Capítulo 3
Amélia
A aula transcorreu sem mais interrupções, a do Sr. Werdebeen não era difícil, ele estava explicando sobre a segunda guerra mundial e seguiu a aula por quase uma hora até a professora de matemática, a senhora Mendez entrar e começar a explicar a matéria, ela era uma mulher baixinha de cabelo castanhos escuros e olhos amendoados, usava óculos e o cabelo preso em um coque preso, eu era boa com números e consegui acompanhar sem problemas.
Não percebi quando a aula acabou por, só me dei conta quando Tereza me chamou
— Vem, vou te mostrar a escola. — Ela disse levantando e arrumando suas coisas. Eu não queria parecer sem educação ou rude com ela e estava pronta para recusar seu convite e falar que ficaria dentro de sala até a próxima aula quando ela virou para mim de novo — Eu não vou aceitar um não como resposta, pode desisitir. Você é nova aqui e eu e minha amiga Giulia vamos te mostrar a escola. Giulia é maravilhosa, você vai ver, ela infelizmente é de outra turma mas nós nos conhecemos desde pequenas e sempre fomos juntas.
Ela falou da amiga Giulia, não me dando oportunidade de dizer alguma coisa. Sem opção me levantei e comecei a juntar minhas coisas e seguir ela até a outra sala que fica do lado. Uma garota morena de olhos azuis estava perto dos armários quando Tereza parou e nos apresentou
— Giu essa é a Amélia, Amélia essa é a Giulia, minha melhor amiga. — Acenei pra ela dando um sorriso meio sem graça enquanto Giulia encarava a amiga com uma interrogação no rosto, ela desviou o olhar e me comprimentou
— Oi Amélia, prazer te conhecer. —
Ela respondeu me estendo a mão, tinha alguma coisa nela que não me agradou quando apertei a mão dela, um sensação estranha, mas deixei de lado e respondi que era um prazer também conhecer ela quando Tereza continuou a falar
— Giu nós vamos mostrar a escola pra Amélia e depois vamos para o refeitório, estou morrendo de fome. — Ela falou e começou a andar para o corredor.
— Você está sempre com fome Tess, não é novidade nenhuma isso. — Giulia respondeu.
— Credo Giulia! O que a Amélia vai pensar de mim?
— Que tem no máximo uma tenia solitária na barriga. — Giulia fez graça, eu tive que fazer um esforço para não rir porque claramente Tereza era extrovertida e falante, e Giulia aguentava as loucuras da amiga que parecia meia louca, por que me conheceu em menos de algumas horas e está sendo legal comigo.
— Vem Amélia, a escola é incrível, modéstia parte porque sua tia é a diretora, mais ela tem dois andares, esse onde estamos é o segundo contendo a biblioteca, laboratório de química, biologia, informática e física, a direção e a sala dos professores. — Ela apontava para cada lugar que mostrava, descemos as escadas e ela foi explicando mais —Aqui em baixo temos a secretaria, o refeitório e o maior número de salas, o auditório, sala de música e a sala de artes. Lá fora tem a quadra aberta onde o time de futebol americano treina e a coberta por causa da chuva e das líderes de torcida. — Ela falou quando passamos por algumas líderes com um uniforme colado e curto, eu estava toda agasalhada não acostumada com o clima daqui enquanto elas andavam com esses uniformes pelos corredores.
Entramos duas portas de madeira e entramos no refeitório, praticamente toda a atenção das pessoas que estavam ali caiu sobre mim, sabia que isso iria acontecer, por eu ser a aluna nova e sobrinha da diretora que ninguém sabia que existia.
Caminhamos até a cantina, escolhi um sanduíche natural com suco de laranja, enquanto Giulia e Tereza pegavam um pedaço grande de pizza cada, com um suco também de laranja. Nos sentamos em uma mesa no canto e começamos a comer, eu não estava com muita fome, tia Maggie tinha feito café da manhã para um batalhão e eu comi mais do que devia, sei que por ter genes de lobos meu metabolismo era um pouco mais acelerado que o normal e eu sempre acabava comendo demais.
Tereza tinha me perguntado de onde eu era quando o cheiro que eu senti na sala de aula impregnou novamente no ambiente, desviei o olhare vi o mesmo garoto sentado com outras pessoas em uma mesa mais a frente, curiosa perguntei as meninas
— Quem são? — Elas seguiram meu olhar e Tereza falou
— É a turminha do Nathan. —
Ela começou a explicar — Aquele ali de olhos azuis é o Dylan, a japonesa é a Lucy, o alto e negro é o Oliver, a garota morena que tá olhando com olhar assassino para a loira aguada da Cindy é a Dafne, irmã do Nathan e o Nathan é o que tá fazendo uma cara de desinteressado.
Nathan. Esse era o nome dele.
— Você conhece eles? — Perguntei.
— Nathan e eu fomos criados praticamente juntos, por nossos pais trabalharem juntos, o pai dele, o Sr. Hale é o prefeito e meu pai trabalha na Câmara da prefeitura, mas desde que entramos para o ensino médio nós nos afastamos e perdemos contato. — Ela explicou.
Notei algumas coisas dessa conversa, a primeira é que Nathan era filho do alfa, que também era o prefeito da cidade, então consequentemente ele seria o próximo alfa, e segundo, estava explicado o cheiro que vinha dele, lobos normalmente tem um cheiro próprio, destacando uns dos outros. O que mais me intrigava era que esse cheiro me lembrava de alguma coisa.
O sinal bateu uma hora depois e as aulas seguiram até 14 hs, que era a hora da saída, tia Maggie me pediu para que eu pudesse esperar ela para irmos almoçar juntas, então depois da última aula me despedi de Tereza e fui para a sala da diretoria, tinha uma mulher sentada na mesa e estava mexendo no computador quando cheguei lá, ela se virou pra mim é falou
— Sua tia pediu para você aguardar um momento, ela está um pouco ocupada. — Ela disse depois de me encarar e depois voltou ao trabalho.
Me sentei em umas das poltronas que tinham ali e esperei, não tinha nada pra fazer e estava sem celular, não tinha trago ele para essa cidade, nem tinha pensado nele na verdade, e era até bom. Me sentia em uma poltrona que tinha ali e fitei o teto, permiti os meus pensamentos voltarem para ele, Nathan. Ele não havia voltado para a sala depois do intervalo e me perguntei o porquê. Fui tirada dos meus pensamentos quando tia Maggie saiu de sua sala.
— Desculpe-me Amélia, mas não vai dar para nós almoçarmos juntas, estou cheia de trabalho aqui. Você poderia ir no Jude, pedir para entregarem o meu almoço e da Cassandra, por favor?
— Eu não sei andar por aqui ainda, não faço ideia de onde fica isso. — Falei e ela me explicou onde ficava o restaurante, ele não ficava longe daqui, apesar de eu ter percebido que tudo nessa cidade fica perto de tudo.
Saí da escola seguindo na direção que minha tia me explicou, no caminho eu vi que tinha um café com algumas pessoas, um supermercado, um correio, um parquinho de crianças e algumas lojas de roupa. A rua estava um pouco movimentada, vi pelo relógio que tinha no parque que já eram quase 15 hrs e estava marcando 19°C, então, apressei o passo para chegar nesse lugar logo.
Cheguei em frente a um lugar com o nome JUDE'S escrito em um letreiro em neon, entrei e ouvi um sininho anunciando minha chegada, o lugar tinha um estilo rústico, todo revestido em madeira escura com várias mesas espalhadas. Me encaminhei para o balcão onde uma mulher na faixa dos 40 anos estava limpando o balcão, me aproximei dela e perguntei
— Onde eu encontro o Jude? — Perguntei a ela.
— Esta falando com ela mesma querida. — Ela levantou o olhar e me encarou surpresa falando logo em seguida — Santa mãe, você é a cara da Marissa! — Ela exclamou. — Sou Judith, eu era amiga da sua mãe, sinto muito pelo que aconteceu. Seu pai era uma pessoa excepcional, conheci ele na faculdade junto com sua mãe.
Esse era um assunto no qual eu ainda não estava preparada para conversar, ainda dói muito saber que eles não estão mais vivos, então mudei de assunto
— Minha tia me pediu para vir aqui e pedir que entreguem o almoço dela e da Cassandra no escola
— Ah claro, vou preparar o almoço delas, e você vai querer o que? — Ela me perguntou, só então percebi que também estava com fome.
— não sei.— Falei, sinceramente não sabia.
— Vou pedir ao meu sobrinho pra te atender enquanto preparo o almoço da sua tia.— Ela disse e saiu gritando
— CALEB! — Um garoto da minha idade apareceu no balcão — Caleb, essa é Amélia, mostre a ela o cardápio e qualquer coisa que ela quiser, coloque na conta da Margarey. — Ele assentiu e ela saiu para a cozinha me deixando com ele.
— Então você é a aluna nova, sobrinha da diretora Morrigan? — Ele perguntou arqueando uma sobrancelha.
— Como sabe? — Perguntei
— Tenho meus métodos, sou Caleb Stevens. — Ele era loiro e tinha olhos azuis celeste, desci o olhar um pouco e vi que ele tinha músculos embaixo da camisa branca do uniforme.
— Sou Amélia, mas acho que você e todo mundo nessa cidade já sabem. — Eu disse e ele riu, mostrando perfeitos dentes brancos e uma covinha na bochecha esquerda.
— Cidade pequena, as notícias correm rápido, ainda mais uma notícia tão interessante quanto você. — Ele disse com um sorriso de lado em um claro flerte, acho que se estivesse em outro momento teria dado chance a ele, mas o cortei perguntando qual era a especialidade da casa — Aqui tem de tudo um pouco, é um bar, lanchonete, restaurante, point para as pessoas que não tem nada pra fazer em casa. — Ele disse apontando para algumas pessoas e então eu reparei em volta, tinha pessoas de todas as idades aqui . — E esse é o cardápio. —
Ele me entregou e olhei as opções, acabei escolhendo um macarrão com molho branco e um suco de laranja.
Caleb foi fazer meu pedido e eu fiquei esperando. Reparei que tinha uma parede cheia de bebidas atrás do balcão, duas moças atendendo e um rapaz fazendo entrega.
Meu pedido chegou pouco tempo depois, comi ali mesmo, o almoço da minha tia e da Cassandra já tinha sido entregue.
Quando estava pra saiindo da lanchonete ,Jude me disse para eu voltar quando quiser, acenei pra ela e para o sobrinho.
Quando abri a porta para sair, dei de cara com Nathan abrindo a porta para entrar, nenhum de nós nos mexemos e fiquei encarando ele por causa da aproximação, ele tinha pintinhas no rosto quase imperceptíveis.
Ele também me encarou de volta com a mesma intensidade, até que seu amigo o empurrou, falando alguma coisa que eu não prestei atenção, dei passagem para eles e saí rapidamente assim que ele entrou.
Já passavam das 15 horas, caminhei um pouco pensando em tudo e ao mesmo tempo em nada. Nem percebi quando cheguei na porta de casa, abri com a chave que tia Maggie me deu na escola, entrei e fui direto para o quarto, não tinha muito o que fazer então resolvi tirar um cochilo.
Acordei com tia Maggie me chamando, que era para eu me arrumar e descer,por que logo o alfa estaria aqui. Fui para o banheiro, tomei um banho para acordar e escolhi uma roupa confortável, não estava aqui para agradar ninguém mesmo.
Desci e encontrei tia Maggie conversando baixo com alguém, assim que perceberam minha chegada pararam de conversar, percebi que Nathan era muito parecido com o pai, cabelos e olhos na mesma tonalidade, mas Derek era um pouco mais moreno que Nathan.
Ele olhava pra mim com um certo interesse, como se estivesse avaliando o que faria comigo. Tia nos chamou para jantar, passamos o jantar todo sem falar nada, quando acabamos a sobremesa ele começou
— Não sei se você sabe, mas eu sou o alfa dessa alcatéia — Ele disse.
— Sei sim. — Respondi.
— Estava conversando com sua tia e sinto muito pelos seus pais, conheci sua mãe e sei quem seu pai era, e que você puxou a dele. — Ele continuou — Até pouco tempo atrás eu pensava que seres da sua raça eram puramente inventados, histórias para crianças, até conhecer seu pai. —
Ele continuou, sua voz era grossa e seca
— Tenho uma proposta para você, se você não falar pra ninguém quem você realmente é, eu deixo você ficar na cidade e fazer parte da alcatéia.
— E porquê isso? — Perguntei achando estranho.
— Minha alcatéia não aceitaria muito bem uma adolescente que é mais forte que a maioria deles, preciso de tempo para que aceitem você. Por isso não vai falar nada com ninguém, e se perguntarem você dirá que é uma simples bruxa da família Morriga.
"Quem ele pensa que é?" Valentina perguntou.
— Ele é o alfa. — Respondi a ela, que não tinha gostado da proposta aparentemente
"Não precisamos de um alfa."
— Sei que não, mas ele pode nos ajudar. — Respondi pra ela.
"E temos mesmo que passar por isso?"
—Infelizmente sim. — Pude ver ela revirando os olhos violeta, resmungando e voltando ao estado que estava, deitada, enrolada com a cabeça baixa, olhando tudo. Valentina é uma loba um tanto arisca, não gosta de ser contrariada, com sua pelagem totalmente branca e olhos violeta, ela se destaca no meio dos outros de nossa espécie.
— Tudo bem, eu aceito sua proposta, mas você tem que me prometer que vai me ajudar a encontrar quem matou meus pais. — Respondi voltando a minha atenção pra eles, tia Maggie fez uma cara de reprovação pra mim e eu fingi que não vi e olhei bem nos olhos dele.
— Fechado.
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