Capítulo 36
Capítulo 36
‒ Ora, ora se não é o melhor amigo do meu irmão. ‒ Zeca jorrou alegremente, um sorriso deslumbrante iluminando seu lindo rosto. ‒ Olhe para você!
Maurício percebeu com o canto do olho dois homens enormes rondando perto, provavelmente lobisomens da matilha Zayas. Claro que Zeca, como sucessor de Estebán não iria sair sem guarda-costas. ‒ Sim, uhm, obrigado. ‒ Ele disse timidamente. ‒ Mas uau, olhe para você! Você está incrível! Se adaptando bem à vida na matilha? Como está o Danilo?
Mau ainda se lembrava da pequena Maria Fernanda. Mas, ali na sua frente tinha um homem lindo, seguro e claramente um alfa. Ainda era difícil relacionar a menininha que ele conhecia com esse homem. Como deve ter sido para o Danilo? Bem, acho que deve ter chocado mais o amigo o fato do seu irmão ser um lobisomem do que trans, com certeza.
‒ Venha aqui! ‒ Zeca insistiu, puxando Maurício para um grande abraço.
Mau não protestou nem um pouco, rindo ‒ O que trouxe aqui? Tenho certeza que não veio ver meu show nem meus lindos olhos.
‒ Bem, Danilo pediu pra eu verificar você. Finalmente Estebán caiu na real e resolveram tentar a transformação. Posso dizer que deu certo e meu irmão está bem. ‒ Era engraçado notar como o Zeca já emanava aquela energia alfa de comando e liderança.
‒ Fantástico! ‒ Mau disse. ‒ Uhm, quer sentar? Bebe alguma coisa? Você já é maior de idade? Não sei o que é considerado adulto na cultura shifter lobo. Tenho alguns minutos antes do ensaio, eu acho.
‒ Certo! ‒ Zeca recostou-se na cadeira, seu rosto um pouco mais sério. ‒ Tenho dezessete, mas já sou considerado um adulto pela matilha. Principalmente quando Estebán está fora da cidade.
‒ Então? Eu sei que você não viria até aqui pessoalmente com seus dois betas só pra falar que Dan está bem. ‒ Maurício sentou-se em frente dele do alfa temporário da maior matilha de São Paulo.
‒ Adivinha quem veio me ver, imaginando que encontraria um alfa substituto inseguro e fácil de manobrar? ‒ Ele riu e meu estômago torceu. ‒ Acho que você tem uma ideia, certo? Ele mesmo, o delegado Dr. Alexandre Duarte.
‒ O que ele queria? ‒ O sorriso de Maurício desapareceu completamente, substituído por uma cara de preocupação, quase dor.
‒ Ele tem uma certa fixação por você? Porque ele disse umas mil vezes como você estava em perigo por se envolver com um gângster conhecido por seus atos violentos e blá blá blá.
‒ Uhhh, uau. Bem. Ele não está errado.
Zeca abriu um sorriso. ‒ Você está seriamente namorando Caio Marchetti? O Scarafaggio?
‒ Namoro é uma palavra forte. ‒ Mau admitiu timidamente. ‒ Mas sim, estamos juntos de certo modo, e... está indo bem.
‒ Eu os vi colocando seu nome no letreiro quando parei. ‒ Zeca comentou. ‒ Eu diria que as coisas estão indo muito bem.
‒ É uma história interessante. ‒ Maurício respondeu evasivo.
‒ Tá saquei. São coisas que você só abre com meu irmão. E realmente não quero detalhes de sua vida amorosa. ‒ Zeca brincou.
‒ Ok, bem, de Danilo e Estebán sabem e se não te contaram é porque não tiveram tempo.
‒ Certo. Resume aí como você acabou conhecendo o Dr. Alexandre? E agora, morando com um mafioso do centro de São Paulo. – Zeca riu de novo.
‒ Bem, sua mãe me recomendou a uma cortesã do mundo paranormal quando fui expulso de casa. E durante meu treinamento Alexandre foi um dos meus clientes. ‒ Começou Maurício, tentando encontrar a melhor maneira de explicar a situação incomum em que se encontrara. ‒ Como sou burro, me apaixonei por ele, mas ele era casado. A história de sempre. Meu coração foi quebrado e é vida que segue. Minha situação atual tem a ver com seu irmão. Para comprar uma informação e salvar a vida do Dan eu fiz uma dívida gigantesca e Caio comprou a dívida. E agora estou pagando. Só que as coisas se complicaram e estou me apaixonando de novo porque continuo o mesmo idiota de sempre.
‒ Então, o que vocês têm é um acordo de sexo. ‒ Zeca resumiu sem rodeios.
‒ Sim. ‒ Respondeu Mau, desejando poder parar o fluxo de sangue acima do pescoço.
‒ Maurício... ‒ Zeca disse lentamente, como se estivesse preocupado que ele não entendesse o que estava prestes a dizer. ‒ ... só tente sair inteiro dessa aventura. Danilo me comeria o fígado se acontecesse alguma coisa com você.
‒ Não. ‒ Mau disse rapidamente. ‒ Não é assim! De modo nenhum! Bem. No começo, talvez mais ou menos? Mas está tudo bem agora. Quero dizer, veja, ele só fez esse acordo absurdo porque estava tentando chegar até Alexandre por causa de uma investigação de assassinato, mas então Demi me disse que Caio poderia estar disposto a fazer um acordo, e ele não está mais preocupado com Alexandre, e...
‒ Opa! Desacelere! ‒ Zeca parecia estar se divertindo com o ataque de Maurício. ‒ Espere, espere, espere. Então esse acordo para quitar sua dívida surgiu porque Caio pensou que poderia usar você para manipular o delegado?
‒ É, bem... parece muito ruim quando diz dessa maneira ‒ disse Mau com uma careta.
‒ Sim, parece muito interessante ‒ disse Zeca, sem se preocupar em esconder seu sorriso. ‒ Você já imaginou que pode ter mais alguma coisa por trás dessa mudança de atitude do Scarafaggio?
‒ Eu não sei o que você está insinuando. É tão impossível pensar que um cara como Caio se apaixone por um cara como eu? ‒ Maurício perguntou honestamente. ‒ Sim, não é um conto de fadas perfeito nem nada, mas tá dando certo. Estou feliz. Estou bem agora, obrigado.
‒ Ser baleado é bom? Sim, eu soube sobre isso também.
‒ Isso normalmente não acontece? ‒ Mau chiou em protesto. ‒ Quero dizer, há muita coisa acontecendo agora, e você sabe. Coisas... de gangster.
‒ Maurício, eu sou a última pessoa que vai criticar as escolhas de vida de alguém. ‒ Repreendeu Zeca. ‒ Só estou ponderando sobre as coisas. Caio Marchetti é um alfa pela sua parte lobo e deve ser também pela parte fae ou algo equivalente. Não estudei muito sobre a política deles ainda.
Maurício tentou se afastar, mas Zeca segurou sua mão, levando-o a suspirar em protesto ‒ Olha, as coisas são apenas... complicadas.
‒ Só estou verificando você depois de um "acidente". Como um amigo. Sem críticas ‒ disse Zeca sinceramente.
‒ Eu não sou como o Danilo, ok. Não tenho um misterioso DNA shifter na minha composição genética. Sou só um cara comum ‒ disse Maurício com uma leve carranca.
‒ Maurício. ‒ Ele repreendeu. ‒ Eu não sou determinista. Companheiros não são só Alfa e ômega. – Zeca parecia dizer isso com conhecimento de causa. – Mas, coisas rápidas e intensas assim fazem subir algumas bandeiras vermelhas pra mim.
‒ Então, seu companheiro não é um ômega? ‒ Mau jogou, só pra ver como o irmão do seu amigo reagia. Zeca ficou roxo. Claro.
‒ Não, não é. E eu não sou apenas um alfa. Sou o sucessor do alfa da matilha Zayas. Isso é tão fodido!
‒ Olha. – Maurício olhou para o mais novo com simpatia. – Beba um drinque. Vamos esquecer nossas merdas por um tempo. Mesmo que seja por um tempo muito curto.
‒ Obrigado, Mau ‒ disse Zeca, seu sorriso um pouco triste.
‒ Mas, você não falou por que Alexandre te procurou. – Maurício tentou dizer em um tom casual.
‒ O delegado queria que eu tentasse conversar com você ‒ disse Zeca, cruzando os braços sobre o peito. ‒ Acho que ele queria encontrar meu irmão. Mas, como eu estava lá ele tentou me convencer de que você estava em apuros e tal. Ele quer que aceite a proteção dele.
Mau começou a rir. ‒ Então o Dr. Alexandre ia apelar para o coração do Danilo? – Os dois começaram a rir.
‒ Mesmo sabendo que meu irmão não acreditaria em uma sílaba do que o Dr. Alexandre disse ele se preocuparia com você. É por isso que vim te ver. ‒ Zeca falou dando um gole na sua bebida.
Maurício balançou a cabeça, mas deu um tapinha na mão dele quando disse ‒ E eu me preocupo com ele também. Mas... é assim que minha vida é agora. Finalmente estou acertando as coisas. Sei que não parece, mas estou. Tenho um novo emprego que paga muito bem. Quero dizer, merda, eu realmente poderei fazer uma faculdade eventualmente. Vou poder pagar por tudo sozinho. E não ligo para o que Alexandre ou quem quer que seja diz sobre Caio. Há muito de bom nele. A maneira como se importa com as pessoas próximas a ele, como tenta ajudá-las. Ele realmente acredita em mim, algo que Alexandre nunca fez.
‒ É isso aí Mau... ‒ Zeca disse levantando a mão e pedindo mais um drinque. ‒ ... não interessa se ele é o chefão do crime no mundo sobrenatural do centro de São Paulo. Porque deveria importar quem é nosso companheiro. Foda-se a política da matilha, e merdas como responsabilidade. Certo?
‒ Acho que não estamos falando mais de mim e meus desafetos. – Maurício sorriu e bagunçou o cabelo muito azul do irmão mais novo de seu melhor amigo. – A cultura dessas pessoas é muito diferente da humana. Você e o Danilo caíram de paraquedas nisso. Eu tive alguns anos para aprender e, de um jeito ou de outro, ser aceito nesse mundo. Pode contar comigo, Zeca. Se você precisar entender melhor como as coisas funcionam é só mandar um zap e eu te explico da melhor maneira possível.
Zeca ficou calado.
Maurício estava de pé, afastando a mão de Zeca da bebida. – Acho que esse não é seu primeiro copo da noite, né? – O jovem alfa deixou a cabeça cair. – Zeca, tudo aconteceu muito rápido. Você vai ver que tudo é contornável.
Zeca se levantou devagar, passando os braços pelos ombros de Maurício e puxando-o para um abraço gentil. Ele parecia quebrado quando disse ‒ Por que o amor não pode ser apenas o amor? Por que existe essa porra de companheiro predestinado se a tradição é mais importante? Meu coração tá doendo, Mau...
‒ Sshh ‒ Maurício abraçou o rapaz com mais força. ‒ Vai existir um jeito. Só não tome nenhuma decisão precipitada.
‒ Você também. ‒ Zeca suspirou, ainda o segurando perto. ‒ Talvez eu venha assistir o seu show algum dia.
‒ Sim, eu estarei esperando. E traga o cabeça dura do seu irmão e o companheiro dele. ‒ Mau bufou. – Nem posso acreditar que meu amigo agora é um lobo. Minha Deusa! O destino é muito estranho.
‒ Na verdade, tenho meu próprio drama de namoro. Não é tão emocionante quanto namorar um gângster, mas meu companheiro é um beta. Gay. Super afetado. Alfaiate do Estebán. Ele é lindo. E proibido. – Do mesmo jeito que os olhos brilharam, o brilho se foi com as últimas palavras.
Maurício ficou um pouco atordoado. ‒ Uau. Aposto que é muito difícil.
‒ Sim. E Leon foge de mim. Ele não quer nem conversar. Parece que sou um leproso. As pessoas me tratam diferente. Mesmo com as coisas mudando. Afinal, o próprio alfa Zayas reivindicou um humano. Tudo bem... um ômega humano. Que foi mordido e não morreu. Caralho. Meu irmão é uma espécie de lenda viva e isso só fode mais as coisas.
‒ Caramba, não tinha pensando por esse ângulo. ‒ Maurício admitiu. ‒ Deve estar sendo difícil pra você.
Mau o abraçou com força, fechando os olhos e esfregando as costas suavemente. Ele tentava passar uma segurança que nunca sentiu. E uma amizade que duraria eras. Ele amava o rebelde de cabelos azuis e cheio de piercings assim como amava seu irmão mais velho. Eles eram sua família. Ele conseguia se lembrar da garotinha que Zeca foi e estava orgulhoso do homem que o jovem alfa estava se tornando.
Em um segundo os dois betas da matilha Zayas se aproximaram em alerta protegendo o jovem.
Jonas pigarreou alto.
Caio Marchetti estava aqui, Mica e Laerte flanqueando cada lado dele. Estavam todos bem vestidos, e Maurício não teve problemas em admitir o quão fraco ficou nos joelhos à visão de Caio em um terno.
‒ Boa noite! Espero que estejam se divertindo. – Seu tom rouco enviou todo tipo de sinal para o corpo de Mau. Era como um diapasão dando a nota certa. O deixando tonto. E claro, um sorriso bobo surgiu em seu rosto.
**
Olá lobinhes,
Que saudades do Danilo e do Estebán. e o Zeca tá ficando importante. eitaaaa. o Alexandre tentando dar uma puxada de tapete no Maurício, mas não deu muito certo. hahahahaa.
o que acharam? estão gostando? deixe seu comentário. clica na estrelinha. assim eu fico sabendo se a história tá ficando boa.
bjokas e até a próxima att.
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