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Querido Dean,
Oi meu pequeno esquilo, talvez você nem leia esta carta que estou te escrevendo.
Hoje em dia está tudo difícil, pensei que depois que terminamos a escola, estaria tudo melhor. Bom, me enganei . Estou rindo de desespero.
Se eu pudesse voltar no tempo, voltaria no dia em que nos conhecemos. Ainda me lembro um pouco. Você veio correndo na minha direção como uma bela tempestade, me derrubando e caindo.
Foi engraçado o jeito que você corou e a massa que estava comendo se espalhou por todo o chão e em nossas roupas. Talvez tivesse macarrão em todo lugar.
Naquele dia, me perguntei quem comia macarrão de manhã correndo igual um doido. Hoje em dia, já tenho a resposta para muitas perguntas a seu respeito.
Também me lembro que naquela semana nos encontramos muitas vezes.
Tínhamos aula juntos e quando você me viu, a sua cara de espanto foi a melhor.
Acho que a professora, de alguma forma, queria que nós nos tornássemos amigos, já que a intenção de formarmos dupla, se não me engano, foi essa. Ou foi só o destino que nos fez virar algo a mais.
Por mais que tenhamos nos encontrado dessa forma, acho que a primeira vez que nós falamos foi no final da aula.
Olhamos pela janela e começamos a falar de um cachorro que tinha do outro lado da rua. Não consigo lembrar se foi só isso, mas depois desse dia nos tornamos melhores amigos.
Nesse mesmo ano, teve uma festa na escola. Fomos direto para a frente, em meio àquele tumulto de gente. Dançamos e rimos como se não tivesse gente demais nos olhando. Boas lembranças que quero guardar para sempre em minha memória.
Passamos muito tempo conversando nas aulas até a professora ter que nos separar de lugar para falarmos mais baixo. Não adiantava alguma coisa.
Íamos à casa um do outro. Lembra daquela vez que você foi na minha casa e só estávamos nós dois? Então, decidimos fazer pipoca e acabamos queimando o pano de prato da minha mãe. Na nossa cabeça, colocar o pano queimado atrás do gás era a melhor opção. Nunca te contei, mas depois que você foi embora e minha mãe encontrou, acabou me batendo com o pano...
Às vezes eu tinha um pouco de vergonha de sair com você por seu jeito escandaloso ou como sua bochecha ficava parecendo a de um esquilo você acredita que consegue colocar um monte de comida na boca de uma vez?
Lembra daquela vez que fomos ao parque e você acabou caindo do balanço por ter se balançado demais? Nossos pais não tinham ido juntos por minha insistência, pois eu achava que, com 12 anos, conseguia cuidar de mim mesmo e te proteger ao mesmo tempo.
Você quebrou o braço naquele dia. Só conseguia ver sangue e seu rosto, que sempre carregava um sorriso, estava manchado de lágrimas e terra.
Eu fiz uma promessa naquele dia, mas não consegui cumprir.
Desculpa...
Eu realmente não sei quando comecei a gostar de você.
Mas me lembro que no seu aniversário de 15 anos, enquanto você soprava as velas com um belo sorriso e um brilho no olhar, que eu preferia acreditar que era só para mim, senti meu coração bater mais rápido que o normal, minhas mãos suarem e minha respiração acelerar. Eu percebi que não podia mais esconder o que sentia por você.
Me doeu ver você beijando a maddy no fim da festa enquanto uma rodinha de amigos se formava como se aquilo fosse eu coisa muito importante.
Senti meu coração se quebrar em mil pedaços , um enorme vazio e uma dor que so sinto quando se trata de você.
Acho que depois desse dia comecei a me afastar um pouco ou foi você que começou não me lembro.
Depois de um tempo você começou a namorar a maddy e eu não aguentei e me afastei de vez de você.
Demorou um tempo pra perceber naquele dia você me confrontou e acabamos brigamos, tem coisas que te falei que prefiro esquecer mas não sei se vai ser possível, me arrependo Até hoje.
Prefiro jogar toda a culpa no ciúmes assim não passo a me odiar.
Você mal olhava na minha cara, diferente de mim que a cada dia me afundava mas em um poço fundo e vazio carregado de culpa é solidão.
Você parecia ter superado...
Então o ano acabou e, se eu me lembro bem, nós terminamos. Mas não tivemos tempo de voltar a ser como antes, já que me mudei para outra cidade.
Quando falo em poder voltar no tempo, me refiro a muitas coisas na minha vida, e você é uma delas.
Não teria ido ao parque aquele dia, não teria te deixado esperando por horas na chuva por um motivo bobo, já que depois você fez um drama e acabei cuidando de você. E o pior de tudo...
As coisas que te falei, não ter me declarado antes que fosse tarde demais para te perder.
Se tivesse a chance, falaria o quanto...
Queria acordar ao seu lado, te abraçando todas as manhãs, ouvir sua voz rouca, ter que te aturar falando daquelas bandas de rock que tanto ama, sua fome que nunca acaba, o quanto queria te beijar e dizer o quanto te amo enquanto nos entregamos da melhor forma que podíamos, compartilhar minhas conquistas e fracassos com você, observar seus olhos brilhando toda vez que você fala do seu irmão mais novo, ou admiração, que fala dos seus pais e o quanto quer ter um amor como o deles, ou aquele carro mais antigo que tudo o que você ama e esperava a maioridade para poder tê-lo, já que é passado de geração para geração.
Te falaria de mil formas e me dedicaria a aprender mil idiomas, mil poemas para te dizer o quanto eu te amo e te desejo mais que tudo.
Te levaria para jantares chiques, mesmo sabendo que você prefere tortas vermelhas ou um belo hambúrguer. Talvez você não gostaria tanto, ou sim.
Nunca saberei.
Dean também te levaria para observar as estrelas, enquanto viajaria em suas belas curvas, falando baixo em seu ouvido o quanto você é perfeito, o quanto você é feito somente para mim e o quanto te amo.
Não quero te esquecer...
Quando falo em voltar no tempo ou vejo alguém falar, sempre fico apreensivo e com um nó na garganta, porque sempre acabo pensando em você.
Eu realmente não sei por que estou te escrevendo, já que você realmente não vai ler.
Eu te amo de todas as formas, línguas ou qualquer coisa será capaz de mostrar isso de alguma forma.
Meu peito dói toda vez que me lembro de você e que não podemos ficar juntos.
Talvez em outra vida ficaremos juntos.
Eu torço por isso, estou esperando ansiosamente.
Por tanta dor nessa vida, na outra anterior devo ter feito algo muito ruim com você.
Eu sinto que somos parceiros de almas e que em todas as vidas vamos dar um jeito de nos encontrar.
Eu te amo Dean.
Com amor e carinho Castiel
💌
Dean nunca foi capaz de ouvir todas as coisas que Cas queria dizer a ele, assim como nunca foi capaz de falar tudo que sentia.
Dean nunca conseguiu dirigir o Impala que tanto sonhava.
Dean nunca viu o pequeno Sammy se formar na faculdade.
Dean nunca mais pôde observar seus pais ou dizer o quanto os amava.
Dean nunca mais pôde comer suas comidas favoritas.
Dean nunca mais viu o senhor simpático que sempre o cumprimentava todas as manhãs.
Dean nunca mais viu Castiel.
Dean nunca pôde formar a família que tanto desejava.
Dean nunca pôde ler a carta que Castiel escreveu para ele.
Dean nunca viveu o suficiente para isso acontecer.
Castiel não se lembra, mas Dean morreu em um acidente de carro anos depois que ele foi embora.
Castiel acabou descobrindo quando recebeu uma ligação dos pais de Dean, com as vozes chorosas e cansadas a avisar que o filho mais velho havia morrido.
Castiel não se lembra que nunca acelerou tanto o carro e rezou pela primeira vez em tanto tempo para que aquilo fosse mentira.
Castiel não se lembra que a primeira coisa que fez quando a ficha caiu foi segurar o choro e abraçar os familiares de Dean.
Castiel não se lembra que consolou o pequeno Samuel, que já estava grande demais desde a última vez que se viram.
Castiel não se lembra que depois que todos foram embora, ele ficou por horas observando a cova de Dean, se perguntando o que fez de errado e o que poderia fazer para consertar tudo aquilo.
Castiel não se lembra que o funcionário teve que chamá-lo para falar que já estava tarde.
Castiel não se lembra que o irmão mais novo de Dean sempre o ligava e mantinha o máximo de contato possível.
Castiel não se lembra que Sammy apareceu no seu casamento com uma mulher que conheceu anos depois.
Castiel não se lembra dos três filhos que teve com a mulher de cabelos tão escuros quanto o céu estrelado.
Castiel não se lembra que a amou e viveu o máximo que pôde até aos 78 anos ser diagnosticado com amnésia.
Castiel só se lembra de Dean, seu verdadeiro amor e o único que amou de forma mais gentil e sincera que pode amar alguém.
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