arranjar briga com ele dentro da sala de aula.
Conseguem imaginar como vai ser a interação da Luciana , Luís Felipe e Fábio no triângulo amoroso da peça?
Continuem comentando e votando!
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