Capítulo 14 - Bruno
- Eu...
- Você o quê, Serena? – Bruno perguntou, sentindo uma ansiedade estranha palpitar.
- Eu acho que você está me confundindo, Bruno! – Serena colocou as mãos no peitoral nu dele, o empurrando. – Só...
- Bruno?! – Era a morena que estivera entre seus lençóis a pouco tempo, e que ele descobrira recentemente se chamar Heloísa. Serena sorriu para a mulher e tirou as mãos dele rapidamente.
- Heloísa, você me dá um minuto? – Ele perguntou para morena, que assentiu cabisbaixa caminhando pra longe dali. Bruno se virou novamente pra Serena. – O que você ia dizer?
- Nada! – Ela exclamou desconcertada. – Você tinha razão, acho que não deveria ter entrado na brincadeira. Mas ainda assim...
Os olhos dela se desviaram dele. Bruno se xingou mentalmente, observando a sua evasão. Ele quase podia sentir a tristeza e decepção na expressão de Serena.
- Eu não precisava ter sido grosso, expulsando você. – completou por ela. Serena ergueu os olhos, arqueando as sobrancelhas. Bruno pressionou os lábios, com dificuldade pra dizer o que precisava. O cenho dela franziu, observando a reação dele. Que se dane, estava na hora de dizer: – Me desculpe.
- O quê? – Serena estava boquiaberta. Ele cruzou os braços.
- Serena, estou pedindo desculpas...
- Eu sei. Mas só queria saber o porquê.
- Por ter sido grosso.
- E? – Um dos lados da boca dela se ergueu, num sorriso torto. Bruno fechou os olhos ligeiramente e continuou:
- Por ter te magoado. Eu sei que não sou fácil, e até gostaria de falar que não serei grosso novamente... Mas, cacete! Eu sou assim, Serena. Só posso te assegurar que não fiz nada querendo magoá-la. – Ele soltou o ar que estava preso no peito. Serena continuava o encarando, os cílios espessos cintilando a cada piscada. – O que foi?! Eu fiz mais alguma coisa?
Lentamente, um sorriso grande foi se abrindo no rosto dela. Iluminado pela alegria repentina de Serena, ele sorriu também.
Ela começou a menear a cabeça, ainda sorrindo. E como se não pudesse surpreendê-lo mais, ela o abraçou. Bruno ficou alguns segundos parado, impossibilitado de retribuir o gesto dela. Serena o soltou, encarando-o.
- Bruno!
- O quê?
- Sempre que precisei de abraços, você me envolveu em seus braços... Agora eu estou te abraçando porque você precisa. Não vai retribuir?
- Eu não preciso de abraços...
- Báh! – Ela exclamou no estilo gauchês de ser antes de abraçá-lo novamente. – Cala boca e me abraça logo, Bruno!
Ele bufou, mas ainda assim retribuiu. Serena o apertou mais, ficando na ponta dos pés por ele.
- Espero que não tenha doído muito pedir desculpas... – ela comentou perto do ouvido dele.
- Isso não tem graça, Serena.
- Eu não estou rindo!
- Está sim. – Bruno conseguia imaginar o sorriso dela às suas costas.
- Eu não consigo esconder nada de você, não é?
Bruno assentiu, sentindo o aroma de baunilha dos cabelos macio dela. Serena o soltou, ainda segurando o braço musculoso dele.
- Agora vai...tá tudo bem.
- Ir...pra onde? – ele perguntou, com o cenho franzido. Serena pendeu a cabeça, indicando o caminho que Heloísa fizera minutos atrás. Bruno anuiu, surpreso por ter se esquecido. – Isso! Estou indo.
Assim que ele girou nos calcanhares, parecia que toda a festa tinha parado pra observá-los. A expressão de Bruno se fechou, voltando ao modo touro de sempre. Rapidamente todos os convidados voltaram ao que faziam antes.
Heloísa estava sentada na mesa onde eles jogaram verdade ou desafio. Ele apertou o passo, ansioso para terminar a relação que mal tinham começado. Porém a mão de Farley em seu ombro o deteve.
- Cara, que porra está acontecendo com você?
- Nada. – Bruno deu de ombros. – Vocês vão continuar jogando?
- Lógico que não! Você estragou a brincadeira. – Guilherme surgiu ao lado, respondendo por Farley. Bruno sustentou os olhos acusadores dos amigos, e cruzou os braços:
- Falem logo o que vocês querem! – Ele ralhou, observando Dodô chegar para a intervenção.
- Como assim?! Queremos saber como foi que tu arrumou um filho... ainda mais com alguém tão diferente do seu tipo. – A veia de Bruno esquentou por ver Farley falar de Serena daquele jeito. Prevendo a reação dele, Dodô completou:
- Farley não quis perder o respeito com ela, cara.
- Porra Toro! Só queremos entender como alguém que transava com a Rebeca vai pra Serena. – a explicação de Guilherme piorou ainda mais. Bruno franziu o cenho.
- É! Isso é tipo o estereótipo da vadia siliconada versus a modelo da Victoria Secrets. – Farley comentou, com uma explosão de risos. Bruno revirou os olhos. - Mano, sabemos que está caidinho por ela, mas o fato de você ter arrumado um filho da noite pro dia...
- Não é bem assim que se faz filho. – Bruno mencionou, balançando a cabeça. Estava na cara que estava omitindo algo, mas não seria um X9.
- Sabemos disso. – Dodô revelou. – Mas segundo Rebeca...
- Rebeca? – Bruno indagou curioso.
- É cara, já esqueceu da siliconada que você estava comendo há alguns dias? – Farley desdenhou.
- É claro que me lembro. – Bruno respondeu a contragosto. Talvez a pior decisão que já tivesse tomado na sua vida. Ele simplesmente não sabia quando foi que havia trocado a racionalidade por peitos. Quer dizer, ele sempre optou por peitos.
Mas talvez agora tivesse que rever os seus conceitos. Uma mulher que não entende diálogos não é uma que valha a pena para constituir amizade colorida. E com certeza Rebeca era uma dessas.
Bruno tinha perdido a conta de quantas vezes dissera que não queria nada. Fala sério! Do que ela precisava, um outdoor?
- O que eu não entendendo é o que Rebeca tem a ver com essa história. – Bruno murmurou. O canto esquerdo da boca de Guilherme se ergueu em um sorriso silencioso.
- Ela dizia por aí o quanto você era correto com... "sexo seguro"- Farley fez uma aspas no ar. Bruno sentiu vontade de rir, mas engoliu em seco e respondeu:
- E daí?
- E daí? – O modo como Dodô balançou a cabeça com os cachos caindo por cima de seus olhos indicava que estava perdendo a paciência. Que pena, ele estava muito relaxado. – Queremos saber como é que você arrumou um filho com uma mulher que não faz o seu tipo. – insistiu. Bruno abriu os braços, cansado daquela conversa.
- Eu estava apaixonado, galera. – O modo como aquela resposta saiu fácil fez Farley gargalhar.
- Isso nós já sabemos. – Dodô revelou sério. Pera aí, eles realmente acreditaram nessa baboseira que ele havia dito? Bruno ergueu a sobrancelha.
- Sabem mesmo?- perguntou interessado e surpreso ao mesmo tempo.
- E por que não estaria, Tourão? – Farley brincou. – Serena pode não ser seu tipo, mas aqueles olhos...- Bruno lhe dirigiu um olhar assassino – Opa, cara. Pode deixar que não quero a mãe do seu filho não. Mas tem alguém ali que me parece muito interessado, viu?
A face de Renato veio à mente dele, fazendo-o cerrar os punhos. Dodô tirou os cachos dos olhos.
- Bruno, você pode não querer falar pra gente o que está acontecendo. Mas sabemos que tem algo. – Dodô parecia analisar a situação. Bruno o olhava descrente. – Pelo jeito, parece que nem você entendendo... Só não quero que descubra quando for tarde.
Farley e Guilherme olharam para Dodô, a interrogação evidente nas expressões. Nem Bruno tinha entendido os enigmas que Dodô ditara. Não que fizesse importância...não tinha nada para descobrir, mesmo.
Uma quarta cabeça surgiu na conversa deles. Renato pigarreou, chamando a atenção. Os três amigos de Bruno cruzaram os braços.
- Bruno, eu poderia falar com você? – Renato indagou.
- Não. – Bruno respondeu. – Não temos nada para conversar.
Dodô apertou ligeiramente o ombro de Bruno, emitindo qualquer tipo de apoio que ele certamente não precisava e não queria. Caramba, o que estava acontecendo com seus amigos?
- Acho uma boa ideia sim.... – Dodô comentou, se retirando. Farley demorou um pouco para sair, mas logo se distanciou com Guilherme.
Vendo que não seria de bom grado colocar o cara pra correr, Bruno se sentou em uma banqueta próxima e apoiou os cotovelos nos joelhos, segurando as próprias mãos para segurança dos dois.
-É, não temos assunto. Mas só quero que saiba que independente do que possa ter havido entre a gente no passado, isso não tem nada a ver com a Serena.
Bruno deixou escapar uma risada de escárnio. Aquele cara só podia estar de brincadeira.
- Não aconteceu nada entre a gente no passado, Renato. Até onde eu sei, foi sua ex-mulher que resolveu me dar sem dizer que era casada. – Bruno apontou na direção do gremista. - Mas seja lá o que você acha que tenha ocorrido nessa sua cabeça, não deixe que interfira quando estivermos em público, ok? Não vai ser bom pra você ficar me provocando... E outra, não há nada entre você e Serena. Você acabou de conhecê-la.
Renato o olhou com um brilho estranho nos olhos.
- Tudo bem... – Renato fingiu não se importar. - De qualquer forma, você não entenderia. Acho que nunca chegou a ter ou começar um relacionamento com alguém...
- Eu até posso não ter credibilidade para falar sobre isso, mas conheço as pessoas... – Bruno apontou para o peitoral de Renato. – Não pode se esconder de mim. Eu sei que você não vale nada.
A verdade era que Bruno tinha outros parâmetros para aferir as pessoas, e as media naquilo que mais conhecia: futebol. E o histórico de Renato não era bom. O gremista fora um homem jovem criado na base do Vasco, que na primeira oportunidade deixou o time para trás. E não só isso, ele era muito esnobe para alguém que tinha pouca experiência no profissional.
Na precária perspectiva de Bruno, pessoas que não tinham integridade no trabalho não se mostravam valorosas na vida pessoal.
Depois que Brenda – ex de Renato - e ele ficaram juntos, Renato veio para cima dele dentro do campo enquanto a bola ainda rolava. Bruno nem sabia do que se tratava. Mas não deixou barato, a cotovelada desferida por Renato foi devolvida com um soco bem dado no meio da fuça.
A briga resultou na expulsão dos dois, e o gremista nem se dera ao trabalho de explicar o ódio gratuito. Foi Brenda que tentou esclarecer o que aconteceu, depois que Bruno fora obrigado por seu agente a emitir uma desculpa meia boca por algo que não sabia a razão.
O mais engraçado era que Brenda dissera que sentia muito, mas que estava muito feliz pelo soco que ele havia dado em Renato, já que o gremista havia se ressentido da traição dela, mas a traia mais do que um ninfomaníaco.
Se a ex dele dissera isso. Quem seria ele para desmentir?
Renato riu e estalou a língua, mas não expôs resistência ao que Bruno tinha dito. Pelo contrário, baixou a cabeça com a linha dos lábios pressionadas, como quem segura uma risada.
- Tudo bem, Bruno. Eu fiz a minha parte, mas se você quer que seja assim...
- Você não está entendendo, Renato. Eu não tenho que querer nada, Serena é uma mulher adulta. Mas uma coisa é certa, se você a magoar, eu vou querer sim. Na verdade, se isso acontecer, você pode se considerar um homem destruído.
- Cara, você pode fingir o contrário. Mas o seu olhar é exatamente o mesmo que o meu antes do primeiro casamento... Você gosta de Serena. – Renato apontou de volta para Bruno. - Francamente, isso não me importa, porque apesar de ter te provocado antes sem necessidade, eu quero a conhecer melhor, e se impedir que isso aconteça... vamos ter briga.
Eitaaa que a giripoca pode piar, meu povo! Mas ainda vem muitas surpresas por aí...
Gostaram de ver o Bruninho abaixar a guarda por Serena? Eu ameeei. kkk
Obrigada por acompanharem esse nosso casal <3
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top