Capítulo 29 - Bruno
Antes mesmo de abrir os olhos, as mãos dele tatearam o tecido da cama à procura dela. Sem encontrá-la, se sentou com um suspiro de derrota.
Mas então, o som do chuveiro ligado adentrou seus ouvidos. E só de imaginá-la... Bruno se levantou num pulo, caminhando até o banheiro em ponto de bala.
Serena estava de costas, debaixo do jato d'água, a cabeça erguida a fim de receber no rosto os primeiros pingos. Bruno entrou no box de mansinho, a abraçando por trás. Ela estremeceu quando sentiu os braços dele rodeá-la, e logo se virou, o encarando.
A água caia em cima deles. E por alguns instantes, apenas se entreolharam.
O peito dela subia e descia, numa respiração acelerada. As gotas fluindo entre os seios desnudos, como um rio abundante. Ele passou a mão pelo cabelo molhado, alinhando-os para trás.
Serena mordeu os lábios, e suspirando, perguntou:
- Já ficou com alguma mulher grávida antes?
Bruno pressionou a boca, segurando um riso.
- Realmente quer falar de minhas experiências sexuais? - segurou o queixo dela, erguendo-o. - Não importa o que aconteceu antes.
Depois dela, as outras eram somente as outras. Não queria se lembrar do que não lhe trazia orgulho.
- E agora?
- Estamos nus. Embaixo do mesmo chuveiro. Eu estou pronto para você...- os olhos dele repararam nos mamilos entumecidos, indicando que ela também estava excitada. - Isso tudo já não responde?
Serena abriu boca, preparada pra responder algo. Mas ele foi mais rápido, tomando-a num beijo desesperado de bom dia.
Ela perpassou os braços por sua nuca, aprofundando o contato em algo mais sentimental, intenso e arrebatador.
Puta que pariu.
Se antes o controle era dele, agora ela o tinha na palma da mão.
A pele de Serena era sedosa e macia, como um anjo. Do mesmo jeito que aquele olhar o deixava nas nuvens. E ele tinha vontade de fazer tudo para agradá-la, deixá-la feliz e dar prazer.
Por isso, quando suas bocas se separaram, Bruno a contornou e pegou o sabonete, o deslizando pelas costas dela, depois serpenteando pelo colo e barriga. Serena estava imóvel, a atenção fixa em cada movimento.
Quando voltou pra frente dela, os olhares se cruzaram. O canto da boca dele se ergueu, em um sorriso que pretendia relaxá-la. Porém, ela imitou seu gesto, sorrindo com uma graciosidade que iluminou o resto de seu dia.
[...]
Tinha virado um filho da puta viciado. Completamente alucinado por ela.
E o fato do tempo passar rápido, o deixava mais apreensivo. Tanto por eles dois, tanto pelo bebê que esperavam. Haviam se passando pouco mais de um mês, e o oitavo mês de gravidez já batia à porta.
Descobriram juntos que ela carregava no ventre uma menina forte, saudável e arteira, que não parava de tirar o sono de sua mãe por não encontrar uma posição para dormir.
Ele até tinha se equivocado ao imaginar que era um menino, mas, depois daquela confirmação, era corriqueiro que sonhasse com uma garotinha de cabelos negros como nanquim, olhos claros como a mãe, e pele branca como a lua.
Serena estava ansiosa, e a cada presente para a linda menina, ficava mais empolgada. E, putz... Bruno não via a hora de aninhá-la entre seus braços, e fungar aquele cheiro maravilhoso de bebê.
Tudo realmente havia mudado.
Porém, nenhum dos dois ousavam expressar o que estavam vivendo. E, ainda que Serena tentasse maquiar aquele assunto com a ansiedade gestacional, ele sabia que a cada olhar, ela esperava por alguma atitude por parte dele.
Mas Bruno continuava tão perdido quanto antes. Talvez por não fazer ideia do que era aquele sentimento gigante que aquecia seu coração somente por estar ao lado dela, talvez porque o relacionamento de Serena e Renato tivesse evoluído naquele espaço de tempo, com direito à uma trocas de presentes que o deixava aborrecido.
E ele tinha se tornado um covarde medroso, sem coragem de perguntar se ela estava apaixonada pelo jogador do grêmio, ou por ele. E, principalmente porque Renato realmente parecia ter mudado, demonstrando ser alguém afetuoso, expressivo e carinhoso. Comportamentos que por vezes lhe faltavam, ainda mais quando se encontrava num estado de euforia, desejo e confusão constante.
De todo modo, de que adiantaria saber sobre o desejo do coração dela, se nem ele tinha respostas para as indagações sobre os próprios sentimentos?
Assim, um consenso pareceu ter se instalado tacitamente. Ambos não perguntavam o que eram e o que viviam, porém, desfrutavam e muito um do outro.
É óbvio que ainda não tinha conseguido sequer olhar para outra mulher. Pelo menos, não enquanto Serena era tudo o que conseguia ver, e somente de se deparar com ela o esperando na cama, ele se esquecia de tudo para mergulhar nela e sofrer com outra noite em claro.
Ela era um anjo, em todos os sentidos. Mas, na cama... Bruno não saberia dizer se Serena o conduzia ao céu ou ao inferno, ou ainda, se em uma só viagem, ele visitava os dois lugares simultaneamente.
Pele na pele.
A sensação de senti-la sem obstáculos era indescritível, profunda e intensa. Ela era a primeira mulher que não precisara usar proteção, e a primeira que não saberia o que fazer quando começasse a precisar.
Porque o jeito como não saía de dentro dela, era capaz que Serena saísse de uma gravidez para outra. E, estranhamente, aquele risco não soava como algo proibido ou culposo, mas sim natural.
Claro, se de fato continuassem assim...Juntos?
Porém, não sabia o que aconteceria depois: se continuariam dividindo o mesmo teto e cama, se ele se manteria fiel, se ela não iria embora para viver com outro... Aquela última possibilidade o envenenava.
Mas Bruno buscaria respeitar qualquer decisão que Serena pudesse ter a respeito deles. Queria o melhor para ela, independente de qualquer coisa, até mesmo da própria felicidade.
Então, se algum dia ela virasse e lhe dissesse que estava indo embora, ele abaixaria a cabeça e consentiria. Diria boa sorte e desejaria alegria genuína, ainda que soubesse que estaria fadado à uma morte lenta e dura.
Bruno engoliu em seco, mantendo aquelas hipóteses longe, pois era isso o que eram: possibilidades. Não valia a pena pensar no futuro enquanto estavam no aqui e agora, vivendo o presente.
Ele atravessou o corredor, entrando no quarto com a porta entreaberta. Os olhos dela brilharam apreensão, interrompendo a forma atabalhoada como tentava alcançar o zíper nas costas.
- A gente precisa mesmo ir? - Serena perguntou.
Bruno ficou tentado a dizer que não. Estava louco para levá-la de volta ao quarto e amá-la mais uma vez. Porém, o churrasco e a pelada marcada na casa do Farley não era uma simples festa, mas também um chá de bebê surpresa organizado por Michele e Sarah.
E ele não via a hora de ver um sorriso gigante estampado no rosto dela. Além de estar apavorado com a ansiedade de presenteá-la com o grande embrulho que já a esperava na casa do amigo.
- Sim... – assentiu, caminhando na direção de Serena para ajudá-la a fechar o vestido púrpura, que evidenciava os seios e marcava a barriga redonda. – Precisamos mesmo. – insistiu pela milésima vez.
Ela suspirou, aceitando a ajuda dele.
- Eles vão perguntar sobre a gente... – Serena o olhou pelo reflexo do espelho, depois bufou para a própria imagem. – E eu estou me sentindo um balão.
Uma risada escapou de Bruno.
- Você está linda... – murmurou no ouvido dela, sentindo-a estremecer enquanto ele afastava os cabelos mais longos para subir o zíper. – Além disso... você contou alguma coisa para a Michele?
- Sobre a gente? – as bochechas dela coraram. – Acho que talvez eu possa ter dito alguma coisa...
- Então se Michele sabe, Farley sabe. O que significa que todo mundo está ciente. – ele finalmente fechou o vestido.
Serena o olhou de baixo para cima, piscando os cílios espessos.
- Você está bravo?
- Não. – deu de ombros. – Tenho quase certeza que todos saberão assim que nos ver.
- Saberão... o quê?
Serena se virou, o encarando apreensiva. Bruno uniu as sobrancelhas, pendendo a cabeça.
- Que a gente está ficando.
- Ficando? - A voz dela pareceu se esvair, o olhar opaco e sem vida por um instante.
– O que foi? Está tudo bem?
- Sim. – o sorriso cabisbaixo que emoldurou o lindo rosto não chegou aos olhos. – Vamos?
Já preparado, ele entrelaçou a mão deles, a guiando para fora de casa.
Eles entraram no carro, e Serena logo se ajeitou, colocando o cinto de segurança. Bruno deu partida, se concentrando no trajeto e não na forma como ela parecia longe, decepcionada com algo.
Estavam quase chegando quando ela se virou, e perguntou:
- O que você acha de Alice?
Ciente de que ela falava da bebê, ele parou de tamborilar os dedos no volante, coçando o queixo.
- Não gostou, não é? – Serena emendou a pergunta, mordendo os lábios. Bruno colocou uma das mãos na coxa dela.
- Não, é bonito...
Mas, ainda assim, não parecia ser o nome ideal para a menina deles.
Ele a olhou por um instante, se lembrando do dia em que a ouviu conversar com Silvana, dizendo que seu pai escolhera o nome porque amava noites serenas. Na primeira vez ouvida, tivera quase certeza que era uma bobagem. Porém, agora fazia total sentido.
Um dos cantos dos lábios dele se elevaram, num meio sorriso.
Bruno olhou novamente para a mulher ao seu lado, observando a tranquilidade emanada por ela. Serena era realmente como uma noite estrelada, de brisa leve e fresca, onde a única coisa que queríamos fazer era ficar contemplando o céu.
E ele sentia que poderia fazer isso por toda a vida, observando como o brilho daquele olhar se assemelhavam as estrelas mais lindas e reluzentes. Perto dela, a filha deles...
Um estalo ecoou na mente de Bruno, relacionando o significado do nome de Serena ao sonho que tivera com o bebê.
- Que tal, Luna?
Serena uniu as sobrancelhas.
- Por quê?
- Ás vezes sonho com uma menininha. – a olhou de esguelha, sentindo-se estranhamente exposto e constrangido por não ter revelado antes. – Ela tem seus olhos, mas a cor do cabelo é igual a de Henrique. Então, não sei... Só me veio a cabeça a semelhança dela com a lua.
Serena sorriu, e colocou a mão em cima da dele, ainda posicionada sobre a coxa dela. Um silêncio se instalou por um momento.
- Luna é perfeito. - ela revelou.
Bruno soltou o ar que não sabia que estava segurando. Serena sorria, o olhar longe.
Realmente era perfeito.
Porque a mãe dela tornava estrelada qualquer noite na vida dele, e Luna seria a Lua, complementado o cenário paradisíaco que ele desejaria morar por toda a vida.
Quando finalmente chegaram, Bruno estacionou e saiu do carro, se apressando para ajudá-la.
Serena odiava se sentir impotente e lenta devido à barriga cada vez maior. Mas isso não a impedia de tentar mesmo assim, e gemer de frustração por confirmar as limitações temporárias.
Ela franziu o nariz a contra gosto, mas aceitou a ajuda. Ele riu.
Até a teimosia constante o divertia.
Parados em frente ao portão marrom da casa de Farley, situado em um condomínio no Recreio dos Bandeirante, Serena trocou o peso dos pés, esperando alguém atender a campainha e recebê-los.
Bruno inspirou fundo, erguendo a mão para puxá-la de encontro ao seu peitoral. Os braços dele a envolveram em um abraço rápido. Não só um prenúncio de que estava tudo bem, mas que ele não via a hora de poder tocá-la sem plateia.
Serena sorriu, aceitando seu afago, mas logo se distanciou. A porta finalmente abriu, revelando o sorriso travesso de Farley.
- E aí galerinha! – O amigo abriu os braços. – Quanto tempo!
Bruno cumprimentou Farley com um tapinha nas costas, enquanto Serena lhe deu um abraço.
-Como você está? – Ela perguntou a Farley, sendo conduzida por Bruno para dentro da sala ampla, pintada em tons vivos de azul, e decorada com artigos esportivos, bolas e posteres de ídolos futebolistas.
- Ótimo! E você e minha sobrinha?! Michele me disse que é uma menina....– Farley se virou pra Bruno, dando-lhe uma cotovelada marota - Nem vou perguntar desse mané, eu já sofro com a presença rabugenta dele quase todos os dias nos treinos.
Bruno fingiu um olhar de irritação para o amigo, que o mandou língua. Ele revirou os olhos. Farley era muito bobo, nem parecia um dos jogadores mais velhos entre eles, tendo 28 anos, enquanto Bruno tinha 25.
Serena riu e respondeu, a mão acariciando a barriga:
- Estamos bem! – os olhos dela correram pelo ambiente. – Cadê todo mundo?
- Estão lá fora! Só estávamos esperando vocês para começar... – Farley deu uma piscadela na direção de Bruno.
A casa do amigo tinha a área de lazer separada por um muro da propriedade principal, o que facilitava a bela surpresa que iriam ter.
Um sorriso torto escapou de Bruno enquanto eles estavam prestes a abrir o portão. Os olhos de Serena o miraram, desconfiados.
O mesmo jeito que ela o olhava quando queria dizer "o que está acontecendo?". Ele pendeu a cabeça, tocando levemente o antebraço dela. "Eu estou com você, e tudo está bem".
Farley girou a maçaneta com um sorriso despretensioso no rosto, porém o modo como ajeitava o topete loiro evidenciava a empolgação.
Deixaram que Serena passasse na frente, e quando o primeiro pé dela tocou no gramado, um balão grande e rosa foi estourado por Sarah, a fazendo pular para trás com uma das mãos sobre o coração.
- SURPRESAAAAA
Um coro de gritos e assobios adentrou o ouvido deles. Serena mal teve tempo de se recuperar, sendo enlaçada num abraço triplo por Munique, Michele e Sarah.
Farley soltou uma gargalhada, enquanto os outros vinham cumprimentá-la, carregando presentes envoltos por embrulhos fofos.
Serena se desvencilhou de um abraço e se virou para Bruno, que já se distanciava. Ele só entendeu quando ela o abraçou apertado.
- Agora entendi porque insistiu... Obrigada. - murmurou no seu ouvido com a voz embargada, completando o agradecimento com um beijo demorado em sua bochecha. Um beijo que ele daria tudo para que fosse na boca. - Eu adorei a surpresa.
- Que bom. Fico feliz. – seu coração se aqueceu dentro do peito, e não era devido ao calor do sol, que também estava quente.
Um assobio alto chamou a atenção de todos. O olhar de Bruno disparou na direção do som, e imediatamente os punhos cerraram.
- O que foi? – atenta a sua reação, Serena se virou.
Atrás deles, Renato acabava de passar pela porta. Vestido como um playboy, carregava um grande buquê de flores na mão e uma caixa de presente na outra.
Serena soltou Bruno, caminhando na direção do jogador com um sorriso.
Ele meneou a cabeça e colocou a mão no peito, sentindo o coração acelerar enquanto seus músculos queimavam e o estômago borbulhava. Parecia estar em queda livre, caindo rápido demais em um precipício onde Serena era a única que podia salvá-lo.
Uma sensação péssima, já sentida antes. Ciúmes e....
Droga.
Era essa a sensação de estar apaixonado?
Um cap mais leve e romântico (e gigante?) depois do intenso que tivemos antes hehe
Mas não se enganem com essa leveza. Essa semana tem mais, com direito a surpresas e decepções...Não percamm <3
Obrigada por acompanharem esse casal, que vem se envolvendo cada vez mais!! Só espero que esse amor os mantenha junto quando tudo for colocado à prova...
Até o próximo, que sai no máx até sábado. 🧡
Não está revisado. :(
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