Capítulo 21
"Então pegue, me leve para casa,
porque eu não me lembro
Leve, leve-me para casa
Porque eu não me lembro,
leve, me leve para casa, oh Senhor
Porque eu tenho sido um prisioneiro toda a minha vida,
e eu posso te ver"
- Take Me Home
JoJo

Caminhamos até onde os carros estão estacionados e não consigo parar de pensar na expressão da minha amiga. Meu corpo inteiro está tenso e tenho quase certeza de que Jhonny notou que algo não anda bem.
Era óbvio que ele perceberia. Meus passos estão desajeitados, minha respiração irregular e minha cabeça vira uma vez ou outra para trás para ver se Bianca não está nos seguindo.
— Aconteceu alguma coisa? -Jhonny me pergunta ao mesmo tempo em que diminuímos a velocidade ficando para trás de Julio e Julieta. — Você queria continuar na festa? Porque se for isso podemos voltar... -O par de olhos castanhos me observa com preocupação e sorrio nervosa.
— Não aconteceu nada, só estou um pouco cansada. -Desconverso sem deixar de sorrir e ele une as sobrancelhas desconfiado.
— Sabe que é péssima mentindo, não é mesmo?
Arfo em descrença e cruzo os braços. O garoto por sua vez, se aproxima até parar a centímetros de mim e desfaz o meu gesto emburrado com cuidado, segurando minhas mãos e levando-as até a sua cintura para que o abrace outra vez. Então ele afaga o meu rosto lentamente e deposita um beijo na minha testa me fazendo suspirar.
Droga. Definitivamente estou perdida.
Não fazia ideia de que Jhonatan Cross, o cara mais galinha dessa universidade, fosse alguém tão carinhoso. Tenho a impressão de que isso vai ser um enorme problema para mim.
— É sério, até estava com vontade mesmo de ir para casa. -Suspiro. — Se você não tivesse oferecido a carona, provavelmente iria pedir um táxi ou quem sabe aproveitar a viagem com Julio. -Afirmo sincera e Jhonny puxa uma longa respiração.
— Ainda bem que não bebi nada, assim posso te levar com a consciência tranquila e de quebra, também podemos conversar a sós. -Seus olhos não deixam os meus por nenhum segundo enquanto ele fala e sinto um arrepio por todo o meu corpo.
— O que quer falar comigo? -Indago curiosa.
— Aqui não. -Ele diz com os lábios a centímetros dos meus e acabo diminuindo a distância com um beijo rápido arrancando-lhe uma risadinha convencida.
— Se você diz... -Inclino o queixo para cima.
Jhonatan é surpreendentemente alto e isso só o deixa ainda mais bonito. Ele deve ter pelo menos um metro e oitenta, o que acaba criando um contraste interessante com meus um metro e sessenta e dois.
— Tem certeza que está tudo bem? -Ele insiste e confirmo sentindo um aperto na boca do estômago. — Ok, vamos. -Seus dedos se enroscam nos meus e continuamos caminhando até chegar no estacionamento improvisado.
Sua picape está a apenas alguns metros do carro de Júlio, então me aproximo deles para me despedir rapidamente. Dou um abraço no casal e Julieta me faz prometer que vou lhe avisar quando estiver em casa, em segurança.
Jhonny também se despede e depois de terminar com as formalidades subo no banco do passageiro do seu carro extremamente limpo.
— Caramba, você realmente deve ter alguma mania com limpeza. -Penso surpreendida e escuto uma risadinha divertida. — Droga, falei em voz alta, não é mesmo? -Encontro o seu olhar pelo retrovisor e seus lábios se curvam para o lado sem nenhum indício de irritação ou ofensa.
— Desde criança eu e minha irmã fomos acostumados a cuidar do que é nosso. -Revela. — Digamos que meu pai meio que tem essa mania e acabamos herdando-a sem querer. -Sorrio observando o painel que chega a brilhar sob as luzes noturnas.
Os bancos de couro são super macios e confesso que o interior tem um cheiro levemente amadeirado.
O cheiro de Jhonatan.
— Então você não é filho único... -Comento rezando para que ele não perceba que eu já sei disso. Quando busquei informações dele na internet, descobri algumas coisas sobre a sua família, apesar deles serem bastante reservados com a sua privacidade.
Quase não há fotos deles nos tablóides a não ser algumas bem antigas de quando os dois eram crianças.
— Sim, nós somos gêmeos na verdade. -Sua expressão se ilumina por alguns segundos e não consigo evitar sorrir junto.
— Oh, isso é muito legal. Eu não tenho irmãos, mas em compensação tenho uma prima que é como uma. -Confesso me controlando para não chorar ao lembrar dela.
Lana é um dos pilares que me mantém em pé hoje em dia e só de pensar que tive que deixá-la por culpa de três idiotas, a raiva borbulha dentro de mim e sinto vontade de gritar.
— Se tem uma coisa que aprendi com o passar do tempo, é que a família não se resume apenas ao sangue, Ava. -Jhonny aperta a minha coxa sem deixar de dirigir e engulo em seco. — Por exemplo, o meu melhor amigo, é como um irmão para mim. Nos conhecemos desde sempre e eu faria qualquer coisa para vê-lo bem. Ele é parte da minha família e ninguém pode me dizer o contrário.
— Sei como é isso. Lana e eu somos quase da mesma idade e também fomos criadas juntas. -Aperto as pálpebras sorrindo com tristeza. — Sinto tanta saudade dela... -Murmuro para mim mesma e de repente Jhonny desliza os dedos pelo meu queixo e gira o meu rosto para que olhe para ele enquanto estamos parados no semáforo.
— Tenho certeza de que ela também sente a sua falta, o bom é que hoje em dia é fácil chegar a qualquer lugar. Se ela não morar muito longe, posso te levar. -Ele propõe e nego com veemência.
Jamais permitiria que ele corresse o risco de conhecer a minha família.
Ninguém merece esse castigo.
— Ela está quase do outro lado do país. -A essa altura as mentiras saem da minha boca surpreendentemente fáceis e me repreendo mentalmente por isso. O problema é que não tenho outra saída.
Se eu disser que Lana mora a apenas três horas de distância, sei que ele vai insistir para me levar e definitivamente não quero isso. Devo continuar escondida daqueles vermes.
— Oh... isso é uma pena. -Jhonny parece realmente chateado com a informação.
Desvio o meu olhar para a janela e observo o cenário noturno, as ruas quase vazias embora ainda seja cedo.
— Arram. -Murmuro distraída. — De todas formas, sempre falo com ela por vídeo chamada. -Completo para que ele não se sinta mal por mim.
O resto do caminho é feito em um silêncio confortável. Jhonatan dirige com calma seguindo as instruções que dou de vez em quando. O mais engraçado é que durante todo o percurso, sua mão descansa sobre a minha perna e preciso me controlar para não surtar com esse toque simples.
Meu corpo inteiro se acende, é como se o lugar em que seus dedos pousam despreocupados estivesse pegando fogo. Gostaria que a casa da minha avó fosse bem mais longe para podermos continuar assim, no entanto, por conta do trânsito leve, não demoramos muito para chegar e estacionamos bem na frente do portão de ferro.
Puxo uma longa respiração e solto o cinto de segurança com pesar.
Não quero descer.
Não quero sair de dentro do carro e me afastar de Jhonatan. Por incrível que pareça, me sinto bem ao seu lado. Ele me transmite uma segurança que eu não sentia há meses e ao mesmo tempo sei que não devo me entregar completamente a esse sentimento. Não posso me arriscar outra vez.
Beto era exatamente assim no começo e vejam só como as coisas terminaram.
— Chegamos... -A voz rouca provoca um arrepio na minha pele.
— É, chegamos. -Murmuro desanimada.
— Vamos, vou te acompanhar até o portão. -Oferece e balanço a cabeça sem ter outra saída.
Ele desce primeiro e dá a volta até o meu lado rapidamente. Abro a porta e praticamente salto para os seus braços ao som da sua risadinha divertida.
— Quem mandou você ser tão baixinha... -Brinca me abraçando apertado e arfo fingindo estar brava.
— Ou quem mandou você ser tão alto? Depende da perspectiva. -Lanço um olhar debochado para cima e recebo um beijo rápido na ponta do meu nariz.
— É, tem razão. -Nos separamos e andamos de mãos dadas passando pelo portão, até parar na frente da porta de entrada. — Mas sabe qual perspectiva seria ainda mais interessante? -Seus olhos agora tem aquele brilho diferente e engulo em seco mordendo o lábio inferior.
— O quê? -Sussurro seguindo o seu jogo e ele abre um enorme sorriso se preparando para responder, quando a porta se abre de supetão e ambos pulamos para trás com o susto.
Minha avó aparece vestida com uma roupa de festa e parece estar tão surpresa quanto nós dois.
— Ava, o que está fazendo em casa a essa hora? -Seu olhar recai sobre a mão de Jhonatan segurando a minha. Minhas bochechas esquentam imediatamente e embora eu tente me soltar, Jhonny me segura firme no lugar e estende a mão livre para a frente.
— Você deve ser a avó de Ava. É um prazer conhecê-la... -Ele diz confiante e vovó inclina a cabeça para o lado devolvendo o gesto.
— E você deve ser Jhonatan. -Seus olhos se apertam e Jhonny franze o cenho por alguns segundos. — Ava falou muito sobre você, sabia que iam acabar juntos. -Ela explica e suspiro completamente envergonhada.
— Vovó! -Exclamo em um fio de voz.
Desse jeito ela vai acabar espantando o garoto...
— É mesmo? Bem que imaginei que ela pensava em mim, por mais que fingisse que me odiava. -Engasgo com a minha própria saliva ao escutar a sua resposta e preciso de alguns segundos para me recompor.
— Muito bem, hã... obrigada pela carona, Jhonatan. Acho melhor eu ir dormir, está ficando tarde. -Interrompo os dois antes que a conversa fique ainda mais constrangedora.
Se eu deixar, é capaz de vovó começar a falar sobre coisas como métodos anticonceptivos, ou de como ela e meu avô se divertiam na sua adolescência em cima da Mabel.
Sim, ela já me contou algumas das suas aventuras sobre duas rodas.
— Que isso, querida. Não vai convidá-lo para entrar? Tem bolo de nozes dentro da geladeira, além do mais, estou de saída e só voltarei mais tarde. -Vovó informa piscando um olho. — Fiquem à vontade. Foi um prazer finalmente te conhecer, querido. -Ela dá um beijo estalado na bochecha do garoto antes de praticamente fugir até o portão nos deixando sozinhos na entrada.
— É o meu sabor preferido. -Jhonatan revela sorridente e reprimo um gemidinho. — Gostei dela. -Continua colocando uma porção de cabelo atrás da minha orelha.
Deus, estou tão envergonhada que não sei onde enfiar a cara. Pensei que vovó estaria dormindo a uma hora dessas e não se preparando para sair provavelmente com Hugo.
— É. Vovó é um espírito livre. Às vezes penso que ela se diverte mais do que eu. -Resmungo nervosa remexendo as coisas dentro da minha bolsa em busca da chave da porta.
— Ei... -Seus dedos prendem os meus e aperto as pálpebras respirando fundo. — Se quiser, eu posso ir embora. Não vou ficar bravo, prometo.
— Não, t-tudo bem. Eu só não estava conseguindo encontrar a chave. -Dissimulo.
— Ava?
— Hum?
— A porta já está aberta... -Jhonatan indica e cubro meu rosto com as duas mãos.
Eu realmente sou uma idiota.
— Droga. Vamos, está ficando frio aqui fora. -Puxo seu braço para dentro e acendo a luz do abajur para não tropeçarmos com nada. Levo-o até o sofá e começo a me afastar para ir até a geladeira para lhe servir uma porção de bolo, contudo, em um movimento rápido, ele me atrai para o seu colo e solto um gritinho assustado.
— Onde pensa que vai? -Jhonatan sussurra no meu ouvido arregalo os olhos com medo. A perceber o meu estado, ele me solta rapidamente.
— P-pensei que quisesse comer bolo. Me desculpe eu... -Me sento ao seu lado no sofá e ele fica sério de repente.
— O que achou que eu fosse fazer, Ava?
— Nada, eu... -trago saliva — nada.
Quando Jhonatan fez esse movimento, várias coisas passaram pela minha cabeça.
Uma delas é que eu seria forçada a fazer algo assim como Beto tinha o costume, no entanto, ao ver a preocupação dentro dos seus olhos, me obrigo a me tranquilizar para não acabar com o clima de antes.
— Só queria te abraçar. Não pretendia fazer nada além disso, ok? -Seus dedos pressionam meu queixo e solto uma risadinha amarga que não tem nada a ver com ele.
Maldito seja Roberto por me transformar nesse poço de insegurança e medo.
— Me desculpe. -Peço novamente.
— Não precisa se desculpar, Ava. É sério. -Ele se aproxima até que estamos lado a lado e me abraça com cuidado.
Ficamos nessa posição por alguns minutos sem dizer absolutamente nada. O único som que se escuta no ambiente, é o das nossas respirações compassadas e como em um passe de mágica, me tranquilizo pouco a pouco.
No momento em que me sinto completamente estabilizada, deslizo os dedos pelo seu abdômen definido, a firmeza dos músculos por baixo da blusa de algodão me deixando um tanto curiosa. Então, sem me controlar, introduzo uma mão por baixo da sua roupa e ele solta uma respiração engasgada.
— Ava...
— Só queria saber como era a sensação. -Explico com falsa inocência e ele ri baixinho chacoalhando nossos corpos com o movimento.
— É mesmo?
— Uhum. -Sussurro sem parar de delinear seus músculos com a ponta dos dedos.
— Será que eu posso fazer o mesmo? -Ele pede com a voz baixa e confirmo com a cabeça sentindo meu coração batendo cada vez mais rápido.
Sem demora, sua mão vai parar debaixo do meu cropped e ele aperta meu seio com delicadeza, os dedos ágeis giram meu mamilo que fica intumescido em segundos enviando uma descarga elétrica diretamente para o meio das minhas pernas.
Oh Deus.
Apoio a testa no seu peitoral e mordo os lábios para não começar a gemer como uma maluca. Em um ato de coragem, desço até a sua cintura e acaricio a sua ereção por cima da calça jeans quase engasgando outra vez ao sentir o seu tamanho.
Caramba, o garoto é enorme.
— Hã, Ava, eu não acho que isso seja uma boa ideia... -Ele começa a se afastar, mas agora que comecei, não quero mais parar. Me sinto mais viva do que nunca, é como se tivesse recebido uma enorme descarga de adrenalina, meu coração palpita dentro do peito e o único que desejo é saber como é ser amada, mesmo que tudo não passe de uma ilusão.
— Só... me toque.. por favor. -Exijo ofegante ainda de olhos fechados.
— Tem certeza?
— Sim...
Para a minha surpresa, meu pedido é acatado e assim que sinto seus dedos percorrendo minha coxa devagar, sei que esse é um caminho sem volta. Um rastro de fogo é deixado por onde ele passa e aperto a barra da sua blusa conforme ele chega mais perto da minha virilha.
Em um segundo ele está me tocando por cima da calcinha de renda, e no segundo seguinte estou cavalgando nos seus dedos que me penetram com destreza.
— Oh... isso. -Choramingo baixinho movendo a minha cintura para frente e para trás no ritmo da sua mão.
Droga, isso é tão bom. Nunca tinha experimentado algo igual e é incrível o fato de que não sinto medo ou desconforto.
Eu quero isso, mais do que qualquer outra coisa.
Jhonatan esfrega meu clítoris com o dedão sem deixar de me penetrar com os outros dedos e uma explosão começa a se formar no meu interior me fazendo desejar gritar seu nome aos quatro ventos.
— Isso, se libere para mim, linda. -Ele sussurra concentrado. — Deixe-se ir.
Para não acabar cedendo à tentação e acabar acordando os vizinhos, levanto o rosto e arrebato seus lábios bem a tempo de ser atingida pelos estilhaços do orgasmo intenso.
— Jhonny isso foi... -Não consigo olhar para a sua cara. Na medida que minha respiração vai se regularizando, percebo o quão duro ele está e sei que preciso lhe devolver o favor. Lembro que Beto me fazia retribuir tudo o que ele fazia comigo, então levo uma mão até o botão da sua calça jeans e tento abri-la, sem sucesso, pois sou impedida rapidamente.
— Shhh, não precisa fazer isso. -Ele diz, afastando meus braços com delicadeza.
— M-mas...
— Está tudo bem, eu não estou bravo. -Afirma em um sorriso. — De todas formas, nós ainda não conversamos e não quero que pense que minha única intenção é transar com você. -Explica e me afasto cobrindo minhas pernas com uma das almofadas me sentindo uma idiota sem entender o motivo. — Quero dizer, eu quero transar com você, Ava. E muito. É só que ao mesmo tempo, também quero fazer outras coisas juntos.
Caralho.
— O que quer dizer com tudo isso? -Penteio o cabelo com os dedos tentando controlar a timidez pelo que acaba de acontecer.
— Para começar, preciso que entenda que enquanto estiver com você, não vou ficar com outras garotas como te fizeram acreditar. Eu não sou assim.
— E-eu não...
Sua risada rouca ecoa pela sala e seu olhar astuto brilha sobre mim.
— Mais cedo você me disse que achava que eu não fosse um cara de relacionamentos, e confesso que isso me deixou pensativo. -Continua sério. — Não quero que as coisas fiquem estranhas entre nós dois por culpa das fofocas daquela universidade. Eu gosto de você, Ava, e não desejo estar com mais ninguém no momento.
Você é a única que eu quero.
NOTA DO AUTOR
Helloooo amores da minha vida, eu sei, eu sei...
Demorei pra postar e sei que devem estar querendo me esganar kkk
Acontece que nesses últimos dias estive meio para
baixo e só consegui terminar o capítulo hoje.
E como sei que vcs são uns amores, vão entender, não é mesmo?
Espero que tenham gostado,
Não se esqueçam de votar e comentar.
Amo vcs🥰
Bjinhossss BF🖤🖤🖤
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