Capítulo 10 - Bruno

- É... não dá para te odiar o tempo todo. – Serena soltou. Bruno sentiu um sorriso surgir nos lábios, e quando ia responder a provocação dela, um barulho ressoou. Ele piscou algumas vezes, não acreditando ser a campainha. Ela o olhou desconfiada. – Está esperando alguém?

Ele balançou a cabeça negativamente. Pouco segundos depois, a porta de Serena bateu.

- Bruno? – Era Silvana. Bruno colocou o indicador sobre os lábios para que Serena não respondesse sobre a presença dele no quarto dela. – Bruno, eu sei que você está aí dentro!

Ele suspirou e respondeu:

- Oi, Silvana.

- Só pra avisar que seus colegas já chegaram para o churrasco. Eles foram para a piscina. – Silvana murmurou. Logo depois, passos rápidos indicaram que ela já tinha se afastado. Serena parecia uma estátua em cima da cama.

- Puta que pariu... – Bruno xingou massageando as têmporas. – Me esqueci completamente disso.

- Que churrasco é esse?

- Depois do jogo passado eu combinei com os caras de fazer um churrasco aqui.

- Bruno... - Serena balançou a cabeça negativamente.

- Serena, não dá para dizer não pra esse pessoal. – ele sabia bem disso, e se lembrava do dia que os amigos o tiraram de um motel para que comparecesse numa social. – Não vai ser ruim... e todo mundo já sabe de você. 

Ele se referia ao fato de que era o suposto pai do filho dela. Serena ainda continuava meneando a cabeça.

- Mas vão fazer perguntas...

- E daí?

- E daí que a gente não sabe que história vai contar...

- É só você não entrar nesse assunto. – Bruno deu de ombros.

- Báh! – Ela exclamou como uma verdadeira gaúcha. - Como se isso fosse possível... Vou precisar me apresentar para as pessoas!

- Eu não vou falar desse assunto para ninguém.

- Nem se te perguntarem?

- Serena, eu não sou um bom mentiroso...– Bruno murmurou, e analisando-a, completou – Você, pelo visto também não é. Acho que precisa evitar esse assunto... e também, se as pessoas nos virem, já vão imaginar a história.

- Por que acha isso? – ela perguntou com o cenho franzido. Ele soltou um arquejo acerca da inocência dela.

- Serena, não sei de onde você é. Mas aqui no Rio, quando veem um homem junto com uma mulher que está grávida, geralmente imaginam que seja o pai. – explicou. Ela fez uma careta.

- Mas Bruno, estou aqui para tentar recomeçar a minha vida. Quero conhecer alguém... e acho que se imaginarem que estou com você, ninguém vai chegar perto de mim.

Bruno duvidava muito que ninguém fosse chegar nela, mesmo que eles estivessem juntos. Ele por exemplo também não teria problema algum, ainda haveria mulheres que iriam fica com ele mesmo se estivesse casado. Mas, entendendo os receios dela, disse:

- Só você dizer que não estamos mais juntos... que foi só uma vez, sei lá, Serena. – ele realmente não ligava. Ela ficou fitando ele, ponderando.

- É... talvez seja um bom argumento.

- Viu? Tudo resolvido. Então eu vou indo...

Bruno girou nos calcanhares, retornando para a saída. Mas quando ia girar a maçaneta, a porta de Serena se abriu com um baque. Rafa tomou um susto com a proximidade dele, mas os olhos do amigo logo encontraram Serena.

- Brunão, Silvana disse que estava aqui... – Ele viu quando Rafa ficou sem palavras. – Puta que pariu, cara... os boatos são verdade. 

 Bruno percebeu quando os olhos de Rafa identificaram Serena, analisando o corpo seminu dela, e ele sabia que não era o espanto por ela estar grávida.

Serena podia ser magrinha, mas ainda assim seu rosto em formato de coração revelava um leveza e inocência magnética. Um atributo que somado aos olhos claros e a boca carnuda tornavam-na inesquecível.

Ele se virou, vendo quando Serena levantou a coberta, cobrindo o corpo que estava apenas de lingerie. Um sentimento estranho começou a subir pela garganta dele.

- Rafael, se não sair daqui, eu prometo que vou te encher de porrada. - Bruno conseguia sentir as veias do corpo se dilatando. Rafael coçou a cabeça e logo depois saiu, fechando a porta.

- É, não começamos bem. – Serena murmurou entorpecida.

- Vamos ter alguns contratempos... – ele admitiu.

- Já passou.

- Eu sei. - Bruno a olhou com uma sobrancelha arqueada. Aquela constatação era óbvia.

- Então por que você está com os punhos fechados? – Serena indagou. Ele observou as duas mãos ao lado do corpo. Nem tinha percebido que seus punhos estavam cerrados. Bruno abriu as mãos e as balançou, tentando relaxar. – É melhor você ir... antes que mais alguém entre aqui.

- Isso. Eu vou indo. – ele murmurou com a mão na maçaneta.

- Você vai sair assim? – a pergunta dela o fez parar.

Bruno olhou para si mesmo de cueca e deu de ombros, saindo pela porta. Passar pelo corredor enquanto havia vários colegas com quem falou rapidamente não foi nem um pouco difícil comparado ao sentimento que ele tinha de querer ir atrás de Rafa e descer a mão na cara dele.

Ele tomou um banho rápido e foi até a piscina onde o pessoal já se arrumava. Os olhos curiosos sobre ele já deixava claro o assunto do momento.

- Mano, como foi que tu fez um filho sem falar nada pros seus amigos? – Dodô perguntou enquanto abria uma cerveja long neck com a aba da blusa.

- Quer mesmo eu diga? – Bruno perguntou sem paciência para aquele assunto. Dodô gargalhou.

- E cadê a moça que vai nos dar um sobrinho? – Sarah indagou enquanto tinha os olhos vidrados na tela do celular.

Bruno pegou a cerveja da mão de Dodô antes que ele desse o primeiro gole. Serena tinha razão, aquilo seria pior do que o previsto.

- Porra, Bruno... Minha cerveja não, mano.

Bruno deu uma boa golada, ignorando o amigo.

- Tá estressando, hein. – Sarah concluiu enquanto servia o marido novamente com outra long neck.

- Galera, o Rafa disse que o pessoal do pagode depois chega aí. Pelo menos o churrasqueiro já chegou. – Farley disse tirando a camisa. – O sol está do Caralho hoje... não aguentava mais aquele frio.

- Bruninho, você perdeu a social do dia do jogo. Cheio de mulher gostosa, cara. – Guilherme comentou.

- Aff, vocês só pensam em mulher e bola. – Michelle disse, parando a sessão de selfies que fazia.

Ele ignorou e observou o grupo ao mesmo tempo em que tomava conta da entrada para a área de lazer, na qual Serena deveria ter passado há tempos. Ele meneou a cabeça antes de beber toda a cerveja de uma só vez, em várias goladas sucessivas.

- Eita, garotão! Vai com calma. – Léo avisou.

- Já volto. – Bruno murmurou antes de voltar para dentro da casa, tomando o corredor que levava até o quarto de Serena. Ele bateu três vezes na porta, e como ninguém respondeu, chamou:

- Serena?

- O que foi? – Ela disse de dentro do quarto.

- Vamos.

- É... eu fiquei pensando... talvez seja melhor...

- Serena, vamos logo. – Ele inspirou tentando buscar paciência.

- Vou ficar Bruno... – A voz dela estava trêmula. Ele tentou abrir a porta, mas estava trancada.

- Se você não abrir a porta, eu vou arrombar.

- Fala sério, Bruno! Me deixa em paz. Eu não quero ir até lá...

- Serena.

- Tá bom. Vou abrir.

Em poucos segundos ela abriu. Serena estava com um vestido colado azulado e um cardigã longo cinza, andando de um lado para o outro dentro do quarto. A barriga redonda estava proeminente sob o tecido fino. Ela olhou para ele, e analisou a blusa do Flamengo que usava.

- Você só tem roupas do Flamengo?

- Patrocínio. – Respondeu, dando de ombros. - Agora podemos ir?

- Bruno, eu nem tenho roupa para isso... - Ela parou de andar e olhou receosa para ele. Bruno a analisou novamente.

- Tá ótimo assim.

- E eu... Sou péssima em conhecer as pessoas...

- Eu também não sou o ser humano mais amoroso.

- Meu Deus! – Soltou exasperada. - Será que nenhum desculpa rola com você?

Ele balançou a cabeça negativamente e ergueu a mão para ela, num convite. Serena suspirou contrariada, mas aceitou ser levada por ele. 

Quando chegaram perto da piscina, Bruno soltou a mão dela, colocando-a um pouco à frente de si.Não era preciso analisar Serena para saber o quanto ela estava desconfortável e tímida, brincando com os dedos na frente da barriga.

Todos os olhos presentes se viraram para eles. Os olhos de Serena miraram Bruno, ele assentiu em solidariedade.

A piscina já estava cheia de gente em volta. O churrasqueiro já estava a postos. O bancos destinados ao grupo de pagode, já estrategicamente posicionados um pouco à frente da piscina. Apesar de tudo, todos pararam o que faziam para observá-la. Bruno estufou o peito, pronto para o que der e vier.

- Ai.meu.Deus! – Michele gritou, correndo até eles com os saltos finos. – É você mesmo! Serena Condeço! – exclamou a mulher de cabelos ruivos longos com um grande sorriso no rosto. Bruno continuou com a expressão impassível. Serena apontou para si mesma, não entendendo muito bem o que estava acontecendo. Bom, nem ele sabia.

Sarah parecia estar analisando, sem saber o que dizer para Serena, que estava um tanto assustada com a reação da colega. Bruno torceu o nariz, odiava fazer "sala", um termo que a mãe usava para obrigá-lo a entreter as visitas enquanto ela não chegasse em casa. Mas naquele caso ele fez um concessão.

- Serena, esta é Sarah . Sarah esta é Serena.

Sarah, mandou "aquele olhar" para ele repreendendo-o pela apresentação seca. "Um doce" dizia ela, quando ele dava os shows de indiferença. Ele deu de ombros para a amiga.

Receosa, Serena ergueu a mão para cumprimentá-la. Mas Sarah praticamente se jogou em cima dela, puxando-a para um abraço ligeiro e apertado.

- Prazer, Sarah. – Serena murmurou baixinho, e quando Sarah foi responder, Michele interrompeu.

- Estou impactada! – Michele gritou olhando para Serena e depois para Sarah. - A Munique vai ficar louca! Ela está começando na carreira de modelo... e é sua fã! - Serena franziu o cenho, perdida. - Ah, Munique é minha irmã! - Se lembrou de terminar a explicação. 

- Obrigada! – Serena soltou um riso sem graça, as bochechas avermelhadas.

- Bruno, a história da vida de Serena é ministrada em workshop e cursos para modelos... – Michele virou para Bruno, contando. Depois retornou para Serena, os olhos contemplativos. – Eu não sou modelo, mas tenho que admitir... você é inspiradora.

Bruno observava toda a cena um pouco perplexo. De certo, ele não conhecia nem um pouco Serena, que parecia verdadeiramente agradecida. 

-Michele, assim você vai assustar ela!– Sarah comentou, com cabelos mais platinados e um sorriso – Tenho que dizer que não sei como aguenta Bruno... só por isso já admiro muito você!

- Sim... – concordou Michele, e depois chegou um pouco mais perto com a mão ao lado da boca, como quem conta um segredinho. – Nós sabemos como ele é insuportável!

Bruno meneou a cabeça. Serena riu alegre, sendo levada pelas duas para perto da piscina. Bruno suspirou satisfeito, logo depois indo para perto dos amigos que estavam reunidos em volta da churrasqueira.

Ele sentou ao lado da churrasqueira, e Dodô deu uma cerveja pra ele. Farley analisou Serena assentindo com a cabeça afirmativamente.

- É cara, tu teve sorte hein. Tomara que seu filho puxe a sua mulher e não essa sua cara feia.

- ela não é minha mulher. – ele disse depois de um gole.

- Foi só um pente e rala, então? – Guilherme perguntou, comendo um pedaço de carne. Bruno dirigiu um olhar gelado para o amigo, que soltou uma gargalhada.

- Só não estamos mais juntos – ele murmurou, evitando falar no assunto. E quando ia mudar de assunto perguntando sobre o grupo de pagode que cantaria, Rafael chegou acompanhado de Renato, jogador do time do Grêmio.

- Então não estão juntos... – Renato repetiu a fala de Bruno, que o olhou de soslaio.

- O que você veio fazer aqui? – Bruno perguntou para Renato. O que ele tinha para resolver com Rafa poderia esperar um pouco. Renato e Bruno tinham um história longa e conturbada. Não por provocação de Bruno, apesar dele nunca recusar uma briga. – Vim acompanhando a minha amiga. – ele assobiou, chamando a atenção de alguém.

Rebeca apareceu num instante ao lado de Renato. Os olhos predadores analisaram Bruno de cima a baixo e depois se distanciaram em chamas para Serena. Bruno fechou os braços na frente do peitoral.

Se havia corja pior, ele desconhecia. Mas ainda assim,estalou a língua e respondeu:

- Se comportem. – foi um aviso claro. E o modo como olhou para Rafa, também surtiu o efeito. Ele nem saberia o que era capaz de fazer se algum dano fosse causado a Serena, que estava alheia, conversando alegre com Michele e Sarah.

Renato deu uma piscadela falsa, enquanto Rafa assentiu sem jeito e Rebeca mordeu os lábios tentando seduzi-lo, ele soltou um arquejo.Agora tudo o que sentia por ela era pena.

Quando o grupo de pagode chegou, sua casa já estava lotada. Havia jogadores de futebol dos mais diversos clubes, bem como famosos das mais diversas áreas.

Ele ainda estava sendo parabenizado pelo bom jogo do Flamengo ocorrido naquela semana. Comemoração que ele recebia com um acenar satisfeito de cabeça. Serena sumiu da vista dele junto de Sarah e Michele.

Ele deu de ombros e tirou a camisa, mergulhando na piscina. Uma mulher linda e morena de seios fartos nadou na direção dele.

- (...) Foi um golaço... – ela dizia com os lábios tentadores. Ele já tinha tido gols melhores, mas ainda assim aceitou o bajular dela. Estava interessado em outra coisa, e jogar conversa fora não era uma delas.

- Que tal irmos para outro lugar? – perguntou, acariciando a face macia dela. Os olhos da mulher brilharam em resposta. Era tudo o que precisava. Ela a pegou pela mão, guiando-a para fora da piscina.

Antes de entrar na cozinha, ele se secou rapidamente com uma toalha limpa que estava em cima da mesa, passando-a para morena ao seu lado. Depois de parcialmente secos, ele a guiou corredor a dentro, como um predador prestes a encurralar a sua presa. Mas quando chegaram na sala, toda a excitação sentida se esvaiu, transformando-se em raiva.

De costas para ele, Serena estava sentada no sofá, conversando com Renato, que estava posicionado ao lado dela, o braço esquerdo abraçando-a.

- Ah... não acredito que é de Porto Alegre e não é gremista... – Renato dizia, acariciando o ombro de Serena. Ela riu e virou-se um pouco mais para ele.

- Minha mãe era louca pelo inter... ela amava futebol. Comecei a torcer pelo colorado por causa dela, mas admito que não entendo nada...

A morena que estava com Bruno mudou o peso do corpo para o pé esquerdo, um pouco impaciente. Ele levantou o indicador para ela, pedindo silenciosamente por 1 minuto.

– Mas não faz mal, só porque é a colorada mais linda que já conheci... – Renato murmurou baixo, chegando mais peito de Serena com aquela boca nojenta.

Bruno se sentiu no dever de intervir. 



olá meu povoooo. 

Esse cap demorou mais saiu. A relação de Bruno e Serena vem se estreitando, e com isso, mais explicações sobre as ações dos dois vem vindo. 

Enquanto Serena parece ser uma mocinha que sofreu abusos do ex-marido, carregando cicatrizes, Bruno não é diferente, e seu comportamento contraditório tem uma causa psicológica...

Aguardem o próximo cap! 

Beijoss

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