Capítulo 35👑
⚠Atenção . Esta história contém cenas de sexo e violência, o que não são indicadas para menores de 18 anos🔞. Não é permitido nenhum tipo de plágio. Não se esqueçam de votar, comentar e partilhar!
Boa leitura.
♤♤♤
Zack estava ali na porta da casa do Harry, mais alto do que alguma vez imaginei-o, esbelto, bonito, crescido, aquela semelhança existente comigo, mais forte que nunca, os cabelos em um corte diferente do usual e a pele a mostra, toda ocupada por tatuagens. Primeira coisa que me lembrei assim que o vi foi imaginar o que teria acontecido com ele esses anos todos. E a segunda, foram todas as recordações infantis que eu poderia ter, e seria capaz de reconhecer toda a minha família, após 15 anos, mesmo de entre tanta confusão. Eu queria ver Liam e Ronnie ali também. Eles deviam estar tão bonitos quanto morenos assim como o Zack. Nem mesmo Zack saberia dizer-me onde estariam os dois.
— O teu anfitrião tratou-me mal assim que eu surgi aqui para perguntar por ti — Ele começa a dizer quando atravessa o grande portão e lembro-me daquilo que Gina e Harry teriam contado. A pele cor de chocolate com leite dele brilha intensamente de perto, em contraste com as tatuagens diversas, juntas e distribuídas pelo pescoço e braços. Ele sorri para mim. — Gostaste delas?
— Nunca imaginei que fosses fazer tatuagens — Ele levanta uma sobrancelha e sei o que quer responder: nem me conheces maninha.
— O pai nunca gostou delas — O silêncio que faço de seguida, aproveito-o para fechar o grande portão de madeira e Zack olha para dentro, para além das vidraças da casa. Ele sorriu satisfeito — Vives aqui com ele?
— Para — Respondi sem sequer notar por minhas palavras e ele atravessou -me um olhar enviesado e incongruente, como se estivesse surpreso ao ouvir-me falar. O que poderá ele lembrar-se de mim? Dos quinze anos atrás? Quase nada. Eu que quase não fazia nada. Só daquilo que sabia de mim" ainda fazes essas coisas, maninha? "
No meio das crianças, da escola, da rua, eu camuflava-me mais, e entre os meus irmãos fazia o mesmo. Nem me lembro de muito falar com eles. Eles tinham suas conversas de garotos entre si, suas intrigas, e eu ficava apenas ali quieta olhando para eles. Até os dias eu ficava com essa expressão de mal aceite porque fui concebida no final de um casamento. Depois de três meninos, surge a mim. Como uma estranha entre meus irmãos mais velhos. Simplesmente eu sei. Eles não gostavam de falar comigo. Então o que trouxe o mais velho até a mim? Meses depois da morte de nosso pai?
— Cresceste. Deves ter o quê? Dezoito anos? — Ele finge que pensa e abaixando a cabeça, eu respondo. Olhei assim atenta para seus pés. Os sapatos que ele calçava. Não combinavam com sua roupa. Não combinavam em nada com ele.
— Tenho 25 anos agora — Na verdade estava no caminho dos 25, e nem precisava entrar nesse detalhe. Levantei rápido a cabeça para não dar a perceber que eu encarava tanto. Ainda ele acabaria por chamar-me de estranha, como Maya sempre fazia. Outra vez ele olhava para alem das vidraças e tive receio em deixa-lo entrar. Estava sozinha em casa.
— Boa. Estiveste em um apartamento por um tempo, não foi? — Tento não ser discreta com minhas expressões faciais e apenas limito-me a assentir. — Uma tal de Maya mostrou-me o caminho até cá.
Ela indicou o caminho até a casa de Harry. A Maya fez isso. Deve ter –se encantado com o meu irmão. Já vejo os dois a saírem. Por uma segunda vez circundando um homem na minha vida. Ela não cansa. Eles apenas não saíram, devem ter fodido a sério. Vejo o encanto nos olhos dele.
— Não conheço-a tão bem — Respondo sentindo-me irritada, Maya ao fim envolvendo- se com o meu irmão, chega a atingir um nível de desgaste que nessa vez não conseguia explicar, mas que me dá vontade de acabar com a vida dela de uma vez. E nunca mais ouvir falar.
— Ela disse-me que vocês partilharam o apartamento por dois anos — Desviei o olhar por cima dos ombros dele e cruzei os braços, não querendo falar nem pensar mais nela. Meu irmão esteve esse tempo todo atrás de mim, de tanta informação que conseguiu colher.
— Está bem — Virei-me para a entrada caminhando a passos rápidos e ouvi-o mover-se atrás de mim, passos leves e quem sabe, triunfante por finalmente entrar para dentro comigo. Assim que entramos pela porta da sala ele assobiou baixo e virei- me para deparar com sua expressão adorada pela estante de bebidas. Ele parecia em uma posição como se estivesse pronto a bater palmas. Aquele lugar poderia deixar qualquer um estupefato com sua excelência.
— Estava a ver de onde vinha esta luz. Porra, nunca vi uma dessas. — Ele abre a boca para sorrir abertamente e pensei que iria gargalhar como se tivesse encontrado seu tesouro.
— Ela é magnífica mesmo — Talvez Harry não se importasse que eu deixasse meu irmão entrar ali, pela sala e conversarmos. Olhando para Zack e sua figura alta, deixando-me orgulhosa por ter um irmão tão energético e bonito assim, sinto-me boba e aponto para o sofá atrás dele. Ele senta-se distraidamente e finalmente tira os olhos da estante. Encaramo-nos um pouco, como dois estranhos e procuro conversa — Ele tem um piano também.
— Caramba — Ele faz uma expressão de estima e alcança o corpo para a frente, cruzando as mãos tatuadas por cima dos joelhos. Desta vez olho melhor para os sapatos dele sem causar muita atração. Harry tem um par igual, que ele levou para o trabalho uma vez, uma reunião antes de fechar o clube ou algo assim. Não daria para combinar com uma camiseta de desenhos e jeans. Nada comento. — Então... vives aqui há muito tempo?
— Não — Respondo tão rápido como se estivesse em uma entrevista e noto a atenção fixa do Zack em mim, ele pensa muito. — Mas porque... — Arranjo um pouco de coragem para finalmente perguntar, mesmo que para ele, esse não seja o momento ideal — porque só agora voltaste. O pai precisou de todos nós.
Ele sabe que estou a falar dos três, é provável que ele comente algo relacionado a Ronnie e Liam, mas ele apenas desvia o olhar para a estante. Penso que desta vez já não está tão fascinado como no início, a expressão invadida por algo diferente, detestável, como se agora projetasse algo imundo para ele. Sua expressão está além do alegre inicial.
— Ele nunca precisou de nenhum de nós — assim que me vê abanar a cabeça, ele continua agora debruçado mais para a frente como se fosse cair de joelhos ou saltar sobre mim — Devias ter perguntado isso para ele. Estive aqui há alguns anos atrás, antes de ti, princesa. Ele nem sequer quis saber. Tinha acabado de sair da prisão, e precisava da ajuda dele. Ronnie e Liam não podiam ajudar-me. E achas que ele ligou para ajudar? Nem perguntou pelos rapazes. Nem por ti.
Ele carrega com prazer a última frase como se quisesse afetar – me com ela, mas acho que não deixo escapar nada.
— Ele só queria saber de dinheiro — Parecia o Harry a falar do próprio pai. Mas aquele olhar era totalmente diferente. A milhas de diferença.— Isso sim. Mas dizia não ter nenhum para ajudar-me. Na altura, ele estava a construir a bela casa de tijolos no baixo da montanha.
Ele levanta-se de uma vez assustando-me e olha para mim de cima. Seria ele violento? Será que ele pratica agressão além do roubo? Imagino-o conversando com um monte de homens, estranhamente semelhantes a ele, encostando as testas no outro, os punhos erguendo entre si e saliva espumosa formando no canto das bocas.
Ele ri um pouco alto e fico confusa por um momento. Lembro da nossa mãe. Ela adorava o Zack. Talvez por ser o primeiro e ter nascido numa fase menos difícil no relacionamento de nossos pais. Ela nunca o vira como um empecilho.
— Essa é a expressão exata que ele fez quando falamos. Tu também consegues ver um bandido em mim, isso é claro. Vejo esse ranço claro no vosso olhar. — Não entendo bem quando ele diz e as peças aos poucos vão- se empilhando juntas e sozinhas e um novo pensamento vem-me a cabeça sem que eu controle. Sem parecer tão franzina, levanto-me também. — Eu quero aquela casa, garota.
Garota, isso que sou para ele. A irmã dele é mais uma garota.
— Estás a ouvir-me, garo... Jane?
— Eu vendi-a. — Respondo direto mesmo sentindo medo de sua reação e fico ali, pendendo entre continuar com a conversa ou pedir-lhe com alguma gentileza que saia?
— Porra... — Ele sibila baixo e enfia as mãos nos bolsos — Eu preciso daquele dinheiro, caramba.
Ele está irritado e quase sobressalto para cair de novo no sofá atrás de mim.
— Eu preciso daquela merda de casa que meu pai não quis me dar. — Levanta um pouco a voz e desta vez tropeço quase caindo de novo. — E tu estás aqui, vivendo com esse filho de bandidos, que fazem qualquer merda por dinheiro, coisas que nem fazemos ideia. Muito menos tu. A mais ingénua das garotas. — Ele começa a rir de novo, as pontas dos lábios levantando — Ele tinha que arrastar-te para dentro disto. E tu aqui achando que é só amor. Tudo para ti é amor.
Ele começa como o Max, falando leve e depois avançando aos poucos para cima de mim e não descansando até que me veja estapeada abaixo dos pés.
— Achas que a mãe também te abandonou por amor. E que o pai deixou-te, tudo por amor.
Quando ele se cala, sinto-me desbridada e seca, sem respostas, até que ele finalmente aproxima-se da estante como quis fazer no início e escolhe uma garrafa para pegar, depois duas e enfim, três nos braços, enquanto observo-o com exatidão, naquilo que verdadeiramente não se quer ver. Ele ameaçou nosso pai, talvez pior do que fez comigo. Com as três garrafas abaixo dos braços, ele dirige-se em direção a saída da sala.
— Tens uma semana para me entregares todo o dinheiro.
Nem segui-o para fora da sala, apenas observei-o manusear as saídas até sair da minha vista quando lembrou-me que eu e Harry partiríamos em dois dias.
♤♤♤
Eu não consigo dormir, não sei porquê. Ou talvez eu saiba sim. Harry está na sala, já passa das uma da noite, ele sozinho com uma televisão ligada e um computador a colo, o olhar abaixado, talvez sem sono, mesmo que no dia seguinte ele levante logo cedo para trabalhar. Eu encaro a luz na entrada do quarto que vem da sala, da televisão ligada e de um dos candeeiros perto do sofá. A televisão baixa cantava algo que vinha de um filme, e mesmo assim eu conseguia distinguir o silêncio que ele tanto fixava o olhar naquele computador, o tanto que resolvia que não queria que eu soubesse, talvez tivesse algo a ver com a compra da fábrica, mas não deixaria esse assunto para resolver tão tarde, sem alguma justificativa.
As minhas ideias não voam para longe daquela boneca com as roupas do meu filho, nem da atitude maluca de Rui em tentar enlouquecer-me. Harry espirra e ali no silêncio fico a pensar em juntar todas as minhas respostas e encurrala-lo para saber de todas.
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