- Capítulo II -



Terça-feira, 24 de julho de 2017

Manhã, 06h47

Na manhã do dia seguinte, as flores que ela roubara de Cynthia Grenier já estavam murchas e ressecadas, o que a fez questionar se o seu ambiente e alma tão corrosivos teriam infectado a planta com um simples rolar de olhos. Harley acordou na cama de um hotel barato, a colcha cobrindo-lhe o corpo enquanto ela se espreguiçava. A cabeça, ainda no confortável travesseiro, sentia-se pesada; os pesadelos a haviam atormentado novamente. Jogando-se para fora da cama, ela andou até o banheiro ouvindo as tábuas do piso rangerem sob seu peso.

O espelho do lavabo era embaçado e oval, com uma luz colocada diretamente em seu topo para que suas rugas parecessem ainda mais profundas e marcadas. A pele de Harley estava tão ressecada quanto as flores. A mulher olhou ao seu redor, procurando por suas coisas. Ainda lhe era estranho voltar a morar num hotel, uma vez que passara longos sete meses em Painswick, numa casa duas vezes maior que o lobby do hotel.

Depois de colocar suas roupas – uma saia azul-marinho de malha que grudava em suas coxas assim como um gato se agarra ao galho de uma árvore alta e uma blusa vinho com um decote exageradamente revelador – ela desceu os degraus forrados de um carpete mofado até alcançar a área do café da manhã, um cubículo iluminado pela luz que entrava pelas janelas sempre abertas. Duas pessoas tomavam café, o que fez Harley olhar para seu relógio. Já eram seis e quarenta e sete e, surpreendentemente, não havia nenhum idoso ali.

Ela se serviu de duas torradas e uma xícara de chá preto adocicado com mel enquanto se sentava numa das seis mesas enfileiradas próximas às janelas. Enquanto bebericava seu chá, a televisão no canto superior direito do local estalou e, com um som esganiçado, começou a tomar cor. Uma mulher de cara pálida e rosto de enguia apareceu, um terno marrom apertando-lhe os ombros ossudos enquanto o botox em suas bochechas divergia com seu queixo encolhido.

"É com muito pesar que os cidadãos de nossa pequena comunidade se reúnem hoje, na igreja de St. Andrews, para o tão inesperado memorial criado para Clary Freemont, jovem que fora encontrada morta ontem, ainda pela manhã. Os especialistas não sabem o que dizer a respeito desse crime horrendo que afeta a todos nós..."

Harley ergueu uma sobrancelha. Duvidava muito de que a perfeita vidinha daquela jornalista merreca iria mudar por causa de uma garota morta. No máximo, ela teria de trabalhar dobrado, o que não necessariamente implicaria num aumento digno de salário. Harley apenas mordeu sua torrada enquanto a notícia continuava:

"Agora, amigos e familiares se reúnem para um momento de tanta dor e tristeza, as quais apenas sumirão quando o assassino for encontrado pela polícia, que contratou um detetive já conhecido por nós, o senhor Edgar Jenkis, responsável pela finalização de inúmeros casos antes inconclusivos. "

Durante o sensacionalismo exagerado a respeito de Edgar, Harley focava-se em terminar sua rápida refeição. Seu celular não vibrara. Nenhuma mensagem de Eldric. Talvez ele estivesse com tanta sorte quanto ela. Quando um novo estalido veio da televisão, a imagem mostrou uma mulher usando um vestido preto, que flutuava ao redor de seus tornozelos. Era Jay Freemont, a mãe da garota.

Enquanto a jornalista pedia ao seu ajudante para focalizar no rosto desolado da pobre mulher, Harley se levantou, apanhando a bolsa que nem ao menos se lembrara que trouxera, e saindo do hotel, caminhando rapidamente até a igreja central de Castle Combe, uma construção rochosa feita pela maioria dos avós daqueles que ali residiam. Harley sabia que, se fosse da sua família, ninguém, de fato, teria construído.

Como de se esperar, a concentração de cabeças brancas estava na igreja. Bem ao longe, Jay caminhava com passos arrastados, como se suas pernas não suportassem o peso de seu corpo fadado a carregar uma dor duas vezes maior do que ela mesma. Harley respirou fundo, entrando no meio de todos aqueles desconhecidos. O que estavam fazendo ali? Quem naquele lugar, de fato, conhecia a garota? Harley não estava ali para demonstrar uma falsa clemência. Nunca nem soubera dela até o dia anterior, mas parecia que todos naquela maldita caixa de sapatos que chamavam de cidade conheciam a menina, ou ao menos fingiam extremamente bem, com lágrimas que brotavam nos olhos protegidos por lentes bifocais.

A igreja não estava silenciosa. Pelo contrário. Parecia mais um curral no qual as pessoas se aglomeravam, espremendo-se nos cantos dos bancos. Harley não teve escolha, teve de se esmagar também, mas ao menos escolhera sentar longe o suficiente do altar, onde um caixão fechado tampava uma beleza morta de uma garota da qual nunca prestara atenção. Havia flores. Muitas. Lírios, camélias e até mesmo tulipas importadas com um tom laranja forte demais. Por trás de tudo isso, no topo do altar feito de mármore, havia uma foto. A menina estava sorridente, os olhos azuis abertos com carinho enquanto os dentes brancos exibiam-se, frondosos, por entre os lábios delicados. Adeus, Clary Freemont...pensou Harley sem saber o porquê.

- Bom-dia. – Chamou uma voz ao lado de Harley, um tanto hesitante, mas simpática o suficiente para chamar a atenção dela. – Por acaso você seria a Harley?

A detetive se virou, seus cabelos cor de ébano batendo na altura dos lóbulos de suas orelhas, um par de brinco de pérolas pendurado neles. A mulher a quem pertencia a voz tinha um rosto de fuinha, com um nariz achatado e olhos grandes, redondos, com cabelos ondulados, castanhos, combinando com o tom escuro da cor das roupas com que viera, as mãos cobertas por luvas de renda repousavam sob seu colo. Deveria ter mais de quarenta pela aparência cansada.

- Sou. – Respondeu Harley sem dar nenhuma abertura à mulher.

- O dia está bom hoje, não? – A mulher indagou, nervosa.

Harley arregalou os olhos e olhou para os lados, pensando em procurar por um novo lugar para se sentar. Aquela mulher realmente estava perguntando sobre como o dia estava bom!? Assimilando as palavras da mulher com certo estranhamento, Harley adicionou aquela conversa à sua lista de motivos de porque não gostava de igrejas.

- Acho que ainda não me apresentei – a mulher esticou a mão. – Sou Helga Moore.

Respirando profundamente, Harley a cumprimentou, a renda da luva da mulher encaixando-se na sua.

- Harley Cleanwater. – Completou, apenas para que o clima ficasse um pouco mais aceitável. Ela sabia que não suportaria ficar ali mais do que dez minutos.

- Se me permite perguntar... – Começou Helga, lambendo seu lábio inferior.

Não permito, pensou a detetive.

- Você sempre foi daqui? – Perguntou a mulher, finalmente.

- O que quer dizer?

- Ah, você sabe...se você nasceu aqui...esse tipo de coisa. – Ela mexia nos dedos, sinal de nervosismo e um pouco de um incômodo natural.

- Sim, eu nasci aqui.

- Jura!? – A mulher elevou o tom de voz, atraindo olhares reprovadores das pessoas no banco de trás. Bastou um olhar de Harley para que ninguém falasse algo.

- Por que a surpresa? – Indagou a detetive enquanto cruzava os braços.

Naquele instante, poucas pessoas ainda entravam na igreja. A mãe de Clary já se posicionava ao lado do caixão da filha, as lágrimas rolando por seu rosto. Aquela imagem a fez se lembrar de Painswick e de tudo o que ela deixou para trás, um rastro de perdas, banhadas pelas lágrimas das mães das quais Harley não pôde salvar os filhos. Ela retomou o fôlego, acalmando seus pensamentos antes que tivesse de tomar um de seus remédios, sempre à sua disposição num dos bolsos de sua bolsa.

- Ah...é que...

- Ouviu coisas ruins sobre mim?

Helga erubesceu, como se Harley tivesse dito algo pecaminoso em solo sagrado, como se a própria detetive estivesse revelando seus seios diante da cruz. O povo daquela cidadezinha conseguia ser irritante e, ao mesmo tempo, imprevisível.

- Não, de maneira alguma. – Defendeu-se a mulher.

Mentira!

- É só que – ela começou a se justificar – nunca a vi por aqui antes.

Harley balançou a cabeça, demonstrando entendimento.

- Bom, então você poderia ir...

- Não tenho tempo. – Harley cortou a mulher logo no início de sua frase. – Perdoe-me, senhora Moore, mas não tenho tempo para...

- Mas você nem me deixou terminar! – Protestou a mulher enquanto um padre corcunda, vestindo sua bata branca e chapéu de cone decorado com arabescos dourados, subia ao altar. Onde tantos casamentos eram realizados, a morte dominava por inteiro naquela manhã cinzenta. – Estou lhe convidando para um chá, na minha casa. – Helga sorriu, os dentes amarelados tentando convencer Harley de que ela não perderia tempo.

- Olha, eu realmente...

- Por favor, eu insisto. – Prosseguiu Helga tocando no braço da mulher, mas se afastando logo em seguida, temerosa de que a detetive se sentisse violada. Ela se sentiu.

Considerando as melhores das possibilidades, Harley decidiu pensar que aquele chá da tarde proposto pela até então desconhecida poderia lhe dar algumas informações sobre a garota morta. Talvez Helga fosse próxima da família, ou então apenas seja uma solteirona que não tem nada melhor para fazer além de bisbilhotar na janela alheia. De qualquer maneira, talvez ela desse com a língua nos dentes e deixaria escapar algo. A maioria das mulheres de quarenta anos daquela cidade tinha uma pré-disposição a falar mal de todos. Harley já tinha seus quarenta e dois, mas definitivamente não simpatizava com aquelas mulheres.

Com duas batidas na ponta do microfone, o padre anunciou o início daquele memorial, os olhos soberbos em lágrimas que pareciam pré-moldadas por seus cílios longos. Com gestos rápidos, o padre falou sobre a importância da vida, sobre como devemos nos unir em tempos difíceis e todo aquele blá-blá-blá religioso, sobre como Deus iria ajudar a todos no final. Deus não ligava para porra nenhuma que acontecia naquela cidade! Isso Harley tinha certeza.

Enquanto todos prestavam atenção nas dóceis e fúteis palavras do padre, Harley analisava o seu arredor. Bancos e mais bancos de madeira polida sustentavam corpos de diversos tipos. Havia um grupo de adolescentes, apenas três deles, na verdade, reunidos próximos aos pais de Clary, que mantinham a cabeça baixa o tempo todo. Emily Grenier se debulhava em lágrimas assim como a mãe; parecia até mesmo mais triste do que a própria mulher. Ela mantinha o rosto recluso entre seus dedos frágeis e as orelhas pareciam rasgar-se com os exagerados brincos de argola. Correndo o olhar pelas fileiras de bancos, Harley sentiu-se impotente. Nada ali lhe fez crer que o assassino estivesse entre eles naquele momento.

A porta dos fundos da igreja se abriu num estrondo. Todas as cabeças se viraram na direção do som. Um grupo de garotos bêbados estava ali, garrafas de cerveja barata em suas mãos maiores do que os pênis. Um deles, o mais alto, usava uma camisa do Crystal Palace enquanto um shorts verde-musgo responsabilizava-se por proteger suas coxas dos ventos frios. Seus cabelos loiros tinham respingos de suor e suas bochechas estavam vermelhas, o sangue fluindo rapidamente por seu corpo. Misturaram bebida com energético. Idiotas...

- Vá pro inferno, Clary Freemont! – Ele berrou, sendo seguido por uma calorosa chuva de berros dos outros quatro amigos, todos se batendo simultaneamente enquanto o mais alto lançava sua garrafa de vidro contra o assoalho da igreja, o vidro estilhaçando-se com o impacto, o líquido amarelado lembrando o mijo de um cachorro velho.

Harley olhou na direção do altar, onde um choro desolado de uma mãe ecoava por trás da chuva de comemorações neandertais daquele grupo transbordado de testosterona. O coração da mulher apertou-se.

- Chega! Vá embora! – Harley ordenou, levantando-se de seu banco, os olhos fixos nos do garoto mais alto. Agora em pé, ela o achou mais velho do que antes. Os olhares recaíram sobre ela.

- Senta aí, tia! Não queremos problema com a terceira idade não. – Caçoou um garoto gordo, o rosto manchado de espinhas.

- Já já eu falo com você, espinha ambulante. – Harley ergueu sua mão direita, mandando-o se calar. – Vá embora. – Repetiu ela. – Não vê a dor que está causando?

O loiro sorriu sarcasticamente, o canto de seu lábio erguendo-se até a altura de sua narina.

- Não. – Retrucou ele, rindo logo em seguida, o silêncio das pessoas criando uma atmosfera plástica e tátil. Seu hálito estava carregado de álcool e pastilha de menta vencida.

- Não pedirei novamente. – Ela o alertou. O garoto se abaixou, os olhos ficando na linha dos dela.

- Eu tenho o direito de estar aqui tanto quanto você.

Harley manteve-se inexpressiva.

- Espera, eu conheço você... – Ele afastou-se, o dedo indicador apontado na direção dela. – Você é aquela vadia que deixou aquelas crianças morrerem!

Harley engoliu em seco, a fúria subindo por seu sangue, alimentando suas células com o mais puro e ácido ódio.

- Você é que não deveria estar aqui! – Concluiu ele, passando a mão sob os fios de seus cabelos, jogando-os para trás. – Uma assassina de crianças não tem lugar com o papai do céu... – Disse ele com uma péssima imitação da voz de um bebê.

- Aponte-me este dedo novamente e a única coisa que você fará é gritar de forma longa e dolorosa.

Ele riu, a mão apoiada na barriga, fingindo uma dor estomacal causada por aquela situação. Harley desejou que fosse cirrose. Ainda rindo, ele apontou o dedo para ela, apenas para, em seguida, um grito romper de sua garganta. Harley agarrou seu dedo, lançando-o para trás, ouvindo seu osso estalar enquanto ele se ajoelhava. Num movimento rápido, ela segurou o ombro dele, forçando seu braço para trás.

- Aproxime-se de mim de novo e eu farei muito pior! – Ela alertou, a voz ecoando pelas paredes de pedra, debatendo-se entre as rochas.

- Harley... – A voz de Eldric chamou por ela. Ele estava parado na entrada da igreja, um olhar confuso, diferente do olhar dissimulado pela raiva e a dor que se estampava no semblante da detetive. – Chega.

Harley largou o garoto, vendo-o chorar enquanto se arrastava pelo chão.

- Vá embora! – Ela ordenou novamente enquanto os amigos o ajudavam a se levantar.

Eldric, de repente, surgiu ao lado dela, a mão apoiada sob seu ombro, levando-a para fora da igreja enquanto milhares de olhos curiosos esqueciam o verdadeiro motivo de estarem ali.

Manhã, 08h16

Harley manteve sua cabeça baixa, os fios de seu cabelo sendo levados pelo vento que batia na esquina da igreja. Eldric sentara-se com ela num banco de concreto, localizado na frente de um pequeno jardim improvisado no lado esquerdo da capela. Além do jardim estava o cemitério, as lápides lembrando Harley de seu fracasso.

- Está se sentindo melhor? – Ele indagou, um copo de plástico em sua mão trazia água.

- Por favor, me diga que isso é vodca.

- Vodca? Numa igreja? – Zombou ele, dando-lhe o copo. De má vontade, ela bebeu a água. – Você acabou com aquele garoto.

- Ele merecia... – Justificou a mulher enquanto girava o copo em suas mãos, observando a fina faixa de água que restara em seu fundo.

- Talvez não...

Harley olhou com incredulidade, a sobrancelha erguida enquanto ela mesma se levantava, a mão direita encaixando-se no bolso da saia azul enquanto a mão esquerda carregava a sua bolsa.

- Harley, eu não quis dizer...

- Sei exatamente o que quis dizer, Eldric! – Gritou ela enquanto se afastava.

O memorial já havia sido finalizado dez minutos atrás, mas Harley não se surpreendeu ao encontrar Jay e Winson Freemont ao lado do caixão da filha, dentro da igreja, o padre abençoando o casal apenas para, em seguida, deixá-los a sós. Hesitante e de cabeça baixa, ela subiu os cinco degraus que levavam à entrada, passando pelas densas portas de madeira e caminhando pelas fileiras de bancos vazios. O pai de Clary ergueu seus olhos. Jay permaneceu fixa no caixão.

- Eu sinto muito pelo ocorrido, senhor Freemont. – Harley desculpou-se, um aceno de cabeça mostrando sua tristeza pelo fato ocorrido. – Sinto muito pela sua perda. – Disse ela por mera cordialidade.

- Sente mesmo? – Indagou Jay, a voz deturpada por lágrimas secas que travavam em seus olhos melancólicos. – Não acho que sinta. – Finalizou ela com um murmúrio, tocando o caixão com a palma estendida.

- Jay... – Winson pareceu adverti-la, mas no fundo ele apenas queria que tudo acabasse.

- O que foi, Winson!? – Esbravejou ela. O marido deu dois passos para trás, as mãos cerradas. Harley manteve-se ereta, ombros para trás e rosto sério, inexpressivo. – O que ela vai fazer comigo só porque eu falo a verdade, hein!? – Agora, a mulher de cabelo loiro-palha e vestido preto voltava-se para Harley, as gordurinhas de seu corpo sendo marcadas pelo tecido. – Vai quebrar o meu braço!? – Indagou entre gestos violentos. Harley conteve o sorriso no canto de seu lábio. Jay Freemont era uma mulher forte, disso Harley sabia.

- Eu não consigo nem ao menos imaginar pelo o que estão passando... – Harley baixou seus olhos, abrindo sua bolsa, fuçando em seu interior até apanhar um pequeno cartão, que entregou a Winson. – Mas se precisarem de qualquer coisa, estou sempre à disposição...

- Tenho certeza de que está. – Resmungo Jay, os olhos frios fitando a detetive, analisando desde seu maxilar quadrado até suas coxas largas naquela saia. – Aqueles garotos são uns monstros, mas você também é.

- Jay, já chega. – Winson tocou em sua mão, mas a mulher se desvencilhou dele.

- Não precisamos da sua ajuda! Não precisamos de mais mortes!

- Jay...

- Você atrai a morte para as pessoas! – Cuspiu a mulher. Harley manteve-se imóvel, os braços na frente do corpo enquanto segurava sua bolsa. – Vá embora...não precisamos de você aqui.

- Amor, precisamos ir. – Jay a abraçou de súbito, envolvendo-a com os braços ao redor dos ombros.

- Não...

- Nós precisamos...

- Não vou deixar nossa filha.

Quatro pessoas entraram na igreja naquele instante, roupas cinzentas e bonés cobrindo suas cabeças. Eram homens barrigudos e com barba grisalha, os poucos coveiros daquela cidade.

- Jay, por favor...

- Nós nem pudemos nos despedir! Nem pudemos olhar para nossa filha uma última vez porque um maníaco fez isso com ela! – Jay apontou para o caixão, raivosamente. – Não posso deixá-la...não quero...

Harley respirou profundamente enquanto via Winson arrastá-la para longe do caixão, que começava a ser carregado pelos quatro homens, inexpressivos, imparciais, apenas carregando um pedaço de madeira pesado demais sob seus ombros.

- Ligue-me, se precisar de algo. – Finalizou Harley, Winson maneando a cabeça enquanto Jay continuava a gritar.

Harley engoliu em seco e olhou para o chão do altar durante todo o seu caminho na saída da igreja, seus sapatos pretos, de bico-fino, batendo contra o piso de cimento do lado de fora da construção. Sem olhar para trás, Harley sabia que o caixão já estava sendo enterrado, a terra seca sendo jogada por cima do descanso eterno de uma garota que nunca mais seria vista.

*Pessoal , sei que havia prometido o capítulo para amanhã, mas surgiu um compromisso e eu não conseguiria postá-lo, é por isso que vocês já puderam lê-lo hoje!!!!! Semana que vem a gente já retorna à programação normal, com postagem na sexta-feira. 

E aí, o que estão achando da história??? A Harley é um amor, né gente?

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