02. Mudança nos ventos

Curiosidade: os piratas reconheciam o casamento homossexual, uma vez que a religião não era algo comum em uma tripulação e, também, porque não havia mulheres a bordo. A união era oficializada pelo próprio capitão. Essa união era chamada de matelotage.

      A bem da verdade, Harry sabia que seus homens resistiriam à ideia de ter uma mulher a bordo do navio, mas ainda mantivera uma esperança cega de que, talvez, eles pudessem acatar a ideia sem problemas. Não foi assim, contudo, quando ele, Zayn e Gina subiram a bordo do Octavius Medan. Praticamente todos os pares de olhos se direcionaram a eles assustados e desconfiados, ainda mais quando Harry guiou sua irmã até a cabine extra que ninguém nunca usava.

      — Eles querem fazer perguntas. — Zayn disse com os braços cruzados, após entrar no quarto. — Precisa de mais alguma coisa? — Indagou, agora olhando para Gina.

      — Não, obrigada. — A mulher respondeu.

      — Vamos ao convés. — Harry pediu. — Só preciso te apresentar a eles, e então você pode vir para cá ficar em paz. Acho que todos estão um pouco receosos.

      — É claro que sim. — Gina sorriu. — São homens.

      Harry também acabou abrindo um sorriso. Desde pequena, Gina tivera aquela personalidade: falava de igual para igual com os meninos, provava que podia fazer as mesmas coisas que eles e que poderia participar das mesmas brincadeiras. Anne Twist, mãe biológica de Harry e madrasta de Gina, desaprovava as atitudes da garota, assim como toda mulher que ouvisse falar dela, e não media esforços para usar a irmã mais velha, Gemma, como exemplo para tentar reeducá-la, mas isso nunca fora um fora eficiente com a Styles caçula.

      Gina só ligava para a opinião do pai, Heath Styles. Antes, seu nome costumava ser Desmond, quando ele ainda trabalhava como contador para o banco de Londres, entretanto, e segundo o próprio Heath, aquela vida era parada e monótona demais para si, o que o fizera embarcar pela primeira vez em um navio chamado Octavius Medan, tornando-se um mero criado-de-bordo à primeira instância. Isso também fizera com que Heath só voltasse a ver a família pouquíssimas vezes, e consequentemente Anne arranjara um novo homem para assumir os principais papéis da família, ainda que não pudesse assumir publicamente seu caso amoroso e o abandono do marido.

      Após alguns anos, Heath era muito benquisto entre os marinheiros que navegavam com ele a comando do capitão do Octavius Medan, que era um tirano, um rato aos olhos da própria tripulação. Seu motim fora quase inevitável e, tendo em vista a necessidade de um novo homem no comando, todos concordaram em eleger Heath Styles.

      Bastara que a oficialização de seu novo cargo fosse completada para que ele retornasse à terra firme, a fim de ao menos avisar sua família dos motivos pelos quais ele desapareceria ainda mais de suas vidas. Gina ficara profundamente magoada com o pai por conta disso, mas jurara ser forte independentemente do que acontecesse. Enquanto isso, Harry quisera embarcar com Heath e sua nova tripulação, o que acarretara inúmeras brigas entre o pirata e Anne, e até mesmo Gemma tentara intervir naquela história — por ter somente dezessete anos à época, suas opiniões foram facilmente descartadas.

      Ao final das contas, Harry apenas conseguira um castigo e uma surra que deixara alguns bons hematomas em sua pele. Ainda assim, o garoto — que tinha treze anos naquele tempo — embrulhara em uma pequena trouxa de pano seus poucos pertences realmente valiosos e, sem que Anne visse, pegara algumas moedas que eram parte da economia da família Styles. Eles não eram pobres, longe disso, e à época, a quantidade que Harry pegara parecera muito para ele, porém não fez significativa diferença nos bolsos de sua mãe e seu padrasto. Na manhã seguinte à madrugada em que o menino Styles fugira, Heath acordara com seu filho escondido no porão de seu navio.

      “Se o senhor quiser me expulsar, terá que me atirar ao mar e torcer para que os tubarões me devorem!”, Harry lembrava-se de dizer ao pai quando eles discutiram sobre sua permanência no Octavius Medan. Enfim, ele conseguira o que tanto queria.

      Agora, depois de tanto tempo desde que seu pai falecera em combate, Harry tinha assumido seu lugar. Apesar de ele ter insistido que o justo seria ocorrer uma votação oficial entre os marujos para que o novo capitão fosse eleito, todos os marujos da velha-guarda concordaram, de forma unânime, que ele seria a melhor opção para comandá-los, e consequentemente, aqueles que eram novos na tripulação apenas seguiram a ideia. Com entusiasmo e gratidão, Harry não pudera recusar.

      — Capitão Styles. — Um de seus homens chamou, uma vez que tinham ido ao convés principal. — Quem é ela?

      Gina postava-se ao meio de Harry e Zayn, e mesmo sabendo que aqueles marujos maltrapilhos esperavam pelas palavras de seu capitão, foi ela quem tomou à frente, o que fez burburinhos espantados e chocados se espalharem por entre os piratas.

      — Meu nome é Gina Styles, irmã mais nova de Harry. — Apresentou-se, causando ainda mais comoção. — Eu sou médica, e estou aqui a pedido de meu irmão para ajudá-los com sua saúde e bem-estar.

      — Capitão. — Matteo chamou, abrindo caminho dentre os grandalhões que não se importavam em dar-lhe espaço. — É uma boa ideia? Digo, sei que é sua irmã, mas... — Olhando rapidamente para Gina, com certo asco no olhar, virou-se novamente para Harry. — É uma mulher.

      — Nunca entendi isso em vocês, piratas. — Ela tomou a iniciativa mais uma vez, pondo uma mecha de seu cabelo loiro para trás da orelha. — Nunca têm medo de nós quando estamos nuas em suas camas, com as pernas abertas e satisfazendo os seus prazeres carnais, mas quando uma de nós quer entrar no mesmo barco que vocês, dão para trás como cães covardes?

      Todos ficaram em silêncio enquanto, disfarçadamente, Harry, Zayn e Tyson seguravam o riso. Eles sabiam desde sempre que Gina Styles nunca ficara quieta diante de situações como aquela, o que já a levara para prisões várias vezes, e não seria por conta de um pirata novato que ela se calaria.

      — É mau agouro, senhorita Styles. — Outro dos homens disse, com seu olho de vidro rodando dentro da córnea, translúcido. — Mulheres a bordo trazem má sorte.

      — Trazem má sorte ou vocês não conseguem desgrudar os olhos do um corpo delas, e por isso se distraem demais ao ponto de não fazerem as tarefas para manter o navio em ordem? — Gina riu sem humor. — Meu irmão me chamou até aqui e vou ficar, mesmo que não queiram.

      — Gina é uma moça muito competente. — Harry falou, por fim, decidindo que seria melhor intervir antes que ela dissesse coisas que não sabia. — Aprendeu com as melhores pessoas todas suas habilidades médicas e pode nos ajudar como ninguém. Confiem em mim quando digo que minha irmã trará boa sorte.

      Os homens se entreolharam, ainda contrariados, mas confiavam em Harry. Seu capitão jamais os desapontara durante todos os anos sob seu comando, e querendo ou não, aquela médica era parte de sua família, sangue do seu sangue. Movidos por crenças, decidiram acreditar no potencial de Gina pelo simples fato de seu parentesco com Harry ser tão forte.

      Cada um, depois, se apresentou por nome e cargo dentro do navio. Era uma coisa básica que a tripulação do capitão Styles fazia desde muito tempo, para ajudar os novatos e também a manter a ordem hierárquica ali dentro. Gina se demonstrou muito simpática com todos apesar de que sua primeira impressão fora um tanto quanto autoritária, mas a mulher não se desculpou em momento algum por aquilo, também.

      Na visão da médica, em um mundo onde o poder era majoritariamente contido nas mãos masculinas, as mulheres precisavam se unir e nunca abaixarem a cabeça. Ainda que nem todas concordassem com aquilo, ela não seria uma a fraquejar, não daria para trás. Mesmo que fosse condenada à morte, sendo sentenciada à forca em praça pública, faria questão de permanecer de queixo erguido.

      Feitas todas as apresentações, Gina voltou para a cabine onde passaria a dormir para descansar. Isso foi o bastante para que Harry desse os comandos necessários para a sua tripulação zarpar.

      — Subam a âncora! Soltem as amarras! — Gritou a todos pulmões. — Vocês sabem o que fazer, ratos imundos!

      Finalmente, pensou consigo mesmo. As coisas estavam paradas demais.

      Depois de duas horas tendo zarpado, o Octavius Medan estava relativamente calmo. Os criados-de-bordo e swabs trabalhavam arduamente para manter o navio limpo enquanto Harry e Tyson faziam anotações no prontuário de Niall sobre os alimentos que estavam faltando, assim como também fariam depois, no prontuário de Mario e Oliver, os marceneiros, sobre as áreas danificadas que precisavam de reparo.

      — Então, quer dizer que Gina decidiu dar uma segunda chance à relação de vocês? — Tyson indagou ao que vasculhava os sacos de batatas, cenouras e maçãs.

      — Aye. — Respondeu Harry, observando e anotando. — Espero que eu consiga não pisar na bola, dessa vez.

      — Gina, é? — Niall se intrometeu, cortando alguns damascos que eles tinham roubado de um navio chinês há alguns meses. O cozinheiro estivera ocupado durante a apresentação da médica. — Isso é nome de mulher. É alguma namorada, Harry?

      Não era normal que o chamassem pelo primeiro nome, porém aquele era um benefício que aqueles dois tinham, além de Zayn. Os quatro se conheciam desde jovens e tinham criado uma espécie de irmandade íntima e recíproca. Para Harry, a norma de que “todo homem que fica para trás, é deixado para trás” jamais se aplicaria àqueles três ratos, mesmo que sua imagem ficasse manchada ao ver dos outros piratas por descumprir o Código.

      — Você sabe que eu não gosto delas. — O capitão disse, zombeteiro. — Não na cama ou enfiando a língua na minha boca, pelo menos.

      — Todo mundo muda de ideia. — Niall deu de ombros. — Quem é essa Gina, afinal?

      — Niall nunca a conheceu? — Tyson indagou ao colocar três sacos enormes com comida dentro.

      — Não. — Respondeu Harry. — Eu já tinha cortado todos os laços com ela quando recrutei ele.

      — Dá para um dos dois me explicar quem é Gina, porra? — O irlandês falou alto, com seu sotaque forte.

      — É minha irmã. — Capitão Styles respondeu, por fim. — Ela é a nova médica do navio.

      — Uma mulher? — O cozinheiro arqueou as sobrancelhas, surpreso. Harry sabia que aquela expressão não era pelos mesmos motivos de seus outros homens. — Como aqueles cães reagiram?

      — Bem, até. — O cacheado deu de ombros. — Gina é meio... Ela não atura certas coisas, pode-se dizer, principalmente pessoas que tentam infringir em sua liberdade só por ter uma boceta no meio das pernas.

      Niall balançou a cabeça em concordância, num sinal que estava ouvindo.

      — Ela aprendeu todas as habilidades médicas com algumas daquelas mulheres que se dizem ser da ciência. Eu acho mais fácil chamá-las de bruxas, mas Gina sempre me disse que isso é errado. — Harry dizia enquanto esperava Tyson terminar de contar quantos cogumelos eles tinham.

      — Cento e oito. — O imediato disse. O capitão anotou.

      — Já dormi com uma bruxa, em uma parada que fizemos em Mônaco. — Niall contou, mudando de assunto subitamente. — Ela me disse que a medicina não era a área de estudo dela, mas que sabia falar com os mortos.

      — E ela fez o quê? Reviveu o seu pau? — Harry caçoou enquanto acabava de anotar as informações no prontuário.

      Niall o olhou, sério, parando de cortar os damascos.

      — Tive que conversar com a bisavó dela, nu, depois de transarmos e enquanto fumávamos erva. — Ele disse. — Meu pau com certeza ficou morto depois disso.

      Tyson e Harry caíram numa crise de riso alta e escandalosa, fazendo Niall se arrepender amargamente de ter-lhes contado sobre aquele episódio. Não que eles próprios não tivessem histórias semelhantes ou até mais irreais. O fato era que, querendo ou não, a vida nos mares lhes dava muito o que contar, ainda mais quando outras pessoas estavam envolvidas.

      — Ei, Harry. — Niall chamou ao colocar um balde com água e sal sobre o balcão da cozinha, despejando os damascos ali. — Quantos anos sua irmã tem?

      — Vinte e sete, é cinco anos mais nova que eu. — O capitão respondeu, franzindo a testa. — Por quê?

      — Nada. — O cozinheiro riu. — Só pensando em como seria legal caso fôssemos cunhados.

      Harry fechou a expressão, mas mesmo assim Niall e Tyson mantiveram seus sorrisos cúmplices no rosto. Era engraçado o quão protetor o cacheado poderia ser com as pessoas que amava, sobretudo quando sentia ciúmes.

      — Não pense que ela é fácil como as putas com quem você transa, Horan. E se pensar em tratar minha irmã como uma delas, eu mesmo te castro.

      Niall levantou as mãos na altura dos ombros, sorrindo, em sinal de rendição. Decidindo que era melhor desfazer a tensão de Harry, Tyson o puxou pelo braço alegando que ainda tinham muitas coisas a serem vistas no navio, e que não tinham o dia todo. Forçado, o capitão foi, deixando seu melhor amigo rindo escandalosamente para trás.

      No convés, Harry e Tyson anotaram todos os problemas e materiais que Oliver e Mario pontuavam. Era bizarro vê-los falar, uma vez que ambos eram gêmeos idênticos e o único modo de diferenciá-los eram as marcas horrendas de queimaduras que Oliver tinha por todo o rosto, resultado de um embate que tiveram com um navio holandês anos atrás. Ainda assim, os dois eram extremamente competentes e entendiam muito bem de marcenaria, eram homens valiosos já que poucos navios possuíam marujos bons naquele cargo.

      — O casco do navio também precisa de manutenção. — Mario comentou, ao pararem no extremo da proa. — São só algumas cracas infelizes que precisam ser tiradas, mas qualquer criado-de-bordo que tenha o mínimo de competência consegue fazer isso.

      — Isso é tudo que precisam? — Harry indagou, olhando de soslaio para a lista extensa que Tyson tinha feito. Aquilo seria caro.

      — Sim, é tudo. — Os dois irmãos falaram ao mesmo tempo, antes de saírem dali.

      — Vai descontar dos salários deles? — Tyson perguntou enquanto também andavam a esmo pelo navio.

      — Uma parte, sim. Isso não vai ser barato.

      — Aye.

      Harry vagou seus olhos por sua tripulação, parando-os sobre a figura que se diferenciava no meio de tantos ratos do mar, tão pura e limpa que mais parecia um anjo em meio a um montante de demônios. Gina tinha uma beleza única, certamente herdada de sua mãe biológica, pois a única coisa que tinha herdado de Heath Styles eram os olhos verdes e, de resto, tudo gritava sua descendência mestiça.

      Seus cabelos loiros eram ondulados nas pontas, e seu tom era tão puro que chegava a ser comparável com o do arcanjo Gabriel. Além disso, as curvas de seu corpo eram bem mais acentuadas e notáveis do que do resto das mulheres encontradas na Europa, o que dava a suspeita de que a mãe de Gina poderia ser vinda de alguma das Américas. De todo modo, o que mais chamava a atenção para a Styles mais nova não era nenhum de seus aspectos físicos, mesmo que estes fossem atrativos.

      Gina era uma pessoa naturalmente boa, que nunca visava nada além de fazer o bem quando ajudava alguém, e tinha uma delicadeza ao falar e tocar que, para um pirata moribundo, poderia parecer realmente como se um anjo estivesse ali, tendo assumido forma humana. Conciliar isto ao fato de sua personalidade forte e determinada a tornava ainda mais interessante aos olhares não só masculinos, mas também femininos. Gina Styles era alguém que quase todos queriam por perto.

      — É capaz de sua cabeça explodir se continuar pensando assim. — A voz grossa de Tyson o despertou, trazendo sua mente de volta à realidade.

      O imediato tinha um sorriso pequeno em sua boca, porém um pouco de preocupação também se esgueirava por trás de seus olhos castanhos.

      — Acha que Niall realmente vai tentar fisgá-la? — Apontou para a irmã com o queixo, o que causou uma risada curta em Tyson. — Estou a sério.

      — Eu não sei, capitão. — O homenzarrão deu de ombros. — Mas, se ele o fizer, que mal há? Sua irmã é uma moça crescida e muito inteligente, então acho improvável que se deixe enganar caso Niall tente enchê-la de ladainhas.

      Harry voltou seu olhar para Gina. O imediato tinha razão, mas ao mesmo tempo, o pirata sentia a necessidade de tentar fazer o que não pôde nos anos que não ficara ao lado da irmã. Só Deus sabia o que ela tinha passado sem nenhuma figura masculina, e pensar sobre isso trazia as piores hipóteses para a mente de Harry.

      — Eu só quero o melhor para ela. — Admitiu em voz alta. — Compensar a falta que fiz em mais de uma década.

      Tyson suspirou, agora também olhando para Gina Styles, que observava o mar se moldando ao redor do Octavius Medan enquanto a imensa embarcação abria caminho sobre a superfície azul brilhante.

      — Senhor, você melhor do que ninguém conhece a sua irmã. Até eu sei que tentar protegê-la de algo tão inútil como um flerte de um pirata seria motivo de briga, então refaça suas prioridades sobre isso.

      — Como assim? — O capitão encarou o imediato.

      — Se quer protegê-la, sem causar discussões desnecessárias, ensine-a a viver no nosso mundo. — Tyson abriu os braços, segurando a caderneta fechada numa das mãos. — Uma das regras do Código é que todos os marujos a bordo sempre tenham pistolas carregadas e espadas afiadas, que saibam lutar nas mais inesperadas situações. Faça isso por sua irmã, também. Dê a ela uma espada e uma arma, e a ensine sobre como lutar, como se defender.

      — Mas...

      — Mas o que, capitão? — O outro interrompeu. — Quer esperar até um dia onde, enquanto lutamos, você não consiga estar perto e ela acabe morta porque você se recusou a treiná-la? Senhor, nós te escolhemos como capitão porque sempre foi justo e imparcial, sempre teve um senso de política maquiavélico. Não deixe que esses homens se arrependam disso. Ela é sua irmã, mas não mais uma criança, como você se lembra.

      Harry gostaria de ter respondido algo antes que Tyson saísse andando, o deixando sozinho, porém, a bem da verdade, ele próprio não tinha ideia do que dizer. Tudo o que seu imediato havia falado era a mais pura realidade: Gina não aceitaria ficar somente sob a proteção do irmão ou de qualquer outro subordinado, e a melhor opção para mantê-la a salvo era, portanto, ensiná-la a viver no mundo deles. Afinal de contas, quem a tinha posto no meio de tantos homens abandonados por Deus era ele, então a responsabilidade também cairia sobre suas costas.

      Por isso, ele andou a passos firmes até onde sua irmã estava, apoiando seu peso nos braços sobre a balaustrada, assim como ela. Gina o fitou de soslaio, entretanto não disse nada. Ainda era um pouco estranho estar tão perto de seu irmão, mesmo que tivessem se visto há cinco anos atrás, na primeira vez em que ele visitara seu bar. Não fora um encontro amigável, sequer trocaram mais do que um cumprimento. Quando seus olhos passaram sobre o braço de Harry, Gina enfim se pronunciou:

      — Isso é uma espécie de marcação? — Indagou, apontando para a cicatriz em forma de “P” dentro do antebraço do pirata.

      — Sim, por aí. — Harry esticou o braço para facilitar a visão de sua marca. — Isso foi na primeira vez que fui preso. Um correspondente oficial do rei tentou fazer um acordo comigo para tornar-me corsário, e quando recusei, disse que, então, eu jamais poderia apagar de meu corpo e de minha alma a sujeira pecaminosa que eu havia escolhido.

      — Por que não aceitou? — Um brilho de amargura passou pelos olhos de Gina. — Serviria ao governo inglês fazendo exatamente a mesma coisa que faz agora, porém com homens respeitosos e de boa índole.

      — Acho que está sendo hipócrita em querer me cobrar de algo que você mesma aceitou. — Harry repreendeu. — Lembre-se que em momento algum a obriguei a subir a bordo de meu navio, tampouco a juntar-se à minha tripulação. Você está aqui por escolha própria, Gina.

      A mulher calou-se. Harry estava certo, seu livre-arbítrio jamais fora contestado pelo irmão, e o remorso por saber que ele tinha recusado ser corsário se dava mais pelo fato de que, ao invés de ter sido tão ausente, Harry teria participado significativamente mais de sua vida.

      — Ainda assim, — ela continuou, menos arisca. — Por que recusar um cargo como o que te ofereceram?

      Harry suspirou, encarando o horizonte que se estendia em sua frente.

      — A presumir pelo nível de escolaridade que você aparenta ter recebido, acredito que tenha lido O Príncipe.

      — Sim, com certeza. — Ela concordou.

      — Não acha engraçado que, mesmo depois de tanto tempo desde a morte de Maquiavel, o retrato de tirania monárquica sobre o qual ele escreveu continue sendo tão atual?

      — A avareza e o egoísmo dos homens sempre serão os mesmos, Harry. — Gina respondeu. — É claro que todos os governantes continuarão mesquinhos e tiranos. Mas que tem isso a ver com você ter recusado o cargo de corsário?

      — Como você disse, eu poderia fazer exatamente o que faço, porém com aprovação legal do rei para isso. — O capitão virou, recostando-se na balaustrada com os braços cruzados sobre o peito, agora encarando sua tripulação. — Prefiro ter a liberdade de ser um pirata, sem o peso na consciência de estar me fingindo de cego para as mazelas que este reinado causa às pessoas.

      — Acha que a pirataria é um meio honesto, então? — Gina falou, com certo sarcasmo no tom.

      — Não. É claro que não. — Harry olhou-a. — Mas, ao menos, não é um caminho hipócrita. Eu sei que velejo com assassinos, ladrões e adúlteros. Eu sei que também sou um deles. Porém, nunca escondi isso de ninguém. Nunca me fingi de algo que não sou. E quanto às pessoas que sentam suas bundas em tronos fúteis, e enriquecem à custa do trabalho exacerbado e desvalorizado do povo?

      Gina engoliu em seco antes de voltar a olhar o mar. Você é egoísta, vadiazinha, pensou consigo mesma. Cada um faz o necessário para sobreviver. Ele escolheu um caminho, e você outro. Não seja estúpida.

      — Eu entendo, agora. — Falou. — Te achava um cretino por ter saído de casa tão novo, quando eu ainda sofria na mão de sua mãe. Nunca achei que te veria novamente, e nem sei se queria, naquele tempo, por conta da raiva que sentia de você.

      — É compreensível. Eu só queria acompanhar nosso pai aonde quer que ele fosse. — Harry deu de ombros. — Sinto muito por isso.

      — Não é culpa sua. Consegui sair de casa assim que juntei dinheiro o bastante para me virar. — Gina fechou as pálpebras, aproveitando a sensação da maresia em seu rosto. — Abrir aquele bar me ajudou muito não só a arrancar moedas de marinheiros bêbados e desiludidos, prostitutas e até mesmo ricaços falidos. Cresci muito tendo que lidar com as merdas que a vida trazia. Me tornei independente de qualquer pessoa.

      Ambos ficaram em silêncio por um tempo, apenas ouvindo a barulheira estridente dos marujos de Harry e as ondas batendo no casco do Octavius Medan. Estranhamente, uma sensação de calma se apoderou de ambos.

      — Por que resolveu abrir um bar?

      — Era a opção mais fácil, acredito. — Gina, mordiscou a ponta de sua unha. — Eu não poderia revelar publicamente minhas habilidades médicas, ou seria condenada à forca em praça pública.

      — Aposto que viveu coisas bem diferentes do que estava acostumada em Sussex.

      — Pode apostar. — A mulher riu suavemente, um som tão distinto aos gritos costumeiros em seu navio que Harry até mesmo fechou os olhos em deleite. — Mas acho que o melhor momento foi quando conheci Beowulf.

      — Como o poema?

      — Sim. — Ela sorriu. — Como o poema. Ele era dinamarquês, e pela lenda contada, seus pais tinham muito respeito ao herói dos textos já que ele salvou o rei de seu país. Daí seu nome, numa homenagem.

      — Entendo. — Harry disse, e tentou disfarçar a pontada de ciúme por outro homem ter feito algo de importante para a vida de sua irmã quando ele mesmo não pôde. — E por que Beowulf foi tão especial?

      — Ele apareceu no pub em um dia que um homem desgraçado resolveu mexer comigo. Na época, eu não sabia como me defender, então ele me ofertou alguns treinos de luta com espadas, me ensinou a usar armas e também lutas mano a mano.

      Harry, agora, não conseguiu conter a cara de desgosto. Tudo que ele planejava ensinar para Gina, aquele homem dinamarquês já tinha feito. Entretanto, outros sentimentos se apossaram de seu ser: orgulho e alívio. Ainda que tivesse sido ótimo poder praticar artes de batalha com sua irmã para protegê-la, era ótimo saber que alguém já tinha feito aquilo por ela, numa época onde era mais fácil de coisas ruins acontecerem.

      — É bom saber que você teve alguém para te ajudar com isso. — O capitão disse, por fim.

      Gina apenas sorriu, logo, um momento de silêncio se fizesse presente entre eles. Harry decidiu, então, resolver o resto de suas pendências antes que a noite caísse e todos fossem dormir.

      Na manhã seguinte, as coisas estavam tranquilas para o capitão Harry Styles, exceto por um fato: Niall estava próximo demais de Gina, sempre querendo mostrar coisas do navio para ela e constantemente saía de seu posto para voltar a conversar com a médica. Tyson e Zayn ficaram caçoando de seu desconforto pelos flertes do cozinheiro com sua irmã, e por mais que Harry soubesse que Niall não era capaz de machucá-la, sentia-se incapaz de se conectar com a irmã de forma tão fácil quanto o irlandês tinha feito.

      Contudo, Harry não teve muito tempo para se chatear mais, pois, perto das dez da manhã, o vigia da gávea gritou em plenos pulmões:

      — CAPITÃO! CAPITÃO! NAVIO À VISTA, A ESTIBORDO.

      Harry se apressou para esticar sua luneta e averiguar a direção para onde o vigia apontou. Realmente, a uma direção considerável, estava um enorme galeão espanhol com homens bem vestidos e com suas espingardas postas em suas costas. A bandeira branca com a Cruz de Borgonha inflava de forma constante conforme o vento a atingia.

      Octavius Medan era um navio enorme e com canhões que nunca haviam deixado Harry na mão, porém eles tinham Gina a bordo e, por mais que a mulher tivesse certo conhecimento sobre diversas lutas, um combate pirata era algo tenso e imprevisível, sobretudo no mar. Ele precisava bolar algo que os desse vantagem o bastante para que ela pegasse alguma prática sobre o que era a vida no mar.

      Por isso, Harry guardou a luneta e correu até onde Zayn comandava o timão, sob o olhar atento de seus homens que aguardavam por alguma ordem de iniciar um ataque. Entretanto, no lugar disso, capitão Styles olhou para aqueles piratas moribundos e tensionou os ombros.

      — Ajam como se não tivessem visto eles. Recolham a bandeira.

      Os marujos se entreolharam, confusos, mas obedeceram. Caçaram as cordas da bandeira e seguiram com suas tarefas diárias. Zayn coçou a garganta ruidosamente, atraindo a atenção de Harry.

      — Que porra estamos fazendo, capitão?

      — É um galeão. — Apontou com a cabeça para o navio dos espanhóis. — Se nós tentássemos atacar, seria brutal. Gina está aqui e nunca lutou no mar, então esperaremos que eles atraquem em alguma ilha, ou fiquem encurralados. Não temos contrato algum com o rei, podemos levar o tempo que for preciso.

      Zayn direcionou-o um olhar torto, estranhando a benevolência repentina de Harry, porém concordou. Na maior parte das vezes, Harry tinha um apreço moderado pela vida de seus marujos, os protegendo o tanto quanto era possível mas, ainda assim, eles tinham um Código a seguir, e uma das condutas era de fazer o possível para que o sucesso da tripulação fosse certo. Aquilo incluía sacrifícios que, às vezes, custavam suas vidas.

      De todo modo, era compreensível sua preocupação. Gina era sua família, sua única família fora de terra firme e que se fazia presente depois de tantos anos.

      — Mande que diminuam a velocidade, e assim que escurecer vamos apagar todas as luzes. — Harry resmungou, encarando o galeão espanhol ao longe. Estava aéreo, possivelmente pensando em alguma estratégia.

      Subitamente, os ventos sopraram algumas rajadas violentas e todos no navio, com exceção de Harry, penderam para frente pelo desequilíbrio. Capitão Styles sequer pareceu notar que aquilo aconteceu, ainda olhando para o navio inimigo, intacto em sua pose ereta e pensante, digno de um verdadeiro líder. Zayn franziu as sobrancelhas, se perguntando como aquilo tinha sido possível.

      — Ouviu o que eu disse, Zayn? — O cacheado indagou.

      — Aye, aye, sir. — O navegador respondeu, coçando uma cicatriz infeccionada em seu pescoço. Então, voltou seus olhos castanhos para o galeão, curioso sobre se aquela mudança nos ventos tivesse a ver com o que os espanhóis poderiam estar levando. — Ouvi, sim.

















      A noite tinha caído e, por mais que fosse madrugada e a maior parte de seus homens quisesse ir para os cômodos de dormir, toda a tripulação averiguava os arredores e estava atenta às ordens do capitão. Harry, por sua vez, estava no tombadilho com Gina, Niall e Zayn, observando o movimento do galeão espanhol. Sua mente estava tranquila por saber que todos seus homens, e sua irmã, tinham espadas afiadas e armas carregadas.

      Além, é claro, da ótima notícia de que os espanhóis decidiram atracar num promontório ao invés de uma ilha deserta, e isso os dava mais vantagem sobre esconder o Octavius Medan por trás de algum monte ou rochedo. A cabine do capitão estava acesa, o que significava que ele, o imediato e alguns guardas estavam acordados. Não dava para saber se tinham notado a presença dos piratas, porém não terem declarado fogo contra o navio pirata era um bom sinal.

      — Capitão. — Niall chamou, escorado na balaustrada. — Como vamos ter certeza que é seguro lidar com o tritão?

      — Tritão? — Gina se pronunciou. Ela era a única que não sabia o que eles estavam buscando. — Que história é essa?

      — O rei me pediu para ir atrás desse tritão que os espanhóis têm. — Harry disse, simplesmente.

      — Por quê? — Ela se exasperou.

      — Estão em busca de uma fonte da vida eterna, e precisam do sangue desse tritão para isso. — O mais novo se virou para Niall, enfim o respondendo: — E não tem como saber de sua natureza. O rei tampouco sabia qual sua espécie, mas acho que deva ser manso ou, pelo menos, fraco o bastante para ser contido por armas de fogo e cordas mundanas.

      — Aye, acho que sim. — O cozinheiro suspendeu as sobrancelhas e arreganhou o beiço, concordando. — Me sinto ansioso para conhecer um tritão pela primeira vez. Será que é muito diferente de um humano?

      — Vai saber. — Zayn se espreguiçou, esticando os braços e tronco. — Já ouvi falar que as ninfas se transformam em algo que seja agradável aos humanos para que não criem intriga.

      — Não há ninfas machos, elas se reproduzem usando a energia de mangues e pântanos. — Gina comentou. — Talvez seja uma arabela. Necroínfas são perigosas e ariscas demais.

      — É verdade. — Harry concordou com a irmã. — Bom, ele deve ser dócil ou, pelo menos, não tão difícil de controlar quanto nós pensávamos. Mas precisamos ir logo com isso. — O capitão apontou para o galeão espanhol. — Já desligaram as luzes.

      A partir dali, tudo foi feito com o cuidado que só os piratas poderiam ter. Com o máximo silêncio possível, Harry coordenou sua tripulação para que desembarcassem e se dirigissem até a praia onde o acampamento espanhol tinha sido levantado. Havia barracas espalhadas pela areia feitas de couro de algum animal, fogueiras espalhadas em pontos determinantes para que os guardas tivessem uma boa visão da mata e também dos limites da praia.

      É claro que estariam preparados, pensou Harry, analisando suas possibilidades de ataque e invasão. Mesmo que as sentinelas fossem extremamente bem treinadas para guardar seus oficiais e superiores, a tripulação do Octavius Medan sabia muito bem o que fazer para ser mais sorrateiro do que ratos andando pelas ruelas de Londres.

      Assim, bastou um sinal coordenado do capitão Styles para que o ataque começasse, pegando todos da tripulação espanhola de surpresa. Os gritos guturais dos piratas misturaram-se aos grunhidos proferidos em palavras estrangeiras dos corsários, o tilintar alto e raspado das espadas se chocando construiu rapidamente um ambiente caótico e vulgar.

      Harry tentou ao máximo manter-se de olho em Gina, que estava sendo acobertada por Tyson e Niall. Os demais marujos davam tudo de si para matar o maior número de espanhóis possível, então seu capitão se empenhou mais ao invés de ficar se preocupando com sua irmã.

      Zayn estava vasculhando da melhor forma que podia para encontrar o local que estariam guardando o tritão, mas até o momento não havia tido sorte. Talvez, após a batalha, conseguissem revirar o porão do galeão para tentar a sorte lá, entretanto, para isso, precisavam derrotar o inimigo. Modéstia à parte, os homens de Harry eram os melhores quando o assunto dizia a respeito de abates inesperados pelos mares caribenhos; eles tinham certa fama.

      Em vista disso, não foi difícil acabar com aqueles espanhóis. Em alguns minutos, a tripulação do Octavius Medan tinha matado mais da metade dos católicos e, o resto, estava sob a mira de suas espingardas e das pontas afiadas das espadas. Gina tinha conseguido sair ilesa, e já estava cuidando de alguns dos piratas que haviam se ferido na batalha.

      — Zayn e eu iremos checar o navio deles. — Harry avisou, em alto e bom som. — Cuidem para que nenhum fuja.

      Chamando o navegador com um aceno de cabeça, capitão Styles agarrou uma das grossas espias que faziam o galeão ficar preso à areia da praia. Como de costume, foi fácil forçar seus braços a sustentarem e subirem seu corpo até alcançar o convés espanhol. Estava tudo quieto, uma vez que os tripulantes tinham descido todos para ajudar contra os piratas, e isso fez mais fácil a tarefa de vasculhar os cômodos principais sem serem incomodados.

      Harry ficou surpreso com tantas coisas caras que aqueles estrangeiros tinham em seu barco. Ainda que fossem ricos e de cargos altos, estavam numa expedição muito complicada e que poderia atrair todo tipo de gente até o galeão deles. Carregar tantas riquezas era pura mesquinhez e descuido.

      Os lugares mais prováveis em que os espanhóis poderiam estar escondendo o tritão seria na cabine do capitão, na cozinha, porão ou cômodos de dormir. Eles tinham visto todos estes, menos o porão, então foram juntos para lá. Era um cômodo úmido, escuro e fétido, ainda que fosse um navio real da marinha espanhola, e Harry acreditava que todo porão de qualquer embarcação fosse exatamente igual.

      Algo, porém, fez com que o capitão fosse para os fundos do porão, no canto mais decrépito do cômodo.

      Foi ali mesmo que, movido por instinto, Harry encontrou um enorme aquário de vidro e madeira, com a água num tom ciano brilhante, quase como se produzisse a própria luz. A estrutura era verdadeiramente grande, ocupando boa parte do espaço entre a parede do fundo até a primeira cela do porão. Forçando os olhos, capitão Styles ainda assim não conseguiu enxergar o tritão.

      Por isso, aproximou-se a passos cautelosos, vistoriando mais uma vez a água túrbida através do vidro. Olhando para cima, reparou que o tampão do aquário não tinha nenhuma fresta aberta, nada que permitisse à criatura a respirar. Pode estar morto a essa altura, pensou enquanto sacava sua espada para, então, enfiá-la pela madeira do tampo e da parede de vidro, usando-a como uma alavanca.

      Esperou por alguns segundos, até que pensou que o tritão realmente estivesse morto. Entretanto, uma movimentação estranha chamou sua atenção e, logo, num movimento súbito que fez o pirata soltar um grito de surpresa, uma forma subiu de forma rápida à superfície, apoiando-se para conseguir respirar ruidosamente o ar que entrava no aquário.

      Era indescritível a sensação de estar tão perto daquela criatura. Sua pele azul-acinzentada o disfarçava na água, porém as garras de suas mãos — ou patas? Elas tinham membranas interdigitais que se assemelhavam aos pés dos patos — eram escuras e afiadas, longas o bastante para atravessar a garganta de um homem adulto. Entretanto, quando o tritão direcionou seus olhos para Harry, um choque percorreu a espinha do pirata.

      Eles eram tão vívidos, azuis com pontos pretos irregulares, que era impossível dizer se ele estava sendo encarado por algo além do próprio oceano. Era quase divino. Seus orbes também eram dóceis, quase como se agradecessem-no por tê-lo dado ar.

      Com movimentos automáticos, Harry levou sua mão à superfície fria do vidro, espalmando seus dedos ali. Talvez, por dentro, desejasse tocá-lo. Exatamente por isso, um suspiro sôfrego saiu de seus lábios rachados e feridos quando, lentamente, o tritão também colocou sua pata com a de Harry, observando seus olhos verdes de modo letárgico.

      Aos poucos, as garras dele começaram a diminuir, assim como sua cauda retraiu-se e dividiu-se em duas partes. Levou alguns segundos para que Harry notasse o que estava acontecendo. O tritão estava virando humano. Um homem, completa e perfeitamente formado.

      Em questão de segundos, a criatura mágica havia assumido forma mundana, e era tão belo quanto antes.

Ahoy, marujos!

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Até o próximo capítulo, amo vocês. ♥

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