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Arrependimento é uma palavra que pode ser utilizada para várias situações diferentes, como quando você grita com seus pais em uma briga quando não era necessário ou quando você faz algum comentário desnecessário pra algum amigo.

Nesse caso, a situação de arrependimento de Yeonjun é não ter lutado o suficiente para continuar próximo de Beomgyu. A mini conversa dos dois no corredor foi a quase uma semana e ele não foi jantar desde então. Na verdade, ele mal tem visto Soobin e Beomgyu pelo campus, apenas relances dos dois longe no corredor voltando do café da manhã. É difícil focar no seu trabalho de guardião quando a saudade não para de apertar seu peito.

Ele deveria estar fazendo alguns registros semanais, já atrasados, enquanto seu novo T3 está na aula, mas não tem forças para levantar da cama nem para beber água mais. Só queria saber se Beomgyu está bem.

— Yeonjun! - um grito alto do lado de fora seguido por batidas incessantes na porta é sua motivação para levantar. Ele demora alguns segundos, mas alteia o corpo sem nenhuma vontade de conversar com seja lá quem está do outro lado da porta e abre.

Seu desejo de afundar no colchão é imediatamente vencido por inquietação quando vê a cena do corredor e Soobin claramente ansioso esperando que abrisse.

— Soobin? O que aconteceu? - ele pergunta preocupado quando vê a expressão de desespero no rosto do amigo.

— Emergência, não dá tempo de explicar, precisamos evacuar o prédio dos alunos agora mesmo. Vá para fora! Rápido!

— O quê? - e Soobin sai correndo acompanhado de mais alguns alunos para conseguir bater na porta de todo mundo e dar o aviso. No meio disso, vários outros correndo escada abaixo para fora do prédio. — Cadê Beomgyu?? - questiona quando percebe que o T3 não está o acompanhando como sempre.

Com tantos gritos, Soobin nem o escuta e continua batendo em todas as portas do corredor sem olhar pra trás.

Sem outra escolha além de ficar no lugar supostamente perigoso ou sair, Yeonjun se junta a multidão de pessoas e foge com todos.

No andar de baixo, enquanto ia de uma escada a outra, viu alguém conhecido mancando com dificuldade para tentar fugir também. Seu primeiro instinto foi correr até ele e o segurar pela cintura para ajuda-lo a sair também.

— Taehyun, você tá bem? O que aconteceu? Você sabe o que está acontecendo?

Ele tem dificuldade em responder. Abre a boca para falar mas o som da voz não sai, parece doente com a pele pálida.

— Taehyun?

— O Soobin...

— Sim, eu sei. Ele pediu para evacuar o prédio. Vamos, não sei o que está acontecendo, mas deve ser importante e não queremos nos machucar.

Nesse ponto, quase todos já saíram, os dois são os únicos que restam e ainda precisam descer mais um lance de escadas até o último andar.

— Vamos - vendo que ele não está em condições para andar direito, continua o puxando em direção dos degraus e o ajuda a descer com cuidado.

Isso, até a metade da escada.

O corpo dele de repente perde a força, fica mole, e Yeonjun também não é forte o suficiente para sustentar seu peso sozinho, então quando percebe, ele já está caído no pé da escada.

Silêncio. Yeonjun trava completamente antes de poder sentir qualquer emoção o encarando combalido no chão.

O desespero aumenta em seu peito quando ele não mexe ao chamar seu nome. Não. Não pode ter matado seu melhor amigo.

— Taehyun, por favor, fala comigo.

Ele vira o corpo desacordado de barriga para cima e sua atenção vai diretamente para a marca sangrenta na testa que ganhou com a queda e a clavícula claramente fraturada. Mas aí, outra coisa se destaca para Yeonjun, a espuma branca saindo de sua boca e os olhos avermelhados.

Taehyun está morto, mas vendo o estado que o amigo estava antes de ter a queda, claramente doente, como se estivesse envenenado, Yeonjun se questiona se ele estaria vivo mesmo se não tivesse sofrido a queda.

— Desculpa - ele fala baixo e abraça o corpo mais uma última vez.

"O Soobin", foram suas últimas palavras. O que ele estava tentando dizer? Yeonjun descarta esse pensamento rapidamente, confiante de que Soobin não seria o culpado para algo assim.

— Mas eu não conheço o Soobin direito... Não posso confiar nele como confio em você e Beomgyu.

O prédio solitário deixa o ruivo sozinho em silêncio com seus próprios pensamentos, esses que só gritam uma coisa:

Vá achar Beomgyu. Agora.

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