- Capítulo IX -


Quinta-feira, 02 de agosto de 2017

Manhã, 06h02

Julho teve seu fim de forma breve e patética, dando espaço para a chegada de agosto. Mais uma noite sem dormir, o que fez Harley vestir seu sobretudo preto sobre um par de calças brancas e uma blusa com estampa animal, lembrando os leopardos que habitam as savanas.

As duas mil e quinhentas e cinquenta e quatro libras caíram na conta de Harley no primeiro dia do mês, aliviando-a, já que, pela primeira vez, ela conseguiu pagar suas dívidas, deixando a senhora Margeory feliz por não ter mais que dizer que sua vizinha do andar de cima era uma detetive alcoólatra e devedora. A parte do álcool ainda era verdadeira, agora mais do que nunca, já que as prateleiras atrás da mesa de mogno estavam preenchidas com garrafas de Grey Goose. Harley até mesmo atrevera-se a provar uma com um sabor artificial de cereja, mas era tão ruim quanto a própria fruta. No fim, ela dera aquela vodca a Eldric.

Com as mil e duzentas libras que sobraram, Harley resolveu comprar novas roupas. Agora, um vestido branco e dois pares de sapatos novos já repousavam na cama do hotel, tendo sido entregues na tarde do dia anterior. Com o orçamento ainda relativamente alto, Harley o guardara para futuros gastos, como a gasolina que aprecia ser consumida de forma tão voraz quanto o oxigênio frio que ela respirava naquela manhã.

Uma névoa havia recaído sobre a cidade, manchando as árvores de branco, decorando-as como seda fina. Enquanto passava por uma dessas árvores, com as mãos enfurnadas no bolso de seu sobretudo e os pés protegidos por sapatos de bico fino cor de carvão, Harley fora abordada por uma voz, chamando por seu nome.

Ela não pode evitar o revirar de seus olhos ao ver o rosto bronzeado de Daniel Ellenclair.

- Hey, espere! – Ele pediu, dando passos largos para alcançá-la. Agora, eles contornavam o rio que cortava a cidade, a água sempre fria e inóspita devido à chuva.

- Já deixou bem claro que me quer longe, senhor Ellenclair. Não precisa reforçar isso. – Ela retrucou secamente.

O homem fechou o rosto, mas manteve-se ao lado dela, o corpo robusto esbarrando no braço direito de Harley, fazendo-a se afastar, andando mais próxima ao meio fio que cheirava a mijo seco.

- É que... – Ele correu, parando na frente dela. Naquele dia, um casaco esporte preto cobria seu peitoral, enquanto as pernas estavam comprimidas num jeans cinza. – Acho que eu me expressei mal, naquela tarde.

- Creio que tenha sido o contrário. Deixou tudo bem claro.

Ele engoliu em seco, seu pomo de adão subindo e descendo pelo se pescoço, marcado pelo sol. Será que alguma hora ele perderia aquele bronzeado?

- Não, não deixei... – Admitiu, quase envergonhado. – O fato é que...não me dou muito bem com advogados.

Harley esboçou um sorriso com o canto dos lábios. Pelo visto, ele não comentara de sua visita a ninguém, senão ele já saberia a verdadeira profissão da mulher, a não ser que...ele estivesse mentindo, jogando com ela da mesma forma que a detetive fazia.

- Divórcio, não?

- Sim. – Daniel mantinha os olhos baixos, fixos na calçada, cabisbaixos. – Sabe...foi algo bem triste.

- Considero divórcios uma libertação. Não há porque continuar junto a uma pessoa se não há afeto envolvido.

- Mas...sempre haverá afeto. – Disse ele um tanto em dúvida.

- Não. Sempre haverá um sentimento. Ódio, na maioria das vezes. – Agora, eles atravessavam uma rua ainda calma pela manhã, mas que pela tarde se tornaria a maior área de circulação de carros naquela cidade.

- Eu sempre tento fazer dar certo.

- Pelo visto, não foi o suficiente. – Retrucou Harley, as palavras ácidas corroendo o homem.

- Escute... – Daniel parou na frente dela, uma barreira musculosa e deveras atraente. – Estou tentando ser gentil.

- Não conheceu mais nenhuma pessoa nessa cidade, não foi?

Ele franziu o cenho.

- Se está procurando uma amizade, não encontrará isso ficando comigo. – Explicou ela.

- Você quer que eu fique? Ele sorriu, contencioso, desejando que ela dissesse sim.

- Se tiver alguma informação que possa ajudar meu caso, sim. – Então, quando ela fez menção em continuar a andar, ele a segurou pelo braço. Mãos firmes, agora, diferentes do comprimento que eles tiveram na primeira vez que se viram. Se ele tinha dificuldades para controlar suas emoções, então isso era mais um fator que o mantinha numa posição alta no ranking de suspeitos.

- A questão é que eu tenho. – Finalizou Daniel. – Eu vi Clary no dia em que cheguei.

- Bem... – Harley ergueu uma sobrancelha, desvencilhando-se das mãos dele. – Isso merece um café.

...

Sentada de frente para aquele latino, Harley não pode deixar de reavaliar sua vida. E se, depois do que ele dissesse tudo o que sabia, coisas ruins acontecessem? Fora exatamente assim que ocorrera em Painswick, depois com Natalie. Iria tudo se repetir? Estaria ela realmente condenada a viver num ciclo sem fim de horror e perda? Que tipo de Deus, se é que houvesse um, permitiria isso?

- Já havia provado o café daqui?

- Não. – Daniel deu um sorriso amarelado segundos antes de bebericar o café. Sua expressão não melhorou. – Mas devo admitir que, depois dessa golada, não estou ansioso para acabar com essa bebida.

Harley ergueu uma sobrancelha.

- Prefere café da américa latina?

- Definitivamente.

- Sabe o que eu prefiro? Que não mintam para mim.

Ele bufou.

- Não menti para você. Apenas omiti algo para meu próprio bem-estar.

- Então porque está aqui?

- Porque entendi que não estarei realmente bem se não lhe contar o que vi.

Harley endireitou-se na pequena cadeira de metal, a qual arrastara para longe da calçada, aonde uma mulher passeava com seu marido, as alianças refletindo por entre o vento. Ela esticou a mão e colocou o celular sobre a mesa.

- Espero que não se incomode com a gravação desta conversa.

Ele não levantou os olhos, mas concordou, tímido e um tanto envergonhado.

- Muito bem. Diga-me seu nome, idade, e aonde foi a primeira vez em que teve contato com a vítima.

- Não sei se....tive contato.

- Apenas diga onde a viu.

Ele maneou a cabeça, de acordo, engolindo em seco antes de começar, arregaçando as mangas da jaqueta preta, sentindo o elástico quase interrompendo a circulação de seu braço, tão justo quanto a situação em que ele acreditava estar.

- Meu nome é Daniel Ellenclair, tenho trinta e quatro anos e acabei cruzando com a garota no primeiro dia em que cheguei aqui.

- Que fique registrado que a garota a que Daniel se refere é a vítima recém encontrada, Clary Freemont, a qual teve suas orelhas decepadas pelo seu agressor. – Harley sabia que tinha de fazer aquilo parecer com uma gravação de uma possível advogada, então adquiriu uma outra abordagem, a qual surtiu efeito em Daniel, que pareceu ficar mais confortável a cada pergunta. – Senhor Ellenclair, poderia me contar onde o senhor viu a vítima?

Ele pigarreou antes de responder:

- A encontrei logo que cheguei na cidade. Uns dois dias depois, eu acho...estava fazendo algumas compras num mercadinho no centro quando a vi atravessando a rua.

- A vítima em questão... ela estava sozinha?

- Estava sim.

Harley arqueou as sobrancelhas enquanto umedecia os lábios, respirando profundamente, alongando os dedos sob a mesa. Aquela declaração estava parecendo forçada demais. Havia algo no tom de voz dele que a incomodava. Havia certa...sublimidade, como se ele estivesse fingindo seu incômodo com toda aquela situação apenas para entretenimento de Harley e, além disso, para despistá-la, para tirá-lo de sua lista de suspeitos que ele – talvez - imaginava existir.

- O senhor teria alguma ideia do que Clary Freemont iria fazer naquele dia, senhor Ellenclair?

- Não. – A resposta fora rápida e objetiva.

- Depois que a garota atravessou a rua, o que ela fez?

- Na verdade, ela não atravessou, de fato, a rua.

- Poderia explicar?

- Um carro estava esperando por ela.

- Carro?

- Sim.

- Consegue se lembrar do modelo?

- Um MG6 branco...eu acho.

A imagem do carro relativamente luxuoso veio à sua mente. Quem teria tamanho dinheiro naquela cidade? O homem mais rico dali era conhecido como O Gato Cinzento, mas seu nome verdadeiro era Bruce Whitewoods, dono de grandes propriedades ao sul, pai de Collin Whitewoods e casado com uma mulher de meia idade, chamada Bella. Talvez valesse a visita até a casa dele, uma das poucas casas que não eram feitas de rochas; a propriedade fora construída com paredes brancas e grandes janelas luxuosas, com um jardim trançando o caminho da entrada.

- Viu quem dirigia? – Ela retomou a conversa, as anotações mentais sendo armazenadas em seu subconsciente.

Antes de responder, Daniel tomou uma golada de café, terminando com a bebida quente, fazendo uma careta ao colocar a xícara sob a mesa.

- Não. – Ele tapou a boca, contendo um arroto. Harley baixou os olhos.

- Há algo me incomodando, senhor Ellenclair.

Ele franziu o cenho, algumas poucas rugas surgiram em sua testa bronzeada.

- Como o senhor pode ter certeza de que a garota que viu era Clary Freemont? – Harley fitou-o, os olhos castanhos perfurando a alma do rapaz, desejando que ele revelasse algo.

- O...o que quer dizer? – Balbuciou ele, o rosto agora pálido.

- O senhor chegou aqui há pouco tempo. Me disse que não conheceu nenhuma mulher além de mim, mas ainda assim consegue reconhecer o rosto da garota que fora morta.

- Foi algo trágico...

- Você não a conhecia. Não precisa fingir.

- Não estou!

- Você não ligava para ela! Nem a conhecia!

- Para...

- Na verdade, nós nem o conhecemos de verdade. – Harley estreitou os olhos e recostou-se sob a cadeira. Ele já havia chego em seu máximo. – Quem é você, senhor Ellenclair? É uma pergunta que, aparentemente, apenas você sabe responder.

...

Noite, 21h59

Harley deixou escapar uma lufada de ar enquanto sentia Eldric penetrando-a, seu membro rígido preenchendo o vazio gritante por prazer. Ele apoiou sua mão sobre os ombros dela enquanto Harley jogava os cabelos para trás, sustentando o peso de seu corpo com as mãos, a seda macia entrando entre seus dedos, enquanto o som de suas peles batendo uma contra a outra ecoava pelo quarto dele.

Ele gemeu enquanto mordia o ombro dela, dizendo baixarias em seu ouvido, fazendo-a rir. Ela o girou para o lado, vendo-o erubescer, próximo ao orgasmo. Ao vê-lo delirar, Harley abocanhou o membro, deixando que um gemido baixo e rouco escapasse da garganta dele. O sêmen agora escorria pelo canto dos seus lábios enquanto ela se sentava numa cadeira na frente da cama de Eldric, uma mesa de vidro servindo de apoio para seu cotovelo.

- Me diz que isso é cigarro. – Pediu ela vendo-o caminhar em sua direção. O membro antes rígido, agora flácido, balançando durante seu andar. Os músculos de sua barriga ainda faziam o sangue de Harley ferver, mesmo não havendo mais contato.

Eldric sorriu enquanto lançava uma pequena caixa na direção dela, um dégradé azulado do lado de fora passava a ideia de algo refrescante, embora lhe esquentasse. Harley cruzou as pernas enquanto acendia o cigarro com o isqueiro que encontrara em sua bolsa, pendurada na mesma cadeira em que estava.

- Acha que deveríamos tirá-lo da lista, então? – Indagou Eldric, a bunda quadrada jogando-se sob a cama. Ele levou os braços para trás do pescoço, usando-o como uma espécie de travesseiro.

- Daniel? – Indagou após dar uma pequena tragada, a fumaça trilhando um caminho rápido até seus pulmões. Apenas para, depois, ser expelida num leve assoprar entre os lábios. A nicotina invadiu seu paladar.

- É.

- Obviamente que não. – Retrucou. Mais uma tragada.

- Você já conversou com ele. Não há mais o que fazer.

Harley sorriu.

- Você sabe que isso não é verdade. – Ela segurava o cigarro entre o dedo indicador e anelar da mão direita, sentindo sua textura lisa enquanto desenhava algo banal na mesa de vidro com a ponta do dedo da mão esquerda. Talvez aquilo pudesse ser uma borboleta, para os cubistas. Ou, talvez, fosse apenas um resultado de uma foda rápida e cigarro barato.

- Harley... – A voz dele recomeçou, mas foi interrompido sem que nem ao menos pudesse terminar a frase.

- Se você disser que não me quer envolvida nesse caso em juro que atiro em você.

Eldric ergueu uma sobrancelha, os olhos azuis arregalando-se enquanto ele estendia os braços, formando uma cruz, tornando-se um alvo fácil.

- Vá em frente. – Zombou ele.

Harley expeliu a fumaça em sua boca, observando-a subindo até o teto, aonde se espalhou numa nuvem em frangalhos, buscando saída daquele quatro, encontrando uma abertura para o resto da casa.

- Agora gosta de sadomasoquismo? – Retrucou ela, os lábios abrindo-se num sorriso.

- Estou aberto a novas experiências.

- Que tal pizza e vodca? – Sugeriu ela, levantando-se, os seios pendendo na frente do corpo, sua base arredondada servindo como obra de arte para os olhos astutos de Eldric. Ela deitou-se ao lado dele, encostando sua cabeça em seu peito sem pelos. – O que faremos, Eldric?

- O que quer dizer? – Ele olhou para ela. Olhos preocupados e hesitantes, igual ao caminhar num campo minado.

- Esse caso...parece que tudo está se repetindo.

Eldric sorriu com o canto da boca, acariciando os fios do cabelo dela, observando-a fumar, a respiração fraca sendo sentida sob sua pele.

- Mas... – Ele sabia que ela queria falar algo.

- Mas...eu não sei...sinto que as coisas só irão piorar.

- É um risco.

- Cala a boca.

- Você sabe que é. Sempre nos arriscamos. – Ele inspirou, seu peito inflando. – Sabe...quando eu estava na polícia e te vi pela primeira vez...achei que você não conseguiria resolver o caso.

- Muito obrigada. – Satirizou ela, arregalado os olhos, observando a fumaça subindo pelo ar.

- Sempre gostou da minha sinceridade, não?

- Sempre gostei do seu pau, é diferente. – Retrucou, observando o membro flácido, repousando de lado sob a perna dele.

Eldric riu.

- Eu realmente achei que você não conseguiria, mas havia uma força em você...uma força que eu nunca tinha visto em ninguém antes. – Continuou. – Você resolveu aquele caso.

- E duas crianças morreram.

Ele segurou o rosto dela, impedindo-a de dar uma última tragada. Os olhos castanhos da mulher fixaram-se nos dele, analisando meticulosamente todas as suas linhas de expressão, vendo-o morder o interior de sua bochecha, seu maxilar tornando-se rígido.

- Poderiam ter sido muito mais...

- Poderia ter sido apenas uma. – Harley se virou, erguendo-se, caminhando até a janela, abrindo-a, deixando que o ar fresco da madrugada entrasse no quarto, lançando o resto do cigarro, apagado, na penumbra que se alastrava pelo jardim. O frio percorreu seu corpo, mas ela não se importou, apenas deixou que sua nudez fosse banhada pela luz soturna. Um grilo chiava por perto, seu som fúnebre e esguio cortando o silêncio da noite.

Sentindo-o se movimentar, Harley inspirou fortemente ao toque súbito de Eldric envolvendo suas curvas, as mãos ásperas contornando a altura de seu útero.

- Não quer dormir um pouco? – Ele aconselhou, pequenos beijos traçando um caminho torto pelo pescoço da mulher.

- Não.

- Talvez fosse melhor...

- Sabe que, quando durmo, tenho pesadelos. – Ela encostou a cabeça em seu ombro. – Não quero dormir.

- E o que quer fazer?

Harley respirou profundamente antes de responder:

- Quero encontrar esse assassino.

Entre um pigarrear de incerteza, Eldric coçou sua nuca, permitindo que palavras tortas saíssem por entre seus lábios:

- Eu...eu consegui acessar os dados do celular de Jack Stuart...

Harley arregalou seus olhos, seus ouvidos negando o som do canto do grilo enquanto ela se virava, os seios seguindo seu movimento enquanto os lábios se entreabriam, sugando o ar de forma calma e sutil.

- O que encontrou?

Ele baixou o olhar antes de responder.

- Eldric!

- Ele conversou com Clary Freemont na noite anterior ao assassinato. – Sua voz tentou soar com imparcialidade, mas havia certa incerteza misturada entre as palavras. – Harley...

- Jack negou.

- O quê?

Harley se afastou do amante, empurrando-o para o lado enquanto caminhava na direção da cama, permanecendo parada ao lado dela, a maciez dos lençóis tocando suas pernas esbranquiçadas.

- No dia do interrogatório, quando consegui seu celular...ele negou. Disse que não havia conversado com Clary naquele dia.

Sentando-se, ela bufou, as mãos sendo levadas à cabeça, os fios negros de seu cabelo enroscando-se entre os dedos. Por que ele estava mentindo? O que ele sabia?

- O que estava nas mensagens?

Eldric cruzou os braços sobre o peitoril, ao lado da janela, o vento fraco brincando com seu cabelo.

- Na noite anterior ao assassinato da garota houve uma festa na casa dela.

- Uma festa?

- Nas mensagens, eles combinavam de como levar a bebida.

A mulher socou a cama, a raiva fluindo por seus braços.

- Não faz sentido! Por que uma garota continuaria conversando com o ex-namorado da melhor amiga que ela ajudara a trair?

- Como é?

- Clary ficou com Jack enquanto ele namorava com Classy. – Explicou rapidamente, atropelando-se nas palavras. – Por que ela pediria a ajuda dele? Talvez quisesse provocar Classy novamente...

- Harley, não foi só isso. – Eldric continuou, interrompendo-a. A mulher arregalou os olhos, os ombros curvados enquanto sua respiração se acelerava. - Jack foi a última pessoa com que Clary teve contato antes de seu assassinato.




*Ahhhh, fiquei tão feliz em ver que o livro atingiu sua meta em um único dia!!!!! Bom, agora, para deixar um pouco mais difícil, a meta será de 750 leituras, ok? Será que a gente bate essa antes de sexta????

*O que acharam do capítulo de hoje?

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