Capítulo 23

Estou fugindo de Marcelo como o diabo foge da cruz.

Eu sei, eu sei, muito imaturo. Mas o que  posso fazer se ele é lindo e toda vez que se aproxima meu coração dispara? em contra partida é tão babaca que dá raiva. 

Só desejo ir para o hotel, mas Nikoly já disse que come meu fígado caso isso aconteça. Já tirei fotos com os noivos, comi e tive uma conversa muito produtiva com Arthur que é uma criança muito inteligente.

Todos estão felizes e em sua grande maioria, apaixonados, evito olhar em direção a Marcelo que está sentado em uma mesa em frente a minha.

Não quero e não posso cair em tentação.

— Aí meu Deus! — Melissa exclama e todos se voltam para ela.

— O que foi, amor? — Nicholas indaga e ela praticamente grita.

— Ou eu fiz xixi na roupa ou os meninos resolveram vir ao mundo agora.

— O quê? — Nicholas grita e pânico é visível em seu olhar.

Lilian levanta de sua mesa e vai até a mesma.

Ela pede para que Melissa fique de pé e constata a realidade.

Melissa entrou em trabalho de parto.

Nicholas parece perdido, vejo quando Camille faz sinal para a cerimonialista que diz algo em seu fone, e então todos estão levantando apressados se dirigindo a saída, inclusive Nikoly e meu irmão, eu que não vou ficar pra trás de jeito nenhum corro atrás deles e acabo entrando no carro junto com os mesmos.

Que dia, primeiro preciso lidar com Marcelo e agora estou indo em direção a um hospital, só comigo essas coisas acontecem.

Digito uma mensagem para Zoe, com um resumão de tudo o que está acontecendo e bloqueio a tela do celular, me desligo do mundo e observo a cidade lá fora.

Uma saudade imensa de minha casa e de minha cama se faz presente. Só queria estar jogada em meu sofá assistindo uma série com minha mais nova melhor e amiga.

Estamos na sala de espera aguardando alguma novidade, já que quando vínhamos Bianca sentiu inveja da amiga e também entrou em trabalho de parto. Camille e minha cunhada estão sentadas enquanto eu estou em pé, observando Marcelo de soslaio que está conversando com Thomas.

Percebo quando o mesmo se afasta um pouco para atender ao celular e Marcelo vira-se me pegando em flagrante, ele me sorri mas viro meu rosto de volta para as mulheres.

Alguns minutos depois Thomas se aproxima de onde estamos.

— Amor? — Chama Camille que o  olha e sorri. — Eu preciso dar uma saída, você se importa? — Ele pergunta e percebo o quão inquieto está, olho para Nikoly e ela acena em concordância, temos essa coisa de nós comunicarmos só com o olhar.

— Aconteceu alguma coisa? — Sua esposa indaga.

— Não, nada demais. — Responde evasivo.

— Tudo bem. — Ela concorda.

— Meninas por favor, cuidem delas para mim. — Thomas pede, acenos afirmativamente e ele deixa um beijo na testa da esposa e vai embora.

Marcelo troca um olhar significativo comigo e acena, seguindo Thomas para a saída.

Já faz mais de duas horas que Marcelo e Thomas saíram e nenhuma notícia, Camille não para quieta e até agora não conseguimos fazer com que pare no lugar, sua angustia e preocupação são evidentes.

Logan que estava jogado na lanchonete quando os homens saíram agora está acompanhado por Gabriel e Nicholas que estão tomando um café enquanto suas respectivas esposas estão sendo preparadas para mudar de quarto com seus respectivos bebês, e a barrigudinha aqui está pra nos enlouqueçer.

— Camille, para! — Peço já sentindo-me bastante exasperada. — Isso pode fazer mal pra neném. — Falo e ela estaca no lugar, como se somente agora lembrasse da bebê em sua barriga e suspira, um som que sai totalmente cansado.

— Se vocês sabem de algo é melhor falar logo. — Ela diz para nós duas que trocamos um rápido olhar. — Estou prestes a surtar, e acho que vocês não querem isso, certo? — Nos ameaça.

— Seja sensata. — Nikoly pede e quando Camille não a obedeçe ela exclama com impaciência. — Senta essa bunda grávida na cadeira agora!

Ela para de andar e arqueia a sobrancelha para minha cunhada claramente questionando com o olhar: "e se eu não fizer o pede, o que tu vais fazer?"

Entretanto Nikoly não tem tempo para retrucar, já que ouvimos passos apressados no corredor fazer eco e quando viramo-nos damos de cara com Arthur que quando alcança a mãe, passa os braços ao redor de sua cintura, encostando a cabeça na barriga de Camille.

— O que foi amor? — Sua mãe pergunta, enquanto afaga seus cabelos loiros. — Está tudo bem? — Indaga e preocupação transborda de seus lábios.

— Agora está. — Ele responde.

— Pode abrir a boca e começar a falar Thomas, não aceito nada menos do quê a verdade. — Mille diz com raiva.

— Amor, calma. — Thomas pede angustiado. — Em casa conversamos. — Responde.

— Não mesmo. — Ela diz brava e eu e minha cunhada nos aproximamos. — Eu quero saber agora. — Rebate.

Arthur se afasta dos braços da mãe e vai até seu pai, lhe cochichar algo no ouvido.

— Você tem razão filho. — Diz ao se inclinar e dar um beijo nos cabelos de Arthur. — É melhor sentar Camille. — Fala muito sério e ela senta imediatamente.  Nesse momento aproveitamos para grudarmos em Mille, se algo acontecer, garantiremos sua segurança. 

Arthur foi sequestrado!

Ela parece confusa e olha de um para o outro.

— Eu acho que não entendi. Pode repetir? — Pede. Seu esposo se aproxima e abrimos espaço para o mesmo que se ajoelha em frente a ela.

— Amor, quando eu me afastei para atender o celular, era Scarlett na linha. Ela estava com voz preocupada e ansiosa, ligou para me alertar sobre Gustavo. — Estamos todos silenciosos e ouvindo o relato inesperado de Thomas. — Ele estava no Brasil nos vigiando à espreita, esperando o momento oportuno para nos machucar e destroçar. E hoje ele viu a oportunidade perfeita para isso. Quando finalizei a ligação para Scarlett liguei para minha mãe que estava aos prantos pois não encontravam Arthur em canto nenhum, e as pessoas no hotel não permitiam que olhassem as câmeras de segurança. Por isso, sai com Marcelo indo diretamente para lá e ele só precisou mostrar o distintivo para que a porta da sala de monitoramento fosse aberta. Nos vimos nas imagens o exato momento em qua aquele ser covarde saiu do lugar com nosso filho. — Ele faz uma pausa e pega as mãos da esposa, leva aos lábios, beijando-as demoradamente, Camille está chorando copiosamente sem emitir qualquer som. Ela tenta levantar-se e eu e Nikoly apertamos nossas mãos em seus ombros. — Eu estava prestes a rastrear o celular de Arthur quando ele me ligou. Ele conseguiu fugir do Gustavo e estava em um lugar distante, eu não sei onde, só lembro que era na zona sul da cidade. Marcelo conversou com ele e pediu para que ele ficasse em algum estabelecimento comercial, enquanto chegávamos para buscá-lo-lo. E ele fez tudo isso. Marcelo conseguiu sua localização e fomos para lá. Quando estávamos nos aproximando de um retorno para ir até um posto a rua estava interditada por conta de um acidente. Marcelo ficou no local e eu segui sozinho até nosso filho, que como pode ver. — Ele gesticula para Arthur que se aproxima e pega em sua mão. — Está bem, na medida do possível, mas sem nenhum arranhão.— Ela puxa Arthur para o colo e chora .

— Você está bem mesmo? — Pergunta para o filho que afirma com um sorriso.

— Sim mamãe.

— E Gustavo, vocês sabem do paradeiro dele? 

Camille faz a pergunta de um milhão de dólares.

— De qualquer forma ele iria ficar sabendo em algum momento. — Murmura para ninguém em específico. — Gustavo está morto.

Um oh assustado se faz ouvir de nós quatro e todas voltamos nosso olhar para Arthur.

— Como aconteceu? — Mille pergunta assustada.

— Foi atropelado, enquanto tentava atravessar uma avenida movimentada.

— Provavelmente para vir atrás de mim. — Arthur sussurrou e o olhamos espantadas.

— Amor, não foi sua culpa. — Sua mãe diz.

— É errado eu não me sentir nenhum pouco culpado? — Ele indaga cabisbaixo, mais é puxado para um abraço por sua mãe.

— Não filho, não é errado.

Um silêncio pesado paira no ar. Peço licença e me encaminho para o elevador com o celular em mãos, a dúvida e preocupação na cabeça.

Apenas uma questão está martelando.

Onde está Marcelo?

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