Capítulo 36 👑
⚠Atenção . Esta história contém cenas de sexo e violência, o que não são indicadas para menores de 18 anos🔞. Não é permitido nenhum tipo de plágio. Não se esqueçam de votar, comentar e partilhar!
Boa leitura.
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Meu irmão chegou a dizer-me que tudo o que penso que as pessoas fazem para mim vem denominado do amor que elas sentem por mim. E ele tem razão. Talvez elas nem se preocupem em esconder isso de mim, uma forma que pensei. Desde criança que imaginei algo assim. Que aquele mau feitio que eles têm, eu conseguia ver tudo distorcido. Uma criança poderia emprestar-me um lápis e eu pensar que fosse amor, um irmão me contasse uma piada, eu pensasse que fosse um gesto de afeto, um namorado me violasse no meio da noite, pensasse ser amor, um homem me pedisse em casamento, pensasse ser amor. Nada disso era amor? Notei isso muito tarde. As coisas estão ficando mais claras para mim.
Rui chegou a dizer-me uma vez que eu ficaria feliz em conhecer a Vanessa um pouco mais, uma menina quieta e doce assim como eu. Ela era mais pacífica que os irmãos, e com toda a certeza que seríamos grandes amigas. São suas palavras. Ele parecia tão afinco nessa ideia que mais de uma vez comentou isso, na frente do Harry, que chegou a encara-lo com o canto do olhar, e não respondeu. Era normal que sentisse saudades da filha, da qual não tinha mais permissões de ver, e as regras estavam mudando, e em pouco tempo, Vanessa poderia ser mais livre para ver quem quisesse. Mesmo que a mãe continuasse a mando de todos seus direitos.
Foi uma confusão que aconteceu quando cheguei uma vez do trabalho e Rui já estava na porta do apartamento a minha espera, e não do Harry, e entramos em silêncio quando notei que ele parecia contente. Contou-me depois de minutos que tinha conversado por horas com a filha pelo telefone e cheguei a excitar-me ao ver aquele homem tão alegre assim, sorrindo como um pai bobo e imaginei que um dia Harry também ficaria assim por minha culpa ou do nosso filho. Eu sabia que isso não tardaria a acontecer, ele já tinha aceitado por fim o que estava por vir em nosso casamento. No meio de minha excitação com as palavras de Rui, não notei quando ele parou de falar e veio para cima de mim a fim de beijar-me. Ele quis ser rápido mas enfiei uma mão entre nossos rostos e com força extra consegui empurra-lo centímetros de mim. Mas nossos lábios tinham tocado por uns segundos. O gesto já tinha provocado efeito.
— Achei que tu... — Ele ficou em silêncio, olhando para mim e os ombros encolhidos. A expressão de troça estava lá no momento, rápido como um sinal. Ele formou um sorriso fechado largo e cruzou os braços olhando para o chão. Queres trair o Harry como traíste ao pai dele? Foi essa questão que me surgiu pela cabeça no instante que ele já saía pela porta como se não quisesse encontrar com Harry na saída. Duas horas depois, eu tenho o acidente na estrada.
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Está de manhã, Harry anda às pressas pelo apartamento, como se estivesse procurando algo e quando suas mãos enfiam-se involuntariamente dentro dos bolsos do macacão azul-escuro, ele puxa uma delas com fúria como se tivesse queimado e algo vem na palma de sua mão. As chaves do carro. Em seguida olha para mim, como se fosse uma plateia que não devia estar lá no momento e encara-me intenso. As íris verde-claras mudando para uma cor mais escura e a expressão ficando brava e ativa. E algo pequeno contorce dentro de mim esvaindo quando ele decide ignorar e mudar sua trajetória para a cozinha e ficar ali procurando algo mais, ou fingindo faze-lo. Eu abaixo as mãos vazias e começo a abana-las, pensando na possibilidade fria de ficar sozinha a manhã toda e boa parte da tarde. Uma das alças da minha blusa do pijama cai e a figura alta surge pela porta da cozinha como se estivesse sendo atraída e nossos olhares outra vez se encontram. O monte em frente de suas calças já está ali e sei que ele se distrai para que não fique mais ereto. De propósito, abaixo a outra alça da blusa e ela cai pela linha de meu umbigo revelando meus seios. Agora importo-me que ele salive feliz. Os cabelos escuros encaracolados estão bagunçados e quero amassa-los mais.
Precisamos de mais tempo, e precisamos de estar juntos, até que esta fase passe. Pediria que ele não fosse trabalhar e que ficasse fechado comigo no apartamento o dia inteiro. Enfim, ele aproxima-se de mim com passadas ágeis e sua mão agarra minha nuca puxando minha cabeça para a frente e beijando-me intensamente e a outra mão ocupa-se de meus seios e apertando-os fazendo-me perder gemidos deleitosos e seguro em seus braços. Ele aperta-me contra a parede e relembro-me de tudo e algo mais nele. Seu cheiro, seu gosto e o som de seus gemidos nos meus ouvidos, a braveza com que me toca e enfia os dedos em qualquer curva de minha pele. Estou aqui com ele e penso em já retirar seu macacão e sua boca desce para meu pescoço e solto um sorriso em silêncio. Dois dedos apertam um mamilo e ele suga com fúria meu pescoço e tento enfiar uma mão no seu macacão, porém ele aperta-me com mais força ainda, sua figura alta e forte por cima de mim.
Palavras fortes estão em minha cabeça, provenientes de uma chamada que acontecera hora antes de sair do apartamento para o acidente. Eu já tinha tomado minha decisão e iríamos melhorar. Nosso casamento iria melhorar. Assim que Jimmy nascesse, tudo passaria. Nós nos perdoaríamos. Ele amaria o filho. E deixaria de fazer aquilo que saía para fazer logo depois do trabalho. Sempre alguém intervia. Ele descia de sua bicicleta para entrar no carro da patroa. A outra mulher que ficara obcecada com ele. Pelas minhas contas, aquilo durara cerca de quatro a cinco meses. Eu fingia que tudo estava bem. E ela sempre ligava para o telemóvel dele. Eu sei que fiz algo contra ela. Harry estava furioso comigo e disse que por pouco ela não teria ligado à polícia. Ele teve que implorar para ela não o fazer. Sei que ela fizera alguma coisa. Sentia a raiva que irradiava de entre nós. Jimmy também sofria. E Harry não queria dar atenção ao nosso filho. " Nem penses levar este dinheiro ao teu irmão!" Ele dissera isso, furioso. Impedi-me de gritar de volta. Zack liga-me uma hora antes de nosso encontro marcado. " Eu precisava mesmo contar-te isto. O teu marido está constantemente a trair- te. Chegamos a sair uma vez".
Aquilo faz um eco na minha cabeça. Indo, voltando, indo e regressando. Harry e meu irmão. Uma verdade perdida entre minhas memórias perdidas. Ouço risadas fora do apartamento e Harry solta-me dando um passo atrás, olha na minha direção como se estivesse confuso com algo. Encaro seu rosto. Estudando cada mentira presente. Cada ação. Com meu irmão. Eles foram longe demais. Sinto-me inebriada como se sua boca ainda estivesse em mim mas a meio passo sua expressão é mais alarmante. Eu paro e percebo que tenho a boca aberta e estou arquejando, como se estivesse trabalhando um movimento sério de verdade. E ele parece mesmo preocupado. Não sei o que sente ou pensa, mas deduzo ser algo ruim, aquela face derrubada pela incerteza, perdendo uma parte de sua cor original, e os lábios crispando e o corpo perdendo todo o tesão. A ereção se foi.
— Porque estás a rir... assim? — Balanço a cabeça, começando a ficar confusa e quase de imediato sentindo esse olhar discriminador sobre mim, subo minha blusa tapando-me toda. Eu estava a rir? É isso? Estava a ouvir a mim mesma a rir e não vinha do lado de fora. Estou prestes a ter uma crise psicótica. Elas voltam fortes com as recordações e não tenho controlo. Estou desesperada sem ação. Não era ninguém a não ser eu, não? Sinto meu corpo pesado, a vista um pouco turva. Ela está de volta, tomando meus movimentos. Balanço a cabeça outra vez e sinto-me um pouco tonta. Sinto outra vez a vontade de rir e não sei porquê. Estaria outra vez a fazer algo e pensando ser outra pessoa? Na noite anterior fiquei ali confusa e séria enquanto ele pesquisava até tarde no computador. Com certeza o motivo pelo qual eu teria vestido aquela boneca duas vezes e confiado a mim mesma que teria sido o Rui. O que mais eu andava fazendo que não consigo sequer lembrar-me? Pensei que Rui queria enlouquecer-me há semanas. Desde aquele beijo raspão. Harry solta um suspiro pesado e eu cruzo meus braços por cima do abdómen, que uma vez estivera cheio. Ele move-se e fala baixo:
— Talvez não seja boa ideia deixar-te em casa sozinha.
Enfim, eu não respondo. Era como uma vez que minha mãe tinha brigado comigo e meu pai estava atarefado naquele bar com os bêbados e ele chegava em casa sempre fedendo a fritos e fumo, e não me deixava chegar tão perto. Eu sempre fazia algo, que fosse errado ou não, ficava em silêncio. Cortei-me com o corta unhas dela e meu dedinho indicador sangrava muito, eu não sentia tanta dor e vontade chorar como via muitas crianças fazerem na minha escola. Ela apertou-me a mão inteira e senti dor de verdade. Da raiva que ela tinha. Ou da vontade de me abandonar naquele momento.
Harry não me abandona por algo. Talvez ele o faça um dia, pelo menos sei que desta vez não é por amor. Se é algo tenha sido por isso. Não tenho como referir. Na verdade, minhas lembranças não voltaram todas como eu pensei. Quis deitar e sonhar outra vez, deixar aquela fumaceira me mostrar mais. Afinal Harry quem vai enlouquecer-me de verdade.
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Realmente eu podia estar deixando algum ponto escapar, alguma lembrança para trás, qualquer dado importante que trouxesse algum significado. Será que comecei a ter esses descuidos logo após o acidente ou foi um bocado antes? No momento antes de me encontrar com meu irmão? Ou algo aconteceu antes disso tudo? Ouço Harry mexer em algo dentro do nosso quarto e cruzo e descruzo os dedos, parada perto do vão da porta da cozinha, e músicas aleatórias tocam na televisão e não me interesso por nenhuma delas. Talvez o Harry saiba de algo. Ele saiba a razão por isto tudo estar a acontecer comigo, ou melhor, com os dois. Cheguei a acusar o Rui por mexer nas coisas de meu filho e eu que não parava ultimamente de entrar e sair do quarto dele. Abaixo as mãos e esfrego os polegares na minha calça moletom, coçando ligeiras comichões nas pontas até arder e adoro a sensação. Eu quero de alguma forma acusar alguém. Necessito disso. Eu sei que a sensação está lá. Quente e resfolegante como uma víscera ao fogo, viva e vibrante e sei que ela existe. Aquela sensação que eu odiei o Harry antes do acidente e ele odiou- me o bastante também. Agora sinto apenas o desespero. Em fazer algo urgente.
Nas primeiras semanas na pequena cidade de Louisiana, o primeiro dia quando começo a trabalhar no restaurante do hotel ou residência mais privilegiada da cidade e Harry comentou algo como, " de longe que ela era como a pior de outras cidades", mas diferente de qualquer coisa que eu visse no bar onde antes estive ocupada por mais de um ano. Uma cidade pequena, se via em qualquer rua que os negócios não eram todos completos, falta muito para se viver daquele pequeno luxo que eu já estava acostumada. Afinal, Harry escolheu viver em uma cidade barata como essas e ainda eu não tinha uma razão concreta que o levasse a fazer isso. Os clientes ocupavam as mesas mais para se falarem e você voltava ao menos uma meia dúzia de vezes para saber se eles já teriam escolhido sua ementa. Em média eles poderiam ficar ali uma hora, apenas conversando. Um de meus colegas disse-me que as pessoas ali faziam isso há anos. Eram turistas e novos moradores que não paparicavam tanto. Eu concordei com ela, como se fosse algo fácil de aceitar. Que sentar por um bom tempo, ficar ali a espera que eles decidissem me fazia vontade de voltar para casa e dormir. Com o avanço da gravidez, fui ficando cada vez mais cansada e aquilo não mudava e era angustiante. Comecei a notar que eram sempre os mesmos clientes. Cheguei a decorar o nome de muitos deles em algumas semanas. Eles que só falavam entre si. Desejar um bom dia já estava mais que suficiente ao funcionário. Depois vinha a questão do salário que me fazia vontade de chorar. Eu queria voltar a Universidade, e ali só tinha uma, e era pequena, apenas de literatura. Afinal se ficássemos mais um ano em Savannah, o que poderia ter acontecido?
Fiquei encarregada do dinheiro da venda da casa do meu pai, Harry fez a transferência à minha conta e fiquei momentos pasma quando olhei para o valor, mesmo que já tivéssemos falado nesse valor. Parecia mais alta que eu realmente imaginei que uma casa como aquela fosse ter, e queria entrar em contato com um corretor de imóveis para ter a certeza de que eu estaria enganada. Harry vendeu a casa em uma semana de prazo e sem me dizer mais nada, apenas disse-me ter feito a transferência e prontinho. Mas a quem teria ele vendido a casa? Talvez esse dado não fosse tão importante. Mas vejo-me até hoje ainda perguntando isso, como se tivesse algo ali que não quisesse mesmo saber. Algum dia arranjarei a coragem que falta para falar-lhe desse assunto. Sei que ele será vago, " a uma pessoa que tinha dinheiro para isso, nada mais".
Também nunca falei com ele sobre isso. E nos dias seguintes sabia que tinha algo acontecendo. O marido que fica estranho e você não deixa de notar isso.
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