21. Agua de la Eternidad
Curiosidade (Piratas do Caribe): nem todo mundo se atentou, mas Keith Richards, guitarrista e cantor da banda The Rolling Stones, participou especialmente como o pai do capitão Jack Sparrow. O mais legal é que, segundo o próprio Johnny Depp, Keith foi a maior inspiração para que ele compusesse a personalidade de Jack.
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— Capitão. — Zayn chamou, batendo algumas vezes na porta.
— Pode entrar.
Louis olhou para Harry de forma indignada quando o cacheado tirou a boca de seu pescoço. O humano sorriu, segurando a cintura do tritão para que ele não se mexesse dentro da banheira, e quando o navegador árabe entrou na divisão do quarto, pareceu pouco se importar por ter interrompido o sexo entre os dois. Ao invés disso, Zayn sorriu casualmente para eles.
— Bom dia, capitão. Bom dia, Louis.
— Bom dia. — O tritão respondeu baixo, ainda incerto sobre como reagir. Porém, observando os dois humanos tão à vontade com aquela situação, ele apenas relaxou sobre o colo de Harry.
— Bom dia. — O capitão indagou, movendo seus polegares para fazer carinho em círculos na cintura de Louis. — Aconteceu alguma coisa?
— Na verdade, sim, senhor. — Zayn coçou o peito suado e nu pela falta de uma camisa, em cima de uma grande cicatriz recente. — Chegamos, e os outros Lordes estão conosco.
As sobrancelhas de Harry arquearam, uma agitação tomando conta de seu interior. A Irmandade havia decidido, de última hora, que seria melhor se todos os Lordes Piratas fossem até a Ilha de Ogígia para mostrar respeito a Calipso, e por isso haviam mudado suas rotas para conseguir alcançar o Octavius Medan a tempo. Agora, todos haviam chegado.
Com um pigarreio ao organizar melhor seus pensamentos, o pirata assentiu para o navegador.
— Certo, nós já vamos sair.
Zayn concordou, deixando a cabine para que Louis e Harry tivessem privacidade para encerrar o que estavam fazendo e, após alguns minutos, os dois saíram, completamente vestidos e satisfeitos, ainda que existisse algum nível de agitação no ar. Quando o capitão postou-se no tombadilho, ele fez menção de pegar sua luneta, porém parou quando seus olhos enfim alcançaram a ilha.
Não era grande, mas encorpada o bastante para que não passasse despercebida, a mistura entre árvores, areia e rochas fazendo um contraste que dava um toque a mais em todo território. Entretanto, conforme se aproximavam da ilha, a excitação em ter finalmente completado a viagem começou a ser substituída pela surpresa e receio ao notar o enorme galeão espanhol ancorado na costa leste.
— Capitão… — Zayn murmurou, aguardando ordens.
— Deixe-me pensar. — Harry disse, coçando o machucado infeccionado no queixo. — É impossível que os outros não tenham visto, também, e estamos com oito navios além do Octavius, então se os espanhóis prestarem atenção, será um problema. — O pirata suspirou fortemente, rolando o pescoço para estalar os ossos. — Vamos para o outro lado, não conseguirão nos ver assim. Mesmo se tiverem levantado acampamento, não fariam isso longe do próprio galeão.
— Certo, vou sinalizar para que os outros navios se juntem.
Ao que o navegador saiu dali para dar as ordens aos demais marujos, Louis segurou a mão de Harry, entrelaçando seus dedos. O cacheado sorriu para ele, porém sua preocupação era visível.
— Vai dar tudo certo. — O tritão disse. — Estamos em maior número.
— Eu sei.
Assim, todos os navios piratas foram direcionados para a costa oeste, e quando finalmente Louis foi apresentado aos Lordes, não havia mais como negar ou duvidar de sua ligação com Calipso. Por fim, reuniram-se numa roda para estruturar um plano rápido.
— O que faremos? — Anne indagou. — Estamos em maior número, mas não sabemos há quanto tempo eles estão aqui.
— Acredito que levar duas tripulações de cinquenta homens seja o bastante. — Harry disse. — Perderíamos tempo se fôssemos procurá-los na encosta, é melhor irmos logo até a gruta.
— Eu vou lutar, também. — Louis disse, quando o capitão retornou até seus marujos.
— Louis…
— Eu não vou entrar em choque mais uma vez. — O tritão rebateu, e foi o bastante para que Harry se calasse.
Além da tripulação do Octavius Medan, os homens de Dominique Roux e Hernesto Rosálio se voluntariaram para ir à luta, aumentando o número de aliados enquanto o restante certificava-se de proteger os navios. Portanto, eles adentraram a mata.
Muitas espécies desconhecidas viviam naquela ilha, e Louis sentia um estranho formigamento em seu peito que supôs ser por causa de Calipso; afinal, a deusa tinha retornado ao berço de sua alma. Ninfas também apareciam em algumas partes do caminho, mas não ousavam chegar perto, apenas encaravam com fascínio e receio aqueles homens andando em seu lar.
— Achei que elas protegiam este lugar. — Capitão Roux resmungou baixinho.
— Não as culpe por estarem assustadas. — Louis retrucou.
Então, a grande estrutura de rochas tornou-se visível, e todos simplesmente souberam que aquilo era o que estavam procurando. A caverna onde a gruta se encontrava ficava às margens da praia, percorrendo sabia-se lá quantos metros pela areia até chegar a um rochedo onde as ondas pareciam bater divinamente, toda vez. De onde estavam, a única coisa visível era uma entrada perto da ponta final, porém outra fresta generosa que estava mais próxima deles poderia servir de entrada.
— Vamos com a tripulação de Rosálio, porque poderemos entender o que eles estão falando. — Harry disse, num tom baixo, mas audível o suficiente para que os piratas escutassem. — Quando eu der o sinal, nós avançamos, entendido?
Todos assentiram, e aos poucos entraram na gruta. Havia uma extensa mureta de rochas, conchas e tesouros que servia de esconderijo, portanto eles se espalharam atrás dela sem emitir ruídos. Em silêncio, escutaram:
— ¡No toques eso! — O barulho alto de algo metálico caindo ressoou. — ¡No son tesoros para Dios, sino ofrendas a una entidad maligna! Nada que no sea bendecido por la Santa Iglesia Católica debe mantenerse, de lo contrario, nos caerá una maldición.
— Está dando uma bronca em algum marujo que tocou em um tesouro. Disse que nada disso é para Deus, mas sim para uma entidade maligna. Nada que não foi abençoado pela Santa Igreja Católica pode ser levado, senão uma maldição será lançada a eles. — Hernesto traduziu, e Louis comprimiu seus lábios numa expressão de desgosto.
Harry virou-se para Tyson que, mais à frente, conseguia ter uma visão sobre os inimigos.
— Eles estão distraídos?
— Aye, capitão. Só estão revirando algumas coisas.
— É esse o momento, se quisermos sair dessa sem problemas. — Capitão Styles suspirou.
Um aceno de cabeça do pirata inglês para os capitães espanhol e francês bastou para que as ordens de ataque fossem emitidas, e assim todos os marujos avançaram em direção aos espanhóis, os pegando de surpresa. Os tiros ecoando dentro da gruta pareceram ensurdecedores, mas nenhum deles desistiu. Em dado momento, o grito de um dos homens de Dominique fez com que a atenção de Harry fosse direcionada a Louis, que também procurou pelo capitão em meio àquele caos; ao que ambos se certificaram da segurança um do outro, voltaram a lutar.
Era uma luta injusta, claro. A vantagem pelo número de piratas serviu muito bem para que pouquíssimos deles fossem abatidos, e a vitória sobre os espanhóis foi certa. Louis era aquele a ter o último soldado inimigo sob sua mira. Um relance da situação que ocorrera dias antes, quando o tritão matara seu primeiro humano, apareceu na mente de Harry, dando sentido ao quão apático Louis estava agora, apontando a pistola para aquele oficial.
— Espere. — Hernesto pediu, chegando próximo ao homem ajoelhado. — Díganos ahora si tiene alguna información importante.
— N-no traicionaré a mi rey por alguien tan vil como un pirata.
— ¿Ah, de verdad? Que pena. Si colaboraras, tu muerte sería rápida e indolora, pero creo que hacerte sufrir también podría ser divertido para estos animales.
Harry virou-se para um dos homens de Hernesto, apontando para o capitão espanhol e o oficial com o queixo.
— O que eles estão falando?
— O capitão disse para que ele contasse qualquer informação que nos possa ser útil, mas o bastardo recusou, falando que não trairia seu rei por um pirata. Então, o capitão disse que se ele colaborasse, sua morte seria rápida e indolor, mas já que não é o caso, fazê-lo sofrer vai ser divertido para nós.
Ao que o pirata terminou de falar, Hernesto se aproximou dos dois após largar o oficial da Marinha para trás. Enfiando seus dedos na bainha de sua calça, ele estalou a língua no céu da boca.
— É engraçado como eles se borram de medo. — Zombou. — Ele abriu o bico, no final das contas. Disse que é estupidez ir com poucos barcos até Naectro, porque segundo um informante do rei, a verdadeira forma dela é igual a de um kraken, algumas vezes maior.
— Pelo menos, não foi uma perda de tempo. — Harry murmurou antes de voltar-se para Louis. — Ele já não serve de mais nada.
Assentindo, o tritão disparou.
— É hora de libertar Calipso. — Capitão Dominique Roux disse, ao ir até os outros dois. — Temos que levantar velas o quanto antes, se quisermos nos abastecer e preparar a todos.
— Vamos levantar acampamento. — Hernesto discordou. — Ainda que nem todos tenham lutado, ficamos navegando por mais de dois meses até encontrar a Ilha. O mínimo que podemos fazer é deixar com que todos tenham uma noite de sono antes de irmos atrás de Naectro.
— Tudo bem. Mandemos os homens até os que estão na praia para ajudá-los, então. E chamar os outros Lordes para cá, já que é justo que todos vejamos Calipso.
Assim, depois de alguns minutos, os únicos dentro da gruta eram os nove Lordes e Louis, que mantinha-se ao lado de Harry unindo suas mãos com força. Por instinto ou qualquer outro motivo, a arabela pediu para que o pirata o acompanhasse naquilo, e ainda que todos os outros sentissem receio sobre o que poderia acontecer, Harry deu ordens diretas para que não interferissem.
Com cautela, Louis colocou seus pés dentro da laguna, sentindo a temperatura gélida arrepiar os pelos de seu corpo humano, em seguida tirando o cordão com o antídoto feito por Mama Zenabu e abrir o frasco. Antes de beber, o tritão olhou para Harry e esperou; um beijo viril em seus lábios pareceu dar a confiança que precisava e um único gole acabou com líquido ciano brilhante.
Milésimos de segundos foram precisos para que Louis tombasse para trás e feixes de luz saíssem de seus olhos, boca e nariz, um grito gutural soando muito mais alto do que qualquer criatura comum poderia emitir. Harry olhava tudo aquilo com fascínio e medo; entretanto, quando a mão de Louis tocou em seu peito e o atravessou até que o antebraço do tritão estivesse dentro de seu tórax, ele arfou alto em agonia. Não sentia dor, era mais como uma pressão, e a sensação com certeza era horrível.
Os Lordes suspiraram de surpresa, não sabendo ao certo o que fazer diante daquela situação. Com rapidez, Louis tirou seu braço do corpo de Harry e se transformou em uma arabela, ainda emitindo luz, esticando sua mão para o pirata inglês, que prontamente a pegou. O impulso que o tritão deu para puxá-los para o fundo da água foi forte, nadando com toda força que sua cauda conseguia fazer; para que Harry conseguisse respirar, Louis colocou a palma de sua mão escamosa sobre o nariz do humano, criando ar para ele.
Os dois passaram por fendas subaquáticas grandes e cheias de criaturas estranhas das profundezas até que, enfim, emergiram numa espécie de caverna cuja única entrada e saída era o caminho que haviam feito. Louis deixou que Harry saísse de seus braços até a areia, jogando-se para respirar pesadamente, suas roupas encharcadas coladas em seu corpo e os pulmões doendo.
Ao se recuperar, o pirata abriu os olhos, se deparando com um lugar enorme, iluminado e mágico, cheio de corais coloridos crescendo pelas paredes rochosas, espectros de águas-vivas de todas as formas flutuando ao redor, além de três tubarões-martelo e dois tubarões-baleia igualmente fantasmagóricos. Estes quatro foram até o tritão com rapidez, parecendo alegres.
— Preciso de Lithya. — Pediu ternamente, com as vozes de Louis e Calipso juntas. — Tragam-na para mim.
Assim, aqueles tubarões formaram um círculo, começando a nadar num ritmo constante até que um pequeno gongo de madrepérola tomou forma. A arabela esticou a mão e duas águas-vivas envolveram seus tentáculos no gongo, levando o objeto até seu amo. Harry tinha a sensação de não conseguir respirar da forma certa, mas não se importava. Ver Louis em sua forma original de tão perto, estando livre, era uma das coisas mais incríveis que havia presenciado, mesmo estando no berço da alma de uma deusa.
— Nós… — Começou, porém precisou limpar sua garganta para ser ouvido e ter a atenção da arabela. — O que nós fazemos agora?
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Ahoy, marujos! Só mais dois e a história acaba. ;(
Não se esqueça de VOTAR e COMENTAR para que eu possa saber o que você está achando da história :) Isso me ajuda muito.
Até o próximo capítulo, amo vocês. ♥
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