16. Repos de l'ócean

Curiosidade: apesar da grande fama construída em cima dos feitios de Barba Negra, ele não velejou por muito tempo. Sua tripulação no famoso Queen Anne's Revenge (Vingança da Rainha Ana) navegou tripulou somente de 1716 a 1718 sob seu comando.

Dá uma dorzinha ver os rascunhos acabando… ;(

      O pensamento de ter se tornado um dos nove Lordes Piratas ainda era fresco na mente de Harry, mesmo que uma semana tivesse se passado desde que Dongmei dera seu título para o capitão mais novo. No último dia antes da partida da feiticeira para ir atrás de Naectro, ela e Harry haviam conversado com os outros para explicar o que tinha acontecido, sobretudo acerca da reunião que a Irmandade faria em Singapura, uma vez que a posição de Dongmei era de outro pirata.

      Assim, eles precisariam prolongar a estadia por lá, e Dongmei deixou a casa para que o grupo pudesse usar até que fossem embora. Foi muito difícil para Niall, Harry e Zayn quando a feiticeira se foi, porém Louis deu o seu melhor para distrair o capitão, assim como Liam fez com o navegador e Gina com o cozinheiro. Eles saíam quase todos os dias para passear e resolver algumas coisas, porém a recuperação de Harry ainda precisava de muito repouso para ser completa, portanto ele e Louis eram os primeiros a retornar à antiga casa de Dongmei.

      De todo jeito, a relação entre os dois tinha sido aprimorada; o carinho não era mais expressado apenas por beijos, mas também abraços, apelidos (eram raros, mas surgiam vez ou outra) ou ficar deitados juntos. Eram como um verdadeiro casal, mas ninguém do grupo afirmava aquilo em voz alta — nem mesmo Harry ou Louis. Além do mais, o capitão havia se tornado ciumento ao redor do tritão, o que fez os demais marujos da tripulação medirem suas palavras ao falar dele; até mesmo Zayn e Niall decidiram maneirar nas piadas que faziam, uma vez que estavam enrolados com outras pessoas.

      No dia anterior ao da reunião da Irmandade, todos resolveram ir à taberna de um velho amigo de Tyson; era um lugar relativamente limpo, com várias mesas nos dois andares, mas tinha tantos beberrões imundos quanto qualquer outro bar em Singapura. O dono do local chamava-se Nico, ele era um bucaneiro que fugira da marinha portuguesa a fim de deixar para trás a vida de corsário. Por ser amigo de Tyson, o serviço de petiscos e bebidas foi especialmente caprichoso para toda tripulação do Octavius Medan, ainda que o lugar estivesse cheio.

      — O que você acha que vai acontecer amanhã? — Niall indagou olhando para Harry, e soluçou em seguida. Apesar de estar bêbado, o irlandês conseguia formar bem suas frases.

      — Eu não sei. Dongmei nunca detalhou muito essas coisas da Irmandade porque é algo confidencial. — O cacheado respondeu, apertando a cintura de Louis, que estava sentado em uma de suas pernas. — Pode ir pedir mais algumas cervejas?

      — Aye. — O tritão sorriu, levantando-se para ir até o balcão.

      Quando estava longe o bastante para não ouvir a conversa, sendo praticamente engolido pela multidão de clientes do bar espalhados, Zayn deu uma cotovelada de leve nas costelas de Harry.

      — Então, agora são consortes de verdade?

      — Não. — O capitão respondeu. — Não pedi sua mão, nem nada assim.

      — E por quê? — Gina indagou, olhando seriamente para o irmão. — Vocês se dão bem agora, e têm uma química interessante.

      Os dois irmãos Styles tinham feito as pazes quando Harry ficara bem o bastante para enfrentar o assunto sobre Gemma. Mesmo com a tensão, lágrimas e xingamentos durante quase toda a conversa, ambos decidiram que não existia mais nada a ser feito sobre a morte da irmã mais velha além de seguir em frente.

      — Eu não sei. — Harry suspirou. — Não acho que ele me aceitaria.

      Liam gargalhou alto, no colo de Zayn, que escondeu o rosto em suas costas para rir também. Harry os olhou bravo, mas uma ponta de insegurança sobre sua relação com Louis continuou presente.

      — Você é idiota? — Niall disse, sorrindo de forma afável. Eram raros os momentos em que ele deixava seu ar piadista e sarcástico de lado para falar sério. — Louis é tão rendido quanto você é por ele, capitão.

      — Não é. — O pirata riu, envergonhado, mas no fundo queria saber se era mesmo verdade.

      — Oh, você consegue ficar feio quando usa de falsa modéstia. — Gina zombou, suas bochechas avermelhadas denunciando sua embriaguez. — Apenas o agarre logo, porra.

      — Aliás… — Liam olhou ao redor, franzindo o cenho. — Não era para ele ter voltado? Só pediu para que ele comprasse mais cervejas.

      Uma luz de alerta acendeu no fundo da cabeça de Harry, fazendo com que todo pileque fosse embora. Louis estava mesmo demorando e em um lugar como aquele, não era um bom sinal. Sendo assim, capitão Styles levantou-se para procurar pelo tritão no meio de todos aquelas pessoas; o cheiro de urina, suor e álcool era terrível, e os gritos e conversas altas daqueles bêbados abafavam seus chamados por Louis. Quanto mais demorava para encontrá-lo, mais Harry ficava nervoso.

      — Eu pedi pra me largar, por favor, foi sem querer… — Uma voz fraca soou, mas o pirata sabia quem estava falando.

      — Você derruba a minha bebida e ainda espantou a puta que eu ia comer, seu merdinha.

      Harry virou-se, encontrando Louis sendo encurralado num canto por um homem desconhecido. A raiva dominou ainda mais os sentidos do capitão quando ele notou as lágrimas escorrendo pelo rosto inchado do tritão e o hematoma vermelho-arroxeado perto de sua boca. Com passos pesados e rápidos, Harry chegou perto o bastante daquele homem para agarrar os cabelos de sua cabeça e tirá-lo de cima de Louis, o pressionando na parede ao lado.

      Por alguns segundos, o bêbado aparentou estar confuso, mas então sua expressão tornou-se zombeteira.

      — Acho que o idiota tem dono. — Falou, olhando para Louis com certo esforço já que Harry segurava sua cabeça parada pelos cabelos. — Qualé? Não vai compartilhar seu brinquedinho com os outros? Ele derrubou toda a minha bebida.

      Os olhos de Harry estavam demoníacos, com suas pupilas tão dilatadas que a cor verde quase não era mais percebida. Louis estava assustado com aquilo, além do que aconteceria consigo se o capitão não tivesse chegado a tempo; Harry nunca tinha ficado tão enfurecido como naquele momento, desde que o conhecera.

      Um sorriso assustador se formou nos lábios do pirata.

      — Quer algo para brincar? — Indagou retoricamente, sacando a faca que sempre carregava em seu cinto. — Fique à vontade para brincar com isto.

      Então, Harry apunhalou a genitália do homem com violência, e quando o mesmo abriu a boca para gritar de dor, capitão Styles largou seus cabelos para prensar o antebraço em sua garganta. Pouco a pouco, enquanto a faca era girada lentamente sobre sua pélvis, o desconhecido se contorcia, seu rosto ficando roxo e a parte branca de seus olhos ficou completamente vermelha.

      Assim que o último suspiro sôfrego saiu da boca daquele homem, Harry jogou seu corpo atrás de algumas caixas e barris naquele mesmo canto e guardou a faca no suporte do cinto antes de virar-se para Louis. O tritão estava aterrorizado, respirando rápido, entretanto Harry apenas passou o braço por sua cintura.

      — Vamos embora. — Falou em tom grave.

      Louis não tinha certeza se queria ir com Harry, a bem da verdade. Dar um tiro no meio da testa de algum inimigo era diferente de mutilar a genitália de alguém e sufocar a pessoa até a morte, fora a expressão medonha que o pirata tinha em seu rosto ao fazer aquilo. Ainda que estivesse com raiva e não mostrasse remorso nenhum por ter assassinado alguém, Louis notou que Harry não estava o tocando com a mesma mão com a qual executado o outro homem, esticando o braço sujo de sangue um pouco para longe a fim de não encostá-lo em seu corpo.

      Eles desviaram das pessoas até a mesa onde Zayn, Niall, Liam e Gina estavam ainda comendo e bebendo.

      — Nós vamos sair. — Capitão Styles anunciou para os amigos, ignorando seus olhares sobre seu braço.

      — O que é isso? — Gina indagou. Só ela e Liam pareciam achar aquilo preocupante, uma vez que não entendiam o quão normal aquilo era para um pirata.

      — Não interessa. — Harry respondeu simplesmente, puxando Louis à sua frente para mantê-lo entre si e a mesa, não deixando que ninguém no bar o tocasse. Rapidamente, enfiou a mão limpa em seu bolso para tirar um saquinho de moedas e jogá-lo na mesa. — Esta é a minha parte da conta. Paguem o resto com o que tiverem.

      Sem falar mais nada, ele voltou a segurar Louis e andou para longe, para fora do bar; o tritão queria perguntar para onde estavam indo, mas achou melhor ficar de boca calada. Conforme eles avançavam para dentro da floresta de Dongmei, a barulheira do centro ficava para trás, dando lugar aos sons dos animais.

      Louis estava cansado. A tarde começava a dar lugar à noite, estava esfriando e suas pernas tinham se cansado havia algum tempo; por isso, o tritão suspirou alto e chamou por Harry, mas o pirata continuou andando. Louis mordeu o lábio inferior, fechou as pálpebras por um momento para não deixar as lágrimas caírem e decidiu ser franco, de uma vez:

      — O que você está fazendo? Está me assustando.

      Bastou isso para que Harry desse somente alguns passos a mais e parasse. O humano permaneceu de costas, como se tivesse levado um choque, e olhou ao redor, puxando o braço de Louis de supetão, arrastando-o até um tronco caído ali perto. O pirata sentou-se, trazendo o tritão para seu colo e enterrando seu rosto no peito alheio. Louis sentiu-se tonto, principalmente quando percebeu que os ombros de Harry só estavam tremendo porque o capitão estava chorando.

      Sem saber muito bem o que fazer, a arabela colocou suas mãos nas costas do humano, fazendo um carinho de leve.

      — Era para ser um dia especial. — A voz do pirata saiu abafada, e a força do abraço aumentou, ainda não tocando em Louis com o braço sujo de sangue. — Eu estou assustado pra porra sobre o que pode acontecer amanhã, e quando eu vi aquele… Eu não consegui suportar te ver daquela forma, Louis. Sinto muito por tê-lo assustado, mas não me peça para fingir culpa pelo que fiz.

      As sobrancelhas da arabela estavam arqueadas, contudo sua expressão suavizou quando entendeu que Harry estava se abrindo quanto à maneira que se sentia. O que era muito bom, ainda que inesperado, então Louis só pôde sorrir e retribuir o abraço. Eles ficaram daquela maneira por um tempo até que o tritão segurou seu queixo para erguê-lo, não se importando quando o pirata limpou o nariz em sua camisa.

      — Eu sei que há humanos maus como aquele. — Louis disse, acariciando o rosto vermelho do cacheado. — Mas também sei que você sempre virá me salvar, assim como eu farei com você.

      Harry acenou com o queixo, e atendendo ao seu pedido, Louis aproximou-se o bastante para que eles se beijassem de leve, apenas um selar de lábios.

      — Aguenta andar mais um pouco? — O pirata perguntou ao separarem-se.

      — Eu acredito que sim… Por quê?

      — Quero levá-lo a um lugar. — Harry sorriu pequenamente.
















      Eles andaram por quase uma hora até Harry parar. O pirata tinha carregado Louis nas costas desde a metade do caminho após o tritão reclamar de cansaço, e mesmo que ele tivesse dito que tudo bem tocá-lo com o braço ensanguentado, Harry sustentou seu peso com só um braço pelo trajeto.

      — Onde estamos? — Louis indagou ao descer, olhando ao redor. Por mais que o humano aparentasse estar ansioso sobre aquele lugar, parecia-lhe apenas uma gruta escura e úmida.

      Harry estava vasculhando algumas plantas na beira da entrada da gruta, e quando achou o que queria, entregou um punhado de folhas roxo-escuras para ele.

      — Guarde isto. — Pediu, acenando com a cabeça para que entrassem. Andando, explicou: — Há alguns séculos, um pirata francês se apaixonou por uma das ninfas que era serva de Calipso, e eles pediram permissão a ela para que pudessem ir embora juntos. A deusa consentiu, e deu este lugar para que os dois pudessem ficar em paz.

      Conforme eles entravam na gruta, somente com a luz que vinha de fora servindo para se orientarem, Louis reparou pouco a pouco em como ficava mais escuro a cada passo que davam. Ao mesmo tempo, ele imaginou se Harry sabia sobre o espírito da deusa habitando seu corpo. Dongmei provavelmente teria contado a ele, o que lhe era um alívio. Aquele assunto o fazia chorar toda vez.

      — Eu sei. — Harry disse, sua voz ecoando pelas paredes rochosas. — Não se preocupe.

      Louis perguntaria como o pirata poderia saber de algo que nem mesmo havia sido dito, entretanto resolveu que as emoções daqueles últimos dias já tinham sido o bastante para todos. Às vista disso, apenas deixou o assunto de lado e continuou a andar, segurando os dedos de Harry entre os seus.

      Não parecia haver nada demais naquele lugar; contudo, após uns segundos andando no completo breu, uma iluminação azul surgiu mais à frente e uma enorme laguna com águas em um tom de ciano brilhava, iluminando aquela parte da gruta.

      — É lindo, não é? — Harry disse, vendo o quão admirado Louis estava.

      O tritão suspirou ao assentir, mas não tirou seus olhos daquela água. Havia alguns contornos turvos dentro da água, brancos, e assemelhavam-se a peixes e outras criaturas marinhas. Pareciam espíritos.

      — O que eles são?

      — Quando Calipso deu este lugar à ninfa e ao humano, ela pediu um favor em troca. Eles precisariam cuidar das criaturas marinhas que morreram injustamente, então suas almas viriam para cá. — Harry explicou. — Os franceses nomearam este lugar de repos de l'ócean.

      — Soa bonito. — Louis comentou.

      — Significa “repouso do oceano”.

      Louis assentiu, contorcendo os dedos de seus pés em anseio. Não sabia se seria desrespeitoso tocar na água, e não tinha ideia se poderia perguntar para Calipso — tampouco sabia se existia alguma forma de comunicar-se com a deusa. Por isso, chegou mais perto da beirada e a alma de um peixe-leão foi até ele, ficando parado. O tritão ficou de cócoras, observando o peixe.

      — Nós podemos entrar? — Cantarolou, inclinando a cabeça para o lado.

      Harry não respondeu, sabendo que a pergunta não era para si, e mesmo que já tivesse nadado naquele lugar várias vezes, deixou com que Louis tentasse conseguir a resposta que queria. O peixe-leão rodopiou duas vezes, abrindo e fechando suas barbatanas. Louis colocou a mão direita na água, observando o membro voltar à sua forma original, igual a quando ele tinha o corpo de uma arabela.

      — Harry. — Ele arfou, caindo sentado. — O quê…

      O pirata aproximou-se, observando a mão de Louis voltar aos poucos a ser humana.

      — Eu acho que a água revelaria o seu corpo como ele era antes, caso você entre.

      — Eu deveria, mesmo assim? — Louis indagou, parecendo eufórico.

      — É uma decisão sua. — Harry deu de ombros. — Eu sei que você não vai ficar preso aí, mas não tem como saber se seu corpo inteiro conseguiria voltar à forma humana. Não que fosse um problema, também, só seria mais difícil te levar para os lugares caso sua cauda voltasse.

      Louis olhou para o peixe-leão, tentando decidir se seria uma boa ideia arriscar. Decidiu que sim. Portanto, a arabela levantou-se e pediu para que Harry o acompanhasse, começando a tirar suas roupas, sendo imitado pelo pirata. Quando enfim estavam nus, Louis pediu para que ele entrasse primeiro; o humano disse que estava tudo bem e, após entrar na parte mais rasa, numa rocha, suas pernas tornaram-se fantasmagóricas, mas ainda tinham força nos músculos invisíveis.

      O pirata esticou a mão, oferecendo-a como um apoio. Louis a segurou com firmeza, dando passos cautelosos até colocar um pouco de seu pé na água. Ainda era uma forma humana, logo continuou entrando na água com o cuidado de um cervo que anda numa campina aberta. Ao estar com as coxas cobertas de água, assim como Harry, a arabela suspirou. Não era frio, nem quente… Era uma sensação estranha de apenas sentir a água, mas sem temperatura, e quando os espíritos dos animais esbarravam em suas pernas espectrais, era como uma pressão que fazia cócegas. Louis sorriu.

      — Venha cá. — Harry disse, ainda segurando sua mão, e deu alguns passos para trás. — Vamos para a parte mais funda, assim você pode nadar melhor.

      — Certo.

      Praticamente sem receios, Louis deixou que o pirata o conduzisse pela lagoa de maneira tranquila. Não demorou quase nada para que ambos se acostumassem com a sensação de seus corpos e, juntos, nadaram com os peixes, exploraram alguns buracos que serviam de passagens para outras partes da caverna e riram conforme se perseguiam, indo para o fundo, correndo na superfície ou mesmo nadando pelas rochas.

      Em dado momento, a alma de um golfinho resolveu brincar com eles, ajudando Louis a encurralar Harry. O cacheado protestou, dizendo que ele estava sozinho naquilo contra duas criaturas aquáticas, e por isso Louis decidiu dar o braço a torcer ao pedir para que uma arraia o ajudasse.

      Quando sentiram-se cansados, voltaram à parte rasa a fim de sentarem. Alguns peixes foram para perto, rodeando curiosos os dois humanos. Louis observou o brilho em ciano que refletia na pele leitosa de Harry, vendo as pequenas sombras que se formavam por causa de seus músculos. Ele tinha várias cicatrizes, também, que à luz do dia eram disfarçadas pelas tatuagens, porém o tritão conseguia enxergá-las melhor naquela tonalidade de azul.

      Um certo calor tomou sua barriga.

      — Vai abrir um buraco em mim se continuar me encarando. — Harry zombou, com um sorriso brincalhão.

      Louis não respondeu, optando por engatinhar até o pirata e subir em suas pernas. Capitão Styles abriu a boca para perguntar o que havia de errado, já que nunca tinham se tocado de maneira tão íntima, mas não conseguiu falar nada por causa do beijo que o tritão lhe deu. Desde que ele e Louis tinham começado a se relacionarem daquele jeito, o desejo havia naturalmente aparecido nos pensamentos de Harry — ele era um homem, afinal, e mesmo sendo homossexual, era difícil que passasse uma noite com algum de seus marujos. O tritão não tinha conhecimento sobre o sexo entre humanos, e por isso o pirata dava o seu máximo para não fazer nada que pudesse afastá-los.

      Contudo, o beijo que Louis estava lhe dando era tão cheio de lascívia que Harry mal conseguia pensar. A única coisa da qual estava ciente era que suas mãos se esforçavam a afastar o quadril do tritão do seu.

      — Louis. — Avisou. — Louis, pare um pouco.

      A arabela resmungou em descontentamento, obedecendo ainda que mantivesse suas mãos nos ombros do outro.

      — Por quê?

      — Você não tem ideia de como isso funciona. — Harry pontuou, sua respiração um pouco mais rápida que o normal. — Nunca fez isso antes.

      — Eu sei disso. — Os orbes oceânicos pareciam mais brilhantes que o comum, cheios de ardência. — Sei que nunca fiz isso, mas você já fez. Harry, não negue que há algo acontecendo, eu nunca me senti assim antes, por ninguém.

      O capitão piscou, atordoado. Um flash da história contada pelo tritão, algum tempo antes, sobre sua relação com o tubarão-martelo apareceu em sua memória, e se perguntou se Louis estava a sério sobre aquilo. Como se o outro tivesse entendido, ele apertou um pouco seus ombros.

      — Nunca, Harry. Acredite em mim quando digo isso. — Louis sorriu pequenamente. — E quanto a você?

      O pirata arfou, sendo preso pelos oceanos que o encaravam assustadoramente de perto. Ele quase podia ouvir as ondas refletindo as emoções do tritão, a expectativa de estar prestes a ser atingido pela água parecia tão real que chegava a ser cruel.

      Harry queria que Louis o acertasse com os seus oceanos, ainda que aquilo significasse ser tomado por um maremoto.

      — Eu também nunca me senti assim por alguém. — Respondeu, enfim. — Mas eu preciso que você tenha certeza disso.

      — Eu tenho. — Louis respondeu prontamente, se inclinando para dar um beijo leve nos lábios de Harry. — Certeza absoluta, capitão. — Sorriu.

      Então, as ondas finalmente o acertaram, carregando Harry para as profundezas.

Ahoy, marujos!

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Até o próximo capítulo, amo vocês. ♥

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