❅𝙲𝚊𝚙𝚒́𝚝𝚞𝚕𝚘 3❅

Ren soltou o ar ao encarar o relógio que estava pendurado acima do quadro da sala de aula. Apertou os lábios ao ver que faltavam menos de cinco minutos para acabar a aula.

Sorriu pequeno balançando a cabeça ao ver sua amiga, Daisy, dormindo em cima do livro de anatomia.

A aula realmente estava pacata, e é claro que Daisy não iria perder tempo para tirar um cochilo.

Estava há uns três meses estudando no Canadá, Ren se lembra do seu primeiro dia, todos cochichavam enquanto ele passava, sabendo quem ele era e sua importância na Tailândia, sua fama era maior ainda por causa de seu pai, que também se formou nessa universidade com méritos.

Foi uma semana de pessoas se aproximando dele por interesse, Ren percebia isso. Mas, em um determinado dia, viu um grupo de três amigos conversando, ele sorriu ao vê-los, queria se aproximar deles. Porque aquele grupo, eram os únicos que não se importavam com seu status social e financeiro.

Por sorte, ele acabou ficando na mesma sala que Daisy na aula de anatomia, onde ela fazia parte daquele trio de amigos.

Quando Ren sentou ao seu lado na aula, foi o dia em que Ren se tornou parte do grupo.

Daisy, Victor e Théo, eram seus novos e sinceros amigos a partir daquele momento.

Agora, três meses depois, ele pôde dizer que estava feliz, tinha amigos incríveis e estava se dando bem nos estudos.

O sinal indicou o fim da aula, Ren ouviu os alunos comemorando silenciosamente pelo término.

– Daisy. – Ren a chamou tocando em seu ombro.

Daisy levantou seu olhar tirando seus cachos castanhos da frente de seu rosto.

– Tédio em forma de aula já acabou? – indagou, tirando uma risada do Ren.

– Sim. Vamos, o Victor já está nos esperando. – explicou Ren indicando o Victor que estava na porta da sala. Eles se levantaram e logo Daisy disse:

– O Victor é tão pequeno que tive que apertar os olhos para enxergar.

– Ei, eu ouvi isso! – Ren e Daisy gargalharam enquanto o Victor ria e revirava os olhos por trás dos óculos redondos e grandes para seu rosto.

– Não se chateie, você é a pessoa mais fofa de nós, isso é ótimo. – disse Daisy ao passar o braço pelos ombros de Victor. Os três começaram a caminhar pelos corredores rumo à saída.

– Sinceramente, eu ainda não sei se isso é bom ou ruim. – falou Victor olhando para Ren enquanto consertava seus óculos. Ren balançou a cabeça colocando suas mãos em seus bolsos.

Ao saírem da quentura que o ambiente da universidade trazia, tiveram que arrumar seus casacos por conta do vento gélido que caia em Toronto.

Andaram em passos lentos pelo pátio da universidade, a fim de ir à cafeteria Smith, onde Théo trabalha.

Porém, Ren e Daisy sentiram a falta do Victor. Quando olharam para trás, o viram parado olhando para um ponto do jardim em frente com um sorriso lindo no rosto.

Ao ficarem ao seu lado, perceberam o porquê, junto com seus amigos, estava o Brad, um dos caras mais bonitos e populares do setor de medicina. Onde, o Victor, é apaixonado por ele.

– Por que você não vai falar com ele? – perguntou Daisy, tirando Victor do transe.

– Claro que não, eu sou invisível pra ele. Seria vergonhoso se eu fosse falar com ele. – explicou Victor.

– Mas Brad parece ser um cara legal, acho que ele nunca faria algo que fizesse você passar vergonha. – disse Ren, tentando encorajar seu amigo.

– É melhor não arriscar. Se for pra acontecer, vai acontecer. – falou Victor aconselhando a si mesmo.

Todos assentiram seguindo seu rumo.

Vislumbraram a fachada da cafeteria. Ao adentrarem logo ouviram o sino indicando suas presenças e a quentura que o ambiente continha.

Caminharam até a mesa onde sempre se sentam, Ren soltou o ar ao deslumbrar o lugar tão acolhedor, paredes marrons e brancas, quadros espalhados com imagens interessantes, luzes incandescentes iluminava o ambiente, onde a luz do dia que entrava pelas janelas grandes e vidradas também fazia parte da composição luminosa.

– E aí, gente? – o grupo de amigos sorriu ao ouvir a voz de Théo. Ele se aproximou afastando seus cachos largos do rosto. Ele usava o uniforme do estabelecimento que por sorte, lhe caía muito bem.

– E aí? Como estão as coisas? – Ren perguntou cruzando os braços e se ajeitando na cadeira.

Théo soltou o ar imitando o gesto do Ren.

– Tudo certinho. Às vezes me vejo louco nesse trabalho, mas faz parte. – disse com um sorriso. – Então… O de sempre? – perguntou aos seus amigos. Todos assentiram – Ok, para o Victor um chocolate quente, para a Daisy um café expresso e para o Ren um chá. Já volto. – ele saiu sorrindo pela última vez.

Ren viu a Daisy se virar para o Victor com o semblante preocupado, fazendo ele saber o que ela falaria com o Victor.

– Vic. – disse Daisy, chamando sua atenção. Victor assentiu pedindo que ela continuasse – Aqueles caras continuam te perturbando? – Ren engoliu em seco encarando por um momento a mesa branca em sua frente.

Por mais que todos ali fossem adultos, havia pessoas inconvenientes que se comportavam como crianças mal educadas. Um grupo de rapazes não perdia a oportunidade de realizar bullying com o Victor, por causa da sua aparência nerd. E isso, querendo ou não, influenciava em sua confiança.

– Às vezes… – disse cabisbaixo brincando com um fio que a manga do seu suéter soltou – Mas tudo bem, não é nada que não possa aguentar. – tentou tranquilizar a amiga colocando um sorriso forçado no rosto.

Daisy e Ren se olharam por um momento, os dois sentindo a urgência em ajudá-lo, mas Victor sempre recusava, ele sempre falava que está tudo bem para que seus amigos não interfira e que eles não tenham problemas por causa dele.

– Tem certeza que não quer que eu dê uns murros neles? – perguntou Daisy passando a mão pelos cabelos alinhados de Victor. Ele sorriu balançando a cabeça.

– Não precisa. – disse por fim sorrindo para ela e Ren.

Ren então pegou seu caderno de desenho e o colocou sobre seu colo, pegou sua caneta, esticou seu braço colocando a caneta diante seu olho direito logo apertando seu olho esquerdo para visualizar melhor a sincronia do objeto com o rosto de Victor.

Sorriu ao começar a traçar as feições de Victor no papel, iria desenhar seu amigo para animá-lo quando o esboço estiver pronto.

Seu caderno estava repleto de desenhos desde que chegou em Toronto, cenários e amigos eram ótimas atrações para seu deleite artístico.

A noite caiu quando Ren destrancou a porta do seu apartamento, soltou o ar tirando sua bolsa de seu ombro. Ligou as luzes e caminhou diretamente para para sua varanda, deslumbrando a lua que enfeitava com céu com magnitude.

Por um instante, queria se sentar diante daquele céu vasto e desenhar até seus dedos doerem. Mas não seria possível naquela noite, prometeu sair com Daisy.

Ela lhe pediu para acompanhá-la em uma boate nova, como Victor não gostava de lugares barulhentos e o Théo iria trabalhar até mais tarde naquela noite de sexta-feira, só restou ele para ir com Daisy.

Ele iria mais para proteger sua amiga, sentia a apreensão de deixá-la sozinha em um lugar onde havia bebidas e pessoas com caráter duvidoso.

Sentiu seu corpo relaxar com o cair da água quente em seu corpo, era o que precisava. Depois de um dia cheio de estudos e questões acadêmicas, pôde respirar fundo e se sentir relaxado.

Ao terminar de se arrumar, colocou sua pulseira de linha com miçangas pretas feita pelo Victor, que passou seu tempo no intervalo fazendo para todos os amigos há um mês atrás.

Levantou seu olhar quando ouviu uma notificação no seu celular. Se apressou em atravessar o quarto e pegar o celular que estava em cima da cama.

Ao desbloquear a tela, sorriu ao vislumbrar que a mensagem recebida era do MJ. Onde dizia:

" Espero não incomodar você."

Imediatamente, Ren franziu o cenho. Ao terminar de ler a frase pela terceira vez tentando deduzir o que aquilo significava, ouviu sua campainha tocar.

Engoliu em seco colocando seu celular no bolso seguindo até a porta da sala. Deve ser a Daisy, pensou ele.

Porém, como uma explosão de sensações inexplicáveis, Ren viu os cabelos pretos e presos em um coque samurai, os olhos como o céu escuro sem estrelas e o sorriso de lado do MJ em sua porta.

– E aí, cara? – por fim, disse MJ.

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