Capítulo 42


Capítulo 42

Demorou um pouco para convencer Alexandre a aceitar o acordo de Caio. O delegado foi imediatamente resistente e Caio não recuou. Maurício desejou ter estado a par de toda a conversa, mas logo ficou tão quente que Caio pediu a Mau para sair da sala.

Maurício fez beicinho, recuando dos gritos para a sala de estar na frente da casa. Ele odiava que Caio aparentemente não confiasse nele para saber exatamente o que estava fazendo, suspirando enquanto se jogava em uma cadeira.

Ele sabia que tinha algo a ver com o anel de Tony Sartori. Mas o quê?

Esse nome que Alexandre dissera, Giovani Rosso, definitivamente significava algo para Caio. Assim que Alexandre disse, o rosto do gângster se iluminou como se fosse os fogos de ano novo, mas Mau estava totalmente à mercê de Caio por qualquer informação, e nenhuma seria revelada a ele tão cedo.

‒ Merda. ‒ Maurício murmurou para si mesmo, desejando ser um investigador de verdade e poder resolver esse mistério.

Ele olhou para cima quando ouviu passos, de pé para ver quem era.

Alexandre estava andando, parou quando viu Mau. Seu rosto parecia décadas mais velho, cansado e triste. ‒ Bem... ‒ Ele disse sombriamente. ‒ ... vejo que se sente em casa.

‒ Alexandre. ‒ Maurício franziu o cenho, torcendo as mãos nervosamente. ‒ Eu entendo sua motivação pra toda aquela papelada adulterada. Mas, a morte de Alana... ‒ Ele começou, caminhando lentamente em sua direção. ‒ Poderia ser de outro jeito...

‒ Maurício ‒ disse Alexandre, levantando as mãos. ‒ ... apenas pare.

O coração de Mau afundou.

‒ Eu nunca afirmei ser um homem perfeito. ‒ Suspirou o delegado. ‒ Sei que cometi erros. Eu fiz muita coisa errada e provavelmente deveria deixar Caio me entregar. Mas... se eu puder fazer o certo agora... ‒ Seus olhos começaram a lacrimejar. ‒ E minha filha não se envergonhar de mim. Se eu puder fazer o que é certo por ela, então talvez os deuses me perdoe por todos os meus outros pecados.

‒ Alexandre. ‒ Maurício choramingou, desejando poder alcançá-lo e abraçá-lo. O abismo entre eles ainda era muito profundo, e ele não conseguiu atravessá-lo. Havia muitos anos de dor e raiva, mas ele conseguiu oferecer um pequeno sorriso pelo menos.

‒ Eu que estou disposto a admitir que posso estar errado ‒ disse Dr. Alexandre, com um tom tenso. ‒ Mas Caio Marchetti ainda é o pior monstro que já conheci, e rezo para que você acorde um dia e veja por si mesmo, antes que seja tarde demais.

Mau piscou para isto, tentando responder. ‒ Mas Alexandre, ele realmente não é...

‒ Ele é um monstro. ‒ Alexandre repetiu ferozmente, erguendo um dedo severo. ‒ Se você ficar aqui com ele, você é um tolo. ‒ Ele não deu a Maurício a chance de responder, já indo em direção à porta.

Mau começou ir atrás dele, congelando quando viu Laerte e Mica interceptando-o.

‒ Olá, Dr. Alexandre ‒ disse Laerte com uma careta, seus olhos brilhando de raiva, apesar de seu tom calmo.

Mica caminhou atrás do delegado, em silêncio e observando-o atentamente.

‒ Ei, Laerte ‒ disse Alexandre, completamente destemido. ‒ Quer sair do meu caminho?

‒ Sabe, um dia desses eu vou te pegar pelo meu irmão. ‒ Alertou Laerte.

‒ Bem, esse dia não é hoje. ‒ Respondeu Alexandre com um sorriso irônico.

‒ Talvez não... ‒ Respondeu Laerte, olhando por cima do ombro e compartilhando um sorriso com Mica. ‒ ...mas caramba, é bom ver que Caio fez de você um servo.

O sorriso de Alexandre caiu.

‒ Tenha um ótimo dia, delegado. ‒ Mica disse alegremente, rindo quando Laerte se afastou para deixar Alexandre sair.

Ele lançou um último olhar para Maurício antes de sair, batendo a porta atrás de si.

Mau sentiu uma mão em sua cintura, pulando e seu coração começando a bater com medo até ouvir um ronronar familiar ‒ Sou só eu.

Girando para ver Caio parado lá, Maurício riu sem fôlego. ‒ Eu odeio quando faz isso.

‒ Mmm, eu vou evitá-lo no futuro. ‒ Prometeu Caio, tocando suavemente a bochecha de Mau. Sua expressão se tornou severa, olhando para Mica e Laerte. ‒ Então?

‒ Nada ‒ disse Laerte, coçando o queixo. ‒ O lugar dele está limpo.

‒ O gerente na lanchonete que ele gosta diz que ainda vai almoçar todos os dias ‒ disse Mica. ‒ Ele ainda está na cidade. Quer que o agarremos hoje?

‒ Mudança de planos ‒ disse Caio com um sorriso. ‒ Carlo ainda não sabe, mas vai nos ajudar a nos livrar dos Sartori.

‒ Oh, ele vai? ‒ Laerte riu.

‒ Mmmhmm. ‒ Caio murmurou sem entrar em mais detalhes. Ele olhou para Maurício, dizendo ‒ Na verdade, tenho um favor para pedir a você.

‒ Uhm, acho que depende do que é? ‒ Mau disse devagar. Todo esse capa e espada certamente era emocionante, mas ele ainda tinha reservas quanto a fazer algo ilegal.

‒ Vá ver aquele espécime encantador, Damien ‒ disse Caio. ‒ Eu preciso que você consiga um receptor especial.

‒ Um receptor para o que exatamente?

‒ Na sexta-feira, estaremos trabalhando com nosso querido amigo delegado Alexandre ‒ respondeu Caio suavemente. ‒ Você ainda terá o desempenho programado e estará usando um comunicador que Alexandre fornecerá. Preciso de um receptor adicional para ouvir a transmissão e não posso deixar Alexandre saber o que estamos fazendo. Você entendeu?

‒ Como isso vai ajudar? ‒ Mau exigiu, nem mesmo se importando que estivesse ficando chateado na frente de Mica e Laerte.

A mão de Caio se moveu para segurar suavemente o pescoço de Maurício, calmante ‒ Você tem que confiar em mim.

Maurício fechou os olhos, inclinando-se para o toque de Caio. Ele queria discutir, exigir respostas, mas sabia que não faria nenhum bem a ele. ‒ Tudo bem. ‒ Ele resmungou. ‒ Eu vou pegar a coisa do receptor.

‒ Bom garoto ‒ disse Caio, recompensando-o com um beijo na testa. ‒ Jonas vai te levar. Depois você tem ensaio.

‒ Sim, senhor ‒ respondeu Mau, enfatizando o 'senhor' para fazer Caio sorrir.

Caio acenou com a cabeça para Laerte e Mica, os Signori obedientemente o seguindo até os fundos da casa. Maurício observou-os partir com um suspiro pesado, depois caminhou em direção à cozinha para encontrar Jonas.

**

Foi uma viagem relativamente tranquila até a agência de informações de Demi, Jonas optando por ficar no carro em vez de se juntar a Maurício lá dentro. Ele correu pela porta, a campainha tocando alto enquanto gritava: ‒ Ei, Demi!

‒ O que é, porra? ‒ Damien gritou por trás, irritado como sempre.

‒ Sou eu, Maurício!

‒ Você não tem um celular funcionando agora? ‒ Demi bufou, sua voz ficando mais alta enquanto se dirigia para a frente. ‒ Você sabe, pode mandar um zap em vez de vir aqui e me incomodar.

‒ Eu também senti sua falta. ‒ Brincou Mau.

Damien deu a volta no balcão para dar um grande abraço em Maurício, consciente de seu braço ferido, rindo ‒ Sim, sim! Como você está, garoto?

‒ Puta merda, Demi! Está uma loucura! ‒ Maurício exclamou, rapidamente recapitulando todos os eventos emocionantes. Manteve a verdade sobre o assassino de Rico, concentrando-se mais no novo acordo com Caio e no confronto com Alexandre.

‒ Alana ligou para ele, e aquele rato do caralho nunca disse nada. ‒ Demi se enfureceu, suas bochechas vermelhas e manchadas. ‒ Todo esse tempo que o maldito porco estava adulterando toda a porra de provas!

‒ Eu sei. ‒ Maurício disse tristemente. ‒ Alexandre disse que estava fazendo isso para me a cidade.

‒ Proteger a cidade o caralho, ele fez isso porque estava com medo dos Sartori! ‒ Demi argumentou. ‒ Maldito idiota.

‒ Você sabe quem é Giovani Rosso? ‒ Mau pressionou esperançosamente.

‒ Eu conheço o nome. ‒ As sobrancelhas de Damien se franziram. ‒ Uh... talvez como, eh, quinze, vinte anos atrás. Costumava trabalhar para a família Sartori, eu sei disso. Não ouço nada dele faz tempo.

Maurício franziu o cenho, batendo os dedos no balcão. ‒ Então, não tem ideia do que ele teria a ver com o assassinato da Alana?

‒ Não. ‒ Demi respondeu com um encolher de ombros. ‒ Desculpe garoto.

‒ Está tudo bem ‒ disse Mau com um sorriso fraco. ‒ Acho que isso realmente não importa. Quero dizer, Caio diz que sabe quem fez isso.

‒ Certo ‒ disse Damien alegremente. ‒ E ele está apertando os parafusos de Alexandre, certo?

‒ Ainda não descobri como. Ele fez um acordo louco com Alexandre, e tudo vai acontecer na festa de aniversário dele na sexta-feira. Tenho que usar um comunicador e oh! Isto me lembra. Caio me disse para pegar um receptor.

‒ Para quê?

‒ Pra receber... comunicador ... coisas? ‒ Maurício disse impotente. ‒ Alexandre está nos informando agora, e acho que Caio quer algo para ouvir sem que Alexandre saiba.

‒ Por que você vai usar um comunicador de merda? Sua bunda não estará lá no palco cantando? ‒ Demi piscou.

‒ Não faço ideia. Mas Alexandre concordou com isso, então acho que tudo faz parte do grande plano de Caio. ‒ Ele fez beicinho. ‒ Eu só queria que ele me dissesse o que está fazendo. Todos os Signori sabem o que está acontecendo. Até Alexandre!

‒ Talvez ele esteja tentando te proteger. Ou não está lhe dizendo para não estragar tudo.

‒ Grosseiro. Quero dizer... ‒ Mau ficou inquieto. ‒ Eu acho que fingir não é exatamente uma das minhas melhores habilidades?

‒ Maurício, qualquer um pode ler a porra da sua cara como um livro.

Mau mostrou a língua em sinal de protesto.

‒ Olhe... ‒ disse Demi, recostando-se no balcão. ‒ Ainda estou em choque, Caio deu a você um voto de confiança bem grande. Ele com certeza não fez isso só porque gosta do jeito que você chupa pau dele, ok? Isso quer dizer algo para ele.

‒ Sim?

‒ Se ele não está lhe dizendo, provavelmente há uma boa razão. ‒ Continuou Damien. ‒ Ele não fará nada para machucá-lo. E foda-se, se ele fizer, vou tomar minhas medidas.

Maurício gemeu, passando a mão no rosto. ‒ Obrigado.

‒ Ei, eu amo você, garoto. ‒ Demi disse com um pequeno encolher de ombros. ‒ De um jeito paternal, mas amo. Espero que tudo dê certo e que eu possa ver as coisas dando certo pra você. Eu realmente espero. E você está realmente feliz com o Scarafaggio?

‒ Sim. ‒ Respondeu Maurício, incapaz de resistir a um sorriso tímido. ‒ Realmente estou.

‒ Apenas mantenha sua curiosidade em níveis controláveis e fique fora dos negócios dele. ‒ Alertou Damien. ‒ Ainda preciso fazer de você um advogado algum dia. Honesto. Dr. Maurício dos Santos, o primeiro advogado honesto do mundo.

‒ Ha, ha. ‒ Mau gargalhou. ‒ Muito engraçado.

‒ Eu sou um otimista, eu sei. ‒ Demi riu. Ele suspirou pesadamente, voltando para trás do balcão e disse: ‒ Espere firme, vou pegar esse receptor.

Maurício esperou pacientemente, surpreso quando Damien trouxe de volta o aparelho e o colocou na frente dele. ‒ É isso aí?

‒ Qual é o problema?

‒ É apenas... ‒ O receptor era aproximadamente do tamanho de um rádio portátil, embora houvesse mais botões e o alto-falante fosse maior. Era mais pesado do que parecia. ‒ É pequeno?

‒ Ei, isso é tecnologia moderna para você ‒ disse Demi com um sorriso. ‒ Tudo está supercompacto e merda agora. Você poderia colocar esse bebezinho no bolso, ninguém jamais saberia. Há até um plugue para alguns fones de ouvido.

‒ Legal.

‒ Ei garoto. ‒ Damien pigarreou. ‒ Você tem que pagar por isso. Não estou fazendo nenhuma caridade aqui.

‒ Quanto isso custa? ‒ Maurício perguntou tristemente. Droga, por que ele não pediu dinheiro a Caio?

‒ Mais do que você pode pagar. ‒ Brincou Demi. ‒ Vou lhe dizer uma coisa, Eu mando a cobrança pro Caio Marchetti depois.

Maurício acenou com um sorriso agradecido. ‒ Obrigado, Demi. Olha, eu tenho que trabalhar, mas...

‒ Vai ‒ disse Damien, rispidamente, acenando com a mão com desdém. ‒ Apenas me mantenha informado, ok? Seja cuidadoso. Não quero ler sobre você nos jornais.

‒ Oh, acho que não sou tão famosos pra aparecer nas colunas sociais...

‒ Estou falando dos óbitos, garoto ‒ disse Demi seriamente. ‒ Por favor, cuide-se, ok?

‒ Eu vou. ‒ Mau prometeu, apertando a mão de seu amigo antes de partir. Jonas estava lá, esperando pacientemente para abrir a porta do carro para ele.

**

Olá lobinhes,

O cerco tá fechando. e a história está encaminhando-se para o final. espero que estejam gostando. Clica na estrelinha e faça seu comentário. vamos ver como vai ser esse plano do Caio. espero que não sobre pro Maurício. 

bjokas e até a próxima att. 

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top