Capítulo 16 - Confissões
A contragosto, Paul teve que levantar para fazer as rondas pelo território. E mesmo que tentasse deixar Joy dormindo, a ninfa acabou despertando com a movimentação do lobo.
— Você já vai?
— Infelizmente. Mas você não vai ficar desprotegida, a Clearwater deve aparecer em qualquer momento.
— Sabe que isso não é necessário — retrucou a jovem, sentando na cama e segurando o lençol em seu tronco com os braços cruzados — Posso cuidar de mim mesma.
— Sei disso, mas ela vai te fazer companhia. E não vai ser algo difícil para ela também, já que a Leah detesta ficar perto do Sam.
Joy concordou, lembrando do drama que cercava todos a partir do momento que a Clearwater se tornou parte da matilha, e ainda tinha acesso aos pensamentos do Sam.
Talvez a companhia da ninfa pudesse ajudar a mulher a ter um pouco de alívio mental, e ela já sabia como.
— Se cuida — Paul deu um leve selinho na garota antes de sair, mas não sem antes voltar e dizer: — Volto antes que sinta saudades.
— Está mais fácil você sentir minha falta — provocou a garota e Paul sabia que ela estava certa.
Mas não falaria aquilo em voz alta.
— Até logo.
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A primeira coisa que Leah Clearwater notou assim que atravessou a porta foi o aroma do chá e de biscoitos, mas não iguais havia na casa de sua prima, era um cheiro mais convidativo que lhe submeteu a infância.
Na cozinha, ela viu Joy de costas com os cabelos trançados e usando um macacão jeans claro com uma blusa verde por baixo, os pés descalços enquanto cantava com uma voz aveludada.
— Quando a lua mostra o seu clarão, os pássaros vão dormir. Cada poste ascende seu lampião, as fadas vão sair. Elas dão as mãos pra cantar sua sutil canção. Quando a primavera traz seu tom, as fadas perto estão.
Assim que se virou, Joy abriu um sorriso iluminado que até mesmo contagiou a loba de algum modo.
— Oi! Está aí já tem muito tempo?
— Acabei de chegar, não quis interromper a cantoria. Você tem uma linda voz.
— Obrigada! Aceita um chá? Biscoitos?
— Ah não, obrigado — mas a opinião de Leah mudou assim que viu a ninfa perder um pouco do brilho no olhar — Quer dizer… aceito uma xícara.
Ajeitando a mesa do melhor modo, uma xícara foi servida e logo no primeiro gole, Leah sentiu-se como se estivesse aquecida por dentro. Mas não pelo líquido, mas pelo gesto que Joy lhe oferecia.
Ternura e calmaria.
E isso fez com que a jovem começasse a chorar.
Joy não falou nada porque sabia que a Clearwater teria essa reação, afinal era o propósito do chá deixar que sentimentos ruins e agonias fossem colocadas para fora.
— Eu me sinto cansada, Joy. Cansada! — desabafou a Clearwater — E eu fui jogada em um mundo que pensei ser de lendas. E tem o Sam…o luto que não vivi e…
— Shhhh — Joy consolou a garota, abraçando a loba enquanto o corpo de Leah tremia em seus braços, como se todas suas barreiras estivessem por um fio — Calma, pode colocar tudo para fora, mas se acalme.
— Eu só cansei de ser forte e tentar parecer durona. Cansei.
A ninfa deixou que a Clearwater chorasse em seu colo, fazendo com que a muralha pudesse desmoronar por algum tempo em segurança.
Ambas não contaram o tempo do momento que ficaram neste estado, e quando Leah se sentiu melhor, olhou para a ninfa.
— Não conte a ninguém sobre o que ocorreu aqui, por favor.
— Não contarei. Seu segredo está seguro comigo, e eu sou uma boa ouvinte Leah — segurando a mão da garota, ela continuou: — Posso te ajudar e ser sua amiga nessa confusão.
O aroma do chá e o calor acolhedor fez com que a Clearwater sentisse que estava em um local seguro, que poderia abaixar as armas que tanto apontava para os outros.
— Quando meu pai morreu, a notícia caiu como uma bomba para mim. Para todos, na verdade — começou a loba — Uma hora ele tava bem, depois… eu o perdi. E enquanto estava no momento do meu luto, virei loba. Eu já estava despedaçada por perder o Sam da maneira que tudo acabou, tão repentinamente, ele era meu primeiro amor, Joy. Com a morte do meu pai, senti que me tornei um nada, mas não tive tempo de processar tudo porque estou convivendo com algo que acha impossível existir, e… eu sinto minha ferida aberta.
Parando e bebendo um pouco do chá, Leah continuou:
— E eu fico pensando em como quebrar isso. Fico pensando se terei a sorte de ter um imprinting um dia, ou se serei o que era antes, Joy. Porque eu era viva, mas agora sinto que somente sobrevivo e transformo minha raiva nas transformações. Não sei se terei cores em minha vida novamente.
Joy escutou tudo em silêncio e secou uma lágrima singela que escorria em sua bochecha.
— Você irá se curar um dia. Com um imprinting que será melhor do que você supõe ou observa, porque será somente o seu imprinting. E você vai ter cores além do que imagina, mas não chore. Seu pai não iria querer te ver sofrendo desse jeito. E o fato de se transformar em loba é uma dádiva, quantas mulheres quileutes tiveram esse privilégio? — e com a pergunta retórica, Joy completou: — Você é única Leah Clearwater. E especial.
Um sorriso mínimo foi visto nos lábios da garota.
— Paul tinha razão sobre você — Leah comentou — Você realmente acaba trazendo uma alegria para a vida da gente, de alguma forma.
— Eu tento — Joy sorri — E você? Vai na fogueira que vai ter?
— Tenho escolha? Minha primeira fogueira, é um rito de passagem e todo um blablabla. Espero que seja legal, pelo menos.
— Eu gosto, é bom ouvir aqueles que tem sabedoria.
— Você está sabendo que o Jacob quer levar a filha do xerife na fogueira?
— A Bella? Como assim? Por que?
— Ele acha que, por ela ter ligação com sanguessugas, merece saber também o outro lado da história. Mas a realidade é que ele quer uma chance de ficar com ela, ou fazê-la mudar de ideia.
— Jacob irá sofrer se continuar assim, porque é claro que ela ama o Edward Cullen.
— Só o Jacob que não vê — concluiu Leah, servindo mais um pouco do chá — Mas você sabia que isso tudo começou antes dele virar lobo, quase que na infância?
— Não sabia! Como assim?
A conversa entre as duas fluiu naturalmente e ali foi um começo não apenas de uma nova amizade, mas também de uma nova chance de ter bases mais sólidas para se curar.
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Nota da autora: Hey pessoal, como estão?
Mais um capítulo dessa vez com um foco mais na Leah e na Joy, mostrando que nossa Clearwater também tem suas fraquezas. E não foi à toa, queria convidar vocês para lerem "All the Girls You Loved Before" cuja Leah é a protagonista!
Me digam o que acharam! Quero saber de tudo, principalmente agora que a fanfic está na reta final.
Até o próximo! 💚
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