13. Noite de halloween pt2
Deixei que ele me guiasse para dentro de casa novamente, fazendo uma careta quando senti as pessoas esbarrarem em mim. Parece que ficou ainda mais cheio isso daqui, juro que não sei de onde surgiu esse tanto de gente.
Ele andava na minha frente segurando a minha mão e a todo instante virava para trás para me examinar, vez ou outra ele afirmava o aperto na minha mão como se precisasse confirmar que eu estava mesmo ali.
- Mal te ganhei e já vou te perder. - ghost (vou ter que chamar ele assim já que o moço se recusa a me falar seu nome) falou rindo fraco parando de caminhar, me fazendo parar atrás dele.
- O que? - perguntei confusa mas antes que ele pudesse me responder, eu senti duas mãos me segurarem pelos ombros me puxando de encontro a alguém.
- Você estava aonde, sua peste? Te procurei por toda parte e não te achei! - Jihyo exclamou me chacoalhando pelos ombros e eu fiz uma careta me afastando do seu toque. Bruta.
- Eu estava lá fora, fui pegar um ar. - expliquei e senti o ghostface se aproximar de mim fazendo com que a minha amiga notasse ele ali.
Ela intercalou o olhar entre nós dois e logo abriu um sorriso de orelha a orelha negando com um aceno de cabeça. Provavelmente deve estar pensando besteira, já que é só isso que ultimamente vem rondando a cabecinha dela, deve estar entrando na puberdade.
- Pelo visto pegou mais que um simples ar né.
- Jihyo! - exclamei envergonhada fazendo minha amiga rir.
- Seu irmão está te procurando. - ela avisou agora adquirindo uma expressão séria e eu olhei em volta tentando achar meu irmão, mas não vi ele por ali.
Ainda bem, se ele ver que eu estou me divertindo ou só em me ver ao lado do Ghost, vai fazer de tudo para tirar minha paz e eu não quero que isso aconteça! Quero curtir minha noite de hoje sem ter que lidar com os chiliques do meu irmão.
Estava decidida a ter uma noite normal de adolescente sem me preocupar com o dia de amanhã.
- Farei o possível para ele não me encontrar. - garanti ganhando um sorriso orgulhoso da Jihyo que deixou um beijo estalado na minha bochecha.
- Minha garota! Vai curtir sua noite, te dou cobertura.
Sussurrei um "obrigada" e deixei novamente o Ghost segurar minha mão, ele me guiou para um canto mais afastado perto da escada e olhou em volta como se também procurasse algo mas logo voltou a sua atenção para mim.
- Quer fazer o que? - perguntou apoiando o braço na parede ao lado do meu rosto. Eu estava com as costas pressionadas nela e ele estava parado na minha frente.
Confesso que eu estava me sentindo naqueles edits de dark romance. Ele parecia tão problemático e ao mesmo tempo tão intrigante, não sei se é pela fantasia ou pelo fato de eu não saber quem está por trás dessa máscara, mas ter seu corpo alto tão perto de mim dessa forma está me dando algumas ideias... E olha que eu nem bebi nada.
- Dançar? Beber? Negar cocaína? - perguntei arrancando uma risada dele - Não é isso que acontece nas festas?
- Eu não sei, não sou muito fã de festas. - ele deu de ombros e olhou em volta. Ok, ele não gosta de festas, então não deve participar de muitas, já posso adicionar isso na lista.
Quem é ghostface?
* Provavelmente estava na gincana da sexta série onde eu participei da soletração.
* Não gosta de festas, então provavelmente não vai nelas.
* Talvez ele seja um nerd que estuda na minha escola?
Acho que deveria começar a procurar por esses tópicos.
- Eu também não, na verdade, eu nem iria vir. - dei de ombros olhando em volta. Não iria dizer para ele que essa é a primeira vez que vou em uma festa, provavelmente ele iria me achar uma idiota.
- Eu também não, decidi vir de última hora. - Ghost falou rindo tirando seu braço da parede ao meu lado. Ele cruzou os braços e eu repeti seu gesto, ficamos nós dois nos olhando, quer dizer, eu fiquei olhando a máscara né.
- Por que?
- Um passarinho me contou que você estaria aqui.
Ri alto com o que ele disse e neguei com a cabeça. Ele realmente acha que vou cair nesse papinho dele? Para quantas será que ele falou isso hoje? Sou a terceira, quarta?
- Ah claro, e você só veio por causa de mim? - perguntei sorrindo entrando na dele. Ou fingindo para ele que estava acreditando no que ele falava.
- Sim.
- Conta outra.
- É sério. - ele se aproximou novamente agora apoiando as duas mãos na parede uma de cada lado do meu rosto. Engoli em seco quando ele se inclinou na minha direção deixando nossos rostos próximos - Eu não ia vir mesmo, vim só porque você ia estar.
Obviamente ele estava mentindo, eu sou invisível, ninguém além das minhas amigas sabe quem eu sou, e logo um garoto que eu acabei de "conhecer" diz que só veio nessa festa por causa de mim? Conta outra! Ele provavelmente só está querendo uns beijos meus e está tentando me ganhar com essa conversinha.
- Então aonde estava esse tempo todo? - perguntei erguendo o rosto mantendo meu olhar firme na máscara em seu rosto - Se veio por minha causa, deveria estar me procurando, certo?
- Não exatamente, eu estava te esperando na sua árvore. - ele falou e eu o olhei surpresa, como ele sabia que eu iria para aquela árvore e pior ainda, como sabia que ela era minha? Provavelmente ninguém aqui deve saber que eu sou irmã do anfitrião dessa festa e que moro aqui - É, eu te conheço bem mais do que você imagina.
- Você é um stalker? - perguntei assustada e ele riu negando com a cabeça.
- Não, só sou alguém próximo.
*Alguém próximo.
Já adicionada a lista. Mas confesso que não faz sentido, eu não sou próxima de nenhum garoto da escola.
- E por que não me fala seu nome? - perguntei o encarando séria. Agora mais que nunca eu preciso saber quem ele é e como me conhece tão bem.
- Uma dança primeiro e depois penso no seu caso. - ele falou inclinado a cabeça para o lado e eu desviei o olhar para as pessoas atrás dele que dançavam animadas na sala de casa e rapidamente neguei com um aceno.
- Eu não sei dançar.
- Nem eu, na verdade, eu sou péssimo. - ele falou e segurou minhas mãos - Mas por você eu faço esse sacrifício.
Revirei os olhos rindo e fui até a "pista" com ele, no fundo tocava uma música eletrônica e todos na volta pareciam entretidos em seus próprios mundos para prestarem atenção nos dois patetas que não sabiam dançar.
Confesso que estava até que me divertindo com as tentativas falhas de fazer algum passo com o Ghost, eu não sei se ele estava dançando mal para não me deixar sem graça, mas eu só sei que ri muito quando ele tropeçou e quase caiu. Ele fingiu que ficou bravo e me puxou pela cintura colando nossos corpos o que fez com que eu engolisse em seco e parasse de dançar.
- Vo-Você pisou no meu pé duas vezes já. - falei a primeira coisa que veio na minha cabeça me sentindo nervosa por ter seu corpo tão colado ao meu. Os meus seios estavam prensados contra ele e eu tive que erguer a cabeça para olhar para ele.
- Foi mal. - ele riu fraquinho deslizando sua mão da minha cintura até o meu quadril, deixando um leve aperto ali, aperto esse que me deixou com as pernas bambas - Eu te avisei que era péssimo nisso.
- Achei que estava sendo modesto.
- Modéstia não é muito a minha praia. - ele riu mas resmungou um palavrão quando alguém dançando esbarrou na gente quase me derrubando, eu só não cai porque ele me segurou com força - Vem. - ele me guiou com uma mão nas minhas costas para nós sairmos da pista de dança.
- Para onde está me levando? - perguntei enquanto subia as escadas com ele ainda me guiando. A casa era minha, então obviamente eu conhecia todos os cantos dela, a pergunta que eu me fazia era se ele também conhecia e se sim... Por que? Como?
- Eu mal consigo te ouvir com essa barulheira toda, vamos para um lugar mais calmo. - ele falou quando chegamos no corredor que também havia algumas pessoas, elas estavam fazendo fila para usar o banheiro.
- Difícil encontrar um lugar calmo aqui. - falei rindo. Eu poderia muito levar a gente até o meu quarto, mas não sei se quero realmente fazer isso, a ideia de levar um desconhecido para um lugar tão íntimo meu é assustadora.
- Difícil, porém não impossível. - ele riu e ergueu algo me fazendo arregalar os olhos.
As chaves do quarto do meu irmão.
Como ele conseguiu elas? Ele roubou? Meu irmão deu para ele? Ele conhece meu irmão? É por isso que me conhece?
- Me fala o seu nome. - pedi apressada segurando seu pulso quando ele foi destrancar a porta do meu irmão.
* Ele é alguém próximo que conhece meu irmão.
Eu preciso muito saber quem ele é! Muito mesmo!
- Eu não posso. - ele falou e abriu a porta fazendo sinal para eu entrar, mas eu neguei com a cabeça.
- Pode sim.
- Posso não. - ele deu de ombros e entrou no quarto. Respirei fundo e sem pensar muito entrei atrás dele fechando a porta em seguida - E se você não gostar da pessoa por trás dessa máscara?
- Você só vai saber se você me mostrar. - falei apoiando as costas na porta. Ele está mesmo inseguro sobre eu não gostar dele sem essa máscara? Mas por que?!
- Eu tenho que te confessar uma coisa. - ele deu alguns passos para na minha frente e eu engoli em seco levando a mão até a maçaneta da porta.
- É agora que você me mata?
- Não. - ele riu e se aproximou mais ainda, prendi a respiração quando sua mãos tocou a minha que segurava a maçaneta e lentamente ele foi tirando ela dali - Eu quero muito te beijar.
- O que? - arregalei os olhos surpresa com o que ele disse. Me beijar? Ele quer me beijar?!
- E essa vontade não é de hoje.
Pensei seriamente em empurrar ele, mas lembrei que para me beijar ele teria que tirar essa máscara, então eu conseguiria ver seu rosto e saber quem ele é e fora que um beijo não mata ninguém, certo? Só um beijo e depois cada um para o seu lado! Sim, eu posso fazer isso! Eu posso e vou!
- Então me beija. - sussurrei as palavras e acho que ele só precisava ouvir aquilo.
- Porra, você não tem noção do quanto mexe comigo garota. - Ghost resmungou me puxando pela cintura fazendo nossos corpos de colidirem com força me fazendo ofegar surpresa.
Achei que ele tiraria a máscara e me agarraria ali mesmo e mesmo que se ele desligasse a luz, a iluminação que vem de fora da janela me deixaria ver ele, mas para o meu azar, ele me levou até o banheiro do meu irmão provavelmente também pensando nisso.
- Acende a luz. - pedi quando ele fechou a porta - Tenho medo do escuro.
- Espertinha. - ele riu e me prensou contra a parede ao lado da pia. Estava muito escuro, eu não conseguia ver ele, apenas conseguia sentir seu toque - Mas não quero que você saiba quem eu sou assim.
- Por que não?
Ele não me respondeu, apenas se afastou um pouco de mim.
Eu notei a movimentação que ele fez para tirar a máscara, mas antes que eu pudesse chegar com a mão no interruptor ele segurou ambos meus pulsos e apoiou sobre a minha cabeça na parede.
- Sem trapacear. Entendeu? - ele alertou ainda com a máscara e eu concordei com um aceno, mas lembrei que ele não iria conseguir ver já que estava muito escuro ali.
- S-Sim, entendi.
Ele não respondeu, mas tirou uma das mãos do meu pulso e com a outra continuou mantendo meus braços presos. Ele finalmente tirou aquela máscara apoiando na pia ao nosso lado e eu engoli em seco. Céus, eu preciso tocar tudo que a minha mão alcançar para tentar descobri quem ele é.
Ele voltou a segurar ambas as minhas mãos para cima e eu fechei os olhos quando senti sua testa se apoiar na minha e ele fazer um leve carinho com o seu nariz no meu.
- Vai me beijar ou ainda está tímido? - perguntei implicando com ele na esperança dele falar algo, mas novamente notei que ele estava decidido a ficar no anonimato.
Então ao invés de me responder com palavras, ele me respondeu com ações.
Minha cabeça inclinou para trás quando ele juntou nossos lábios com pressa e logo soltou meus pulsos descendo suas mãos para minha cintura, me puxando para perto dele. Deixei com que ele me beijasse daquele jeito forte e apressado, como se realmente estivesse há tempos querendo fazer isso.
Sua boca devorava a minha com fervor enquanto seu toque era firme e forte contra a minha pele, como se há cada segundo ele tivesse medo que eu fugisse dali.
Coloquei minhas mãos na sua nuca também puxando ele para mais perto (se isso fosse possível) de mim. Eu sei que falei que iria tentar descobrir quem ele era, mas do jeito que ele está me beijando, eu estou esquentando até mesmo meu idioma.
Soltei um suspiro quando ele separou nossos lábios mas antes que eu pudesse reclamar disso, ele se inclinou para baixo e eu senti suas mãos apertarem minhas coxas me puxando para seu colo. Antes mesmo que eu pudesse me envergonhar por isso, ele me beijou novamente me prendendo contra a parede.
Abracei seus ombros e segurei seu queixo guiando agora o nosso beijo e acho que ele gostou disso já que apertou minha coxa que estava rodeada no seu quadril.
Aquele banheiro se tornou uma confusão de suspiros e por mais que eu tentasse pegar alguma pista de quem ele era, no momento eu só conseguia pensar no quão bom era seu beijo.
Arfei quando ele desceu seus beijos pelo meu maxilar até meu pescoço, onde deixou beijos quentes ali, fazendo com que eu me derretesse ainda mais no seu colo.
- Quem está aí?! Eu preciso muito usar o banheiro! - ouvi alguém gritar do outro lado enquanto batia com força na porta me assustando. Que inferno! O banheiro que o pessoal está usando é o que fica perto da sala ou o do corredor, por que esse idiota teve que vir logo nesse? Ainda mais no quarto do meu irmão?
Soltei um suspiro frustrado enquanto o Ghost me soltava no chão, notei ele passar a mão pela pia procurando sua máscara e eu segurei seu pulso antes que ele colocasse ela.
- Me deixa saber quem você é. - pedi e ouvi quando ele soltou um riso nasal. Seus dedos tocaram meu queixo e ele ergueu meu rosto deixando um selinho longo nos meus lábios.
Quando achei que ele iria ligar a luz e me mostrar quem era, ele apenas se afastou e colocou a máscara novamente.
- Um dia, linda.
Ele abriu a porta e me deixou ali, ofegante, embriagada pelo seu toque e totalmente curiosa para saber quem ele era. O modo com que ele me beijou, me deixou totalmente rendida para ele.
Encarei o cara que estava na minha frente e notei porque ele queria usar esse banheiro, já que ele estava de mãos dadas com a minha melhor amiga que agora intercalava o olhar entre a porta do quarto e eu com a boca aberta. Provavelmente o ghost havia passado por ela e vendo meu estado, ela deve ter pegado no ar o que aconteceu.
- Você está bem? - Jihyo perguntou me olhando preocupada e eu soltei um suspiro longo concordando.
- Acho que a partir de hoje, pânico vai ser meu terror favorito.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top