Capítulo 20.
Rachel.
Depois de falar com as meninas que eu ia passar o dia fora, fui até o apartamento pegar algumas coisas que vou precisar, falei com Phill sobre minha decisão de ficar, ele disse que sentiria minha falta, mas me apoiou muito e me garantiu estar feliz por mim, no final ele fez um certo drama por eu ir embora, mas está feliz pela minha felicidade, afinal ele não é meu melhor amigo atoa. Pedi pra ele organizar as minhas coisas, doar os poucos móveis que tenho e não vou querer e guardar o restante até eu ir buscar.
A conversa com o senhorio foi bem mais rápida, só disse que a partir do fim do mês eu vou entregar o apartamento e ele disse que tudo bem, perguntou se eu queria um tempo a mais para retirar minhas coisas, falei que Phill resolveria isso com ele. Quando terminei as ligações estava pronta para sair.
- Tem certeza que é melhor eu sair por aqui? – Perguntei para Flirt que tinha me levado até ali.
- Acredite esse é o portão com menos pessoas. – Olhei para a saída vendo um amontoado de pessoas com cartazes e mega fones. - Pelo menos menos pessoas hostis. - Ele se consertou.
- Aquela mulher tirou a blusa? – Comentei atônita, ele riu.
- São as caçadoras de companheiros. – O olhei confusa.
- As o que?
- Algumas mulher veem até aqui em busca de um companheiro e muitas pensam que se mostrarem os seios nós vamos enlouquecer e pegar uma delas. – Comentou com um divertimento na voz.
- Isso é loucura. - Balancei a cabeça em negativa.
- Das grandes, a maioria busca a imunidade que nós temos, outra só são louças mesmo.
- Pelo menos não fazem parte daquelas ridículos grupos de ódio. – Comentei.
- Você tem razão. – Sua expressão ficou séria. – Enfim, foi por isso que eu preferi lhe trazer por esse portão, a maioria aqui são as caçadoras de companheiros, elas são inofensivas.
- Tudo bem, obrigada Flirt. – Toquei seu ombro.
- Por nada, toma cuidado Rachel. – Sorriu.
- Pode deixar.
Entrei no carro, era um grande suv preto, não era um carro muito discreto, mas não tinha nenhuma indicação que se tratava de um veículo da ONE, isso deveria permitir que eu saísse e transitasse despercebida. Quando o carro passou pelos portões algumas mulheres tiraram as blusas na minha direção, sem me importar com isso apenas continuei dirigindo, depois do grande aglomerado de pessoas vi alguns carros com vidros muito escuros parados ao lado da estrada.
Segui pela estrada até alcançar a rodovia principal, cerca de dois quilômetros mais tarde um carro muito parecido com um dos que estavam estacionados do lado de fora da reserva apareceu no meu retrovisor, não tinha sequer por onde eu virar na tentativa de despista-los, já que estava em uma pista única.
Pisei no acelerador fazendo o carro se impulsionar mais rapidamente pela estrada, o carro permaneceu atrás de mim pelo tempo inteiro até que eu consegui alcançar a cidade mais próxima, os despistei serpenteando pelas ruas estreitas dela, tornei a sair da cidade e segui para o meu destino que era a próxima cidade.
Já dentro da cidade eu dirigi direto para o banco, Deus me dê paciência para o que eu tenho que enfrentar agora, detesto vir em banco porque é muito demorado, ainda mais que eu vou encerrar a minha conta e eles fazem de tudo para não acontecer. Depois de quase duas horas, várias perguntas e mostrar meus extratos consegui encerrar a conta. Sai do banco aliviada, fui direto para um restaurante próximo, era hora do almoço e eu estava com muita fome ainda mais depois das horas maçantes sentada naquela cadeira.
...
Estava com as mãos cheias de sacolas depois de comprar algumas coisas no shopping, afinal de contas estou com poucas roupas aqui e faz tempo que eu vinha precisando de roupas novas, comprei roupas de cama, alguns outros produtos e até algumas coisas pro Leo. Deixei tudo dentro do carro, o tranquei e me dirigi para dentro do shopping novamente, ainda faltavam alguns itens da minhas lista e eu queria cortar o cabelo que estava muito grande.
Divagava enquanto caminhava pelos corredores do shopping, perdida em meus próprios pensamentos, fazendo uma lista mental do que eu ainda preciso fazer antes de voltar para casa, percebi com surpresa que eu já me refiro a Reserva como minha casa e me sinto em casa lá como não me sentia desde que sai da casa dos meus pais.
Estava tão distraída que não percebi quando alguém se aproximou de mim, agarrou meu braço e me puxou na direção dos banheiros que estavam ali perto.
- Que merda essa? – Falei furiosa puxando em vão meu braço do seu agarre.
- Nós vimos você saindo daquele covil. – O homem falou, o encarei, era bem alto, cabelos castanho e nariz adunco.
- Covil? – Tive que me segurar pra não rir do quão idiota ele era.
- Você sabe, aquela maldita reserva. – Cuspiu as palavras. – Com aqueles animais loucos enjaulados lá dentro.
- O único animal louco aqui é você. – Falei entre dentes. – Seu desgraçado preconceituoso. - Sentia vontade de cuspir na cara dele. - Eles não viveriam atrás de muros altos se vocês desgraçados nojentos não vivessem tentando os atacar.
- Você é uma admiradora de animais, isso é nojento e não natural. – Ele começou a falar. – Sua traidora da raça. - Me apertou ainda mais. - Aposto que deixa algum daqueles animais comer você ou todos eles, sua puta de animal. – E nesse momento eu fiz a coisa mais burra de toda a minha vida.
- Garanto que ele é muito melhor do que você sonharia em ser na cama, é muito mais homem, sabe dar orgasmo a uma mulher como ninguém. – Seu rosto se retorceu uma careta de raiva. – E ele é maior também. – Meu rosto ardeu com o tapa que ele depositou em meu rosto.
- Vadia desgraçada. – Apertou meu pescoço. – Só não te mato agora porque você vai ser útil pro chefe.
Tomada por um momento de desespero eu subi meu joelho de encontro ao meio de suas pernas com a maior força que eu consegui batendo em seus testículos, ele se curvou de dor me xingando e como meu irmão me ensinou, segurei sua cabeça e choquei meu joelho de encontro ao seu rosto atingindo o nariz em cheio, com o impacto ele caiu no chão gemendo de dor, chutei seu estômago e sai correndo do banheiro. Ao sair de lá andei rápido sem correr para não chamar atenção, passei pelas portas rapidamente e entrei no carro dando a partida e saindo dali o mais rápido que o carro permitia.
Quando alcancei a auto estrada achei que eu estava a salvo, só precisava correr mais um pouco e chegaria na reserva onde eu estaria verdadeiramente a salvo, no momento que eu vi um carro preto aparecer em meu campo de visão eu gelei, pisei no acelerador mas ele continuavam se aproximando.
"Eles vão me alcançar." Constatei com um pânico crescente dentro de mim, é provável que não me matem, ele disse que eu seria útil para alguém, então se eu sair viva da batida devo ser sequestrada. Estiquei a mão para a bolsa que estava no banco do carona e peguei meu celular, mas pra quem eu ligaria? Quem poderia me ajudar? Por mais que eu acelerasse o carro se aproximava e lágrimas começaram a rolar dos meus olhos, disquei o número.
Ligação on*
- Rach? – Hope atendeu no segundo toque para a minha alegria.
- Hope. – Falei alto porque segurava o celular no volante.
- O que aconteceu? Sua voz está estranha. – Ela falou preocupada.
- Ouça com atenção, eu serei sequestrada. – Falei tentando me acalmar para falar como as pessoas nos filmes, não é possível que os vários filmes de ação que eu fiz Phill assistir comigo na vida, não me sirvam de nada.
- O que? - Ela quase gritou.
- Um carro me seguiu quando eu saí daí, achei que tinha despistado eles, mas um homem me confrontou no shopping. – Falei rapidamente. – Ele é claramente anti-espécie, discuti com ele e ele me disse que eu seria útil para alguém, seu chefe, consegui bater nele e fugir, mas tem um carro atrás de mim. – A ouvi arfar do outro lado da linha.
- Onde você está?
- Na rodovia, cerca de 3 ou 4 quilômetro daí. – Falei tentando me situar.
- Então se acalma e continua dirigindo, quando você chegar aqui estava a salvo. – Proferiu as palavras como uma promessa e eu sabia que ela falava sério, mas eu não chegaria até a reserva.
- Eu não vou conseguir chegar. – Lágrimas grossas escorriam por meu rosto. – Eles estão quase me alcançando. – Pisei no acelerador.
- Rach...
Ligação of *
Ouvi Hope chamar, mas o celular escorregou da minha mão quando eu tentei segurar com mais firmeza o volante e fazer uma manobra tentando impedir o impacto iminente, fui de um lado para o outro na pista me livrando da primeira batida, mas não consegui me livrar da segunda. O carro bateu no que eu dirigia, perdi o controle rodando e saindo da pista, o carro bateu em alguma coisa e capotou, a última coisa que eu senti antes de desmaiar foi minha cabeça indo de encontro a janela e então tudo ficou escuro.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top