Capítulo Dezessete
Theodoro Vinro:
Assim que entrei no círculo, uma sensação estranha começou a tomar conta de mim. A energia sob meus pés pulsava com intensidade crescente, e antes que eu pudesse reagir, uma luz brilhante e ofuscante subiu do chão, envolvendo todo o meu corpo. O ar ao meu redor parecia vibrar com uma força avassaladora, e tudo o que eu conhecia começou a desaparecer, consumido por aquela luz intensa.
O espaço ao meu redor foi engolido pela claridade, e por um momento, perdi toda a noção de onde estava. Era como se o próprio tempo tivesse parado, deixando apenas a luz e a sensação de estar flutuando em um vazio interminável. A luz não era apenas uma presença ao redor de mim; ela parecia penetrar em cada fibra do meu ser, iluminando tudo o que eu era, tudo o que eu havia vivido.
De repente, senti meu corpo ser puxado para baixo, como se uma força invisível me estivesse arrastando para o centro da terra. A queda foi rápida e inesperada, e antes que pudesse gritar ou reagir, eu estava caindo, sendo puxado através daquela luz, o vazio ao meu redor se transformando em algo tangível e, ao mesmo tempo, assustador.
A sensação de queda era surreal, como se eu estivesse sendo lançado para um lugar desconhecido, além dos limites do mundo que conhecia. O vento cortava meu rosto, e meu estômago se revirava enquanto eu tentava desesperadamente entender o que estava acontecendo. Mas a luz ao meu redor não dava respostas, apenas continuava a me envolver, cada vez mais brilhante, cada vez mais intensa.
De repente, a queda parou tão abruptamente quanto começou. A luz ao meu redor começou a dissipar, revelando um novo ambiente. Eu estava deitado em um chão frio e duro, meu corpo ainda tremendo da experiência intensa que acabara de viver. O mundo ao meu redor estava escuro, exceto por uma leve luminescência que parecia emanar das paredes. O silêncio era total, quase opressivo, como se eu estivesse em um lugar esquecido pelo tempo.
Com dificuldade, levantei-me, tentando recuperar meu equilíbrio. Minha mente ainda girava, tentando entender onde eu estava e o que havia acabado de acontecer. Olhei ao redor, tentando encontrar algum sinal de Fred ou do círculo de onde eu havia caído, mas não havia nada, apenas aquele espaço estranho e sombrio.
Aos poucos, meus olhos começaram a se ajustar à escuridão, revelando formas e contornos vagos ao meu redor. O lugar onde eu estava parecia ser uma caverna antiga, com paredes cobertas por inscrições e símbolos que brilhavam fracamente, como se carregassem um poder antigo e misterioso.
Então, uma voz ecoou na escuridão, firme e cheia de autoridade:
— Você entrou na prova final, onde a luz e a escuridão se encontram. Aqui, você enfrentará não apenas os desafios externos, mas os internos. Prepare-se para confrontar seus maiores medos, suas dúvidas mais profundas, e provar que é digno do poder que busca.
Eu reconheci a voz como sendo a de Fred, mas havia algo diferente nela, algo mais profundo e intenso. Eu sabia que o que viria a seguir não seria fácil, mas também sabia que este era o teste que eu precisava enfrentar para realmente despertar o poder que estava dentro de mim.
Respirei fundo, sentindo o frio da caverna em meus pulmões, e dei meu primeiro passo em direção ao desconhecido, ciente de que, a partir daquele momento, cada movimento, cada decisão, poderia definir meu destino. A jornada estava longe de terminar, e a verdadeira batalha estava apenas começando.
O som dos nossos passos ecoava na caverna enquanto eu avançava, meus olhos fixos no brilho fraco das inscrições nas paredes. O ar estava denso, carregado com uma energia palpável que parecia pulsar ao meu redor. Cada fibra do meu ser estava em alerta máximo, sentindo que algo grande estava prestes a acontecer.
Então, de repente, senti um movimento rápido ao meu lado. Virei-me, mas foi tarde demais. Um golpe certeiro me atingiu na lateral do corpo, me lançando contra a parede de pedra com força. O impacto arrancou o ar dos meus pulmões, e uma dor lancinante percorreu minhas costelas. Tentei recuperar o fôlego, mas antes que pudesse reagir, outro golpe veio, desta vez direto no meu rosto. Minha visão se turvou por um momento, e eu cambaleei, tentando manter o equilíbrio.
Minha mente gritava para que eu me levantasse, para que não desistisse, mas meu corpo estava começando a ceder ao cansaço e à dor. Eu me forcei a ficar de pé, rangendo os dentes enquanto lutava contra a sensação de fraqueza que ameaçava me dominar.
— É isso, Theo? — A voz de Fred ecoou na caverna, desafiadora e cheia de uma frieza que eu nunca tinha ouvido antes. — É assim que você pretende lutar? É isso que você chama de coragem?
Suas palavras foram como facas, cortando diretamente meu orgulho e minha determinação. Eu não podia falhar aqui, não depois de tudo o que tinha enfrentado. Com um grito de frustração, canalizei toda a energia que me restava, tentando conjurar o poder do livro, tentando trazer à tona qualquer coisa que pudesse me dar uma chance contra Fred.
Mas a resposta foi fraca, um brilho pálido nas páginas que mal conseguia se manifestar. Minhas mãos tremiam enquanto eu tentava desesperadamente convocar a força que sabia que existia dentro de mim, mas era como tentar agarrar fumaça. O poder estava lá, mas fora do meu alcance.
Fred não me deu tempo para respirar. Ele avançou novamente, sua velocidade e precisão inumanas. Eu levantei os braços para me defender, mas foi inútil. Suas garras, afiadas como lâminas, rasgaram minha defesa com facilidade, e eu senti a dor aguda quando ele me atingiu novamente, desta vez no abdômen. O impacto me fez dobrar de dor, minhas pernas cederam, e eu caí de joelhos, o chão frio e duro contra meu corpo.
— Levante-se, Theo! — Fred rugiu, sua voz carregada de uma autoridade que não permitia contestação. — Levante-se e lute, ou então você nunca será digno do poder que busca!
Eu queria gritar de frustração, de raiva, mas tudo o que consegui foi um gemido fraco. Minha visão estava embaçada, e cada parte do meu corpo doía. Tentei me levantar, mas minhas pernas não respondiam. O livro, agora caído ao meu lado, parecia pesado como chumbo, um símbolo da derrota que eu estava prestes a aceitar.
Fred se aproximou lentamente, seus passos ressoando na caverna como o som de um martelo batendo em um sino. Ele parou na minha frente, suas garras ainda brilhando com a luz fraca da caverna. Eu olhei para ele, tentando encontrar algum resquício de força dentro de mim, mas tudo o que sentia era o peso esmagador da derrota.
Ele se abaixou, segurando meu queixo com força, forçando-me a encará-lo.
— Esta é a realidade, Theo — ele disse, sua voz baixa, mas cheia de intensidade. — Você não estava preparado. A luta não é só sobre força física, mas sobre vontade, sobre a capacidade de superar seus próprios limites. E hoje, você falhou.
Soltei um suspiro trêmulo, minha visão começando a escurecer nas bordas. As palavras de Fred eram verdadeiras, e eu sabia disso. Eu tinha falhado, e a dor da derrota era quase tão intensa quanto a dor física que sentia.
Fred me soltou e se levantou, deixando-me cair no chão, exausto e derrotado. A escuridão finalmente tomou conta, e antes de perder completamente a consciência, a última coisa que ouvi foi a voz de Fred, mais suave, mas ainda cheia de expectativa.
— Mas isso não é o fim, Theo. Isso é apenas o começo. Se quiser vencer, terá que se levantar de novo, mais forte do que nunca.
E com essas palavras ecoando em minha mente, fui consumido pela escuridão, ciente de que, apesar da derrota.
A energia ainda reverberava dentro de mim, e eu me sentia como se estivesse em um estado de hipersensibilidade, cada batida do meu coração ecoando em meus ouvidos. Quando Fred começou a falar novamente, eu percebi a mudança em seu tom. A leveza do momento anterior desapareceu, substituída por uma seriedade que fez meu estômago se apertar.
— Sim, mas antes disso... — Fred começou, mas sua voz foi cortada, e ele parou abruptamente. Sua expressão ficou tensa, como se ele estivesse ouvindo algo que eu não conseguia captar.
— Alguém passou pela barreira que coloquei ao redor do templo — ele disse, sua voz carregada de preocupação.
Minha mente, ainda um pouco turva pela explosão de poder, tentou acompanhar o que ele estava dizendo. Quem poderia ter passado pela barreira? E, mais importante, por quê? O que quer que estivesse acontecendo, não era um bom sinal.
Fred me ajudou a levantar, seus olhos agora mais alertas do que nunca. Havia uma urgência em seus movimentos, uma energia diferente daquela que ele exalava durante nosso confronto.
— Precisamos verificar isso imediatamente — ele disse, sua voz firme.
Eu assenti, ainda sentindo o cansaço no meu corpo, mas o medo e a adrenalina estavam começando a dominar, empurrando-me para a ação. Não sabia o que estava acontecendo, mas algo dentro de mim me dizia que o que quer que estivesse além das paredes do templo não era algo que estávamos prontos para enfrentar.
Fred liderou o caminho, movendo-se rapidamente pelo corredor da caverna, e eu o segui de perto, tentando manter o ritmo apesar da exaustão. A caverna que antes parecia calma e cheia de mistério agora parecia claustrofóbica, como se as paredes estivessem se fechando sobre nós enquanto avançávamos.
Finalmente, chegamos a uma abertura que dava para o exterior do templo. A barreira que Fred havia mencionado, um campo de energia quase imperceptível, estava ali, mas com uma grande falha — uma rachadura no tecido invisível que indicava que alguém, ou algo, havia realmente passado por ela.
Fred parou na entrada, seus olhos estreitados enquanto examinava a área. Ele estava claramente preocupado, o que me deixou ainda mais nervoso. Eu não conseguia ver ninguém do lado de fora, mas a sensação de que algo estava errado era palpável.
— Quem quer que tenha passado por aqui, fez isso com um propósito — Fred murmurou, mais para si mesmo do que para mim.
O silêncio que se seguiu foi opressor. Tudo ao meu redor parecia preso em uma tensão, como se o próprio ar estivesse esperando pelo que viria a seguir. Eu não sabia quem, ou o que, estava à espreita, mas uma coisa era certa: a luta que acabara de enfrentar com Fred era apenas o começo de algo muito maior, algo que eu ainda não estava pronto para entender.
Fred se virou para mim, seu rosto agora sério e determinado.
— Precisamos sair daqui. Algo ou alguém ultrapassou essa barreira com intenções que não são boas, e não podemos ser pegos desprevenidos. Temos que nos preparar para o que está por vir, e rápido.
Eu assenti, tentando recuperar meu fôlego
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Voltamos à superfície do templo em questão de segundos. Fred estava à minha frente, cada músculo de seu corpo em posição de ataque, pronto para qualquer coisa que pudesse surgir. O ar ao nosso redor estava carregado com uma tensão palpável enquanto ele avançava para abrir as portas da entrada com cautela. Eu sentia a energia que havia transferido para ele reverberar ao nosso redor, notando como ela havia ajudado a restaurar o templo por completo. As paredes brilhavam com uma nova vida, e o ambiente parecia mais imponente e poderoso do que antes.
Quando Fred finalmente abriu a porta, fomos recebidos por uma visão inesperada. Um cavalo espectral entrou na sala, sua presença era etérea, quase como se flutuasse ao invés de andar. Montado nele estava Simon, uma figura familiar e ao mesmo tempo surpreendente, e ao seu lado, dois pequenos animais espirituais incrivelmente fofos, que contrastavam com a seriedade da situação.
— Temos um pequeno problema — Simon disse, sua voz casual, mas carregada de uma preocupação subjacente. Ele estendeu algo para Fred, que o pegou com uma expressão séria no rosto. — Theo, como é bom te ver de pé.
Fred examinou o que Simon havia lhe entregue, e percebi que era uma espécie de panfleto. A tensão em seu rosto aumentou enquanto ele lia, e minha curiosidade me fez espiar por cima de seu ombro. As palavras impressas no papel eram chocantes:
— O Reino de Scrapbooks convida a todos para o anúncio da decapitação do sexto príncipe, que fugiu durante anos após cometer o crime de tentativa contra a santidade de vosso rei.
Meus olhos se arregalaram ao ver o nome e o retrato abaixo do texto. Era Madara. O choque e o medo correram por minhas veias enquanto assimilava a gravidade da situação. Madara estava prestes a ser executado.
— Isso é sério? — murmurei, mal conseguindo acreditar no que estava lendo. A imagem de Madara no panfleto parecia implacável, mas conhecendo a verdade, sabia que havia muito mais por trás dessa acusação.
Fred cerrou os dentes, amassando levemente o panfleto em suas mãos.
— Parece que o tempo que temos para nos preparar é ainda mais curto do que pensávamos — ele disse, sua voz carregada de uma mistura de frustração e urgência. — Se eles realmente planejam essa execução, significa que estão determinados a eliminar qualquer ameaça ao reinado atual, e isso inclui qualquer um que possa saber a verdade.
Simon, ainda montado em seu cavalo espectral, olhou para mim com seriedade, os pequenos animais espirituais ao seu lado se movendo inquietos.
— Precisamos agir rápido, Theo — disse ele, sua voz firme. — Se Madara for executado, todas as chances de expor a verdade e salvar o reino serão perdidas. E temo que o que aconteceu aqui hoje seja apenas o começo de uma luta muito maior.
Meu coração batia acelerado, enquanto a realidade da situação se instalava. Não havia tempo para hesitação ou dúvidas. Estávamos em uma corrida contra o tempo para salvar Madara e, possivelmente, o reino inteiro. A luta que Fred e eu havíamos iniciado dentro do templo agora se estendia para além de suas paredes, e a responsabilidade que pesava sobre nossos ombros era enorme.
Fred se virou para mim, seu olhar firme e decidido.
— Vamos, Theo. Precisamos nos mover. Há muito em jogo, e agora, mais do que nunca, precisamos estar preparados para qualquer coisa.
Eu assenti, sentindo a adrenalina começar a substituir o cansaço em meu corpo. A jornada que começara como um teste pessoal agora estava se transformando em algo muito maior. E eu sabia que, por mais assustador que fosse, não havia outra escolha senão seguir em frente e lutar pelo que era certo.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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