CAPÍTULO 23

Gelo correu por minhas veias, substituindo meu sangue, e o pude ver nas costas de minhas mãos e sentir as ramificações acinzentadas se formando em minha pele onde eram minhas veias. Fiz com que gelo cobrisse minhas espadas a medida que caminhava em direção a Meliha, sentia cada gota do meu poder gritar impaciente para ser liberado, mas eu iria me controlar... Eu precisava controlar.

Eu precisava de tudo. Precisava de todo o poder dentro de mim se eu quisesse ter alguma chance contra ela.

Coisas ruins precisam acontecer para que aja mudança. E sacrifícios precisam ser feitos para se ganhar batalhas.

Busquei o fundo acinzentado e dormente dentro de mim, a parte mais profunda da minha magia, a parte que eu não deveria tocar por não saber controlar. E isso me mataria...

As únicas vezes que esgotei minha magia foram nos treinamentos com o pai de Howard, e sempre esperava recuperar para voltar a treinar. Tocar na parte adormecida aconteceu uma vez e eu dormi por um mês. Quase morri no processo. Os batimentos do meu coração quase pararam por completo durante esse tempo. Os anciões disseram que se eu tivesse continuado por mais alguns segundos eu teria morrido, e foi graças a eles que não morri durante aquele mês.

Mas agora era diferente. Eu precisava, não seria um acidente. Eu estava escolhendo, e se eu morresse no processo... Bom, era aceitável.

Era quente, aconchegante, prazeroso... Controlei um suspiro profundo quando senti a nevoa cinza se enroscando em minha mente. Era bom, e difícil de controlar...

De repente Meliha sorriu ao me olhar... Quando vi meu reflexo na lâmina de minha espada coberta de gelo, entendi o motivo do sorriso satisfeito, meus olhos estavam totalmente cinzas escuro – os olhos da deusa.

Quando nasci meus olhos estavam cinzas assim como meu cabelo, os anciões logo viram aquilo como um presente da deusa Atali. Me viram como uma ponte para suas preces, mas dias depois meus cabelos ficaram escuros, e meus olhos adquiriram um tom mais escuro de cinza, e nenhum milagre misterioso aconteceu. Com o tempo isso fora esquecido, os rumores que eu era uma possível reencarnação da deusa se foram, embora muitos acreditam que eu possa ser um receptáculo de Atali, para quando ela quiser andar sobre a terra.

Apenas sei que nada surpreendente ou sobrenatural aconteceu em minha vida. O que sei, é que estava mexendo com magia bruta que eu não conhecia, e nem mesmo os anciões de nossas aldeias compreendiam.

Lembro-me que quando a usei da ultima vez perdi a consciência de meus atos por breves segundos, sei que não fora eu a destruir parte da vila do sul.

Mas era Meliha à minha frente. Ela queria reunir os Pylares, queria abrir os portões do submundo. A bruxa havia se aliado aos assassinos  de Acrab e ao rei de Mothallah. Ela pretendia realizar algo maior do que já vimos durante toda a existência dos mundos. Se eu tinha alguma chance eu iria aproveita-la, mesmo que isso me custasse tudo.

 A bruxa esboçou um sorriso que lentamente foi se transformando em uma careta de ódio. Ela era mais experiente que todos no Desert, mas o gelo sempre foi e sempre seria sua fraqueza.

A bruxa com a lança na mão grunhiu — algo feroz e sombrio pairava sobre aquela montanha. A lança que ela  segurava agora voava em minha direção, e bem distante ouvi uma voz gritar meu nome desesperada, — a mesma voz que me repreendia quando criança —, a voz de minha mãe. A lança parou a centímetros de meu rosto, congelada no ar. Olhei por breves segundos na direção da mulher que me chamou em meio ao desespero, e rapidamente vi seu olhar se transformar de medo para uma explosão de sentimentos — sabíamos o que aquilo significava—. Eu já estava morta.

Segurei a lâmina congelada em minhas mãos , olhei para a bruxa que a lançou, seu olhar estava petrificado. Mais gelo cobriu toda a extensão da arma, e a lancei... A lança atravessou o corpo da mulher com tanta precisão quanto voara segundos antes em minha direção, deixando um pequeno buraco onde antes ficava seu coração. A mulher de olhos congelados pela morte caiu sobre a neve branca e macia. Seu corpo sem vida agora pairava sobre os pés de Meliha. E eu?!...

Eu estava em paz, de mãos limpas, coração calmo e alma quieta. Meu corpo já não era mais meu. Meu corpo era uma arma. Uma arma da deusa Atali. E aquela batalha era dela agora, eu apenas iria assistir. O poço cinza dentro de mim gritava e se contorcia para se libertar por completo, para devorar todo o Desert — a sensação era boa.

A segunda bruxa ao lado de Meliha vociferou, seus olhos brilhavam com um extinto bestial, eu naquele momento era sua caça, entretanto ela mau sabia que já estava morta, pois o ser que me controlava estava sussurrando em meu subconsciente — todas elas já estavam mortas —, e a própria deusa do gelo se encarregaria das mortes.

Meliha sentia a presença dela, assim como meus companheiros que agora estavam um passo a mais atrás de mim — em respeito, talvez medo.

De repente o mundo parou e congelou... e a bruxa atacou.

A lâmina negra que ela empunhava cortou o ar centímetros perto do meu rosto, porém meu corpo nem se moveu. Seus olhos se arregalaram a medida que seu sorriso diminuiu, sua respiração pesou e seu corpo ficou imóvel. Uma de minhas mãos se ergueu na direção da mulher, a ponta do meu dedo indicador tocou a testa da bruxa — não senti nada, não saberia dizer se era quente ou fria, qual era a textura ou temperatura de sua pele, pois meu corpo não era mais meu para que sentisse, eu só podia ver. Gelo cobriu o corpo jovem da pequena bruxa de olhos assustados, e então se estilhaçou em milhões de pedaços, sem que ao menos ela pudesse reagir.

— Você foi minha escolha perfeita — uma voz que não era a mina sussurrou dentro da minha mente.

Nesse exato momento o ar parou, e a neve sob nossos pés começou a subir lentamente em direção as nuvens, por alguns minutos houve silêncio em meio a batalha. Nenhuma espada ressoou, nenhuma fera rugiu, nenhum grito foi dado, pois tantos os nossos guerreiros quanto nossos inimigos sabiam que havia um ser superior entre nós. Um ser capaz de refazer o equilíbrio natural do universo.

— Pobre criança assustada — meus lábios se mexeram, mas a voz que ouvi era doce, entretanto, assustadora. — O que pensa que está fazendo, perturbando minha família?

Finalmente alguém se mexeu. A dona da voz que não era minha se virou, e através dos olhos que já não eram mais meus pude ver minha mãe e meus amigos de joelhos — em respeito e devoção —, contudo em cada olhar encontrei medo e desespero, todos sabiam qual seria o resultado daquela possessão.

— Seus irmão estão envergonhados — a deusa olhava direto nos olhos de Meliha agora.

— Não sabia que ainda possuía irmãos — Meliha disse escondendo o nítido medo sob o desdém em sua voz.

— Já esqueceu sua origem?

— Eu fui banida ha milênios, humilhada e injustiçada — Meliha sussurrou.

— Você é uma traidora, você escolheu isso — Atali vociferou, e sua voz estremeceu a montanha, abafando o barulho da batalha abaixo de nós que havia retomado.

— Eu fiz o que todos aqueles covardes sempre desejaram e não tiveram coragem para fazer — Meliha sibilou.

— Não ouse manchar o nome de seus irmãos. Você é gananciosa, é uma erva daninha que se alastrou em nosso meio. E agora... — Atali riu —, agora você quer abrir o portal do sub mundo. O que você pretende com isso?

— Você não vê tudo!? Me diga o que eu quero — Meliha sorriu.

— Bruxa tola — Atali cuspiu as palavras.

— Pensei que você era a deusa do amor e da justiça — a bruxa sorriu. — Descer aqui por essa raça insignificante, e ainda usa o corpo de uma garota fraca como essa — ela desdenhou. — Não lhe reconheço mais.

— Eles são meus escolhidos, e você deve respeito a eles.

— Eu jamais me curvaria a esses seres mortais e nojentos.

— Preferiu me trair a obedecer minhas ordens, por isso você sempre foi um problema dentre todos os seus irmãos — a deusa lamentou.

— Meus irmãos são fracos, poderíamos ter governado esse mundo, seriamos deuses...

— Você jamais seria uma deusa — Atali vociferou. — Escoria bruxa.

— Ah, agora reconhece o que você me tornou!?

— Você escolheu esse caminho.

— Você escolheu esse caminho para mim quando preferiu esses insetos a nós.

— Você os odeia tanto, que abdicou do seu poder por um rei humano — Atali sorriu.

— Cale sua boca, não ouse menciona-lo — Meliha gritou. E seu rosto já havia sido tomado por um furor implacável.

Os olhos da bruxa agora estavam pretos, seu semblante neutro denunciava o que eu estava prestes a presenciar. A deusa do gelo desceu de seu mundo para salvar seu povo do furor de uma bruxa — que agora eu estava curiosa demais para saber a verdadeira origem —, essa batalha seria contada — até mesmo cantada — por séculos... Se sobrevivêssemos.

Eu não iria ouvi-las... Eu não sobreviveria.

Contudo, podia imaginar o que diriam sobre mim... A garota Drak estava perdendo a batalha covardemente, então a deusa Atali teve misericórdia de seu povo, ela desceu do seu mundo e se apoderou do corpo da criança assustada. A batalha foi sangrenta, muitos guerreiros morreram aquela noite, no entanto, nossa deusa nos salvou. Meliha morreu assim como suas seguidores e todas as criaturas de Penaty que ousaram pisar em nossas terras. As bestas feras urraram e se contorceram diante do poder de nossa deusa, Meliha não passou de um inseto sendo esmagado. E quando Atali deixou o corpo de nossa jovem líder, ele já não continha mais vida.

Esse seria meu destino, estava pronta para abraça-lo, para rever meu pai nos pátios de Ranart.

Meliha atacou...

O fogo clareou e açoitou minha pele, porém, não me queimou. A deusa o extinguiu sem ao menos se mover. Novamente a bruxa nos atacou, e chamas violetas derreteram a neve sob meus pés, Atali deu um passo para trás enquanto as chamas tentavam alcançar-nos. Meliha intensificou seu poder, fazendo o fogo crescer ate nos engolir, e pela primeira vez senti algo — eu estava sufocando —. A deusa formou uma barreira de gelo ao redor do meu corpo nos protegendo, a medida que ela crescia e engolia as chamas.

— Não morra ainda criança, preciso de você viva — sua voz sussurrou em minha mente.

A barreira se quebrou, se transformando em estilhaços de gelo, que voaram na direção da bruxa. Antes de rasgarem sua carne, eles pararam a centímetros de seu rosto, flutuando no ar até derreterem e virarem agua sobre o chão. Meliha ergueu a mão em um comando silencio fazendo a neve sob nossos pés se moverem, como se uma serpente rastejasse em baixo da terra — e ela se abriu alguns centímetros —, com um rápido salto Atali se desviou da pequena cratera.

A luta continuou em uma mistura de gelo e chamas violetas, Meliha atacava de forma voraz, e Atali não precisava de muito esforço para bloquear seus golpes, no fundo eu sentia que ela só estava brincando com a presa antes de mata-la. Uma deusa vingativa e fria. Chamas fortes clarearam a montanha quando colidiu com o escudo de gelo que Atali conjurou. Um tronco maciço de uma árvore acertou minhas costas, fazendo-nos chocar contra o escudo e cair metros longe de Meliha.

Eu engasguei com o ar — eu... não a deusa —. Atali se levantou sacudindo a neve do corpo, e mesmo estando somente em meu subconsciente, pude sentir a ira que se acendeu naquele ser imortal. Algo se agarrou em meu pé me arremessando contra uma pedra, novamente o ar me faltou e cada vez menos tinha uma visão nítida do meu redor. Eu estava perdendo a consciência e em breve eu seria somente uma carcaça morta, um recepetagano para a deusa do gelo.

Eu sabia que ela venceria Meliha.

— Vadia traidora — Atali vociferou ao ficar de pé novamente. — Todos vocês — ela olhou ao redor.

Olhou para meu povo, para minha família, meus amigos sobre aquela montanha. Pude ver silhuetas curvadas bem distante da batalha, observei os olhos amedrontados, e embora já não conseguia mais ver seus rostos nitidamente, soube reconhecer a quem cada olhar pertencia. Eu estava morrendo, e a deusa era puro ódio.

— Eu deveria matar todos vocês — Atali gritou. — Começando por você vadia — apontou para Meliha, — e depois vocês — apontou para meu clã.

— Não — gritei. Mas minha voz não saiu.

— A culpa disso tudo é de vocês — Atali continuou com uma risada. — Deixaram com que essa vadia dominassem vocês, a serviram como uma rainha, e no fim ela lhes tirou tudo.

— Atali... Atali... Atali — alguém estava chamando a mim. — Liberte-se — a voz sussurrou em minha mente.

— Eu poderia matar todos, extinguir seu povo Nulara — ela olhava para minha mãe agora.

Meu coração parou.

— Mas eu sou misericordiosa — ela riu. — Não vou culpa-los pela traição de seus ancestrais. Embora, penso seriamente em retirar a magia de vocês assim que matar essa bruxa traidora. Vocês não a merecem.

— Atali por favor — a voz voltou a falar comigo. — Expulsa ela.

 

Minha mãe era orgulhosa demais de quem ela era do poder que possuía, Nulara preferiria expulsar sua grande deusa e perder a batalha contra Meliha do que perder sua magia. Entretanto, eu não podia deixar Meliha ganhar, eles poderiam viver sem magia, eram grandes guerreiros, e podiam viver sem mim também.

A deusa se voltou para Meliha e ergueu uma mão em sua direção, observei a silhueta da bruxa cair de joelhos sobre a neve enquanto agarrava a própria garganta, como se uma mão invisível a sufocasse.

Com a visão turvada pela exaustão da batalha e o desgaste por abrigar a alma de uma deusa dentro de mim, pude ter pequenos vislumbres de uma bruxa derrotada de joelhos ao agarrar mãos invisíveis que a sufocavam. Meliha caiu com as costas sobre a neve, enquanto seu corpo se debatia, e a presença dentro de mim se deleitava de prazer.

A deusa que tanto idolatrávamos era perversa e cruel.

— Filha... — a voz de minha ame sussurrou novamente. — Liberte-se... não posso perde-la também...

"Acalme-se criança, a noite já está acabando... Seu sacrifício valerá a pena”.

O mundo havia se tornado nada, e o nada se tornou tudo. Eu era o nada... Não ouvia nada, não via nada e não sentia nada. Eu estava morta... Acho que sim...

"Acalme-se criança, em breve você estará com seus ancestrais, não se preocupe com os que ficam, eu cuidarei deles para você ”.

 

Não... Não... Atali pretende usar meu corpo para ficar na terra. Mas por quê? O que ela pretende?

De repente senti meu corpo formigar, um calor surgir nas pontas dos meus dedos. Algo estava me puxando para cima, sugando minha alma do vazio em que ela se encontrava, não reconhecia aquela força estranha, ela não possuía corpo nem cheiro... Mas possuía voz...

" Aka doneté atomanei as doneres, akolnomelene akol aneeiri, nore lenes, akol sanares nore fanaol, taná kari anánis nate taná oterí sá onoménes...”

Havia uma voz que a cada momento se tornava mais alta, mais forte, uma voz que ecoava sobre meu ser, e irradiava uma luz avassaladora em meio as trevas que me cercavam. Não era nada desse mundo. A cada palavra recitada minha alma recebia um leve puxão que me impulsionava para cima, o poder que preenchia meu corpo diminuía e eu emergia das trevas em meu interior. Mais vozes se juntavam aquela estranha conjuração de palavras, e a cada letra o som reverberava ressuscitando as batidas de meu coração.

" Hinari tary notoles nate tary banori. As doneres taná aneki nate taná ganabís, alak sarí nate alak tailórés ama catri donoles nate fortiaz cares fares luarezis, nasteti parast bi camaí sosestí takama zunatí, maenori amaté subeiti kári dones inbore pietiz”....

As vozes ficavam cada vez mais próximas e claras, eram palavras da nossa língua morta, se parecia com algum tipo de poema, mas ao mesmo tempo uma oração ou ate mesmo uma suplica. Embora não soubesse o que aquilo tudo poderia ser, eram ditas palavras poderosas capazes de me puxar do abismo da morte, no qual uma deusa havia me colocado. O que seria capaz de realizar tal ato extraordinário?...

"Aka doneté atomanei as doneres" ... Eu convoco todos os deuses...

Era uma convocação.... As palavras se repetiam cada vez mais altas...

"As doneres taná aneki nate taná ganabís”... ( os deuses dos bons e dos perversos. )

O que eles estavam fazendo? Eles estavam pedindo para que todos os deuses descessem na terra para buscar a deusa Atali. Só podiam estar loucos.

De repente um clarão me engoliu. Bem ao fundo, pude ter um pequeno vislumbre de um corpo pequeno enevoado pela claridade, e uma voz doce que sussurrou no vazio... — Até breve criança corajosa, você foi a escolha certa...

O mundo explodiu, eu explodi...

                                        ***

Eu estava lá, em meio a neve.  A cabeça ardendo, a visão turva, o corpo sem forças e quebrado pela batalha, a energia havia se esvaído de mim, como a beleza no Desert  estava sendo substituída pela destruição causada por Meliha.

Bem à minha frente eu a vi se arrastando sobre a neve, os cabelos negros deslizando na pureza branca do gelo. A visão da bruxa não passava de uma sombra se movendo em minha direção. Ódio puro emanava da criatura secular que acabara de ser massacrada por uma deusa. Meliha era poderosa, não havia dúvidas disso, não havia nenhum questionamento de que eu poderia derrotar aquele ser, pois eu jamais conseguiria tal ato.

Ela era filha da deusa Atali, viveu entre os deuses, foi criada por uma, eu era apenas uma humana mortal abençoada por uma, mas jamais chegaria a ser como ela.

Não, eu não poderia ser como Meliha. A batalha estava perdida, o Pylar seria dela. O Deserto de Neu estava em chamas, bestas desconhecidas comandadas por bruxas massacravam o nosso clã.

Meliha se aproximava cada vez mais. Ela me mataria.

— Foge Atali — alguém gritou bem distante.

Então eu me agarrei ao medo que me devorava de dentro para fora, usei os últimos vestígios de força que me restavam e me ajoelhei. Meliha já estava de pé poucos metros diante de mim, o punhal em sua mão brilhava contra a fraca luz da noite. Me impulsionei sobre minhas pernas e coloquei-me de pé.

Meliha sorriu. Sangue manchava seus dentes.

Ignorando todas as dores de possíveis ossos partidos e carne rasgada, eu me lancei contra a escuridão do penhasco.

O vento assolou minha pele como se fosse cacos de vidros cortando meu rosto. Tudo estava escuro, então ela me segurou.

Cai sobre as costas de Ruray, sendo segurada pelo camada de couro dura como aço de suas costas — ela ouviu o meu chamado.

— Obrigada garota — agradeci.

Com um rugido ensurdecedor que aqueceu meu coração, o ultimo dos dragões de gelo se lançou ao céu. Rumo a batalha.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top