capítulo 04

                    

Na Mansão

Jeson narrando

A luz suave da manhã filtrava-se através das cortinas pesadas do meu quarto, enquanto eu tentava processar tudo que havia acontecido na noite anterior. Bhianca abriu a porta sem avisar, sua presença iluminando um pouco o ambiente sombrio.

Jeson, o que a gente vai fazer? - perguntou ela, a preocupação evidente em seu olhar.

Eu conheci ela. - respondi, sem pensar muito nas consequências.

Você gostou dela? - indagou Bhianca, dando um passo à frente.

Aproximando-me dela, acariciei seu rosto, desejando que o que sentia por ela fosse suficiente para apagar qualquer outra emoção.

Lógico que não, Bhianca. Eu amo você e sempre vou te amar. - então, comecei a beijá-la, sentindo a familiaridade de seus lábios.

Eu também amo você, Jeson, só que não podemos ficar juntos. Você sabe disso.

Senti uma onda de frustração e impotência. A verdade era que as regras das famílias nos separavam, e isso me consumia.

Eu sei. - respondi, olhando para fora, onde a neve cobria o jardim, tornando tudo mais pálido e distante.

Jeson, e se ela morrer? Nós poderíamos ficar juntos, né? - a pergunta de Bhianca cortou o ar pesado da sala.

Do que você tá falando? - questionei, confuso.

Estou dizendo que poderíamos pedir um favor para os Lyces.

A ideia me deixou em choque. Eu sabia que meu pai tinha um desprezo profundo pelos Lyces, e trazer esse assunto à tona era arriscado.

Tá maluca! Bhianca, você sabe muito bem que o meu pai odeia os Lyces.

Ela se aproximou, seus olhos implorando por uma solução, uma forma de manter nosso amor vivo.

Eu sei, meu amor, só que é o único jeito de ficarmos juntos. Ele nem vai saber.

A cada palavra dela, o peso da situação aumentava. Matar uma garota inocente? Isso era errado.

Bhianca, isso não é uma boa ideia! - disse, afastando-me e indo até a janela, observando os flocos de neve caindo lentamente.

Jeson, você me ama, certo? - perguntou Bhianca, me abraçando.

Você sabe que sim. Só que eu não posso... Matar uma garota inocente! Isso é errado!

Ela começou a chorar, seus olhos cheios de lágrimas. Eu não podia deixá-la assim, mas a ideia de um assassinato era demais para mim.

Qualquer coisa, você diz que os Lyces estavam em maior número e mataram a garota na sua frente, e você não conseguiu impedi-los.

E se eles perguntarem por que não me mataram também? - indaguei, a ideia me dando calafrios.

Diga que eles não te mataram porque você é filho do líder dos Stark, e eles não queriam arrumar problemas com a família.

A raiva e a confusão lutavam dentro de mim. Mesmo assim, era um risco grande demais.

Acho muito arriscado. Matar uma garota inocente? Isso é errado!

Ela se afastou, seu olhar se tornando mais frio, mas ainda havia um pedido por ajuda.

Mas é pelo nosso amor! - disse ela, a desesperança em sua voz.

Eu sei... Só que esqueça este plano. Vamos arrumar outra solução, sem nenhuma morte desta vez!

Ela respirou fundo, aceitando minha decisão, embora a frustração ainda pairasse no ar.

Vai ser do seu jeito então, meu amor.

Ótimo, Bhianca. - respondi, aliviado por termos chegado a um consenso, mas ainda preocupado com as consequências.

Megan narrando

A noite anterior foi longa, marcada por risos e lágrimas. Não posso dizer que a festa foi péssima; teve seus momentos bons e ruins. Hoje, a neve caía intensamente, cobrindo a cidade em um manto branco. Eu estava acostumada com isso; aqui, raramente havia dias quentes. Talvez fosse por isso que havia tantos vampiros em nossa cidade.

A sociedade vampírica que nos cerca é complexa, onde o respeito às leis dos Gorny é essencial. Eles são os vampiros mais antigos, vivendo por milênios, testemunhando guerras medievais e a peste negra. Sua sabedoria é uma força que nos orienta e limita ao mesmo tempo. A maioria dos vampiros não se atreve a desafiar essas leis, pois sabem que as punições podem ser severas, e a memória dos Gorny é longa.

Na nossa pequena cidade, existem duas famílias poderosas: os Stark, que são a mais influente, e os Gorny, que decidem as leis e as punições para vampiros rebeldes ou até banidos. Os Gorny têm o poder de banir qualquer um de nós para sempre, e isso nos mantém em linha. A vida cotidiana é regida por essas regras, e a luta pela sobrevivência é um equilíbrio delicado entre os instintos de vampiro e as expectativas dos humanos.

A outra família, os Lyces, são caçadores natos. Embora frequentemente comprem sangue dos hospitais, eles também se aproveitam de oportunidades para capturar humanos quando podem. Para eles, a lei é flexível; o que importa é a sobrevivência. No entanto, a maioria dos vampiros, como eu, prefere permanecer discreta, evitando chamar a atenção dos humanos e respeitando as diretrizes dos Gorny. Uma vez que eles tomam uma decisão, é final.

Enquanto estava perdida em meus pensamentos, alguém bateu à porta do meu quarto. Era Alan, meu irmão mais novo.

O que foi? - perguntei, percebendo a expressão triste em seu rosto.

Ele entrou rapidamente, usando sua super velocidade de vampiro e se sentou na beira da minha cama.

Megan, eu queria comprar uns gibis novos, mas o papai saiu e a Letícia não quer ir comigo. Mãe não deixa eu ir sozinho. Vai comigo, por favor?

Um sorriso surgiu em meu rosto ao ver sua animação.

Claro, Alan. - respondi, colocando meu casaco rapidamente. - Enquanto isso, você vai lá e fala para a Irina que eu vou com você, tá?

Eba, eba! - ele exclamou, dando um beijo na minha bochecha antes de sair correndo, seus pés quase não tocando o chão.

Fui para a sala e encontrei Alan conversando com Irina, minha mãe, que estava com uma expressão preocupada.

Cuidado, vocês dois, viu? - avisou Irina, abrindo a porta para nós.

Tchau, Irina! Daqui a pouquinho a gente chega! - disse Alan, pegando minha mão, e saímos.

Caminhando para a loja de gibis, senti uma mistura de excitação e nostalgia. A neve caía, e o ar estava fresco, com aquele cheiro característico de inverno. Alan falava sobre os gibis que queria comprar, seus olhos brilhando de entusiasmo.

O dia parecia perfeito, longe da confusão da festa e dos vampiros. A simplicidade de um passeio com meu irmão me trouxe um conforto que eu não sabia que precisava.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top