Capítulo 27 👑
⚠Atenção . Esta história contém cenas de sexo e violência, o que não são indicadas para menores de 18 anos🔞. Não é permitido nenhum tipo de plágio. Não se esqueçam de votar, comentar e partilhar!
Boa leitura.
♤♤♤
Depois do almoço, Gina desaparece com nossos pratos para dentro da pia da cozinha e começa a cantar uma pequena canção com a voz baixa e tranquila e envolve-me de uma vez um sono ondulante e quase vejo a embalar-me com os olhos fechados. Engulo sentindo a vontade de morder uma unha insistente no polegar e Harry ainda está lá sentado na sua cadeira de almoço. Por poucos que não viro a cabeça para ele assim que me vejo enfiada nas seguintes situações: ele decidiu seguir com o casamento sem ouvir por alguma resposta minha, decidi engravidar-me sem ainda dar-lhe opção alguma como pai, e os dois estão ainda empatados com esta história de como será lidar com as coisas daqui para a frente.
Arrasto a cadeira para trás e ele faz o mesmo e pousando as mãos sobre a mesa de comer e levantando-se, trocamos um olhar um pouco demorado e antes de um de nós sorrir, um sugere:
— Subir para o quarto, que achas?
De tão terno que foi que nem percebemos que Gina vinha acompanhada para dentro da cozinha, até aí a nossa ideia parecia-me ser maravilhosa, quem sabe eu diria para ele que nossa ideia de casamento podia até não ser má, ou a de gravidez, algo aceitável. Abro a boca para rir feito uma boba achando isso como uma imensa piada quando vejo a mulher no meio da cozinha. Em um momento imaginei que pudesse ser a Jessica que não via há dias, mas era alguém maior, em todos os aspetos. Idade, posição social, altura e algo mais. Reconheci os olhos dela. Parecia que tinha visto a mulher tantas vezes. A mulher está a olhar diretamente para mim a ver-me a rir, portanto, paro de imediato de sorrir quando noto uma expressão de ofensa em seu rosto. Abano a cabeça como se demonstrasse que nada tinha a ver com ela, quando ela já está a falar.
— Devias trabalhar para mim também, garota — Apenas os olhos e a boca se mechem naquela mulher que parece ter sido carregada até ali feito uma estátua e, deixando minhas parvoíces de lado, começo a ver a realidade se passando na minha frente. Como uma forma de suporte, procuro Harry de urgência, que está logo ao meu lado, silencioso ou quê. — Tenho um monte de meninas da tua idade que trabalham para mim. Em muitos ramos.
— Pensei que não tinhas dinheiro — Vejo a silhueta da mulher agora mexer-se para voltar para Gina e a mais baixa e agora incrivelmente imaculada para de frente a ela — Nunca tiveste dinheiro para pagar-me para cuidar do teu filho desde que ele era criança.
— Não imaginei que a conversa estivesse chegado abaixo. — Há tanto de veneno na voz da mulher que tento imaginar de onde ela tenha surgido.
— Para disso, mulher. Por isso o teu garoto anda fugido. Agora vens aqui para... — Ela para de uma vez quando Harry abraça-a pelos ombros e responde em voz baixa para ela e Gina faz um som estranho com a garganta e estende os braços para abraçar Harry pela cintura, agora com uma voz mais sorridente — Ele é meu garoto, já não tens nada com isso.
— Agora não — Pede Harry com a voz calma e a mulher bochechuda vira-se para ele e pisca-lhe antes de dar meia volta e voltar-se para seu trabalho. Olho um pouco para ela quando sinto uma sombra turva envolver minha vista e assusto- me e busco o braço de Harry sentindo- me como se estivesse sendo sugada para não sei aonde. Harry nem me dá atenção no momento. Ele está a falar com a mulher e eles começam a mover-se para fora da cozinha e sigo- o sem solta-lo como se meu corpo estivesse em uma vibração e a sombra que ainda parece seguir-me. Volto a cara quando entramos na sala e quase dou um grito quando já não vejo a porta da cozinha, apenas a sombra, sem conseguir ver a Gina ou o restante da cozinha. Vejo-me cercada por todos os lados.
— Onde está a Gina? — Outro pesadelo, não pode. Um pesadelo, semelhante aos outros. Alguém sempre fica para trás. Thomas ficou, não foi? Dentro da sombra. Perdi a coragem nesse dia. O que está passando agora? Mais uma lembrança?— Harry?
Em algum momento, meu noivo consegue desenvencilhar-se de mim e viro o rosto tão depressa e vejo-o apoiar um braço sobre o sofá, de costas para mim. Sinto-me ignorada. O pânico está a solta. Algo ruim aconteceu.
— Já disse para não me procurares.
— Essa menina vai ficar ali de pé? Ela não tem o que fazer?
Meus olhos encontram-se com o da mulher, uma expressão de choque trespassa-lhe o rosto quando Harry diz-lhe que somos noivos e ela começa a negar com a cabeça.
— De novo não, Harry. Por favor. Quando vais perceber que não tens saída? — Ela faz uma expressão cheia de linhas irritadas, e mesmo no meio de toda aquela expressão pouco amigável, é possível notar um pequeno olhar dócil sobre o filho. Sabia que conhecia essa mulher de algum lugar, de uma sensação ruim, que ela destruiu a minha vida e a do Harry. Apresso passos em sua direção, sentindo aquela sombra cheia de tentáculos atrás de mim, e mesmo assim enfrento o olhar da mulher.
— Sai daqui — Sinto raiva, não sei de onde provem, é tanta de uma vez que não sei explicar, que me arrependi de ter falado com a filha dela, de tê-las deixado entrar nesta casa e paro quase chegando ao sofá aonde está sentada e observo tudo nos mínimos detalhes. Na noite de um sábado de duas semanas atrás, concebi uma criança com o Harry ali naquele sofá sem que ele soubesse. Onde está meu filho? Faço essa pergunta para mim mesma sem perceber. E lá está essa mulher maldosa, enfrentando meu olhar e me encarando friamente quando um homem alto para ao seu lado. Não demoro a reconhece-lo. Antes de olhar para ele, a mulher diz:
— A culpa é dela, não é? Ela que começou tudo. — Quando pensei que o Harry iria responder, o homem alto ao pé dela responde com a voz forte.
— Sim, por culpa dela meu pai morreu.
E arrisco um olhar assustado enquanto desafio o homem de olhos fixos em mim, pele morena como a minha, cabelos escuros e encaracolados, eu e ele, os mais parecidos com o nosso pai.
— Porque fugiste?????'
Não termino de perguntar quando sinto a sombra avançar sobre tudo como se tivesse perdido a impassibilidade e algo pesado entra-me pela boca deixando-me sem ar e sem conseguir tossir nem nada, sinto tudo com tudo, ouço vozes, pequenas luzes, sinto toques e o mais específico, muita dor. Em meu pescoço, na minha fronte e na minha pélvis, no meu útero. Dói muito. O meu útero dói demais. Sinto-me afogando em meu próprio ar. E no meu desespero.
— Está a doer muito — Acho que chego a gritar e sinto uma mão quente sobre minha testa e uma voz de mulher.
— Ela está a ter contrações — Responde a voz de mulher.
— Ainda? — Diz a voz masculina do meu lado.
— Gina? — Chamo por ela, mas sei que não é a voz dela. Eu sei disso. Eu começo a chorar e sinto algo quente sair de dentro de mim, mãos calmas me invadindo e virando a cabeça sinto lábios quentes tocarem minha testa. E um nariz entupido por cima de mim. Gina foi-se. Eu sei disso. Meu corpo começa a tremer e sinto algo frio em meu braço, que começa a deixar-me calma aos poucos e caio de novo a dormir. E a sombra de novo está la.
A espera de revelar-me minhas próximas lembranças.
♤♤♤
Lembro-me um dia de entrar no quarto de meus pais, já tinha completado 6 anos há poucas semanas, e meus irmãos faziam uma grande bagunça do lado de fora de casa, junto com os vizinhos e tinha um dia tão ensolarado que nem sequer entrava ar pelas janelas abertas da casa. O quarto deles estava escuro e as janelas estavam todas fechadas dando um aspeto seco e eu mal distinguia o que via naquele escuro. Deixei a porta um pouco aberta para que pudesse olhar lá para dentro, para a cama desarrumada e para a mulher em cima dela.
Lidia, minha mãe, viveu os primeiros 15 anos em uma fazenda no Kansas, onde a criação era totalmente diferente, uma menina bem-comportada, seguia apenas o que os pais exigiam, o que não era pouco. Ela viveu numa restrição em sua vida que só conseguiu ser capaz de decidir por sua vida quando saiu de casa e foi viver com Jim, um pouco antes de engravidar de Zack. Meu pai diz que ela vivia dizendo que os pais viriam atrás dela em qualquer momento, e arrasta-la de novo para o Kansas. Sair dali e viver fechada em um pequeno apartamento com o pequeno Zack nos braços não foi o que ela exatamente queria. Precisaria logo de um emprego, mas meu pai nunca deixou. Inicialmente ele começara a trabalhar em dois empregos e ficava a noite com ela e Zack. Ele sabia. Ela não parecia satisfeita com aquilo que se estava a passar. Veio Liam. Eles mudaram de cidade, para Jacksonville, onde ficaram mais uns anos, até Ronnie nascer, e por fim, eu. Meu pai fartava-se de trabalhar e não dava grande atenção para a esposa. Ela não estava tranquilizada com a vida que tinham. Ela queria sair para trabalhar em um jornal ou em um restaurante da cidade. Eu realmente não soube de muitas coisas que aconteceram nesta família antes de eu vir ao mundo. Eles esconderam muito de mim.
As coisas nunca ficariam bem já que ela decidira entregar os filhos aos cuidados da vizinha e amiga, Jenny, e desaparecer para sempre. Nos últimos dias, peguei- a sonhando acordada, não faço ideia com o que seria, mas seria algo nefasto que uma criança não teria alguma ideia.
Peguei-me olhando para ela, ali naquela cama, pensando se ela estaria mesmo morta depois de um dia sem sair do quarto e olhar para os filhos. Se ela teria tido uma morte súbita que muitos passam, ou mesmo retirado a própria vida. A mulher estava debaixo dos lençóis, de barriga para a cama, cabeça virada para a parede, os cabelos opacos e desalinhados sob a minha vista, a pele branca demais na região do pescoço, as unhas das mãos demasiado roídas e não havia sinal de mover-se naquela posição. Pensei em aproximar para tocar-lhe para saber se responderia, mesmo que levasse um estalo, quando de repente ela soltou um grande suspiro, enchendo o peito de oxigénio e exalando-o com mais força. Ela estava viva e sabia que alguém teria entrado no quarto depois de quase 24 horas sem ter suas notícias. O pai tinha saído para trabalhar e ainda não havia retornado. Ouvi Ronnie brigar de algo que Zack dissera- lhe.
Minha mãe levantou a cabeça de repente da cama, assustando-me de verdade e esbarrei contra a banquinha deles, totalmente aterrorizada e arrependida de ter entrado ali dentro. Por baixo de seus cabelos desalinhados e escuros, encarei seus olhos grandes, fixos em mim. Com 6 anos, senti-me mais pequena do que nunca. Ela devorava-me com o olhar. Senti-a limpar a garganta rouca.
— Olha meu pequeno monstrinho. — Um sorriso azedo veio de seguida. Minha mãe parecia doente, ou semelhante a uma morta. Ela cheirava quente e azeda. Ela continuava a encarar- me como o maior obstáculo em sua vida, como a responsável por ter que sair da fazenda para viver encabulada em apartamentos cuidando de filhos. E as últimas palavras saem de sua boca, retirando qualquer noção de inocência que podia viver em mim — Um dia tu também vais pagar por isto.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top