Capítulo 30
Amy
Não pode ser verdade, me recuso a acreditar que Marcelo vai fazer essa sandice. Deve ser algum tipo de piada. Não deve ter ninguém nos vigiando.
Resolvo fazer algo que não faço desde que voltei pra casa, quase três semanas há atrás quando desisti e decidi que realmente não encontraria ele pessoalmente.
Me tranquei em minha casa e não saio desde então. Desço até a portaria e converso com Jackson que é o responsável hoje.
— Olá Jackson.
O cumprimento assim que paro ao seu lado.
— Oi Amy. Em que posso ajudar?
— Jackson você sabe me falar se percebeu alguma movimentação estranha aqui na frente do prédio?
Ele me olha um pouco confuso, mais depois lembra de alguma coisa.
— Tem um carro preto, tipo muito preto mesmo parado na frente do edifício há dias, e quando Zoe sai, sempre vejo um homem sair de dentro e acompanhar a garota com os olhos. Não gostei da cara dele Amy, não parece ser uma pessoa boa, mas às aparências enganam né?
Ele questiona mais, não consigo falar no momento. Olho através da porta do prédio e um arrepio me percorre, preciso proteger Zoe.
Agradeço Jack e sigo até o elevador, não sei muito bem o que pretendo fazer, é claro que não vou ficar de braços cruzados, mas primeiro Zoe.
Lembro do Seb, e seu interesse pela minha amiga quando estivemos na boate e o encontramos lá, ele e ela não disseram nada, mais os olhares trocados não precisavam de explicação.
Procuro seu número na minha agenda e quando o encontro ligo para o mesmo imediatamente. — Amy? — Indaga do outro lado.
— Oi Sebastian, preciso de um favor. — Solto e aguardo sua resposta.
— Manda. — Ele diz.
— Preciso que pegue Zoe na faculdade e a leve para o mais longe que você puder levar. É um caso de vida ou morte. — Falo desesperada.
— Fumou alguma coisa? — Pergunta e gargalha em seguida.
Espero pacientemente pelo momento em que ele irá perceber que não estou brincando.
— Você tá falando sério? — Sua voz sai grave.
— Claro que tô falando sério seu tonto, não brincaria com isso de jeito nenhum.
— Me passa o endereço da faculdade dela. — Pede.
— Passo sim, mas antes passa aqui em casa, vou preparar uma mala pra ela e te dar o passaporte, vai que precisa.
— Tudo bem, já estou a caminho.
— Seb, obrigada. — Agradeço.
— Não me agradeça ainda mulher.
Ele diz e eu suspiro.
— Estou te esperando. — Falo e desligo, me dirigindo ao quarto da Zoe. No momento em que sua mala está pronta, a campainha toca.
Me dirijo a sala e quando abro a porta entrego a mala e o passaporte para Sebastian que me olha assustado.
— Caramba mulher! — Ele exclama. — Não vai nem me deixar entrar? — Ele pergunta.
— Não há tempo Sebastian, eu preciso correr contra o tempo, e é perigoso se descobrirem que você veio para meu apartamento.
Ele estreita os olhos para mim e questiona. — O que não está me contando Montgomery?
— Não posso falar nada agora. Vai logo, antes que Zoe saia da faculdade.
Ele bufa, mas pega as coisas e sai. Resmungando sobre deixar ele de fora da parte legal.
Sebastian Vettel é amigo de infância de Nicholas e Logan, consequentemente eu queria que fosse meu também. Tem algo que compartilhamos em segredo.
Nós dois fizemos um treinamento de elite escondidos de nossos pais. Ninguém sabe, nem mesmo Nicholas e Logan.
Eu queria fazer parte de algo grande, mais depois eu desisti. O pai de Sebastian fazia parte de uma equipe de operações especiais ligada ao exército americano, consequentemente Sebastian tinha muitos contatos.
Foi uma época boa, eu era uma adolescente vem empolgada, mais depois de um tempo tanto ele quanto eu vimos que não era realmente aquilo que queríamos, abandonamos nosso treinamento, mas nessa época eu já sabia atirar como ninguém, e ainda sei. Frequento um clube de tiro ao menos duas vezes ao mês, mesmo não tendo o porte de arma, eu sei manipular uma muito bem, não é algo que eu goste de ter, mas como a situação pede, darei um jeito, Papai tem algumas belezinhas.
Resolvo que é hora de ligar para o meu irmão, depois de colocar um jeans preto uma jaqueta da mesma cor que tem um colete a prova de balas embutido
— Logan? — Indago quando ele atende.
— Quem seria pirralha! — Exclama sarcástico.
— Agora não é hora para gracinhas, preciso de ajuda. Vai pra casa do papai, precisamos conversar sobre algo muito sério.
— Sério isso Amy, você se tranca em casa e depois vem com história de algo sério.
— Marcelo tá em perigo porra! — Exclamo com raiva. — Preciso de você. — Falo fungando. Não posso chorar.
— Porque não disse antes palhaça. Já estou indo. — Responde e desliga na minha cara.
Pego minha bolsa, a chave do carro e saio.
Preciso ir salvar meu homem.
***
— Como é que é? — Papai indaga.
— Ele só me disse isso papai, não sei de mais nada, estou no escuro. O que sei é que ele está correndo perigo de vida.
— Você está correndo perigo de vida! — Logan exclama.
— Isso é o de menos, não tô com nenhuma arma apontada em minha cara.
— Ainda caralho! — Logan grita.
— Porque ta gritando idiota? — Pergunto com raiva.
— Vocês dois parem agora. — Papai fala, a serenidade em pessoa. — Vou ligar para meu amigo da Interpol, precisamos interferir Logan. — Meu irmão acena em concordância.
— Ele salvou Nikoly pai, eu vou contigo onde precisar for.
Nosso pai acena e sai da sala em direção ao seu escritório.
— Eu também vou. — Falo para meu irmão.
— Pra onde? — Pergunta arqueando a sobrancelha.
— Oras, pra onde Logan. Ajudar Marcelo, não é óbvio.
— Você não é doida a esse ponto.
— E quem disse que sou louca! Me bate. — Peço.
— Ficou doida de vez Amy. — Ele ri e coloca as mãos na cintura. — Eu não vou te bater.
— Me bate imbecil. — Grunho em resposta.
— Eu não vou bater em você.
— Tudo bem então. — Dou de ombros. Chego próximo a ele e lhe digo. — Eu não queria fazer isso, mas como não à escolha aqui, eu preciso, me desculpa. — Peço e o atinjo no joelho, em seguida o derrubo no chão, o imobilizando com um golpe de Krav Maga¹. Ele fica tão estupefato que apenas grita.
— Filha da puta! Que merda você tem Amy. Quer foder meu joelho desgraçada — Ele grita.
— Me desculpa, mas você não me deu escolha Logan. — Respondo o soltando, ele se arrasta até o sofá e senta-se segurando seu joelho.
— Que merda vocês estão fazendo? — Papai volta e sua carranca é evidente.
— A desgraçada da sua filha quase arrebenta meu joelho com um golpe de Krav Maga.
— Que brincadeira de mal gosto, caiu e ta querendo colocar a culpa na tua irmã.
— Pai. — Chamo. — Ele tá falando a verdade. — Eu digo e seus olhos arregalam.
— E desde quando você sabe Krav Maga?
— Hum. — Pigarreio. — Desde os dezesseis eu pratico e não somente isso, eu sei atirar também.
— Posso saber como você aprendeu isso?
— Sebastian. — Respondo.
— O pai dele, deveria imaginar. — Meu pai diz.
— Na verdade o pai dele não sabe, foi com um amigo dele, enfim eu sei me cuidar, e só estava falando que vou também, mas Logan é um idiota.
— Tudo bem, vamos logo, quanto mais o tempo passa mais chances de não encontrar Fontana vivo.
Ele diz isso e meu irmão tenta contestar, mas com apenas um olhar do nosso pai dirigido a ele, o mesmo guarda para si.
¹Krav Maga é a defesa pessoal criada em Israel por Imi Lichtenfeld, já adotada por forças de segurança e civis no mundo inteiro. Tem o objetivo de dar a qualquer pessoa, independente de sexo, idade ou porte físico, a capacidade de se defender contra qualquer tipo de agressão: armada ou desarmada, contra um ou vários agressores, em pé ou no chão.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top