Capítulo Dezenove
Zack Whitlock:
Durante meu período de tempo livre, depois das aulas e de ter feito minhas anotações para compartilhar com o Scott mais tarde, decidi ir para a sala de estudos da faculdade. Com prateleiras cheias de fichas de livros que iam até o teto, um gigantesco globo sobre um pedestal no canto, e um belo vitral na parede mais distante, aquela sala havia se tornado o meu local preferido no campus. Eu costumava ficar bem no centro da sala vazia, fechava os olhos e inspirava o aroma característico dos livros antigos encadernados em couro.
Quando comecei a ler senti uma sensação estranha no meu peito e então surgiu uma nuvem de preocupação sobre mim. Era uma junção entre um certo aborrecimento que sentia quando esquecia de fazer alguma coisa e a sensação de que alguém estava bem, estava me observando. Era óbvio por que estava me sentindo tão para baixo: Com toda certeza posso dizer que estava com saudade da minha alcateia e dos meus pais o máximo possível, afinal eu cresci para ser um líder e não deveria fugir se o meu lar estiver em perigo.
Tentando afastar esses pensamentos, me acomodei na frente de um computador e me conectei à internet. Começou a fazer pesquisa para um trabalho de biologia, mas depois de dar uma olhada nos resultados do Google resolveu digitar um pouco sobre a família do Scott e digitei o nome na barra de pesquisa. Nesse caso sobre a família mundana dele e até que pelo que apareceu Jacob é um grande gênio do ramo das coisas tecnológicas mundanas e devo dizer que o que me deixa mais surpreso são as entrevistas que o mesmo participou e estava na internet.
Ao ver os resultados, segurei o riso. Em um site, havia uma foto de um Scott um pouco mais novo, de cabelos longos, de pé ao lado de um bico de Bunsen e um monte de tubos de ensaio com o Jacob e o Levi ao lado e Gabriel atrás dos três abraçando os filhos e o marido. Outro link levava para o portal de um site do que imagino ser de um teatro. Lá havia uma foto de Levi, numa roupa shakespeariana, segurando uma caveira ao lado estava uma pessoa vestida como um figurante Scott estava forçando um sorriso sem graça. Eu nunca cheguei a imaginar o Scott fazendo teatro. Enquanto tentava dar zoom na foto para dar uma olhada melhor nas expressões faciais dele que tinham nas primeiras próximas fotos.
Ouvi um som e me virei atento para o ataque e Spike surgiu ali ao lado, me acalmei com as garras voltando ao seu estado normal de mãos humanas.
— Então você está vendo foto do Scott? Ou seria do Levi — Spike sorriu, sem jeito, atrás de mim.
Minimizar a tela rapidinho.
— Estava vendo o Scott — Respondi como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Mas devo dizer que é muito descortês ver o que a outra pessoa está fazendo, tem um monte de computadores ao redor mais você quis ficar ao meu lado em cima de mim.
Ele sorriu e levantou os braços em um sinal de rendição. Algo em mim surgiu desde que nós nos conhecemos, afinal era como se fosse uma sensação de que ele estava escondendo mais do que mostrava ser pelo seu exterior.
— Calma lá, não estou com nenhum tipo de plano perverso — Spike disse dando um passo para trás, mas ainda estava em alerta para sua direção.
— Então você e o Scott são namorados? — Spike perguntou com um sorriso.
— Temos alguma coisa, mas é difícil explicar para quem é de fora! — Respondi.
Spike recuou.
— Desculpe. Só estava puxando assunto. — Ele disse me fazendo olharam para sua direção com suspeita. — De qualquer forma — continuou, ajeitando sua mochila nos ombros. — eu estive pensando... vocês vão à festa dos calouros amanhã? Seria bom ter uma companhia que eu conheça.
Olhei para ele sem expressão e, então, me lembrei: essa era uma festa que os mundanos davam para comemorar sua entrada na faculdade, cujo responsável era um aluno qualquer que tinha um certo nível de popularidade, chamando os demais. Com as pessoas bebendo cerveja em funis, quase todos perdiam seu controle, o que seria um caos e poderia ser humilhante.
Mas isso não seria algo complementarmente idiota de se fazer, ainda mais com as pessoas podendo filmar e depois postar na internet para os outros verem o que cada um foi capaz de fazer. Isso seria usado para te humilhar depois e ainda dar o apelido mais embaraçoso possível.
Spike estava mesmo pensando que eu e Scott iríamos a uma dessas festas tolas, mas temos muito mais o que fazer em nossas vidas.
— Duvido muito — respondi. — Seria um lugar muito lotado para mim e o Scott.
O sorriso de Spike se desfez.
— Tudo bem, acho que você deve estar muito ocupado.
Isso me fez franzir as sobrancelhas.
— O que quer dizer? — Perguntei.
Spike deu de ombros.
— Só pensei que, com toda a agitação dos últimos dias, vocês poderiam querer participar.
— Não somos muito fãs desse tipo de evento, Spike. Temos outros planos. — Respondi.
Spike pareceu desapontado, mas logo recuperou o ânimo.
— Bem, se mudarem de ideia, a festa será no sábado. Todos estão indo. Seria uma oportunidade de se enturmarem. Mas pode me dizer se o Levi vai querer ir — Spike disse, seus olhos brilharam ao falar o nome de Levi.
— Agradecemos, Spike, mas estamos bem assim — respondi, tentando ser educado. — Vou ver se perguntou para o Levi se ele vai querer ir para te fazer companhia.
Ele deu um aceno casual e se afastou.
Mesmo que ele tentasse parecer gentil por fora, algo em mim indicava que por baixo da superfície havia muitas coisas que ele estava escondendo. Desisti de prolongar minha permanência nesse lugar e me encaminhei para a porta que dava para o pátio, chegando lá ao lado de Rol.
— Oi — ele disse, e um certo nervosismo atravessou seu rosto.
— Oi — respondi. — Onde está o Scott?
— Teve um assunto pessoal, não quis entrar em muitos detalhes teve que sair às
Rol ajustou a mochila nos ombros. Era estranho estar ao lado dele depois de tanto tempo. Quando foi a última vez que tínhamos conversado sem Scott ou Levi por perto?
A única diferença que tínhamos era que somos lobos, comigo sabendo de como ele foi embora da casa dele para fugir do que sua família iria fazer com ele. Como que ele foi adotado por um mundano.
Rol quebrou o silêncio, tentando dissipar a estranheza.
— Então, como têm sido as coisas para você em se acostumar a ser mundano?
Suspirei, sentindo a tensão entre nós.
— Bem, você sabe como é. Bem diferente do que viver em uma matilha com quase lobos vindo de um lado para o outro — Falei. — Mas e você com o Carmuel e a irmã dele?
Rol concordou, mas parecia haver algo mais em sua expressão.
— Está sendo um pouco estranha com tudo nos últimos dias, mas ele me tira do sério — Rol disse. — Mas depois de tudo que enfrentei até chegar aqui é uma fichinha.
Fiquei em silêncio por um momento, ponderando suas palavras. Não posso dizer ao certo o que se passou no passado dele com todas as certezas, evito me envolver nisso para não forçar a barra.
Com um aceno mútuo, decidimos seguir nossos caminhos. Chega a ser estranho tentar me aproximar dele; Rol consegue utilizar magia de todos os níveis, inclusive a antiga destinada aos deuses. Imagino como isso faz dele um lobo especial de verdade que faz com que qualquer sobrenatural possa tentar usar ele e enganá-lo.
Deve ter sido doloroso quando sua família tentou usá-lo para benefício próprio, querendo vendê-lo. Embora ele tenha conseguido fugir, sempre seria assim se os outros descobrissem sobre ele. A sombra do passado dele paira sobre seu caminho, marcando cada passo na direção oposto das lembrança de uma traição familiar.
Agora, em sua busca por liberdade, ele enfrenta desafios que vão além da simples fuga. Cada amizade construída e cada novo horizonte explorado tornam-se passos na jornada de cura das cicatrizes emocionais deixadas pela ganância de sua própria família. Enquanto ele avança, o desejo de forjar um destino independente e resistir às correntes do passado torna-se o fio condutor de sua narrativa, revelando a resiliência que habita dentro dele.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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