Parte 8
Deitei na cama naquela noite absorvendo todos os acontecimentos do dia. Meus pés em cima do muro, dois passos do chão. O telefonema que me impediu de pular. André me encontrando num lugar tão vulnerável. As guloseimas. A festa de Gabriela. João Victor dizendo que eu estava bonitinha. André dizendo que o vazio dentro do meu peito era gerenciável.
Meus olhos ainda estavam inchados do choro. Minha garganta ainda parecia meio fechada.
Eu não sabia dizer se tinha sido o melhor dia da minha vida ou o pior.
Talvez, de alguma forma, os dois.
Eu me sentia arrependida e aliviada.
Se meu cérebro era mesmo um rio, o tronco que o bloqueava havia formado um lago: um lago frio, sem graça, inerte, cheio de dor e solidão.
André tinha sido uma pedrinha jogada dentro das águas paradas, fazendo surgir ondas no lago que, até o momento, parecia não ter mais salvação.
As ondas se ampliaram em círculos, agitando todo o resto do lago. E a água bateu no tronco, tentando, pela primeira vez em muito tempo, escapar. Um sonho de liberdade que antes parecia morto finalmente retornou. A saída era possível. O rio poderia voltar a fluir.
Quando finalmente adormeci, eu me sentia tranquila, completamente em paz.
Não era como se eu tivesse sido magicamente curada, mas uma pontinha de esperança havia retornado ao meu coração: não precisava terminar em tragédia; o final feliz estava ao alcance das minhas mãos.
Esperança é mercadoria rara para quem sofre desses males. Naquela noite, eu me senti a pessoa mais rica do mundo.
♦ ♦ ♦
Geeente, rapidão. Só vou me intrometer rapidinho pra dizer que vão ser 12 partes. Eu tinha planejado 10, mas daí cortei duas partes por terem troca de cena... e ficamos com 12! (Essa também é a razão de essa parte ter ficado bem pequenininha! assim como a parte 10)
Como estou quase finalizando a parte 12, pretendo postar todas logo. Então talvez tenhamos o final desse "conto" ainda essa semana!
Obrigada a todos que estão lendo. Amo vocês!
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top