Capítulo 19
— Não preciso ir à esse casamento. — Reclamo enquanto minha cunhada Nikoly, me arrasta pelos corredores do shopping.
— É claro que precisa, se foi convidada é claro que vai, não deixarei que faça essa desfeita feia, afinal de contas você conhece Camille tanto quanto eu.
— Não sou alguém importante na vida dos noivos, porque seria uma desfeita? — Indago emburrada.
Sei que ele vai estar e já basta os dias em que ele esteve aqui me perseguindo, isso há um mês atrás e agora decidiu me infernizar também pelo celular, são muitas mensagens não respondidas e muitas ligações recusadas.
— Eu sei o motivo de sua relutância. Ele tem nome, sobrenome, um tamanho fenomenal e olhos azuis que prometem muita, mais muita safadeza. — Diz risonha e olho pra ela emburrada.
Nikoly é uma peste.
— Deixa meu irmão sonhar que você pensa assim de outros homens. — Tento intimida-la, mais é um tiro que sai pela culatra.
— Não se preocupe, não costumo poupar os detalhes dos meus pensamentos, ele sabe de tudo.
— O quê? — Exclamo horrorizada.
Ela me olha séria perante minha incredulidade.
— Ele quase me perdeu uma vez, uma experiência de quase morte pode modificar uma pessoa até certo ponto. Ele sabe que o que falo é da boca pra fora, nosso amor é muito mais importante do quê o que acho ou deixo de achar de outros homens, seu irmão se garante e muito mais agora, ele não se preocupa com besteiras.
Merda! Não gosto quando ela toca no assunto de sua quase morte. Não me sinto bem nessa situação porque não tenho nem um pouco de dimensão da dor que ela e meu irmão sentiram e não gosto de pensar no "e se". Foi um momento difícil para todos, principalmente para mim que fiquei de fora enquanto ela lutava pela vida e meu irmão definhava, ele teve um colapso horrível que levou sua consciência embora por horas.
— Me desculpe. — Murmuro quando o silêncio parece pesar entre a gente. — Como está minha sobrinha? — Questiono somente para mudar de assunto.
— Você não sabe se é uma menina. — Responde com um sorriso largo.
— Porque foi mesmo que vocês resolveram não saber o sexo do neném?
— Por que isso é o que menos importa, independente do sexo o amor é o mais importante, e o amamos sendo menina ou menino.
— Detesto isso, não tem nem como mimar minha sobrinha.
— É claro que tem, mas vamos voltar ao que interessa no momento: Marcelo. Desembucha quero saber até os detalhes sórdidos.
— Não vou dividir minha vida sexual com você, por isso nem tente.
— Eu posso dividir a minha com você se o problema é esse eu não me importo.
— Eca! Eu me importo, estaríamos falando do desempenho do meu irmão e definitivamente não quero saber, é nojento.
— Não é nada nojento. Seu irmão é..
— Para, para. Não quero ouvir, não estou te ouvindo, lárari, lararu, lálálá. — Cantarolo entrando numa loja que só vende marcas como Prada, Chanel, Armani e por aí vai.
Nikoly cai na risada e as atendentes nos olham esquisito.
— Por um acaso você andou assistindo Bob esponja?
Me olha prendendo o riso e já se direcionando à algumas araras.
— Bob esponja é muito bom pra passar o tempo ocioso. Você não acha?
— Sem dúvidas.
Ela analisa alguns vestidos e bufa contrariada.
— Posso ajudar senhora? — Uma atendente finalmente se aproxima.
— Com certeza. Precisamos de um vestido longo e sexy, no entanto nada vulgar. Afinal de contas o menos é mais.
— Preferência quanto a cor?
— Vermelho. — Respondo antes que Nikoly abra a boca.
Quando a mulher, (que mais parece uma adolescente) nos deixa a sós ela indaga. — E aí, grandão e grosso ou pequeno e fino?
— Pelo amor! — Exclamo frustrada.
— Seria decepcionante, um homem daquele tamanho não ser bem dotado. — Comenta naturalmente.
— Você quer parar, vamos mudar de assunto. — Falo e sento-me em uma poltrona, eu não deveria ter deixado essa louca me arrastar.
— Estou grávida, não pode me deixar nessa curiosidade absurda. Saiba que foi graças à mim que ele bateu na sua porta.
— Fala sério. Você quer que eu te agradeça?
Ela balança a cabeça em um gesto afirmativo.
— Fique sabendo que foram os melhores e piores dias da minha vida. Não sei se posso te agradecer minha vida desandou quando ele apareceu.
— O que você não percebe minha linda cunhadinha é que tudo começou a desandar pra você, quando abriu a porta da casa da Mel e deu de cara com aquele pedaço de bom caminho. Foi amor à primeira vista e o pior de tudo é que apenas a inteligente aqui percebeu. Vocês são muito cegos, no entanto eu sou ótima pra essas coisas não se preocupem que ficarão juntos antes que eu diga "eu avisei".
— Se eu fosse você não teria tanta certeza.
Ela iria rebater, não seria ela mesma se não o fizesse, mais a vendedora voltou com uma arara entupida de vestidos vermelhos. Nikoly queria que eu provasse todos é claro, mais eu preferi olhar para cada um de forma minuciosa (não gosto de maneira nenhuma, ficar provando roupas) e não foi difícil encontrar o eleito. Entrei no provador e quando sai minha cunhada soltou um grito agudo de empolgação, o que quase causou o rompimento de meus tímpanos. Mais fazer o quê? Essa é ela.
— Me diz que vai levar esse. — Seus olhos brilhavam de empolgação.
— Mais é claro que vou levá-lo. — Virei-me para a vendedora que parecia pensativa. — Por favor embale este. — Corri para o provador e tirei o vestido entregando para a moça que saiu toda sorridente, provavelmente já calculando o valor de sua comissão, se é que tinha isso numa loja como aquela.
Quando sai com meu vestido tubinho azul marinho e cheguei ao caixa a moça não estava lá e estranhei. Nikoly parecia alheia à tudo a sua volta, enquanto falava ao celular. Entreguei meu cartão e pedi para passarem no débito, quando coloquei a senha dei uma olhada ao redor e vi a vendedora encolhida em um canto. Peguei minha sacola e me dirigi a mesma que não percebeu minha aproximação.
— Está tudo bem.. — Procurei por algum crachá em sua roupa mais não encontrei.
— Zoe. — Ela falou seu nome de cabeça baixa.
— Então Zoe, está tudo bem?
Continuou de cabeça baixa e balançou a cabeça de maneira negativa.
— Quantos anos você tem? — Eu precisava saber, apesar de já ser uma mulher feita, no momento ela parece uma garota assustada.
— 20 anos senhora. Acabei de ser demitida e ainda estou processando. Não sei como vou me manter nessa cidade, continuar minha faculdade e ajudar meus pais. — Ela fungou.
— Foi justa causa? O que aconteceu?
— Eu não sei o que foi, minha chefe simplesmente me demitiu.
— O que você cursa? — Indaguei. Pobre garota, vinte anos e com tanta responsabilidade nas costas, apesar de que são as mesmas que definem quem somos e como lidamos com cada uma.
— Estudo direito.
Abri um sorriso largo.
— Então hoje é seu dia de sorte. Levante a cabeça, seque o rosto e pegue suas coisas que vamos embora daqui. Você acaba de conseguir outro emprego, um muito melhor.
Ela levanta o rosto assustada e me observa atentamente.
— Isso... Isso é sério? — Indaga com um novo brilho no olhar, um que eu reconheci como esperança.
— Eu não brinco com essas coisas. Vamos querida, você vai se sentir muito melhor.
Ela saiu meio trêmula e correu para pegar sua bolsa por trás do balcão, quando me alcançou junto à porta minha cunhada já nos aguardava com uma sobrancelha arqueada em questionamento, mais eu a ignorei.
Peguei na mão da menina para transmitir força e coragem e fomos embora do shopping.
Simples assim.
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