Capítulo 10 parte 1

Amélia

Cheguei em casa pouco tempo depois e fui direto tomar um banho para tirar aquele sangue viscoso e fedorento de mim. Acho que devo ter ficado pelo ao menos uma hora no banheiro para deixar meu cabelo descente novamente.
O lado bom de se tomar banho, é que dá para você pensar em tudo o que fez no dia, e no momento, eu estava me perguntando de onde aquelas criaturas surgiram.

Não haviam sinais de magia negra por perto, minha mãe me falou que dá para diferenciar quando se usa magia negra, a natureza avisa quando alguma coisa está errada e da o seu jeito de avisar, como pássaros em uma revoada ou outra coisa do tipo.
Eu não sei o que pensar, aquelas criaturas foram diretamente aonde nós estávamos, não atacaram mais ninguém na praça da cafeteria, nao fizeram barulho, elas simplesmente apareceram do nada, como se elas fossem invocadas naquele momento.

Depois de finalmente limpa e apresentável saí do banheiro e procurei uma roupa confortável para vestir por causa do meu ferimento que não estava nada bonito. Não me lembro bem de quando fui ferida, acho que foi quando eu pulei em cima dele, minha adrenalina naquele momento era tanta que não senti nada, só queria arrancar a cabeça dele fora. Coloquei uma calça de moletom e uma blusa de manga, como não tinha nada para fazer achei melhor descansar um pouco antes que o Derek chegasse aqui querendo explicações, tranquei a porta da sala e subi para o meu quarto, verifiquei a janela atrás de algum movimento suspeito na floresta, não vi nada de diferente então fui me deitar,
adormeci praticamente no momento em que deitei minha cabeça no travesseiro.

Acordei um tempo depois com pessoas falando no meu quarto, reconheci as vozes que eram da tia Maggie e do alfa Derek, eles falavam meio distante e eu não consegui entender direito.

— Por que ela não acorda? — Derek perguntou.

— Eu não sei, cheguei agora pouco e chamei ela, mas ela simplesmente não acorda. Aí liguei para você. — Tia Maggie disse um tanto preocupada. Tentei me levantar mas não consegui, meu corpo parecia que pesava uma tonelada. — Você pode me dizer o que aconteceu lá? — Ela perguntou.

— Uma garota que eu tenho quase certeza que é uma bruxa, apareceu no escritório da prefeitura falando que tinham duas criaturas atacando o pátio da cafeteria e que mandaram buscar ajuda, eu achei muito estranho para começo de conversa porque a barreira mágica que você implementou nos limites da cidade não avisou que tinha um intruso e nem nada, mas o meu filho, Nathan, saiu correndo com seu amigo Dylan e eu fui atrás, quando chegamos lá vimos um lobo branco lutando contra duas criaturas que eu nunca vi na vida, reconheci sua sobrinha imediatamente pela coloração do pelo, esperei até o final para ver se eu precisaria intervir, mas como sabemos ela é forte. Depois que a luta acabou nós tivemos um pequeno desentendimento, o gênio da loba dela é terrível e eu a mandei pra casa para cuidar do ferimento depois de mostrar quem é que manda. — Ele disse todo cheio de si, tentei me levantar de novo,
mas novamente eu não consegui. O que está acontecendo comigo?

— Que ferimento? — Tia Maggie perguntou.

— Um no lado esquerdo do abdômen, não dava para ver direito, mas acho que era um corte profundo. — Derek disse a ela.

Ouvi sons do saltos de minha tia se aproximando de mim, senti quando ela levantou o edredom e logo depois a minha blusa no lado esquerdo.

— Meu Deus! — Tia Maggie disse em sussurro.

— Isso tá feio, mas não deveria estar curado? — Derek perguntou.

— Sim, deveria. — Disse tia Maggie abaixando minha blusa e me tampando de novo. — Como ela foi ferida? E por quem? — Ela perguntou a ele.

— Não sei, por isso vim aqui, esperava que ela me dissesse. — Ele disse.

— Sem eu saber o que a atacou, não tem como eu a ajudar Derek. — Ela disse a ele. — Você disse que uma garota foi te chamar, quem era? — Tia Maggie perguntou.

— Não sei. Morena, baixa, olhos azuis. Eu não prestei muita atenção, só sei que ela não é uma lobisomem. Tinha uma ruiva quando chegamos no local também, mas também não prestei muita atenção nela. — Ele respondeu.

— São a Giulia e a Tereza, elas andam sempre juntas e pelo o que eu pude perceber elas fizeram amizade com a Amélia. — minha tia disse. Ouvi o som dos saltos dela se afastando e ela falou — Fique aqui, vou atrás delas para saber o que aconteceu.

— Fica você, ela é sua sobrinha, eu mando buscar as meninas. Depois eu volto para saber como ela está. — Ele disse e logo depois ouvi o som da porta se batendo.

— O que eu posso fazer para te ajudar Amélia? — Ela perguntou. Senti um lado da cama se afundar e uma mão passando pelo meu cabelo em forma de carinho, com isso eu perdi meu consciente novamente e adormeci.

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Não sei que horas eram quando eu despertei e de novo não conseguia me mover, parecia que eu estava presa na cama e não conseguia mover um músculo. A porta do quarto foi aberta e ouvi sons de passos, uma pessoa puxou uma cadeira e se sentou perto da cama, pelo cheiro de rosas sabia que era a Tereza.

— Como isso aconteceu? — Ela perguntou pegando a minha mão.

— Espero que você me diga isso, você estava com ela quando foram atacadas. O que aconteceu lá? — Tia Maggie perguntou a ela.

— Eu não sei direito. Estávamos sentadas tomando café e conversando quando uma daquelas criaturas apareceu atrás dela na entrada do pátio, a Amélia falou para correr e eu não esperei muito, fui atrás dela, aí ela falou pra Giu ir atrás de ajuda e quando eles atacaram ela se transformou e me pediu pra ficar escondida. Queria ter feito alguma coisa para ajudar. — A Tess disse dando uma fungada de nariz. Queria dizer que não foi culpa dela e que eu faria isso de novo de qualquer jeito.

— Não foi culpa sua Tereza, tenho quase certeza que ela enfrentaria essas criaturas de novo para proteger seus amigos. — Minha tia disse a ela chegando mais perto de mim, ela levantou minha blusa novamente no lado do ferimento. — Parece que o fator de cura dela não foi acionado e eu não entendo muito sobre lobisomens, vou precisar da sua ajuda Tereza. — Ela disse.

— Claro, conte comigo para o que precisar. — Ela disse sem hesitar.

— Sua avó tinha um grimório rico em feitiços poderosos, mas a especialidade dela eram os feitiços para cura, ela sempre misturava os feitiços com ervas curandeiras que davam mais poder a eles, preciso que você me traga esse grimório Tereza, sei que você era pupila dela, então não vai precisar passar pela matriarca da sua família. — minha tia explicou a ela, senti minha mão sendo colocada na cama novamente e ouvi Tereza se levantando.

— Tudo bem, volto em meia hora com todos os grimórios da minha vó. — Ela disse e saiu porta a fora.

Ouvi um baque de alguém se sentando na cadeira a meu lado e senti uma mão sendo entrelassada a minha. — Eu não sei se você consegue me ouvir Amélia, mas preciso que você acorde ou de algum sinal de que vai acordar, você precisa me ajudar daí de dentro, eu não sei porque você não está se curando e preciso que você inicie o processo de cura para controlar a infecção daqui com a magia, mas você tem que tentar primeiro, consegue? —Ela me perguntou.

Eu não estava me curando?

— Valentina? — Chamei e não obtive resposta.

— Valentina! — Chamei outra vez em pensamento e não ouve respostas.

Quando eu chamo e ela não responde, é porque ela está descansando, então fui atrás dela. Nós temos um subconsciente onde nós duas enteragimos, é onde eu fico quando ela assume o controle na transformação, é como se fosse o quarto dela. Quando cheguei lá vi ela enrolada em cima de uma cama gigante dormindo, cheguei mais perto dela chamando-a.

— Valentina...? — Ela ergueu a cabeça e os olhos e eles estavam sem o brilho atual deles. — O que aconteceu? — Perguntei preocupada com ela.

"Não parece, mas o ferimento daquele maldito foi profundo demais e eu não consigo nos curar,  parece que tem alguém coisa impedindo, no momento estou tentando manter nós duas vivas enquanto sua tia não acha um jeito de nos ajudar."

— Ela falou que eu tenho que acionar o fator de cura para que ela possa nos ajudar. — Eu disse. Ela colocou a cabeça em cima das patas dianteiras descansando.

"Se eu começar o processo de cura não vou conseguir manter você acordada e vai parecer que você está piorando do lado de fora."

— Faça o que você tiver de fazer Valentina, eu ficarei bem, o importante é nós duas sairmos dessa juntas. — Disse acariciando seu pelo macio.

"Tudo bem, mas temo que não vou conseguir fazer isso sozinha, vou precisar de ajuda."

Ela disse olhando dentro dos meus olhos e eu sabia o que ela queria dizer, dei um suspiro e disse.

— Faça o que tiver de fazer Valentina.

Ela assentiu com a cabeça e eu fui para o meu lado do subconsciente e me preparei para o que vier, a última coisa que senti foi a mão da tia Maggie apertando a minha ainda, depois disso foi só escuridão aonde eu dormi novamente.


Oieee pessoal, como vocês estão?
Vim aqui dizer que chegamos aos 2k de visualizações 😱😱😍
Fico muito agradecida porque o mérito é todo dês vocês
E para comemorar eu dividi o capítulo em 2, ou seja, amanhã também vai ter capítulo u.u
Então até amanhã e comentem o que vocês estão achando da história, vai me ajudar muito. 😘😘

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