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⚠️: cap não revisado
Beomgyu aperta os passos, andando na direção contrária do refeitório, atrasado para prosseguir o seu plano com Soobin.
Passo um: criar uma emergência falsa para tirar os professores da sala de aula e leva-los para o prédio de funcionários. Feito.
Passo dois: Beomgyu levar seus colegas de classe para a cafeteria vazia no prédio de alunos que Soobin vai evacuar também fingindo uma emergência falsa, assim, eles não vão ter ninguém para vê-los e dedurar seu plano. Feito.
Passo três: se encontrarem na diretoria do primeiro andar do prédio dos alunos para zerar Beomgyu com a liberação que deve ser feita no computador do diretor. Em andamento.
A cafeteria fica no primeiro andar, assim como a sala do diretor, mas em cantos completos opostos do prédio. Se demorasse demais, os alunos iam descobrir que não existe nenhuma emergência e iam voltar para o prédio antes de terem tempo o suficiente. Isso não pode acontecer.
Quando vira na esquina do corredor, já consegue ver na distância um Soobin claramente estressado a sua espera, batendo o pé no chão, então começa a correr.
— Você demorou!
— Foi mal! Kai queria vir comigo, foi difícil fazer ele ficar lá.
— Que tarefa difícil. Eu evacuei um prédio inteiro e acabei antes de você.
— Você pediu ajuda para os alunos do seu... - uma porta batendo no corredor do lado assusta os dois que gelam instantaneamente. Alguém ainda está no campus. Se tiverem dado esse azar, provavelmente um professor.
— Vem - Soobin agarra Yu pelo braço,
o puxa para dentro da sala e tranca a sala com as mãos tremendo. — Vou o mais rápido possível. Caso você escute alguém passando perto daqui, faça silêncio.
— Tá.
Se esgueirando silenciosamente para a mesa do computador, Soobin tira um pen-drive do bolso e encaixa na máquina. Só precisa conseguir o acesso ao usuário de administrador das tornozeleiras de T3 e zerar a de Beomgyu.
Como isso não é um filme de ação, isso não foi rápido. Ele não tem poderes hackers para quebrar o sistema, apenas um treinamento precário e força de vontade.
Beomgyu não consegue se conter de ficar parado esperando nesse tempo. Anda pela sala, de um lado para o outro, deixando sua curiosidade tomar conta enquanto vasculha tudo que o diretor normalmente não o permitiria nem se aproximar.
Documentos importantes, livros, histórico de professores e guardiões, chaves de alguns dormitórios e até o cesto de cartas para os alunos do internato.
Ainda melhor do que descobrir os segredos do diretor é descobrir os segredo dos alunos. Não vai mais voltar para Latibule, então não tem problema saber o mínimo detalhe de tudo que acontece na vida de cada um.
Cartas principalmente vinda dos pais. Algumas trocadas entre irmãos, as melhores, descrevendo tudo sobre suas paixões, brigas e amizades, mas um envelope azul escuro em específico chama sua atenção. Um envelope conhecido.
Escrito seu nome, bordado em dourado como destinatário. Um envelope de seus pais? Mas eles já gastaram a carta que poderiam envia-lo esse mês.
— Consegui - Soobin exclama e aperta uma última tecla no computador. No mesmo instante, um timer aparece na viseira da tornozeleira eletrônica de Beomgyu. — O que você está fazendo.
Ele não responde, apenas abre o envelope. Dessa vez, reconhece facilmente a letra de seu pai. Seu coração cai ao ler.
"Querido Beomgyu, eu sinto tanto sua falta. Obrigado por escrever.
Nossa vida continua horrível como sempre foi. Não se engane sobre como vivemos, não é o paraíso que você imagina. É tudo completamente diferente do que você descreveu na sua carta, eles te enganaram direitinho para acreditar.
Um dia seremos esquecidos, é no esquecimento que os T0's vivem. Você vai nos esquecer, assim como todos os outros provavelmente já fizeram, é só uma questão de tempo. Tome cuidado. Provavelmente não vamos nos encontrar caso você venha para cá.
Continue lutando pela mudança. Nós confiamos em você.
Beijos, papai e mamãe."
O que é essa carta? O que é a outra carta que tinha recebido?
— O que foi, Beomgyu? - Soobin pergunta preocupado quando vê ele paralisado.
— Essa carta... A outra carta que eu recebi... Por que eu não recebi essa?
Soobin toma o papel de sua mão e não precisa nem ler o conteúdo do papel para saber do que se trata. Já tinha lido aquilo antes.
— Ah, isso aqui... - sua expressão muda completamente quando um sorrisinho surge nos seus lábios ressecados — Você acha mesmo que o governo iria deixar essa carta chegar em você? Quanta ingenuidade para alguém tão inteligente.
— Do que você está falando?
— Bem, vamos começar do início. Os T3's sempre arruinando a vida da minha família. Você é tão ingrato de odiar a sua realidade, aposto que ia sofrer ainda mais se fosse de outros tiers e iria implorar para voltar a ser da classe alta.
— Do que você está falando? Nós somos ratos de laboratório! Alguns de nós conseguem uma vida boa, mas todos os cargos altos de poder são ocupados por T2's. Eles tiram nossa liberdade e colocam na cabeça de todos que temos prioridades, mas quando nossas prioridades chegam em níveis de poder, somos mandados de volta para baixo.
— Mentira! Minha família inteira perdeu o emprego cedendo vagas para T3's sem esforço! - ele grita — Você é ingrato, e agora, acabou! Todos os T3's em treinamento estão nesse campus, e vai ser meu primeiro passo para eliminar seu Tier. Sem mais T3's, essa é a revolução! Foi tão fácil te enganar! Não concordo com seu papo de que sua vida é ruim, e muito menos eles iriam ensinar nós pobres T2's em treinamento a zerar alguém? Eles me falaram que você não poderia receber essa carta, então eu escrevi outra falsa e te entreguei
— Então o que você fez? O que é isso na minha tornozeleira? - ele já se embaralha nas palavras, desesperado. Seu fim é esse? Enganado, traído pela segunda vez, sem viver uma vida digna? Sempre fugindo por simplesmente tentar ser livre e depois sendo pego e aniquilado da maneira mais cruel o possível?
— Vai explodir. Vou explodir você e todos aqueles outros idiotas no refeitório. De brinde ainda consigo levar uma parte desse campus velho. Os T3's em treinamento são só os primeiros, amanhã, serão os que me fizeram ir para a miséria com esse privilégio idiota.
— Soobin... Por favor...
Ele semicerra os olhos e os dois se encaram por longos segundos.
Quando uma movimentação é ouvida novamente do lado de fora da sala, Beomgyu abre a boca para pedir por ajuda, mas falha quando Soobin joga o corpo em cima do seu e deixa um soco bem dado na sua mandíbula.
Ele tira a própria blusa e amarra ela em torno da cabeça de Beomgyu, que esperneia desesperadamente tentando sair daquela situação.
— Boa morte. Uma pena que você não vai nem conseguir ficar com os seus papais. Foda-se você e sua revolução da liberdade, ou seja lá qual era seu propósito - finaliza antes de sair correndo com a chave da sala em mãos para trancar Beomgyu lá dentro.
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