Cap. 31 - Reforços

Assim que fiquei satisfeita, voltei a sala e os surpreendi numa discussão em juridiquês e fiquei observando como meu amigo era multifacetado, como ele mesmo mencionou mais cedo.

Nos conhecemos quando eu era uma menininha sardenta de 6 anos e ele um rapazinho educado e loirinho de 10 anos. Apresentamos uma peça na igreja e ele me ajudou com minha parte. Daí em diante, sempre éramos vistos juntos.

Ele sempre foi muito inteligente e me ajudava com as lições escolares. Quando adolescentes, lembro que me consolava por estar aborrecida com as espinhas, arrancando sorrisos de mim.

Sempre tivemos uma ligação muito forte e quando ele perdeu o pai, eu estava ao seu lado, como sei que ele estaria ao meu. Muita gente apostava que iríamos acabar nos casando, não sabendo o quanto riamos disso. Ele era meu irmão mais velho!

Ele tinha uma irmã pouco mais nova que eu e apesar das nossas idades próximas, não éramos tão ligadas quanto eu era com o Pequeno Príncipe.

Conversávamos sobre tudo, ele me dizia que orava pela sua escolhida desde sempre, eu dizia que queria aproveitar a vida antes de pensar em me "amarrar" a alguém. Ele era lindo por dentro e por fora; quando se apaixonou pela primeira vez, eu fui a primeira a saber, assim como se desiludiu com ela, foi comigo que ele desabafou e chorou. Na ocasião eu estava me envolvendo com o Jonas, mas não quis falar sobre isso, pois naquele momento ele precisava de mim.

A moça em questão ser a minha prima Rebecca, que por sinal não havia ficado com ele porque tinha uma história com o Isaac (sim, aquele meu namorado fake), foi um motivo a mais para ele chorar em meus ombros. Eu conseguia entender o que ele passava, mesmo isso sempre acontecendo ao inverso. Ele não se envolvia facilmente, já eu era outra história, meu coração sempre foi apaixonável.

Lembro que ele chegou a dizer que seria mais fácil se tivesse se apaixonado por mim, depois assoou o nariz, secou as lágrimas e rimos muito disso. Já se passaram meses, ele ergueu a cabeça e seguiu em frente, mas mesmo estando afastados um do outro há algum tempo, sei que ele ainda nutre algum sentimento pela minha prima. Realmente, uma pena, pois ela e o Isaac estão mais firmes que nunca e o Ariel merece alguém que o ame, pois é um verdadeiro "príncipe gospel".

Quanto a isso, não me referi apenas à sua beleza, mas a seu caráter.

Deitei pensando nisso e em nossa conversa mais cedo:

— Espera aí, Raquel. Você está querendo me dizer que Deus falou com você para ajudar uma pessoa que está atormentada e esta pessoa vem a ser o Doutor Miguel Bretas? — praticamente gritou meu amigo com os olhos arregalados.

— Sim, você o conhece? — perguntei, surpresa.

A Celeste ao meu lado estava em silêncio, novamente acompanhando nosso diálogo.

— Meu Deus! Isso é, bem, isso é... não sei como te dizer. Há algum tempo me sinto incomodado com algo, vou te contar. Conheci o Dr. Miguel Bretas numa palestra que ele fez na Faculdade e fiquei interessadíssimo. Ele é muito bom no que faz! Chegamos a trocar alguns e-mails nos quais dissertamos sobre o assunto de sua palestra. Alguns dias depois, soube que ele havia perdido a esposa e o filho. Ela estava grávida, não sei bem o que houve, mas os dois faleceram. Ele ficou sumido por muito tempo e eu sempre orava pela vida dele, para que não se desesperasse. Quis entrar em contato para falar-lhe do amor de Deus, mas orando neste propósito, o Senhor me pediu para esperar, que no momento certo eu poderia ajudá-lo.

Enquanto ele falava, eu sentia no fundo do meu coração que realmente Deus havia preparado aquele encontro ali, justo no dia em que havíamos feito um acordo onde eu teria a oportunidade de falar de Deus para Ele. Eu estava extasiada!

Como acabou ficando tarde, combinamos de almoçar juntos no outro dia, para conversarmos sobre nosso propósito.

Antes de deitar, dobrei os joelhos e falei com o Papai com toda a sinceridade do meu coração. Derramei-me diante Dele, pedindo para que Ele me ajudasse a estar na sua presença e a fazer a sua vontade!

Assim que terminei a oração, duas mensagens chegaram ao meu celular.

Estou de olho em você, gata!

Deus vai quebrar todo laço que te impeça de realizar vontade Dele, você crê? Orando por você, Ferruginha! Boa noite!

Tive um estranho estremecimento ao ver a primeira e um conforto ao ler a segunda, que junto a oração, me trouxeram paz para dormir.

Amanhã eu almoçaria com o Ariel e juntos intercedendo e mostrando do amor de Deus para o Miguel, conseguiríamos ajudá-lo.

******

No horário marcado, encontrei a Celeste próximo ao escritório, para irmos juntas ao restaurante.

Por algum motivo o Ariel ainda não tinha chegado, mas minutos depois vi quando adentrou, com seu sorriso sempre presente, num gingado que lhe era próprio.

Nunca havia reparado que meu amigo gingava assim?

Estava absorta vendo-o caminhar com passos de lince em nossa direção que não percebi duas coisas: uma outra pessoa olhava-o embasbacada, com o olhar cheio de admiração; outra pessoa também se aproximava do lado oposto, mas não me dei conta de nenhuma das duas.

Assim que chegou a nossa mesa, levantei-me para cumprimenta-lo e ele não perdeu tempo: abraçou-me forte como sempre fazia, cheirando meus cabelos. Com as mãos ainda em minhas costas, num gesto protetor tão característico dele, voltou-se em direção a Celeste para ir cumprimenta-la, quando fomos interrompidos por uma voz, cujo timbre eu conhecia muito bem:

Rubi! oi? Rubi? Que interessante encontrá-la aqui!com a cabeça acenou para a Celeste e voltou seu olhar para o Ariel então, Raquel, não vai me apresentar seu... amigo? seus olhos faiscavam enquanto o mediam descaradamente.

Por um momento fiquei sem saber o que dizer, mas o Ariel foi mais rápido e, sem soltar minha cintura, abraçando-me de lado, estendeu a mão livre para o Miguel e se apresentou sorridente:

Ola, Doutor Miguel. Sou o Ariel Oliveira, amigo da Raquel deu aquele sorriso de príncipe, fazendo uma pausa deliberada, completando a seguir e da Celeste, claro.

O Miguel franziu a testa, encarando a mão estendida do Ariel, por um tempo suficientemente longo para mim, enfim se rendendo e retribuindo ao cumprimento.

Já fomos apresentados antes? Tenho a impressão de que você não me é estranho... falou o Miguel sem tirar os olhos do Ariel e principalmente de sua mão em minha cintura.

Fiquei incomodada e tentei me soltar, mas o Ariel segurou firme e não me deixou sair. Olhei pra ele sem entender, mas seu olhar me pedia para confiar nele.

Isso era fácil, confiar no Ariel. Eu o fazia de olhos fechados.

Sim, o senhor palestrou em minha faculdade, inclusive trocamos alguns emails após o evento.

— Hum... Acho que recordo-me de algo assim...antes que ele dissesse mais alguma coisa, o Ariel fez o convite

Por que o senhor não junta-se a nós para o almoço? Será um prazer tê-lo conosco.

Pelo visto o Miguel não esperava pelo convite, pois declinou e logo saiu em direção a sua mesa.

O Ariel pareceu bem satisfeito enquanto o observava se afastar, em seguida cumprimentou uma ruborizada Celeste, sentiu-se, colocou as mãos sobre a mesa e olhando-me intensamente, fez uma pergunta que eu não soube responder de imediato:

Que interessante! Agora me diga, dona Raquel, porque em nossa conversa ontem você não mencionou o interesse do Doutor Miguel em você?

******

Oieeeeeeee....oia eu aqui travêiz!!

Este capítulo foi custoso, hein. Minha vida está tão corrida ultimamente... final de ano chegando... mas cá estamos nós.

Então, parece que tem alguém ciumento e alguém encantado aí hein?? 

Bjs, até o próximo!

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top