Capítulo 7
Ao acordar, Jake se surpreendeu, quando notou não estar mais na sua tão familiar cabaninha, em vez dela, porém, ele se encontrava embalado confortavelmente em alguns cobertores quentinhos e macios num quarto desconhecido, deitado numa cama desconhecida.
Dizer que o garoto ficou assustado com o cenário era eufemismo perto de todas as ideias que se passava na sua mente. O único motivo para ele não ter se levantado da cama e ido embora correndo sem olhar para trás, fora, tão somente, por causa de uma forte dor febril que percorria seus músculos, nervos e ossos, e uma pontada no peito, o impedindo de se mover direito.
— Jake! Você acordou! — Uma vozinha alegre ecoou pelo quarto, quando um serzinho de cabelos escurou saltou em sua cama, o abraçando com força. — Você me deixou tão preocupado! Prometa nunca mais ficar doente de novo!
O rapaz enfermo não pode deixar de sorrir com aquele pedido tão inocente de seu amiguinho.
— Ni, toma cuidado, vai machucá-lo. — O pai de Niki o adverte no instante em que adentra o quarto com um sorriso no rosto e uma tigela fumegante em mãos. — Bom dia, Jake. Como se sente?
— Estou bem, senhor Lee, obrigado. — Pronunciou vacilante, se espantando por sua voz ter saído mais fraca que pretendia. —O que houve?
Jake não se lembrava de muita coisa desde o momento em que fora dormir, apenas de estar mais frio que de costume, em consequência da chuva que tomou ao retornar para a cabana após a sua pequena aventura na confeitaria.
Todavia, não demorou a compreender o que havia acontecido. Enquanto Heeseung lhe explicava toda a situação desde o momento que Niki e o amigo o encontrara até o instante em que um médico de confiança dera seu diagnóstico, Jake saboreava a deliciosa canja de galinha com verduras e legumes trazida pelo pai do amiguinho, o fazendo ficar instantaneamente grato pelo alimento.
— Pneumonia? — Questionou incrédulo, pousando a colher dentro da tigela, agora vazia, depois que Heeseung terminou a sua narração.
— Não se preocupa com isso, Jakey, nós vamos cuidar de você. — Niki assegurou, ainda aninhado no peito do rapaz, ao que Heeseung acenava com a cabeça para confirmar as palavras do filho.
— Senhor Lee, eu agradeço muito a hospitalidade, mas tratamento desse tipo é caro. — Lembrou desconfortável, e mesmo sentindo seus pulmões arderem pelo esforço, Jake tentou se levantar da cama para ir embora, sendo rapidamente impedido por Niki. — Não posso deixar que gaste seu dinheiro assim comigo.
— Ora, deixe de besteira! — Heeseung o repreendeu, se sentando ao seu lado na cama. — Você já cuidou tanto do meu Niki e o protegeu de incontáveis vezes, está mais do que na hora de agradecermos e retrubuirmos esse favor.
Com os olhos marejados, não só pela dor no peito como também pela emoção de ser acolhido e não sabendo como discutir com Heeseung a respeito do assunto, Jake, assentiu voltando a pousar sua cabeça no travesseiro macio, escutando Niki falar, animado, sobre suas novas ideias que revolucionariam o mundo para sempre antes de dar o horário para o pequeno ir para a escola.
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