Capítulo 7 👑

⚠Atenção . Esta história contém cenas de sexo e violência, o que não são indicadas para menores de 18 anos🔞. Não é permitido nenhum tipo de plágio. Não se esqueçam de votar, comentar e partilhar!
Boa leitura.

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Estremeço por baixo da água morna e demoro muito enquanto ensaio com a ponta dos dedos uma linha curva na vidraça fumegante. Acontece que por anos, enfrentei qualquer medo ou outra emoção forte dentro da casa de banho, por mais fortes que elas surgissem. A casa de Jenny aonde eu vivi durante 10 anos possuía uma casa de banho pequena, usada apenas para o banho, as crianças decidiam sempre mijar no quintal aberto e eu ficava sentada nas escadas para o portão de trás observando -os entediada como um dia na praia com chuva intensa. A mãe delas — Jenny— passava o dia ao telefone e num dos dias ela encaminhou -se até mim, com as faces coradas e disse -me empurrando uma foto:" falei com a tua mãe. Imagina, ela já fala até alemão. Essa é a tua irmã. Deve ter 3 anos. Tem carinha de estrangeiro mesmo. Uma peninha não é? Quem sabe um dia ela te manda buscar". Ela dizia isso e eu apenas assentia a pedir silenciosamente que desaparecesse para a sua cozinha e fofocasse mais. Minha mãe mandara uma foto da minha irmãzinha. Era branca, diferente de mim e de meus irmãos. Nunca soubera o nome dela. Nem falei com ela alguma vez pelo telefone. Pelo menos através da fofoquice ficara a saber que meus irmãos tinham fugido de casa. Nem sei se ela alguma vez importou-se com isso.

一 Estou pronta 一 entro no quarto e encontro Harry com um de meus livros nas mãos e ele levanta o olhar para sorrir um pouco. Pelo menos amortece um pouco minha ansiedade e nos conduz para um constrangimento decente que certamente teríamos que passar naquele instante.

一 Certo, eu espero- te lá fora 一 Com um aceno de cabeça e poucos passos, está fora de meu quarto. Tenho um bloqueio total por um minuto enquanto olho para sua nuca branca, um pequeno estremecimento nas extremidades e escuto a risada de Maya, como se ela viesse de outra dimensão. Sinto-me fechada dentro de um copo. Viro tão depressa quanto posso para pegar a minha bolsa com meus pertences e alcanço a porta, deixando a escuridão que faz cócegas para trás. Fecho a porta como se evitasse que ela saísse e estudo Maya e o Harry na porta de saída, um em frente ao outro, encarando-se. Maya inclina a cabeça em um ângulo dramático por cima de um ombro e observa -me sorridente. Eles devem ter conversado algo bem breve, a expressão do Harry demonstra um volume exagerado de informações à mostra e a comichão aumenta. Maya está assumir o controlo de novo.

— Divirtam-se — Escuto um ruído no lugar de sua voz e sei que em poucos instantes, terei uma nova crise, no meio da sala, se permanecer ali. Meu estômago sobe até minha boca e vejo-me caminhando para o corredor, longe de qualquer estímulo ruim. Harry está a poucos passos de mim, e agradeço por ele respeitar meu silêncio.

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Ele tinha escolhido um restaurante italiano bem no centro da cidade, que nos proporcionasse o nosso tempo sozinhos, no andar de cima, onde já estava reservado. O grande salão ilustre é ocupado com imensas estantes de prateleiras largas de madeira, distribuídas com tapeçarias de vários modelos, desde cordel a linhos, dispostos em suportes moldados em formatos garrafais. O resto do salão, com um teto alto e curvo, é simples. Tal e qual estar em um museu cultural. Sentamo-nos perto da clareira gigante e solicito uma refeição leve pra meu estômago irritado e Harry não comenta nada até o instante que seu olhar cai sobre mim.

— Se o teu pai soubesse que eu te deixei ficar nessa situação, ele iria matar-me — Arregalo os olhos e encontro-me com os dele. Sua face bela está entretida para me estudar, sobrancelhas juntas e a expressão pensativa.

— Estou bem.

Há uma longa pausa, como se visse também a distância entre nós a aumentar, e as entradas arrefecendo-se entre nossos corpos e fôlegos, e estar acompanhados por apenas duas mesas cheias de clientes era mais que suficiente para nós. Cruzo os dedos, uns em cima dos outros, e começo a refletir quais as respostas que darei para ele mais para a frente.

— Tão interessante que parece que eu já vi tudo isso acontecer uma vez. Como se estivéssemos a reviver de novo. — Decido ficar em silêncio, não respondendo a o que quer que ele tenha em mente. Ele já parece entretido com a conversa que começou. — Mas há algo aqui que... sei lá, não pareces a mesma. Podemos falar sobre isso?

Uma mulher alta passa por trás de nossa mesa, de olhos fixos no Harry absorta com o semblante e a voz dele, e diferente do que já vi antes, desta ele olha para ela. Mas nem parece encantar-se tanto. E eu quase que engasgo com minha saliva, ele mal olha para ela. Como se estivesse bem entediado. Ele já parece enjoado com as mulheres a sua volta.

Partilhamos um momento constrangedor e permanecemos apenas alguns segundos em silêncio, meu olhar vai além dele para a mulher que o encarava antes, agora sentada numa quarta mesa, sozinha. Ela digita no telemóvel e em seguida levanta o olhar até a nuca de Harry, e em certo momento fixa o olhar tanto que penso perder- se no próprio transe. Ela parece inclinar em uma decisão. Ao mesmo tempo, isso revela-me muito estranho. Estremeço e cruzo as mãos sobre o colo e desvio o olhar até o Harry que sorri gentil, mal sabendo daquilo que se passa na minha cabeça.

Não demora muito para o jantar chegar na nossa mesa, com um aspeto delicioso e fumegante. Meus dedos roçam o copo de vinho que pedi para mim e ouço o Harry pigarrear. Prefiro nem voltar a falar do assunto anterior. Poderíamos falar da caça ao perú, que anda cada vez mais violenta.

— Tudo bem aí? — Eu sorrio em resposta e deslizo a mão para finalmente pegar o garfo e agarro-a com destreza — não fiques tão constrangida, Jane. Olha, precisas de algum lugar mais seguro para ficares?

Ele deve ter pensado na casa de meu pai, uma hora de carro até ali, mas parece ótimo para mim. Seguro para mim. Seguro de mim. Encaro-o sem palavras.

— Já sei que o teu problema é com o pagamento da renda do apartamento, mas tu sabes que podes contar comigo para o que precisares. Talvez aches que a casa do teu pai é um tanto distante e não te fica bem.

— Eu agradeço.

Ele deve ter ficado aliviado em ouvir minhas primeiras palavras. Ao mesmo tempo, elas soam cortantes para o momento.

— Nós não somos estranhos. Olha... — Ele remexe o garfo em sua comida, ajeitando o arroz, e espalhando o molho por cima do bife que parece uma ilha — Teu pai chegou a dizer-me que uma vez tiveste um acidente. É... tu lembras de alguma coisa? Consegues sentir alguma coisa?

Ééeé...

— Quando eras uma menininha. Ele falou disso. Estávamos falando sobre outro assunto, do nada ele entrou na conversa.

Ele fica em um silêncio absoluto e continua remexendo no bife e vejo sangue saindo dele, a cor vermelha demais chama à minha atenção mais que devia.

— Não — digo de uma vez e vejo o pequeno espanto em seu olhar, ele deveria estar a espera de um relato de como acontecera. Mas eu sei que não falarei nada. — Não houve. Ele deve ter confundido.

Ele limpa a garganta em vez de responder e segura o copo de seu vinho para dar um gole. Meu pai não soube de nada de minha vida. O homem que saiu de minha vida quando eu tinha 10 anos porque achara que não poderia cuidar dos filhos sem que a esposa estivesse presente. Harry abaixa o copo e balança com a cabeça como se concordasse com meus pensamentos. E olho para suas sobrancelhas grossas, escuras, sua pele lisa e sedosa, sinto o seu cheiro de meu lugar e até ouço quando ele engole, por mais que tente ser delicado. Ele está ali, como a fonte de minha felicidade. Nada mais importa.

No dia do enterro do meu pai, virei o rosto para encarar todo o pessoal que se amontoava em grupinhos minúsculos, e me encaravam de braços cruzados. A única pessoa que realmente reconheci fora a senhora que sempre fazia a limpeza no apartamento dele. Eu quis conhecer o meu pai mais vezes, mas ele era uma pessoa ocupada demais. Ganhava bem, fazia horas extras e em momentos até saía para fora da cidade ou do país. Mas eu e ele sentávamos na sua sala, aconchegantes no nosso silêncio, sem saber as palavras exatas para se dizer ao outro, até que ele ligava a sua rádio e desaparecia na cozinha. Nunca falávamos da minha mãe. Os garotos eram mencionados uma vez ou outra, dos momentos da audácia do Zack, do jeito desengonçado do Liam e da timidez do Eddie, que faz com que sejamos muito parecidos. Eles saíram de casa quando o Eddie tinha onze anos, e eu oito. Em uma tardinha de ação de graças, depois de eu e Eddie comermos grande parte do bolo de amêndoas.

O meu pai não quis saber como eles saíram. Senti triste por isso, mesmo que Zack já tivesse 19 anos na altura, eles não foram responsáveis. Só espero que eles estejam bem. Nutri novas sensações apenas em um dia que eu e ele sentamos realmente a conversar, ele nem ligou o rádio. Apenas uma chamada interrompera a nossa conversa e ele desceu para a base do prédio, me dizendo algo antes de abrir a porta, afiando- me a curiosidade. Ele nunca fora um bom pai para mim. Disso eu sei. Ele foi uma causa para tudo. 

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