II
— Aí meu Deus! Eu bati em alguém, bati em alguém..., eu atropelei alguém! — Aos poucos eu começo a me dar conta do que aconteceu. — Meu Deus! Eu atropelei alguém! Me desculpa, eu não sei o que aconteceu..., eu estava distraída e você apareceu do nada... – Eu continuo a falar descontroladamente até que sou interrompida.
— Do nada? Você só pode estar brincando. Além de doida você é surda? Eu gritei pra chamar a sua atenção e mesmo assim você não parou e nem se desviou. – É a voz de um rapaz e parece muito exaltado. — Você com certeza deve ter fugido de um sanatório e não deveria estar andando livremente por aí.
Eu sei que provavelmente estou errada, pois estava andando sem olhar para a rua, mas ouvi-lo falar desse jeito comigo, me deixa muito irritada. Principalmente porque estou tentando me desculpar. Que garoto grosso, ele nem me conhece e acha que pode falar assim comigo?
— Escuta aqui garoto, quem você pensa que é pra falar assim comigo? Você nem me conhece! Eu sei que estou errada porque estava distraída, mas estou tentando me desculpar, você poderia tentar ser um pouco mais educado. – Eu digo furiosa, mas ele não diz nada. Fica apenas me olhando com uma expressão que eu não consigo definir. Eu me calo também esperando que ele fale alguma coisa, mas ele permanece calado me olhando e isso me deixa um pouco assustada, será que eu causei uma concussão no menino?
— Você está bem? — Pergunta para ter certeza de que ele ainda está me ouvindo, mas então eu percebo que ele está com os olhos fixos nos meus. Eu olho para baixo desviando do olhar dele e tento me levantar, mas antes que eu consiga me levantar, ele segura o meu braço e fala:
— Me desculpe..., você tem razão, eu só fiquei irritado porque para mim você também surgiu do nada. — Ele diz agora de forma educada. — Deixa que eu te ajudar a levantar.
O menino fica em pé e estende à mão na minha direção para que eu possa segurar, eu hesito por um segundo, mas eu pego na mão dele. Ele me puxa para cima e finalmente ficamos em pé, um de frente para o outro e pela primeira vez eu consigo olhar nos olhos dele. E a primeira coisa que percebo é que os olhos dele são azuis, mas não é um azul qualquer, é um azul limpo e claro, como o mar nos dias ensolarados. Então corro os meus olhos pelo rosto do menino misterioso e percebo que ele é bonito. Na verdade ele é muito bonito. Suas bochechas estão rosadas, seus cabelos loiros são compridos e estão bagunçados com algumas folhas secas presas nos fios. Volto a encarar seus olhos e me sinto tremer por dentro. Eu solto a mão dele e dou um passo para trás.
— Eu preciso me desculpar também, eu estava distraída, não te vi na estrada..., Foi muito perigoso o que fiz. Eu me esqueço de que nessa época do ano a cidade fica muito cheia, normalmente aqui não passa ninguém. – Eu falo tentando evitar os olhos dele e percebo seus lábios se curvarem num leve sorriso formando uma pequena covinha bem ao lado da boca dele.
— Eu entendo. Mas eu tenho que te informar que, a partir de agora, sempre terá alguém por aqui. Acabei de me mudar para essa cidade e acho que vou adotar o surf como um passatempo porque parece que não tem muito que fazer na cidade. – A pequena curva em seus lábios se transforma num sorriso enorme. Ele consegue ficar ainda mais bonito quando sorri.
— Pois você está completamente errado, aqui nessa movimentada cidade temos muitos eventos importantes, temos missa todo domingo, muitas quermesses e se você ficar entediado com toda essa agitação, sempre terá alguém disposto a te atropelar de bicicleta no meio da estrada. – Eu começo a tagarelar com piadas sarcásticas, porque é o que eu faço quando estou nervosa.
Ele deixa escapar uma gargalhada e estende a mão para me cumprimentar.
— Eu me chamo Taylor. – Ele diz.
— Sou Madeline. Meus amigos me chamam de Mady. – Eu apertando a mão dele torcendo para ele não perceber que minhas mãos estão suadas.
— Parece que finalmente eu conheço alguém na cidade.
— Seja bem-vindo à cidade Taylor, tenho certeza que logo terá muitos amigos. – Bonito do jeito que ele é, certamente não terá dificuldades.
— Eu tenho que ir encontrar o meu pai agora, mas espero te ver por aí. – Ele fala.
— Tudo bem. Espero que goste da cidade.
— Estou começando a achar que vou gostar da cidade. – Taylor responde olhando fixamente para mim, mas dessa vez eu não desvio o olhar. E ele sorri antes de se afastar e ir embora.
E fico parada tentando processar tudo o que acabou de acontecer. Em poucos minutos eu atropelei alguém, e não foi qualquer alguém! Eu atropelei o garoto mais bonito que já conheci na vida. Nós discutimos porque eu sou uma sem noção e depois de dez segundos viramos amigos. Como isso é possível Mady?
Então eu me dou conta de que estou toda despenteada, tem folhas secas por todo o meu cabelo e uma alça do meu vestido arrebentou, e ainda por cima estou toda suja e arranhada. Meu Deus! Eu acabei de conhecer o garoto mais bonito que já vi e eu estou horrorosa. Essa sou eu, desastrada, tímida e estranha garota nunca beijada e não tão bonita do interior. Eu nunca fiz sucesso com os meninos, meus cabelos são ondulados e escuros, tenho muitas sardas no rosto e sou mais branca do que gostaria. Tenho 15 anos e nunca tive um encontro, às vezes me sinto um ET perto das minhas amigas, elas são lindas e já tiveram namorados.
Tento arrumar o meu cabelo, prendo a alça arrebentada do vestido no biquíni e limpo a poeira das minhas pernas, pego a minha bicicleta que ainda está caída no chão e percebo que ela não sofreu nenhum dano, o que me deixa aliviada, subo na bicicleta e pedalo até a praia.
Finalmente consigo chegar na praia, o dia mal começou e eu já me sinto cansada. As minhas amigas Rita e Natasha, já estão deitadas em suas cangas tomando sol. Eu me aproximo delas e paro ao lado de Rita, deixo o meu peso cair até eu me sentar na areia fofa e quente da praia. As duas me olham ao mesmo tempo com uma expressão confusa, elas se entreolham e voltam a me olhar com olhos arregalados.
— É uma longa história. — Eu falo antes que elas perguntem.
— Então começa a contar logo. Por acaso você foi atacada por um urso na estrada? — Natasha franze a testa e uma ruga nasce entre seus olhos.
— Quase isso..., Na verdade, eu atropelei um garoto perto da estrada – Falo tentando soar menos estranho do que realmente foi.
— O que? – As duas gritam ao mesmo tempo.
— Eu estava distraída pedalando e ele apareceu do nada. Quando eu percebi já estávamos no chão, um por cima do outro.
— Meu Deus amiga! Vocês se machucaram? – Natasha pergunta preocupada.
— Estamos bem..., não nos machucamos. – Tranquilizo ela. – Na hora tivemos uma pequena discussão, mas nos entendemos depois. – É estranho, mas só em lembrar dos olhos de Taylor, me sinto nervosa, mas disfarço para que elas não percebam.
— Nossa! Que doideira. – Rita diz com um sorriso sínico no rosto.
— Essas coisas só acontecem com você Mady. – Natasha fala me dando um tapinha no ombro.
— E quem é o garoto que você atropelou? Algum turista? – Rita pergunta curiosa, eu sabia só pelo sorriso dela que essa seria a sua próxima pergunta.
— Ele não é exatamente um turista, ele se mudou pra cidade a poucos dias. O nome dele é Taylor. – Respondo tentando parecer indiferente ao nome dele.
— Um novato na cidade? Me conta como ele é. Ele é gato? — Natasha abre aquele sorriso animado que ela tem quando ela se interessa por alguma coisa.
— Ele até que é bonitinho. – Falo tentando parecer natural, mas não consigo conter um leve sorriso ao lembrar das covinhas no canto da boca de Taylor.
— Ei! – Rita me fita com uma expressão curiosa. — Que carinha foi essa?
— Não foi nada... – Tento mentir em vão.
— Pela cara que você fez eu diria que ele é muito mais que bonitinho. – Natasha diz com um olhar de detetive, tentando ler os meus pensamentos. As duas estão me olhando seriamente esperando que eu confesse, sinto minhas bochechas ficarem vermelhas e quentes, abaixo a cabeça tentando evitar os olhares penetrantes e curiosos das minhas amigas.
— Tá bom! Ele é um gato... Na verdade eu acho que ele é o garoto mais bonito que já conheci. – Finalmente eu confesso. Rita e Natasha se olham e dão risadinhas maldosas e Natasha solta um gritinho agudo de animação, eu sei exatamente o que está por vir, elas vão me interrogar e não vão sossegar até conhecer Taylor e tentar fazer com que eu finalmente de o meu primeiro beijo.
— Aposto que rolou o maior clima. – Natasha diz com um sorriso maior que a boca dela.
— Não teve clima nenhum. – Falo desanimada porque eu sei que é verdade. – Olha como eu estou, com a roupa rasgada, suja e com o cabelo parecendo uma moita de tantas folhas que se agarraram nele..., e o pior de tudo é que ele de alguma maneira conseguiu permanecer lindo apesar do tombo. Não tem a menor chance de ter rolado clima – Termino de falar dando um suspiro.
— Ai amiga... Talvez você não tenha passado a melhor impressão, mas vai que ele curte esse estilo despojado. – Rita diz tentando me animar, mas eu sei que garotos como ele não gostam de garotas como eu, principalmente toda suja e desengonçada. Eu o achei lindo e no fundo eu queria que ele tivesse gostado de mim também, mas com certeza a impressão que passei foi a de que sou uma menina desastrada, imprudente e esquisita, o melhor que eu posso fazer é esquecer ele.
— Vamos para a água? – Digo animada para as minhas amigas, talvez um banho no mar ajude a esquecer.
— Vamos! — Elas se levantam e respondem juntas.
Eu também me levanto e tiro o vestido. Corremos juntas para o mar. A sensação da água fria batendo no meu corpo é muito boa. Eu fecho os olhos e mergulho no mar deixando que a água me engula, me concentro na água e na sensação boa de estar ali e tento deixar todos esses pensamentos que me deixam inquieta no mar, vou aproveitar tudo o que tenho nesse momento. E foi o que fizemos o restante do dia, não falamos mais no Taylor e nem no mico que paguei ao conhece-lo, apenas nos divertimos.
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Esse primeiro encontro foi um verdadeiro desastre, será que a Madeline vai voltar a encontrar com Taylor?
❤️🎶 Dica musical para ler esse capítulo: Look At You, do álbum Middle Of Nowhere 🎶❤️
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