Capítulo 20
"Eu tenho sentido
De dentro para fora em meus sentimentos
De cabeça para baixo, no teto
Ooh, ooh-ooh, ooh, ooh-ooh,sim, sim
finalmente estou respirando
A fumaça não se foi, mas está clareando
Eu ainda não estou lá, mas estou me curando
eu ainda não estou lá."
-Healing
Fletcher

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Engulo em seco ao escutar a pergunta de Jhonatan.
O que está acontecendo comigo?
Há momentos em que nem eu mesma tenho a resposta.
Se pelo menos pudesse saber e poder acabar com todo esse sofrimento.
— Eu só estava assustada, Jhonny. -Minto sem ter coragem de olhar dentro dos seus olhos.
O longo suspiro que ele exala deixa bem claro que não acreditou no que disse e de repente desejo com todas as minhas forças que por uma vez na vida eu consiga manter as coisas no controle.
Não posso desabar. Não agora.
— Por favor, não faça isso comigo. Não faça isso consigo mesma. -Seus dedos seguram meu queixo e giram meu rosto para o seu lado.
Seu olhar apreensivo faz meu corpo se arrepiar por inteiro.
— Jhonny... -Murmuro angustiada.
— Sei muito bem que alguma coisa está acontecendo, não adianta tentar mentir para mim.
Caralho.
Preciso lhe dizer algo, nem que seja apenas uma fração da história ridiculamente complexa.
Jhonatan merece isso.
Respiro profundamente e preparo o meu psicológico para reviver o meu passado.
— Eu... eu tinha um namorado antes de vir para cá. -Suspiro nervosa. Jhonatan se endireita no banquinho de cimento e franze o cenho apreensivo. — Nossas famílias se conhecem desde que me entendo por gente, minha mãe é amiga da mãe dele, nossos pais saiam juntos para jogar golf, beber vinho ou a qualquer evento beneficente e toda essa merda que inventaram apenas para pensarem que são boas pessoas.
Beto... hã... Roberto e eu brincávamos juntos antes mesmo de aprender a andar. Ele sempre me protegeu dos outros meninos, sempre dizia que eu era a sua garota e naquele momento isso parecia ser a coisa mais romântica do mundo. -Sorrio triste.
— O tempo passou e conforme fomos atravessando essa fase de crianças e entrando na adolescência, aquele sentimento ficou mais forte a tal ponto de que em uma noite, Roberto me confessou que gostava de mim e perguntou se eu sentia o mesmo. Não sabe como eu fiquei ao ouvir aquilo, a minha felicidade foi tão grande que a única coisa que me ocorreu foi literalmente pular em cima dele e assim nos beijamos como qualquer casal apaixonado. -Jhonny solta uma respiração pesada me fazendo lembrar que ele ainda está ali ao meu lado. Continuo olhando para a frente, buscando coragem em um ponto aleatório no jardim escuro. Estou hipnotizada pelas lembranças de uma época terrível.
— Quando começamos a namorar, tanto meus pais quanto os dele ficaram super felizes. Eu e ele éramos o casal perfeito. Filhos de uma das duas famílias mais influentes da cidade, nós estávamos presentes em cada fofoca, em cada publicação nos jornais ou na internet. Confesso que essa atenção me deixava atordoada, eu não queria aquilo. Me sentia extremamente desconfortável em ir a todas aquelas festas, estar ao lado do meu namorado sem dizer nada, apenas servindo como o seu maldito troféu.
— Ava e-eu... -Jhonny esfrega o rosto com as mãos — se não quiser continuar contando, está tudo bem. Você não precisa... -O sussurro do garoto ao meu lado se escuta como se estivesse a quilômetros de distância. Posso notar que ele está tão aflito quanto eu, mas uma vez que comecei, é como se uma comporta acabasse de ser aberta e não consigo mais parar.
— Eu fazia tudo aquilo para que ficássemos bem, sabe? -solto uma risadinha amarga. — Tudo o que eu fazia era por ele. Eu... droga, eu me entreguei para ele de corpo e alma. -Confesso envergonhada e Jhonatan aperta meus dedos em um apoio silencioso.
— No início ele me tratava muito bem. Respeitava meus tempos, minhas amizades e até mesmo as minhas preferências. Essa era uma das razões pelas quais eu fazia tudo o que ele me pedia. E quando não fazia algo que ele queria, as coisas ficavam... intensas. Roberto me manipulou o tempo todo. Ele me fez acreditar que eu lhe devia algo pela forma em que era tratada. -Solto uma longa respiração.
— Oh por Deus... eu sinto muito, linda. -Finalmente olho para Jhonny e encontro-o me encarando com um misto de incredulidade, raiva e pena.
— Eu demorei meses para entender, sabe? Não queria acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. De todas as pessoas naquela cidade, eu estava presa em um relacionamento abusivo.
Não faço ideia de como Beto mudou de uma pessoa aparentemente amável, a alguém tão agressivo, controlador e abusivo. Suas condutas pareciam inofensivas inicialmente. Meus medos mais profundos e inseguranças são culpa desse ser humano detestável que ele se tornou. Sinto nojo ao pensar que em algum momento eu achei que o amava e deixei que brincasse tanto com meus sentimentos e pior... com meu corpo. Quero dizer, eu e ele transamos e tudo mais, mas eu não aproveitava nada. Ele sempre se importou apenas com o seu próprio prazer e nunca ligou para o meu.
— Que babaca. -Jhonatan rosna baixinho.
— Quando aquele cara segurou meu braço há minutos atrás, foi como se tivesse voltado no tempo e naquela maldita festa onde Beto... -engulo em seco para não falar mais do que devo. — Por um bom tempo eu pensei que tudo o que aconteceu era por minha culpa. Que eu deveria ter feito o que Beto me pedia, que deveria ficar calada e aceitar todas as migalhas emocionais que ele me oferecia. Eu não me valorizava, não entendia que eu valia muito mais do que isso. Então quando por fim abri meus olhos, decidi que não podia mais ficar lá e permitir que esse ciclo se perpetuasse.
— Deus.... Eu não fazia ideia, eu... me desculpe, não deveria ter te forçado a falar sobre isso. -Jhonny segura minhas bochechas com ambas mãos e seu olhar arrependido me deixa sem chão. — Sei que não é da minha conta, mas... você está fazendo acompanhamento com algum psicólogo? -Ele pergunta sério e balanço a cabeça para cima e para baixo em confirmação.
— A terapia tem me ajudado a controlar esses pensamentos sabotadores de culpa, porém ainda existem gatilhos muito intrínsecos na minha consciência, como você pode perceber. -Sorrio desanimada desviando meu olhar do seu.
— Você não é culpada de nada. Esse... esse idiota não merece sequer respirar o mesmo ar que você e fico muito feliz que tenha se afastado.
— Agora eu entendo tudo isso, Jhonny. Agora eu finalmente entendo. -Afirmo orgulhosa de mim mesma.
De repente, Jhonatan se levanta e me puxa para um abraço apertado como fizemos aquele dia no parque.
Respiro profundamente inalando o cheiro do seu perfume que funciona quase como um calmante natural.
Ele afaga as minhas costas com as mãos e aperto a sua cintura como se o garoto fosse uma âncora na qual estou me segurando com todas as minhas forças.
— Não faz ideia de como estou furioso por saber que você teve que passar por tudo isso, Ava. -A confissão me pega completamente desprevenida e aperto as pálpebras tentando não chorar outra vez.
— Já deixei toda essa merda para trás, aqui estou bem e pretendo continuar assim, não precisa se preocupar. -Respondo contra o seu peitoral musculoso. — Obrigada por me ouvir, Jhonatan, e principalmente por não me julgar.
— Jamais faria isso. -Ele devolve algo ofendido e levanto a vista sorrindo ao notar sua expressão emburrada.
— Eu sei que não... você é um pé no saco na maioria das vezes, mas até que é um cara legal. -Digo mais para mudar de assunto do que para provocá-lo.
Falar sobre Beto me deixou esgotada mentalmente, mas ao mesmo tempo foi reconfortante desabafar. Toda essa situação estava entalada na minha garganta e tinha a leve sensação de que uma hora ou outra eu iria acabar explodindo, é só que agora eu já não quero mais falar naquele idiota. Quero esquecê-lo de uma vez por todas e me concentrar no presente. Quero tentar por uma vez na vida, ser feliz.
Nos sentamos no banco outra vez e encosto a cabeça no ombro de Jhonny.
— Só para constar, eu não sou um pé no saco. -A reação dele acontece alguns minutos depois e caio na risada com a sua voz indignada. — Além do mais, você é quem vive escapando de mim. Por falar nisso, por que não foi falar comigo quando chegou? -Ele completa e faço um som engasgado com a garganta.
Murcho imediatamente ao lembrar da cena que vi assim que cheguei.
Mas que droga.
— Não quis atrapalhar o seu encontro. -Respondo quase em um sussurro.
— Encontro? Do que diabos está... oh... tenho certeza de que Jéssica vai ficar bem.
— Então esse é o seu nome. -Resmungo.
A essa altura é quase impossível controlar o meu ciúme e para a minha infelicidade, Jhonny acaba percebendo como estou fervendo de dentro para fora.
— Você fica tão linda quando está com ciúmes. -Ele sussurra no meu ouvido e engulo em seco.
— Quem te disse que estou com ciúmes?
Viro meu rosto para que ele não veja minhas bochechas avermelhadas.
— Vamos, Ava. Não adianta negar. Está estampado na sua cara.
— Quer saber, acho...acho melhor ir procurar Julieta, ela deve estar preocupada comigo. -Me levanto em uma tentativa de escapar desse bendito interrogatório, contudo, Jhonatan segura meus braços e me puxa de tal forma que acabo caindo sentada sobre as suas pernas ao som das suas risadas divertidas.
— Jessica é apenas uma amiga. Ela inclusive sabe sobre você. -Saboreio essas palavras como se fossem um manjar, mas mesmo assim não dou o braço a torcer.
Ainda não consigo me entregar tão fácil e continuo me fechando para qualquer possibilidade. É como um modo de autodefesa que me faz perder a paciência comigo mesma algumas vezes.
— Que bom para você.
— É... -Jhonny passa o nariz pelo meu pescoço e aperto as pálpebras com força.
— Mas sabe o que está me deixando inquieto? -Ele pergunta sem parar de deslizar os lábios na minha pele arrepiada.
— Hum? -Ofego tentando me concentrar no que ele está falando.
— Julio. -Basta apenas essa palavra para que eu entenda onde ele quer chegar e é a minha vez de soltar uma gargalhada sonora.
— Julio também é apenas meu amigo. Nos conhecemos quando Mabel estragou, ele é mecânico e acabamos desenvolvendo uma amizade sincera. -Explico rapidamente.
— Tem certeza? Porque aquela conversa que escutei entre os dois não parecia ser algo que apenas amigos dizem um para o outro.
Repasso todas as conversas que tive com Julio na frente de Jhonatan e quando lembro de uma em específico no laboratório de informática, me levanto só para rir ainda mais alto, deixando-o mais confundido.
— Estávamos falando de um pedal de moto, Jhonatan. Nada mais do que isso. -Revelo sem parar de rir. — Julio tem namorada e está maluquinho por ela. -Concluo limpando as lágrimas que escorreram pelos cantos dos meus olhos de tanto gargalhar.
— Por que não me disse isso antes? -A pergunta tímida me deixa com algo de pena e me sento outra vez no seu colo passando os braços pelo seu pescoço.
Segundos depois seguro seu rosto como ele fez comigo e encaro seus olhos castanhos.
— Porque você não me perguntou.
— Droga, eu pensei que por esse motivo você queria continuar sendo somente minha amiga.
— Eu estava com medo, Jhonatan. Não tem nada a ver com Julio ou com você.
Nesse momento, suas mãos vão parar na minha coxa e ele me aproxima ainda mais até que nossas bocas estão a poucos centímetros de distância.
— E agora, você ainda está sentindo medo? -A expectativa no seu olhar é tanta que por um breve instante fico perdida nessa sensação de segurança que só ele me proporciona.
Balanço a cabeça lentamente para um lado e depois para o outro e então um sorriso genuíno se forma no seu rosto segundos antes dele unir nossos lábios em um beijo cheio de sentimentos encontrados.
Levo minhas mãos até a sua nuca e passo uma perna de cada lado da sua cintura para ficarmos mais confortáveis.
Jhonatan não sabe se aperta as minhas coxas ou se passa as pontas dos dedos pelo meu abdômen descoberto e confesso que estou amando isso. É como se ele estivesse tão nervoso quanto eu, que não consegue decidir o que fazer primeiro.
— Droga, estava morrendo de vontade de te beijar outra vez. -O tom da sua voz é fogo puro e puxo seus cabelos de leve quando ele distribui mordidinhas pelo meu pescoço arrepiado. — Não quero ser só seu amigo, Ava. -Engasgo com a frase repentina e ele dá batidinhas nas minhas costas para me ajudar.
— Pensei que você não fosse um cara de relacionamentos. -Zombo ainda me recompondo.
— De onde tirou isso? -Sou empurrada levemente para trás apenas para ser recebida com um olhar ressentido.
— Todos na faculdade comentam o mesmo. -Explico baixinho e o garoto roda os olhos soltando uma longa respiração.
Será que ele ficou bravo? Será que vai começar a gritar comigo e me dizer o quão estúpida eu sou por pensar algo assim? Ou afirmar que tudo isso é coisa da minha cabeça?
Pode parecer exagerado, mas esse tipo de reação é a única que eu conheço.
Meu corpo inteiro treme pela incerteza e quando começo a me preparar para escapar mais uma vez, Jhonatan desliza os dedos pela minha bochecha e coloca uma porção de cabelo atrás da minha orelha me deixando sem ar.
— Escuta, Ava... -ele traga saliva — essas coisas que você escutou, eu não vou negá-las. -Fecho os olhos e abaixo a cabeça com o golpe fresco. — No entanto, -seus dedos erguem meu rosto outra vez — quero que entenda que eu jamais seria capaz de brincar com os seus sentimentos. Já te disse que sinto coisas por você e não estava mentindo. E-eu não sei exatamente o que é, mas simplesmente não consigo ficar um minuto sem pensar em como você é malditamente linda, ou como essas suas tatuagens são tão quentes que fico com vontade de lamber uma por uma.
Oh por Deus.
— Jhonny eu...
— Shh... -sou silenciada pelos seus lábios e sorrio sem saber como reagir. — Não me diga nada. Só vamos ver até onde chegamos, ok? Sem pressão.
— Tem certeza?
— Absoluta.
Não consigo evitar o sorriso estampado no meu rosto. Nunca me senti assim tão... livre. Com Beto as coisas eram forçadas. Os beijos, os abraços, até mesmo as interações no cinema, festas ou qualquer outro evento.
Com Jhonatan é como se eu não fosse capaz de tirar minhas mãos de cima dele. Seu corpo é uma tentação e seu rosto é lindo, mas mais do que isso, seu coração é único e por mais que tenha sentido medo em algum momento, agora só me resta uma tranquilidade de saber que ele jamais me machucaria.
Continuamos nossa sessão de amassos por mais alguns minutos, até que eventualmente precisamos de ar e nos afastamos apenas o necessário para poder respirar.
Acabo lembrando do que Jhonny disse para o garoto que tentou me beijar mais cedo e a curiosidade volta com tudo.
— Por que me perguntou se eu tinha bebido algo daquele cara? -Solto nervosa e seus olhos ficam obscuros de repente.
— Não vale nem a pena falar disso, Ava. -Levanto uma sobrancelha desafiante.
— Eu preciso saber o que teria acontecido para poder me proteger sozinha da próxima vez, Jhonatan. -Cruzo os braços e seus lábios se curvam em um sorriso sedutor.
— Carter é um babaca que adora embebedar garotas para que façam o que ele quer. Já o peguei fazendo isso várias vezes e até ameacei com denunciá-lo, mas ele sabe que não posso fazer nada sem provas. Pelo menos a maioria das garotas já sabem o que ele faz, só que o imbecil deve ter te visto e percebido que você era nova aqui, então...
Solto a respiração lentamente e sinto minha visão embaçando conforme percebo o quão perto cheguei de virar mais um número nas estatísticas aterrorizantes.
— O-obrigada por me proteger. -Falo baixinho.
— Eu jamais deixaria que algo te acontecesse, Ava.
Fico tão surpreendida com a declaração que por uns dois minutos não sei o que responder.
Abro e fecho a boca como um peixinho fora d'água e Jhonatan me abraça apertado contra o seu corpo ao notar meu assombro.
Não dizemos nada por um bom tempo. Nossos corpos se movem para frente e para trás por conta da nossa respiração e suas mãos acariciam minhas costas em movimentos abstratos fazendo com que eu me relaxe pouco a pouco.
Devemos passar pelo menos uns dez minutos nessa posição e minha vontade é de ficar assim para sempre, mas o universo como sempre, acaba tendo outros planos para nós dois.
— Finalmente se acertaram. -A voz de Julieta ressoa atrás de mim e arregalo os olhos envergonhada.
Me endireito ainda sobre as pernas de Jhonatan. Meu coração bate tão rápido que não seria nada raro eu ter um infarto.
Droga!
Tento me levantar para salvar o que resta da minha compostura, porém Jhonatan segura firme minhas coxas e me mantém no lugar com um enorme sorriso no rosto.
— Olá Julieta, quanto tempo... -Ele diz sem desviar o olhar do meu.
— Finalmente tomou uma atitude, Cross. -Minha amiga se senta do nosso lado com uma latinha de refrigerante nas mãos como se nada estivesse acontecendo.
Eu pelo contrário, estou tremendo tanto que parece que estamos no meio de um terremoto.
— É verdade, embora a sua amiga também não tenha facilitado para mim, valeu a pena a espera. -Seus dedos apertam a minha pele fervente e engulo em seco ainda sem conseguir falar.
Ainda bem que estamos em uma zona escura e não conseguem ver minhas bochechas pegando fogo.
— Ohhhh. Você é um fofo, garoto. -Julieta faz um gesto engraçado com as mãos como se estivesse vendo uma novela e sinto minhas bochechas queimando cada vez mais.
— Muito bem, será que podemos mudar de assunto? -Peço de olhos fechados.
— Oh, certo. -Juli parece se lembrar de algo. — Eu não queria atrapalhar vocês dois, mas TJ me ligou dizendo que está vindo nos buscar e precisava saber se você irá embora com a gente ou...
— Eu vou levá-la, não precisa se preocupar, Julieta. -Jhonatan responde antes mesmo que minha amiga termine de falar.
Ela chacoalha a cabeça para cima e para baixo sem deixar de sorrir e escondo meu rosto no pescoço do garoto que cai na risada.
— Bom, nesse caso, se não se importarem, vou esperar meu namorado aqui com vocês, está bem?
— Não tem problema, Juli. -Sussurro contra o ombro de Jhonny e ele disfarça um gemido rouco.
Gradualmente vou me acostumando a essa situação um tanto inusitada e os três conversamos por um bom tempo sobre assuntos variados.
Julieta comenta quase toda a sua vida para nós dois e ouvimos tudo atentamente.
Jhonatan não me solta um segundo sequer e seus dedos criam desenhos irregulares nas minhas costas em um movimento suave que ele não parece nem perceber.
Outros vinte minutos passam até que o celular de Juli começa a tocar e ela explica para Julio onde estamos.
Meu amigo não demora a aparecer e ela corre para abraçá-lo quase derrubando-o na grama recém cortada.
Jhonny me solta a contragosto e me observa em silêncio enquanto cumprimento-o com um abraço rápido. Ele pode até tentar dissimular, mas sua carranca é tão evidente que quase não consigo conter a diversão.
Quando Julio nota a sua presença, ele abre um enorme sorriso e se aproxima do garoto tatuado a passos lentos e decididos.
— O que foi cara, ficou bravo por que quer um abraço também? -Julio provoca e Jhonny levanta uma sobrancelha.
Por um breve instante penso que ele vai arranjar briga com o mecânico quase do seu tamanho, contudo, o que acontece a seguir é completamente diferente.
Um sorriso de canto se forma nos lábios de Jhonatan e ele abre os braços em um gesto instigante. Então de repente, os dois estão se abraçando como se fossem melhores amigos e troco um olhar confundido com Julieta.
— Sabia que não ia demorar muito para abrir os olhos. -Julio professa enigmático e Jhonatan concorda com um movimento de cabeça ao mesmo tempo em que caminha até parar do meu lado e enroscar seus dedos nos meus.
Me sinto tão perdida que não sei nem o que falar. Os três conversam tranquilamente sobre a festa e Jhonatan garante pelo menos umas quatro vezes que vai me deixar em casa, em segurança.
Julieta se coloca na minha frente e solto a mão de Jhonny para poder abraçá-la. É engraçado como não passaram nem vinte minutos, mas sinto como se fizéssemos isso a vida toda.
— Nos vemos segunda-feira, amiga. -Ela se despede rapidamente. — E você -aponta para Jhonatan — cuide bem de Ava ou ficará sem as bolas. -Ameaça séria e Julio lhe lança um olhar orgulhoso.
— Pode ter certeza que vou cuidar bem dela. -Jhonny declara com firmeza e segundos depois os quatro estamos caminhando para fora da casa sem nos importar com os olhares curiosos.
Todos aqui conhecem Jhonatan e por um milésimo de segundos fico com medo de parecer uma idiota por confiar na sua palavra, porém quando lembro do que ele me disse e de como ele agiu quando ninguém estava nos vendo, faço um esforço por guardar esse medo no mais profundo do meu ser.
Ele merece um voto de confiança e cabe a ele mesmo aproveitá-lo.
De todas formas, se ele fizer algo, quem perde é ele mesmo.
Estamos quase chegando na saída quando avisto Bianca de longe.
Oh não.
Ela leva uma latinha de cerveja até a boca e no momento em que me vê, seus olhos se arregalam e ela quase cospe todo o líquido amarelo pelo chão.
Cumprimento-a com a mão livre e um sentimento de que de alguma forma estou traindo-a se apossa de mim.
Seus olhos escaneam o meu corpo e quando percebe o que está acontecendo, ela joga a latinha na lata de lixo com uma força desnecessária e se afasta esbarrando em qualquer pessoa pelo caminho sem ligar para os xingamentos e ofensas.
O que foi que eu fiz?
NOTA DO AUTOR
HELLOOOO GOSTOSAS,
Deixo aqui mais um cap fresquinho pra
vcs surtarem comigo hahahahah
Espero que tenham gostado,
Não se esqueçam de votar e comentar!
Amo vcs, 🥰
Bjinhossss BF🖤🖤🖤
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