Uma Ilha em Queda e um Demônio em Ascenção
A situação na ilha sagrada era irremediavelmente a pior para quem ali habitava. Sem saber o que se passava no restante do mundo ou o que se sucedeu dos outros dois demônios as fadas da ilha se preocuparam apenas com o grande monstro que havia sido deixado ali. A criatura que era por demais monstruosa começou a transformar sua aparência, e diferente de se tornar algo mais agradável aos olhos, o bicho se tornou algo ainda pior. Então não possuía mais um rosto, no lugar de toda face agora havia apenas um grande buraco escuro e cheio de dentes. Os dois braços se tornaram tentáculos espinhosos e afiados. E o corpo se tornou mais robusto.
Malévola não estava com eles, Nazca sabia que a fada tinha algo ainda pior para derrotar sozinha, então ainda sob a orientação dada pela herdeira da Fênix, eles se organizaram e enquanto os guerreiros se armavam para partir para a batalha, as outras fadas tentava evacuar a grande ilha e a enorme quantidade de fadas ali existentes.
Malévola ousou olhar para traz antes de seguir seu vôo em direção aonde ela viu a magia de seu irmão desaparecer. Era a cena mais dolorosa que ela já teve de presenciar a distância, era a primeira vez que ser um ser especial a fizera desejar não ser. Não porque não era grata, mas porque talvez se fosse normal, não precisasse sempre perder tanto.
(...)
Quando o primeiro ataque do monstro foi desferido conta as fadas, Udo e Borra então perceberam a gravidade da situação, não que eles já não estivessem levando tudo aquilo a sério, mas é que parecia tão surreal que mesmo a evacuação da ilha ainda não estava completa.
Todos guerreiros se encontravam armados, suas lanças e flechas e o auxílio da natureza era tudo que tinham para lutar contra o demônio gigante e assustador. A pouca luz que jazia por alí foi brutalmente rasgada por uma pequena bola de fogo que atingiu o demônio bem no meio do peito. Por um instante fez-se um enorme silêncio, a criatura rugiu irritada, mas era como se nada tivesse acontecido. Estava intacta. Olhando na direção do tiro, todos puderam ver um dos guardas de Phillip que impunhava a arma. Assustado pela bala aparentemente não ter causado nenhum dano ao demônio, o pequeno homem tentou fugir, foi em vão. Um dos quatro tentáculos do demônio o atravessou bem no coração, e o homem caiu morto ao chão. Todos que assistiam a cena ficaram apavorados dando início a um furdunço. Não havia mais calma alguma ou organização, precisavam de pressa e um caminho mais rápido para saírem da ilha.
"Eu irei orientá-los até a saída, ou mesmo a um lugar mais longe dessa batalha. Mas voltarei para lutar ao lado de vocês." A anciã contra todos os fatos, voou em direção as fadas desorganizadas dando a licença de que os outros dois líderes precisavam para organizar seu exército.
"Ele tem que ter alguma fraqueza." Um dos guerreiros fada gritou tentando não ser atingido pelos tentáculos agitados da criatura, que tentava acertar algum deles enquanto era variadas vezes atingido por flechas e lanças.
"Deve ter, mas não encontramos ainda." Borra gritou aborrecido, ele não queria realmente gritar, mas o dever deles era estar lutando ao lado da filha da Fênix e ao invés disso estavam tendo de lutar contra aquele ser horrível.
"De tão longe não vamos conseguir nada." Shrike falou desviando de mais uma investida da criatura.
"Eu posso chegar mais perto, ele não tem nenhum olho aparente. Ser silencioso sempre foi meu maior mérito." Malek se ofereceu.
"Você não é a pessoa mais silenciosa, muito pelo contrário." Udo se dirigiu ao homem ao seu lado.
"Mas a criatura não sabe disso." Malek sorriu pro seu amigo, como se para afirmar que voltaria. "Distraiam ele, e tentem não ser atingidos, eu chegarei mais perto possível e tentarei encontrar alguma fraqueza."
Os que estavam mais próximos e escutaram a declaração de Malek passavam a mensagem aos outros. Então em ações sincronizadas as fadas da floresta por serem mais velozes começaram a atacar a criatura de lugares mais distantes, quase a fazendo se virar de costas. Sem pensar mais que uma vez Malek voou em direção a criatura, o mais rápido que podia. Uma última olhada pra trás apenas para marcar na memória o rosto daquele que amava e seguiu firme com suas flechas na aljava e uma pronta para ser disparada.
(...)
De longe parecia estar dando certo, Malek se aproximava do ser sem ser notado, afinal ele estava ocupado demais tentando acertar aqueles que o atacavam. O fada começou a procurar por um ponto vulnerável quando já estava perto o suficiente. Era medonho o cheiro que aquela coisa tinha, e fora o cheiro ainda havia um calor que parecia ainda mais quente assim de perto. Não havia nenhuma rachadura na cabeça, nem na parte de trás e nem no que deveriam ser as pernas. Malek se arriscou subindo ainda mais, e então encontrou o que procurava, havia buracos onde deveriam estar as orelhas. Se ele não podia ver, e nem tinha nariz, talvez fosse sensível ao barulho. Só talvez. Malek se distraiu por segundos pensando onde poderia ter barulho alto suficiente para testar sua teoria. Havia a árvore dos mortos, não cantava muito alto, mas talvez se eles pedissem, a árvore pudesse ser tão alta quanto o necessário, ainda era um talvez mas era sua única opção.
Com muito cuidado ele voou de volta para onde os outros se encontravam e em um segundo de distração foi perfurado bem no braço por um dos tentáculos do bicho que lutavam contra. Ignorando o ferimento, Malek continuous o vôo até estar perto o bastante de Borra e Udo.
"Apenas uma parte na cabeça dele parece estar desprotegida, acredito que ele seja sensível a barulhos muito altos."
Borra pensou e fazia sentido, afinal se não tinha olhos e nem nariz e lutava tão bem, só podia ter uma audição excelente.
"E onde tem som alto o bastante?"
"A árvore dos mortos. As vozes são mais calmas, mas talvez se alguém fizer um pedido, ela possa tocar alto o suficiente para tornar a criatura vulnerável."
Nenhum dos dois guerreiros ainda tinha se dado ao trabalho de olhar para trás, e Malek escondeu bem a dor que sentia no braço.
"Passe a mensagem, levaremos a criatura até lá. Espero que você esteja certo Malek." Borra falou enquanto orientava as fadas guerreiras a voar para a árvore dos mortos, mantendo o ataque e tentando não serem atingidos. A essa altura já haviam perdido pelo menos dez fadas.
Udo e Malek avisaram os outros, todo o bando voava rápido e sem deixar de atirar coisas contra a criatura. Mesmo sentido dor Malek percebeu que ainda podia voar, e mesmo ferido não deixaria de lutar. Nazca e as outras fadas e crianças aladas haviam desaparecido do mapa, felizmente. Não demoraram a chagar no campo onde ficava a árvore dos mortos, e só então perceberam que onde quer que a criatura tinha passado havia deixado um rastro de fogo pra trás. Era doloroso ver sua casa pegando fogo.
Cinco guerreiros foram redirecionados para cantar pedindo ajuda aos seus mortos, ao chegar no campo a atenção do demônio se desviou por segundos para a grande árvore, acertaram ao deduzir que a fraqueza dele era o som. Ainda sob ataque a criatura não pode se concentrar nos guerreiros que rodeavam a velha árvore, mas seus ataques mudaram de direção quando o som das vozes passou de dolorido para estridente.
Era como se a pele que cobria o corpo começasse a se abrir, como se o próprio monstro fosse uma banana. A carne rosada que havia em baixo da pele parecia sensível até demais. Os fadas na exitaram e então suas flechas e lanças passaram a ter efeito. O sangue da criatura era escuro, quase preto. A medida que a cantoria da árvore dos mortos aumentava, mais violenta a criatura se tornava, seus braços tentavam descontroladamente atacar o que quer que estivesse a sua frente. A carne recentemente exposta estava já muito ferida, e mesmo isso não o deitou para a morte.
"Precisamos de algo mais forte. Temos que chegar mais perto." Uma das fadas deduziu o que não poderia ser mais óbvio.
Malek não esperou um pedido formal, mesmo ferido ele ainda era o melhor arqueiro. Voou pelas costas da criatura e tão próximo quanto podia lançou uma, duas flechas. Elas estraram na cabeça do ser e o som que ele soltou fez toda a ilha tremer. A dor que ele sentia refletiu no seu ataque, agora ainda mais descontrolado, ele acertou muitos fadas, não de maneira fatal, mas muitos foram atingidos, entre eles Malek que foi cortado. Dessa vez mais aparente, um corte grande na barriga.
"Melek." Udo correu pra socorrer o outro e nem se quer teve tempo de parar para observar enquanto o monsto se desfazia em sangue se tornando uma mancha escura no chão.
O cheiro era surreal de tão forte. Um cheiro de podridão. Ainda estavam pouco mais de trinta fadas em pé ao fim da luta, Borra não os deixou descansar.
"Precisamos encontrar Malévola." Malek se pronunciou com a voz quase inexistente.
"Nós iremos, vocês procurem pela anciã e por ajuda. Leve os outros feridos também, se houver algum vivo." Borra declarou como última ordem e antes das fadas restantes desaparecer ele deu o braço a torcer. "Você salvou muitos dos seus hoje. Obrigado por se arriscar pela gente." Se dirigiu a Malek, e sem esperar resposta o fada do deserto partiu junto das outras fadas.
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E aí galera, perdoem imensamente o atraso, pedi dois dias e demorei uma semana pra voltar, não desistam de mim. Foi um bloqueio colossal o que eu tive, mas estou de volta!
Agora só falta Malévola e a situação em Ulstead ser resolvida... Se for resolvida!
Deixa like e aquele comentário bacana (ou pode ser xingando a autora mesmo, eu mereço)
Até a próxima!
♥️
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