Capítulo 26 👑
⚠Atenção . Esta história contém cenas de sexo e violência, o que não são indicadas para menores de 18 anos🔞. Não é permitido nenhum tipo de plágio. Não se esqueçam de votar, comentar e partilhar!
Boa leitura.
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— Casar-me contigo.
Nem sabia por onde começar a responder para o Harry que esperava pela minha resposta desde esta madrugada, ele tinha o telemóvel ajustado ao ouvido e movia-se com passos largos de um lado ao outro na cozinha. Ainda não fez menção nenhuma de sair de casa, como faz regularmente e sinto o seu pedido perseguir-me por todos os lados. Na madrugada, já não nos falamos mais, cada um voltou para seu canto na cama com os fôlegos pesados e ali ficamos até que amanheceu e sentimos Gina chegar à casa.
— Podes deixar tudo no sótão que pegarei de seguida. Posso pedir à Jessica então. Mas mesmo assim, temos algumas coisas ainda que conversar — olho para o seu pescoço forte e elegante e para a tatuagem de letras que sobressai do seu pulso contrastando com sua camisa escura de mangas longas — Isso... sabes se ao acaso alguém esteve por lá? Só necessito saber ... obrigada, Rodrigo.
Ele abaixa o telemóvel e fica por uns segundos encarando o ecrã e ajusto meia colher de colher de açúcar ao meu café e mecho-o de forma lenta, tentando não chegar tanto à sua atenção e nesse preciso momento ele vira a cabeça para mim. Fico feliz que ele não me diga nada e lembro-me dos testes de gravidez que deixei no fundo da minha maleta de roupas. Agora somos noivos.
— Está tudo bem por aí? — Ele abana com a cabeça, mas com um olhar distante e com certeza que a resposta não é para a minha pergunta. Algo envolve- se com seu olhar, na qual não sei dizer o quê, um pensamento primitivo, algo fugaz e momentâneo e ele regressa o olhar para a porta aonde a Gina surge com um monte de panos de cozinha pelas dobras dos braços. Ela para os passos, divide o olhar entre os dois com uma grande franja entre as sobrancelhas e desvio o olhar no momento em que vejo um grande sorriso atravessar a cara do Harry. Ele abre a boca antes de mim:
— A partir de hoje a Jane é a minha noiva — Não tenho tempo de ter uma reação e Gina sorri junta com ele boba.
— Au — Contesto quando algumas gotas quentes do café caem-me na mão e afasto-a de imediato e os dois olham para mim. Não tenho tanta coragem de retribuir o olhar deles e assim que levanto o olhar, tento dizer algo em troca.
— Terei algo para resolver. Volto para o almoço — Ele toca delicadamente o ombro de Gina e desaparece pela porta fora e fico com palavras afogando em minha boca. Gina move-se para perto de uma dos armários em modo automático e fico sozinha com minha mão queimando e enfio o polegar ainda quente em minha boca. Sem querer acabo mordendo até doer afundo.
Regresso à Universidade e deparo-me com um dia ensolarado, sem aquele frio extremo na qual tenho deparado nas últimas semanas e paro junto ao portão quando olho para dois conhecidos. Max está parado à porta estendendo-me um cartão amarelo retangular com letras grandes que nem perco para ler e Claire, mais ao fundo está ao lado de um aluno alto que tem os olhos mais afundo em seu decote do que no dossier nas mãos dela. Ainda ignorando Max, percebo ela frangir o rosto ao aluno e virando o olhar, este se encontra com o meu e ela acaba por fechar o dossier em suas mãos.
— Não vou ficar o tempo todo aqui a espera que tenhas uma visão lunática de toda a Universidade. É o meu último ano, sabes. — Olho para Max mais uma vez, para seus lindos olhos escuros, o queixo forte e os cabelos pretos ondulados, os que sempre foram meus preferidos no visual dele, e um grande casaco adidas na qual vesti tantas vezes quando estava na casa dele, e seus largos lábios rasgam-se em um sorriso. — Tens fodido muito lá com o cafetão?
Ouvindo isso, avanço alguns passos em rapidez e ouço- o arrastar passos atrás de mim, e reconheço a figura de Claire mais para a frente, hoje parecendo-me melhor do que na última vez que a vi. Sinto o bafo quente de Max em meu ouvido antes de sua voz ecoar irritantemente.
— Pelo menos és mais apetecível que a Maya. Aquela porca agora quer fazer troca contigo. — Afasto-me tão rápido dele, mesmo continuando a ouvi-lo — Uma conversa que estávamos a ter um desses dias anteriores. O teu cafetão já fodeu todas as garotas desta Universidade. Queres que te mostre uma sondagem exata?
Ouço o que ele diz até aí já que me aproximo de Claire que tem o dossier enrolado numa das mãos e o aluno bem ao seu lado, encarando-me estranho.
— Posso falar consigo? — De alguma forma, ela parece radiante em me ver e assente com a cabeça e mais uma vez tenho uma pequena visualização do irmão nela, inédito que não tenha notado isso antes. Faz um pequeno sinal ao garoto alto ao seu lado e move-se com seus saltos pela entrada principal da Universidade e revejo-me atrás dela. Em algum momento, Max deve ter ficado atrás com suas merdas na boca. — Desculpa, só queria falar...
— Estiveste todo este tempo a pensar naquilo que falamos? — Ela levanta bruscamente uma sobrancelha e nego com a cabeça, absorta e ficando um pouco irritada com sua intervenção. — Sigo-a até uma das salas de aula logo ao lado da entrada e passando pela porta, ela pede que a feche. Aperto minha bolsa com os dedos, e sinto a pequena bolha que formou-se no polegar queimar-se e abaixo as mãos deixando ficar quieto. Ela está imóvel de frente a mesa do professor, olhando para mim, a expressão séria, mas não tão intimidante como antes. Uma ideia boba que deixo cair assim como surgiu, ela nunca será minha amiga. Apenas está aqui pela mãe e pelo irmão.
— Não. Eu vou continuar com o teu irmão. Ele gosta de mim — Não tenciono mencionar o pedido de casamento, será algo apenas nosso.
Ela balança com a cabeça, como se não quisesse acreditar que ouvira as minhas palavras.
— Gosta de ti. Ele fode- te tão bem que gosta de ti.
— Não. Ele quer ficar comigo. Já me disse isso. — Respondo rápido e tenho a impressão que apresento uma atitude rude, mas nem me importo tanto. Ela passa um tempo encarando o vazio e depois move-se na direção da porta.
— Tu que sabes. Soubeste do que se passou ontem?
Abano com a cabeça com uma expressão séria e parece acreditar e continua, ainda sem mover-se do lugar, os olhos fixos no fundo da sala agora.
— Houve uma guerra feia entre o Harry e nossa mãe. Vejo que ele não comenta nada contigo. Nunca vi meu irmão assim. Até parecia que ele iria bater nela. Minha mãe está assustada até agora — Dito isso, ela cruza os olhos claros com os meus e pergunto-me se os filhos serão todos assim parecidos com a mãe. Eu assinto com a cabeça, mesmo não acreditando na parte em que o Harry prometeria bater na mãe ou o que quer que tenha acontecido ali. — Tomando essas decisões, vamos cair todos na merda. A Sociedade está fora do normal, tudo em desordem por causa dele, nossa família está em perigo por causa de uma ação do Harry. E ele não tenta entender isso. Tudo e mais alguma coisa está a acontecer com ele e por causa dele. — Ela interceta alguma pergunta com o olhar e lá mantém.se mas termino por não entender. Afinal eles não pensam nele — O que achas que pode ter acontecido? Ele tomou essa decisão agora em cima de tudo, sem sequer pensar. Ele é tudo o que aquela sociedade precisa. Não podemos dá-la a mais ninguém.
— Mas o que isso tem a ver comigo?
Ela vira-se para mim, séria.
— A minha mãe pensa que és a maior responsável. Aconselho-te a ir embora. Antes que seja tarde para ti.
— Sabes que eu não posso, Claire — Quero trata-la agora como minha cunhada. — Ao invés de estares a pesquisar sobre meu passado, devias estar atenta ao teu irmão. Ele tem suas razões para fazer isto.
♤♤♤
Sua mãe não será capaz de machucar-me, ou matar-me pois não? Não conheço a mulher. Somente uma pequena ideia de que a vi na saída do restaurante, a mulher alta de vestido e olhar indignado fixo em nós. Fiquei com ela em mente durante uns instantes. E de repente, um apontamento bom recarrega em minha cabeça mostrando-me que não tinha reparado nela antes. Harry vai embora e terei que ir junto. Quais os possíveis planos dele para a frente? Mudar de cidade ou vivermos na casa de meu pai. Anoto isso mentalmente. Eu serei feliz fora daqui. Não como a minha mãe.
Faço curvas antes de chegar a casa aproveitando aquele sol mais quente que presenciei neste ano e por um momento reparando que não sou a única a fazer isso, os parques parecem tão ativos e brilhantes ao encher-se de pessoas, os sorrisos largos para cima, abaixo dos casacos pontudos e peludos até que abeiro à parte mais rica da cidade de Savannah, onde está a casa do Harry. Ouço risadas alegres de crianças por dentro dos portões altos, cães latindo alegremente e quando tenho um susto que noto o quanto estou perto de um dos portões olhando além das grades grossas de ferro aonde está um grande pitbull babando do outro lado e olhando fixo para mim. Encaro seus olhos pequenos escuros, a boca grande salivando e as narinas farejando o ar. Ele parece alegre assim como eu, um pequeno rabo saltitante e a bocarra dentuda disfarçando aquela alegria. Uma mulher alta aproxima-se do portão para segurá-lo na grande cabeça e puxa-o para longe de mim enquanto esfrega atrás de suas orelhas, reforçando-lhe algum mimo e fico em pé, raciocinando e vendo o tempo fechar-se abaixo do sol outra vez, trazendo aquela cor angustiante de uma chuva em breve.
Em passos rápidos caminho na direção do portão de Harry agora envolvida em outro silêncio que não tinha percebido pelo resto do caminho. Quando abro o grande portão de madeira, ele está parado na porta principal de entrada, um braço apoiado na maçaneta e os olhos fixos em frente, como se estivesse a espera de algo. Talvez de mim. Ele disse para Gina que sou sua noiva sem que eu retorquisse e senti-me perdendo o fôlego naquele instante e um tanto quanto perdida na nossa realidade, afogando-me em um mar de sentimentos, deixando-me um pouco esgotada. E ele estava falando a verdade. Eu teria que engolir isso tudo.
Caminho na sua direção sem deixa-lo virar-se e quando aproximo o bastante, desenvencilha-se da porta e volta-se completo para mim abrindo de imediato os braços e antes que eu recue, ele já os tem a minha volta. Minhas bochechas no seu peito e suas mãos massageando meu couro cabeludo, tudo faz-me sentir uma onda de relaxamento e aperto ainda mais seu corpo contra mim absorvendo seu cheiro.
— Estava a tua espera para o almoço— Ele enuncia baixo e mantemo-nos ali, um pequeno trovão ressoando do céu, um cão latindo ao longe e o coração do Harry ao meu ouvido. Ele solta- me deixando-me com frio, segura em minha mão e caminhamos para dentro de casa. Algo do almoço cheira tão bom em toda a sala, deixando ainda mais uma necessidade inédita de sentar, comer e sorrir. Olho para Harry e relembro-me da minha conversa com a irmã. Como se ele intercetasse algo ruim vinda de meus pensamentos, aperta um pouco meus dedos mas sem olhar para mim e entramos na cozinha, com Gina em pé cantando algo em italiano.
— Hoje a Gina decidiu fazer uma sopa. Ela disse que é algo novo — Aquele sorriso além do alegre, alem das covinhas sensuais, eletriza-me inteira e junto um sorriso ao seu e ocupo um lugar ao lado do seu aonde estão dois pratos fundos. Gina vira a cabeça para nós e dá um sorriso.
— Ao menos deixa que a menina lave as mãos, Harry. — Ele solta de imediato a minha mão como se percebesse que estavam mesmo sujas e dirijo-me de imediato para a pia deixando a água cair até aquecer-se. Pegando no sabão do lado, viro o rosto um pouco alegre e perco-me ao tempo quando deparo com Harry olhando fixo para mim, uma expressão séria e sem sentido. Disfarçando, viro o olhar para Gina com as mãos debaixo da água mais quente, e ouço- o começar a brincar com sua colher em um toque insistente e repetido. — Despacha aí, Jane.
Diz Gina e sorrio constrangida e nervosa mas fecho a água e seco as mãos regressando à mesa da cozinha. Gina decide servir-me em primeiro e volta a falar com os olhos fixos no trabalho.
— Tiveste uma visita agora a poucos, Jane. — Harry para finalmente com a colher e é servido por Gina, mas olho apenas para ela.
— Ah, sim? — Assim como antes, muito antes, mexendo nas coisas do Harry, ou há poucos enfrentando seu olhar hostil, deparo-me outra vez com uma sensação ruim, e sou conduzida pelo silêncio. Gina não responde de mediato e arrisco um pequeno olhar ao homem do meu lado. Ele mastiga calmo, como sempre, mas desta vez a expressão é profunda. Olhos fixos em frente, narinas dilatadas.
— Sim — Continua Gina instantes depois e encara Harry que mantém o olhar para outro espaço, e assim não obtendo nenhuma resposta de volta, vira-se para mim — Um homem que queria falar contigo.
Que outro homem me conhece bem em toda esta cidade? Max e mais quem? Meu ex-namorado não seria ousado de vir até cá sabendo que o Harry nem deleita-se assim tanto com ele. Mesmo assim algo que deixou o Harry em estado hostil e alerta.
— Ele ao menos disse o que precisava? — Pergunto mesmo não querendo falar desse assunto, mas é necessário saber de mais informações.
— Sim — Ela regressa o olhar pelo patrão, e algo na postura dele muda um pouco — Foi claro para nós que é um ex- presidiário.
Um ex-presidiário procurando-me, sem que eu sequer saiba de quem realmente se trata, não lembro-me de conhecer algum homem que esteve nos últimos tempos na prisão. Então que Gina ri fazendo-me ficar confusa e a expressão de Harry afrouxa- se mais e pela primeira vez abaixo o olhar para meu prato quase cheio, intocado. A colher escondida debaixo dele. Um clique se dá por dentro, como de algo destrancando e revelando o conteúdo para fora. Só podia ser ele. Ele encontrou-me. Não sei se sinto feliz ou simplesmente nervosa.
— Harry deu-lhe um soco — Franzo o cenho para o homem ao meu lado e ele nem vira-se para me dar uma resposta — Aquele macho cabra disse que estava a tua procura e assim que dissemos que não estavas cá, já se entreviu a pedir dinheiro e querendo entrar pela casa. Uma autêntica falta de noção.
— Tu bateste nele. Ele podia ter- te machucado — Interponho ao Harry e no momento ele olha um pouco para mim e deixa a colher pendendo entre os dedos por cima do colo, balançando de leve. A expressão dele ainda está séria. Encaro seus lábios húmidos. Encaro sua linda expressão. Meu irmão é um ex-presidiário. Tenho algumas lembranças dele. E fazer isto é típico dele.
— Ele diz que estás a dever-lhe dinheiro, Jane. Sei que conheço-o de algum lugar e não é de lembranças boas. Talvez mais cedo ou mais tarde acabes lembrando-te dele. Eu disse-lhe que não o quero mais perto de ti.
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