Capítulo 11 - Elite
No curso Pré-Vestibular Elite.
No refeitório. Os amigos de Lucas ficam curiosos quando o veem chegando acompanhado de uma garota de vestido e salto pretos, seguidos por um segurança de terno e gravata.
— Olha aquela gostosa que está com o Luquinhas — comenta Rui.
— Até que é bonitinha, mas é muito cafona, vestido de couro está totalmente fora de moda — refuta Larissa, enciumada.
— Eu acho sexy, imagino ela segurando um chicote e me dando uma lição — fala Rui, tirando risadas dos demais meninos sentados à mesa.
— Vai lá com ela então, seu idiota! — exclama a loira, enfurecida.
— Como é ciumenta essa minha namorada — comenta Rui, apertando a bochecha dela.
A garota de vestido entra em uma sala acompanhada do segurança, enquanto Lucas vai ao encontro dos amigos.
— E aí, galera! — cumprimenta, fazendo o gesto hang loose.
— Fala, Luquinhas! Quem é a gata que chegou com você? — pergunta César, curioso.
— Finalmente arrumou uma namorada rica da sua idade e decidiu largar aquela velha? — indaga Larissa, o provocando.
— Quem eu namoro não é da sua conta, Larissa. E aquela gata é a minha prima Maria Julia.
— Eu não sabia que o diretor Lacerda tinha uma filha — questiona Rui.
— Tem sim. Nós pensávamos que ela estivesse morta. Mas, na verdade, ela só estava desaparecida.
— E ela vai estudar aqui com a gente? — pergunta empolgada. — Eu vou sentar ao lado dela e seremos melhores amigas — fala a loira, batendo palminhas.
— Não vai rolar. A minha prima não gosta de você, Larissa.
— Como assim ela não gosta de mim? Ela nem me conhece.
— Conhece sim. Na verdade todos vocês a conhecem. A minha prima é a Lyara, a índia que vendia artesanato ali na frente — dispara Lucas, deixando os amigos de boca aberta e olhos arregalados. — Se lembra de que a chamou de índia molambenta semana passada, Larissa? E vocês dois jogaram as coisas dela no meio da rua — disse, apontando para César e Rui. — O mundo dá voltas não é mesmo? — comenta cruzando os braços e sorrindo. — Agora a Lya está aí toda bonitona, andando de BMW, com segurança particular e morando numa mansão maior do que a casa de todos vocês juntas.
— Não pode ser. Aquela índia é a sua prima? — pergunta Larissa, sem acreditar.
— Todos esses meses você passando por ela na entrada do curso e só agora a reconheceu? Você é um péssimo primo, Luquinhas — comenta Rui.
— Foi o meu tio que a reconheceu naquele dia que ele veio me buscar. Ele tem certeza que é ela, mas eu não tenho 100% de certeza se ela é minha prima. Ela não se lembra de nada e me falou que não vai fazer o exame de DNA.
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Dentro da sala de aula.
A professa France e Lyara se abraçam carinhosamente.
— Eu estava tão preocupada com você. Quando eu fiquei sabendo do incêndio fui até a Matinha, fui aos hospitais, fui às delegacias, procurei você por todo canto. Fiquei com tanto medo que tivesse acontecido alguma coisa, mas aí no dia seguinte o Luquinhas foi... — conta, interrompendo a fala ao notar o motorista de ouvidos atentos a conversa. — Lya, será se o seu amigo não quer tomar uma água ou um ar?
— Robson, pode dá uma licencinha pra gente?
— Eu recebi ordens para não perdê-la de vista. É pra sua segurança.
— Ela está segura aqui comigo, não precisa se preocupar — afirma a professora.
— Ok! Vou esperar lá fora — fala o motorista, saindo a contragosto.
Assim que Robson se retira da sala a professora continua:
— Então, quando o Luquinhas apareceu lá em casa com o seu macaco e me contou toda a história eu quase não acreditei. Quem diria que vocês são primos? E ele me contou que o tio é milionário. Como está sendo tudo isso? Ele te trata bem?
— Sim, o Cael me trata muito bem. Ele me salvou do incêndio, cuidou de mim, fez massagem no meu pé, comprou um monte de roupas novas pra mim... A gente assiste TV junto, toma banho de piscina, a gente conversa bastante, ele me ensina um monte de coisas.
— Ah, que bom, amiga. Fico muito feliz por você.
— France, eu posso fazer uma pergunta?
— Pode perguntar qualquer coisa, Lya.
— Como a gente sabe se gosta de uma pessoa? Tipo você e o Lucas, como que você descobriu que gostava dele?
— Acho que comigo e com o Luquinhas foi amor à primeira vista. Era o meu primeiro dia aqui no curso, eu estava no corredor, carregava um monte de apostilas nas mãos. Ele esbarrou em mim, derrubando tudo, daí nos abaixamos pra juntar as apostilas do chão, foi quando os nossos olhares se encontraram... — descreve a professora, toda romântica. — Por que está perguntando isso, está interessada em alguém?
— Eu acho que sim. Ele é tão fofo e gentil, mas também é tão chato e mandão. Ele tem lindos cachinhos e dentes branquinhos, é bem forte e todo peludinho, eu gosto do cheiro dele...
— Nossa, Lya, você está mesmo apaixonada. Quem é o sortudo? — pergunta curiosa, destampando a garrafinha de água e bebendo um gole.
— É o Cael.
A professora surpresa com a resposta cospe a água toda na cara de Lyara.
— Por que cuspiu em mim?
— Desculpa, Lya. É que eu não esperava essa declaração — responde a professora, abrindo a bolsa e tirando um lenço. Ela entrega o lenço a Lyara e continua: — Então você está apaixonada pelo seu pai?
— Estou — confirma, enxugando o rosto com o lenço.
— E ele?
— Eu ainda não contei pra ele. Você acha que eu devo contar?
— Sinceramente eu não sei. É complicada essa situação. Tem certeza que é amor e não apenas gratidão por toda ajuda?
— Não é gratidão. Eu sei a diferença, sou grata a você e não quero vê-la sem roupa, mas eu queria muito ver ele sem roupa. Eu já o vi de sunga e ele parece ser grande lá — comenta, com um sorriso travesso.
— Meu Deus! Ai Lya, eu queria poder lhe aconselhar, contudo estou sem palavras.
— Eu sei que é errado, por ele ser meu pai, mas eu não sei o que fazer com esse calor que sinto quando ele tá perto.
— Ai, amiga, estamos numa situação difícil. Eu apaixonada por um aluno e você apaixonada pelo seu pai. Nossos corações estão precisando de uma dose de juízo — fala, abraçando a índia. A campainha soa alta e a professora completa: — Acabou o intervalo, preciso dar uma aula de redação agora.
— Eu já vou indo. Foi bom falar com você. É uma boa amiga.
— Venha sempre que precisar e qualquer dia eu vou lá lhe visitar.
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Horas depois.
No motel Tahiti. Um jovem casal fazendo amor ardentemente.
— Ah, gozei. Você é muito gostosa, sabia? — fala Rui, saindo de cima da mulher.
— Eu sei.
— Ainda é convencida — comenta, dando um nó na camisinha e jogando no chão. — Vou pedir nosso almoço, o que você vai querer?
— Eu quero uma salada caesar.
Ele senta na beira da cama pega o telefone e disca para o serviço de quarto.
— Oi! Eu quero uma salada caesar e um filé com fritas. Ah, e traz uma garrafa de champanhe pra gente, por favor. — Após o pedido finalizado ele desliga o telefone e nota o celular chamando. — Minha mãe está me ligando. Fica quieta, Larissa — alerta. Ele atende o celular e fala: — Oi, mãe! Não vou almoçar em casa, não. Eu vou almoçar aqui no Luquinhas, a gente tem muita coisa pra estudar vou passar a tarde toda aqui. Mando sim um beijo pra dona Alice, pode deixar. Tchau, mãe! — exclama, encerrando a ligação.
— Deveria ter falado pra sua mãe que está com a sua namorada... Quando vai me apresentar pra sua família?
— Está louca? Não posso apresentar você pra minha família. Minha mãe me mataria.
— Por que? Eu sou bonita e inteligente, sua mãe vai me adorar.
— Duvido muito — disse o rapaz, levantando da cama e indo em direção ao frigobar. — A primeira pergunta que a minha mãe vai fazer é sobre a sua família e quando ela descobrir que você é órfã e foi adotada por um pobre casal de professores, sendo que a sua mãe adotiva já morreu e o seu pai adotivo está num asilo, ela vai lhe expulsar lá de casa — discorre, pegando uma garrafa de água de dentro do frigobar. — Eu venho de uma família tradicional, meus pais não vão aceitar o único filho namorando uma garota qualquer, sem família, sem sobrenome, sem fortuna — explica, sentando na cama e destampando a garrafa. — Quer água?
— Não! — responde Larissa, fazendo careta.
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Na mansão à noite.
Lacerda chega do trabalho e encontra Lyara e Lucas na sala, jogando videogame.
— Luquinhas, a sua mãe sabe que está aqui?
— Sabe sim, tio. Eu disse a minha mãe que viria estudar com a Lya — responde, sem tirar os olhos da tela com o console do jogo nas mãos.
— Estou vendo que vocês estão estudando bastante. Na minha época quando eu ia estudar com os amigos levava os meus livros, não meu videogame.
— Na sua época acho que nem existia videogame, tio. Ai Lya, que droga! Você me venceu de novo — fala, soltando o console. — Não é possível ser tão bonita, inteligente, legal e ainda saber jogar videogame. Você é boa em tudo, eu quero casar com você — declara, beijando a mão dela.
— Vamos nos casar e viver na selva, onde não tem energia elétrica pra você não ser tão humilhado no videogame — brinca Lyara, pulando em cima de Lucas.
Os dois jovens começam a rolar no sofá fazendo cócegas um no outro. O diretor assiste a cena sorridente. Os dois caem no chão e começam a gargalhar.
— Chega. Vocês vão acabar se machucando. Lya, pode vir aqui um momento.
— O que é? — questiona Lyara, levantando do chão e se aproximando de Lacerda.
— Aqui está a segunda via dos seus documentos. Desculpa pela minha atitude mais cedo, você tem todo o direito de ser quem quiser — fala o diretor, entregando um envelope.
— Obrigada, Cael. Isso significa muito pra mim — disse, abrindo o envelope.
— Eu sei que não é fácil pra você, mas pra mim também está sendo difícil. Então eu queria propor uma viagem para nos aproximarmos. Eu gostaria de levá-la ao meu hotel de Presidente Figueiredo, era o preferido da sua mãe e o seu também, você amava brincar na cachoeira quando era pequena.
— Cachoeira? Eu adoro tomar banho de cachoeira. Posso levar o Kanauã?
— Pode é claro.
— Pergunta se pode me levar, prima.
— Eu posso levar o Luquinhas também?
— Você tem aula amanhã, Luquinhas. E a Alice não vai gostar nada que você falte.
— Tio, foi a minha mãe mesma que disse que eu deveria ajudar a Lya a se adaptar e fazer ela se sentir bem vinda à família. Só estou fazendo o que a minha mãe mandou.
— Sendo assim, tudo bem. Nós sairemos de manhã bem cedo.
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No dia seguinte, após o café da manhã. Lyara, Lacerda e Lucas preparam-se para sair.
— Eu posso escolher o carro que a gente vai usar? Já sei qual eu vou escolher.
— Nós não vamos de carro, Lya — fala Lacerda, subindo as escadas.
— A gente vai de ônibus? Eu gosto de ônibus, menos quando tá lotado, aí eu não gosto.
— Você acha mesmo que o meu tio andaria de ônibus, Lya? Sem chances. Vem, vamos subir.
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Lucas e Lyara sobem as escadas até o terraço da mansão, onde tem um heliponto com um helicóptero os esperando.
— Acho que você nunca deve ter voado Lya. É muito show, você vai surtar.
— Eu já estou surtando — fala extasiada. — E quem vai pilotar esse negócio?
— O meu tio. Não se preocupa, ele é um ótimo piloto.
— Vocês dois vão entrar ou não? — pergunta Lacerda subindo no helicóptero.
Lyara vai sentada à frente como copiloto e fica deslumbrada com a vista da cidade de cima.
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