A beira do precipício
Jeon Jungkook
“Você é meu”.
Aquelas palavras reverberaram em sua cabeça de maneira repetitiva e tortuosa, pois Minhwan o havia marcado a força, havia de maneira unilateral decidido por ele que seriam parceiros, as consequências daquilo foram quase imediatas. Sua nuca latejava de dor, podia senti-la pulsar como se uma cobra houvesse lhe picado e seu veneno se espalhasse por todos os seus músculos, seu lobo uivava em dor em seu interior, podia senti-lo se revirar sem parar em agonia. Sua mãe já havia lhe dito uma vez que quando marca é aceita de forma bilateral, seu lobo reagiria com alegria, aquilo seria a melhor coisa do mundo, as sensações seriam incríveis, como se tivesse encontrado a parte que faltava em si mesmo, mas se houvesse rejeição a marca, seria uma das piores sensações que poderia sentir. Naquele momento Jungkook entendeu o motivo de suas palavras, pois a marca em sua nuca doía como se houvesse sido marcada por um ferro em brasa.
— Não era para ser dessa forma — Minhwan sussurrava em seu ouvido, enquanto passava o nariz por sua nuca. A única reação de Jungkook era chorar e gemer em agonia, pois aquela dor dilacerante ainda se espalhava por seu corpo. — Era para eu levá-lo para o quarto e tornar esse momento especial, você não tem ideia do quão ansioso eu estava por isso.
— E-Eu te odeio — Jungkook disse por entre as lágrimas. — Te odeio com todas as minhas forças!
— Infelizmente terá que engolir seu ódio meu bem — sentiu Minhwan se sentar novamente e seus pulsos foram segurados com apenas uma das mãos dele. Jungkook sentiu seu casaco ser erguido e aquilo fez o bolo em sua garganta triplicar de tamanho. — Temos um propósito a cumprir, você precisa carregar o meu herdeiro e dar continuidade a linhagem dos Choi.
— Não! — Jungkook gritou e se debateu de maneira desesperada, o medo que o tomou foi tanto que tinha medo de seu coração parar, tamanha era a força que ele batia contra o peito. — Por favor! Por favor não faça isso!
— Prometo que será tão bom para você quanto será para mim — o alfa voltou a se aproximar de sua orelha e beijou a marca, o que lhe causou um arrepio intenso em repulsa.
Jungkook chorou mais alto e se debateu, tentou a todo custo, com todas as suas forças, se soltar das garras daquele homem que não cansava de quebrá-lo de várias maneiras diferentes. O som de um raio extremamente próximo assustou os dois, pois o barulho foi deveras alto e em uma proximidade perigosa, o olhar dos dois se dirigiu até um buraco que surgiu no telhado de sua casa, o buraco mostrava nitidamente a lua sobre suas cabeças, como se fosse uma mensagem de Unàh, de que ela estava a assistir tudo que estava acontecendo entre eles. Aquilo pareceu fazer Minhwan hesitar e inconscientemente afrouxar o aperto em seus pulsos, o que lhe deu a oportunidade de conseguir se desvencilhar. Usou uma força que até então não sabia que tinha para separar seus pulsos e aproveitou a liberdade para apoiá-las no chão, para que assim pudesse tomar impulso para cima, o que fez sua cabeça acertar o queixo dele, que gemeu de dor e se afastou.
— Porra! — Minhwan gemeu, Jungkook ignorou a dor em sua cabeça e aproveitou para se levantar. Se afastou às pressas e buscou por qualquer coisa que poderia ajudá-lo a fugir ou a se defender. — Eu planejava pegar leve com você, mas agora eu mudei de ideia. — Ele se levantou e pôde ver um rastro de sangue escorrer pela boca dele.
— Você me enoja, eu prefiro morrer a me deitar com você! — Respondeu e deu um passo para trás. — Sabia que eu escondi um segredo por todo esse tempo Minhwan? Você não seria o meu primeiro, minha pureza já foi tirada há muito tempo, por outro alfa! Você seria apenas uma memória ruim. — A expressão do alfa se fechou ainda mais e seus olhos dourados pareciam ainda mais intensos. Ele parecia estar pronto para matá-lo após ouvir as suas palavras.
Quando Minhwan estava prestes a avançar em sua direção, o som de gritos, passos grandes e pesados junto a um rugido alto, o fez hesitar novamente e os dois levaram o olhar em direção a porta, que foi derrubada instantes depois por um urso polar imenso. Ele rugiu alto em direção ao alfa, levou o olhar até Jungkook antes de se aproximar e se colocar a sua frente, para protegê-lo de Minhwan, que arregalou os olhos e recuou alguns passos nitidamente assustado com a presença do animal. Quando finalmente entendeu que aquilo era uma intervenção de Unàh a seu favor, Jungkook rapidamente se aproximou do urso, que ficou parado enquanto o escalava e montava em suas costas, ele só partiu para longe da casa quando tinha se agarrado aos pelos dele com força. Embora o alfa fosse um lobo cinzento forte e grande, ele jamais seria capaz de lutar contra um urso polar, pois a força em suas patas era imensamente maior que as de um lobo.
Jungkook sentia o vento extremamente gelado bater contra seu rosto enquanto o urso corria em direção a sua liberdade, ou assim pensava ele.
(...)
Tempos atuais…
Jungkook ainda estava com a testa colada a de Taehyung, suas respirações estavam alteradas e lágrimas escorriam por seu rosto, ter que relembrar de tudo o que houve, de tudo o que viu e teve que passar ainda era doloroso, ainda era recente demais. Tentou mostrar todas as imagens ao alfa, tentou contar através de sua visão tudo o que havia acontecido desde que havia sido levado a masmorra de Presa, por isso se afastou quando chegou na parte que o alfa conhecia da história, onde ele havia fugido de Presa e foi capturado por Delta, antes que Namjoon o encontrasse. Abriu os olhos e o encarou, quando os olhos de Taehyung se abriram, suas íris estavam vermelhas e uma lágrima solitária escorreu pela bochecha do alfa, sua expressão era um misto de raiva e dor, seus sentimentos estavam confusos e embaralhados, não sabia dizer o que era seu ou que era dele. Mas surpreendeu-se quando ele o puxou para seus braços e o abraçou com força.
— Eu sinto muito Jungkook, ninguém merece passar pelo o que você passou — Taehyung disse baixinho enquanto o apertava em seus braços. O cheiro de café se intensificou e aquilo o fez relaxar em seu abraço quase que imediatamente. — Eu consigo sentir o quanto isso o machucou, mas quero que saiba que eu nunca, em hipótese alguma irei deixar aquele maldito se aproximar de você novamente.
— Obrigado Taehyung — Jungkook soltou um suspiro de alívio e segurou em suas roupas. Quando se afastaram, o alfa limpou as lágrimas que ainda escorriam por suas bochechas.
— Eu que agradeço por confiar sua história a mim, embora eu já tivesse conhecimento sobre a marca — ele disse com um sorriso pequeno e Jungkook arregalou os olhos.
— Como?! — Perguntou preocupado.
— No dia que você passou a noite em claro por conta do “mal que seu lobo lutava sozinho” eu acabei descobrindo por acidente, mas prometi a mim mesmo que esperaria até que você estivesse pronto para me contar sobre — ele explicou. Jungkook abriu a boca em choque e baixou a cabeça, pois não tinha ideia que ele havia descoberto. As mãos quentes de Taehyung repousaram sobre suas bochechas e levantou seu rosto, para que olhasse em seus olhos. — Você disse que eu podia ajudá-lo com algo, o que eu posso fazer? Isso irá diminuir sua dor? Se sim, eu aceito, seja lá o que for.
— Não aceite tão rápido — Jungkook levou suas mãos em direção às dele e as segurou. — Não é algo que deva ser decidido sem considerar com cuidado.
— Não me importo com as consequências — respondeu de maneira imediata e Jungkook o encarou em surpresa, pois os olhos vermelhos de Taehyung mostravam que ele era totalmente sincero em suas palavras. — Tudo o que eu puder fazer para livrá-lo de qualquer resquício de dor ou sofrimento eu farei.
— Por que você está disposto a ir tão longe por mim? — Perguntou com o cenho franzido.
— Eu só… sinto que deveria, você merece mais do que apenas lembranças dolorosas, você é precioso demais para ser posse de um alfa babaca — respondeu com uma expressão banhada em raiva. Jungkook podia sentir o lobo dele mais influente, como se quisesse se manifestar. — Se eu puder proporcionar isso, eu farei.
— Talvez você se arrependa dessa decisão no futuro — insistiu e Taehyung abriu um sorriso gentil.
— Vamos focar no presente — disse com o olhar banhado em carinho. — Deixe que Salìk e Unàh decidam nosso futuro.
— Tem certeza? — Perguntou novamente e Taehyung assentiu, por isso Jungkook o encarou por alguns segundos antes de tomar coragem de pedir. — Yongok me disse que enquanto essa marca estiver em minha nuca, Minhwan saberá que estou vivo e poderá vir atrás de mim. Ela disse que você, por ser um lúpus e seus feromônios serem mais fortes que os dele, você pode quebrar a minha ligação com ele.
— Isso… eu substituiria a marca dele pela minha? — Perguntou com o cenho franzido e Jungkook assentiu. — Mas tirá-lo de uma ligação forçada para entrar em outra não parece uma solução pra mim.
— Não será forçada — negou e olhou nos olhos de Taehyung. — Nem de longe você se parece ou tem os mesmos pensamentos que ele, se eu tiver que escolher entre ter a marca de um alfa que cuidou de mim e um que me agredia, fica extremamente fácil de decidir. — Abriu um pequeno sorriso e Taehyung o retribuiu. — Mas eu entendo que criar uma ligação com alguém não é algo que possa ser decidido de uma hora para outra e…
— Isso não é um problema para mim Jungkook — ele respondeu e aquilo o fez encará-lo com o cenho franzido. Taehyung segurou suas mãos e as descansou sobre as coxas, juntas. — Temos um laço ainda mais forte que uma marca lupina, já estamos ligados um ao outro pela eternidade, isso não mudará absolutamente nada no que temos agora.
— Mas e se você quiser se relacionar com outro ômega? — Perguntou e aquilo fez o cenho de Taehyung franzir. — O laço de sangue não o impede de se relacionar com outra pessoa, mas uma marca sim, se me marcar e não houver rejeição, seu lobo não aceitará ninguém além de mim.
— Isso não é um problema para mim, mas talvez seja para você — ele respondeu e foi a vez de Jungkook franzir o cenho em confusão. — Já que compartilhou seu segredo comigo, compartilharei um que apenas minha vó tem conhecimento… lembra que eu lhe disse há um tempo que eu tenho um motivo para não ter me relacionado com ninguém seriamente?
— Sim — respondeu, não poderia esquecer quando a culpa o atingiu ao saber que ele havia feito Taehyung entrar em um relacionamento de maneira forçada.
— Como minha avó tinha dito a você, eu sou um lúpus com feromônios mais fortes que os alfas normais, um lobo da minha espécie é extremamente raro, por isso há pouco conhecimento sobre ele — explicou e Jungkook assentiu, atento às suas palavras. — Por conta disso, eu sou incapaz de dar um filhote ao meu parceiro.
Aquilo fez as sobrancelhas de Jungkook se erguerem em surpresa, pois de tudo o que passou pela sua cabeça ao ouvir o que ele havia dito, jamais imaginou que seria aquele o motivo.
— Meus feromônios são fortes demais, mesmo que meu parceiro consiga engravidar, não conseguirá segurar meu fruto no ventre — continuou a explicar, ele ainda olhava em seus olhos, mas eles refletiam pura tristeza, o que o deixou incomodado. Não gostava de vê-lo com aquele olhar. — Por isso que talvez, você se arrependa da minha marca, se um dia quiser construir uma família, gerar um filhote, não poderei proporcionar isso a você. Foi por isso que não quis me relacionar com ninguém, por ser o líder, todos querem que eu passe minha linhagem adiante, mas eu não consigo fazer isso, seria decepcionante para todos.
— Como descobriu isso? — Perguntou com cautela.
— Salìk revelou a minha avó quando meu lobo se manifestou — respondeu e Jungkook assentiu. — Eu sou um alfa incompleto, não posso dar a você ou a qualquer um a minha descendência.
— Eu não me importo com isso alfa — Jungkook respondeu e segurou as bochechas de Taehyung quando ele abaixou a cabeça. Pois não gostava quando a tristeza tomava suas expressões. — Eu não quero filhos, isso nunca foi a minha prioridade, então não pense que estará tirando de mim uma coisa que eu nunca desejei. Talvez sim, eu mude de ideia no futuro, mas para amar uma criança como minha, ela precisa nascer do meu ventre para ser minha filha?
— Não… — Respondeu e Jungkook sorriu.
— Você não é incompleto alfa, não quero ouvi-lo dizer isso novamente — disse com seriedade e Taehyung assentiu. — Se essa for sua única reserva quanto a marca, descarte-a, pois ela não merece espaço em seus pensamentos.
— Tem certeza que deseja a minha marca? — Ele perguntou, seu olhar estava banhado em inseguranças.
— Eu que deveria lhe fazer essa pergunta, visto que só lhe trouxe problemas com a minha chegada — riu e aquilo fez a expressão triste do alfa se desfazer. Ele também riu e o encarou.
— Você apenas a tornou mais divertida — disse com um sorriso fofo nos lábios e Jungkook sorriu. — Se você tem certeza disso, eu lhe dou a minha marca com todo prazer. Mas, você está pronto para isso? Não irá desencadear mais traumas?
— Confesso que estou com medo — suspirou e abaixou a cabeça. — Mas tenho mais medo de que por conta da minha hesitação, Minhwan me encontre.
— Eu tenho uma ideia para evitar lembranças ruins, eu posso lhe abraçar? — Taehyung perguntou e Jungkook assentiu. O alfa então o virou de costas e colou suas costas no peito dele, aquilo fez seu coração disparar, mas antes que pudesse entrar em Pânico, o cheiro de café inundou o quarto novamente. — Farei apenas quando disser que está pronto, por enquanto, relaxe e tome seu tempo para se acostumar com a minha presença.
— Ok… — Jungkook respirou fundo e deixou que o efeito calmante do cheiro de Taehyung relaxasse seu corpo.
Ficou alguns minutos parado enquanto respirava fundo, podia sentir o coração de Taehyung por estarem próximos e sentia também a respiração serena dele próxima a seu ouvido, ele o abraçava por trás enquanto segurava suas mãos, o calor delas juntas era reconfortante. Jungkook nunca entenderia como ele se sentia tão à vontade com a proximidade dele, pois depois de tudo o que havia passado, de todas as experiências ruins que Minhwan proporcionou a ele, estar tão próximo a um alfa como estava naquele momento, deveria assustá-lo. Mas Taehyung era tão diferente de Minhwan que somente imaginar que ele pudesse lhe ferir de alguma maneira era um pensamento ridículo e blasfêmico, além do fato que Unàh não parecia contra a proximidade deles, pois até mesmo aprovou seu Laço de Sangue com ele. Quando sentiu-se mais calmo, segurou as mãos do alfa com mais firmeza e respirou fundo, antes de tomar coragem.
— Está tudo bem agora… pode fazer — autorizou.
Quando Jungkook sentiu a mão de Taehyung se separar da sua e se direcionar até seus cabelos, seu coração acelerou novamente, a iminência de uma nova marca o deixava ansioso, pois tinha medo de ser tão ruim e doloroso quanto tinha sido com Minhwan. Mas a delicadeza do alfa já mostrava o quão diferente seria a experiência, pois ao notar que ele havia ficado nervoso novamente, ele sussurrou um “está tudo bem” e deixou um beijo delicado sobre seu pescoço, o que fez seu coração acelerar ainda mais, porém não por conta do medo, mas sim por conta da expectativa. Ainda com sua presença forte em todo o quarto, Taehyung segurava seus cabelos com extremo cuidado e o abraçou com mais força, antes de enfim, marcá-lo. Quando as presas do alfa tocaram sua pele, Jungkook arregalou os olhos, pois havia doído como achou que iria doer, porém a cascata de sentimentos e sensações que vieram junto com a dor foi o que lhe surpreendeu.
Assim como havia acontecido em sua primeira — e forçada — marca, sentiu seus sentidos aguçaram, ao ter suas partes lupinas ligadas uma à outra, mas com Taehyung havia sido um pouco diferente, por ser um lúpus, as sensações foram ainda mais fortes. Seu corpo todo mergulhou em uma sensação de prazer sem precedentes, a dor se perdeu em algum lugar de sua mente que sequer tinha mais acesso, tudo o que conseguia focar foi na sensação eletrizante que o atingiu. Jungkook agarrou a mão de Taehyung que o puxava para perto e acabou por curvar seu corpo um pouco para frente, o que consequentemente fez o alfa se curvar também, ouviu um suspiro sair dos lábios dele, que ainda estavam em contato com seu pescoço. Quando as presas do alfa saíram de sua pele, Jungkook contorceu os dedos dos pés sobre a cama, a sensação era absurdamente parecida com um orgasmo, mas sem a ejaculação, pois havia o deixado sem ar de uma maneira muito parecida.
Sentiu o alfa passar a língua sobre a nova marca, para limpar o sangue que provavelmente escorria do lugar, mas a mente de Jungkook ainda vagava nas inúmeras explosões de sensações. Além de se sentir extremamente bem, tinha a sensação de que após muitos e muitos anos, finalmente se sentia completo, seu lobo vibrava em seu interior como se houvesse acabado de fazer a melhor escolha de sua vida. O cheiro de Taehyung pareceu surtir ainda mais efeito em seu corpo, a ponto de deixá-lo tonto, a proximidade que estavam naquele momento, não parecia ser o suficiente, os toques dele não eram o suficiente, em sua cabeça tudo o que se passava era no quanto precisava sentir ainda mais o seu alfa. Quando o turbilhão de sensações foi demais para Jungkook suportar, sua cabeça pendeu sobre o ombro do alfa, que também parecia ofegante.
— Você… você sentiu isso? — Jungkook perguntou de olhos fechados. Definitivamente seu lobo havia rejeitado a marca de Minhwan, pois as sensações sequer se comparavam ao que havia acabado de sentir.
— Sim — ele respondeu enquanto o abraçava, sua voz estava rouca e soava ofegante, como se tivesse corrido por horas. — Você está bem?
— Sim, apenas estou tentando digerir tudo o que eu acabei de sentir — respondeu ainda de olhos fechados.
— O meu lobo o reconheceu… — Taehyung parecia exatamente confuso, o que fez Jungkook se afastar e se virar para encará-lo. Os olhos do alfa estavam vermelhos e ele parecia incrédulo. — A marca impedia que ele o reconhecesse.
— Como assim? — Perguntou confuso e Taehyung segurou em sua mão com o olhar banhado em confusão.
— Isso que sentimos, é quando nossos lobos aceitam a marca mutuamente, isso só acontece quando são companheiros de almas — explicou e Jungkook arregalou os olhos. — É esse o tipo de ligação que as pessoas esperam encontrar quando buscam a orientação de Salìk através da minha vó no ritual. Normalmente assim que chegamos a maioridade lupina, sentimos quem será nosso companheiro, é natural, assim como foi com Jimin e Namjoon, as divindades nunca colocam almas destinadas muito longe uma da outra, para que possam se encontrar e se completar.
— Mas eu sou de longe — respondeu com o semblante tão confuso quanto o do alfa. — Não só de longe como filho de uma divindade diferente…
— Talvez por isso nosso encontro tenha sido tão bem recebido pelas divindades, por isso Salìk queria que eu o mantivesse ao meu lado — Taehyung parecia juntar as engrenagens em sua cabeça e Jungkook tentava acompanhá-lo. — Somos almas destinadas.
— Por isso meu lobo o agarrou quando se manifestou na iniciação — Jungkook constatou baixinho e Taehyung assentiu. — Meu lobo o reconheceu desde o início.
— O meu apesar de sentir algo diferente, não o reconheceu por conta da marca de outro alfa, ela cobria quase que completamente a sua presença — assim que terminou de falar, os olhos vermelhos dele encontraram os seus novamente. — Precisamos conversar com a minha avó, meu corpo está uma bagunça agora, não sei o que pensar.
— Ela provavelmente está à nossa espera — Jungkook constatou, pois se fato eram almas destinadas a se encontrarem, as divindades estariam contentes.
Os dois se levantaram da cama de maneira letárgica, Jungkook calçou suas botas enquanto Taehyung fazia o mesmo e o olhar dos dois se encontravam ocasionalmente, mas por alguma razão, era estranhamente inquietante manter contato visual, por isso desviavam logo em seguida. Nem parecia que há pouco chorava com as lembranças dolorosas de seu passado, era como se Taehyung tivesse tomado completamente o espaço em seus pensamentos, tudo era sobre ele e o que ele sentia. Por conta do laço sentia o que o alfa sentia e vice versa, mas com a marca parecia que tudo havia se intensificado ao máximo, não só suas partes humanas estavam ligadas por conta do Laço de Sangue, mas também suas partes lupinas haviam criado uma ligação. Temia que o alfa se arrependesse quando notasse que aquela marca jamais sairia, que seria seu parceiro pelo resto da eternidade. Temia que ele quisesse algo mais do que apenas a ligação, pois apesar de que não iria de maneira alguma recusá-lo, não sabia se estava próximo para dar um passo além do que já tinham.
Os dois caminharam para fora da mansão juntos, imersos em um silêncio um pouco desconfortável, pois o que dizer agora que sabiam que eram almas destinadas? Encontraram os serventes da mansão na mesa de jantar, eles arrumavam as coisas e quando os viram, abriram imensos sorrisos antes de voltarem a fazer seus trabalhos, Dahyun disse que em breve iriam terminar e que iriam para casa. Uma coisa que Taehyung havia adotado depois da quase invasão a mansão dele, foi que todos os serventes — com exceção de Dahyun — deviam ir para suas casas quando o trabalho terminasse e voltassem apenas no dia seguinte, pois assim não arriscaria a vida de ninguém. Dahyun pelo contrário foi a única que permaneceu a morar na mansão do alfa, pois ele tinha um apreço especial por ela, por ter estado presente em toda sua infância como uma segunda mãe. Apesar dela ter seu próprio filho, ele já era adulto, casado e vivia com a família, o filho dela era dono de uma pequena terra, onde cuidavam de algumas cabeças de gado e forneciam a Canis leite e seus derivados.
Dahyun era viúva e em seus dias livres passava um tempo na casa do filho, onde podia matar a saudade dele, da esposa e de seus netos, que eram crianças e eram apaixonadas pelo avó. Então Jungkook se despediu da ômega, pois sabia que ela iria para cama em breve e seguiu Taehyung para fora da mansão, onde ele começou a se despir e Jungkook estendeu as mãos antes de desviar o olhar, para que segurasse as roupas do alfa. Tudo estava tão estranho que até mesmo o ato de esperar Taehyung terminar de se despir, era extremamente vergonhoso, estava consciente demais que sua alma destinada estava a se despir bem na sua frente, estava a lutar contra a si mesmo para não desviar o olhar e encará-lo. Quando enfim o som dos estalos dos ossos do alfa e sentiu uma lufada de ar bater em seus cabelos, Jungkook virou-se para encarar o grande lobo negro a sua frente, que o encarava com seus olhos vermelhos e vibrantes. O alfa se aproximou e passou a cabeça na lateral de seu corpo em um carinho antes de se deitar sobre as patas.
Jungkook sorriu e acariciou os pelos macios e escuros do alfa antes de montá-lo, agarrou a pelagem negra entre seus dedos para não cair, tentou não derrubar as roupas e as botas antes de firmar as pernas, aquilo foi a deixa para o lobo se levantar, para logo em seguida correr em direção ao bosque. Enquanto ele corria em direção a cachoeira, sua mente vagou pelos recentes acontecimentos; havia se aberto a Taehyung, embora não tivesse contado desde o início a sua história com Minhwan, havia mostrado suas lembranças mais dolorosas e foi muito mais fácil do que imaginou. Tinha medo de como o alfa reagiria ao descobrir que aquele tempo todo, ele escondia uma marca que poderia colocar todos os esforços dele no lixo, pois os planos dele de espalhar a sua morte eram inúteis enquanto a marca de Minhwan estivesse em seu pescoço. Estava tão imerso em seus próprios pensamentos que se assustou quando chegaram à cachoeira, pois o tempo havia se passado extremamente rápido enquanto estava distraído.
Taehyung adentrou a gruta e Jungkook fez o que tinha vontade de fazer desde a primeira vez: esticou o braço e tocou na poderosa cascata de água, que bateu com força contra seus dedos e fez um arrepio correr por seu corpo, por conta da água gelada. Jungkook sorriu e voltou sua atenção para a gruta quando adentraram ainda mais, pôde ver Yongok sentada sobre as escadas do templo com uma expressão entediada, mas assim que os viu abriu um imenso sorriso. A Najin Arik se Salìk, contra todas as histórias infundadas inventadas pelos humanos há centenas de anos, era um de seus portos seguros, não era sua inimiga por ser escolhida de uma divindade diferente, pelo contrário, por serem ambos escolhidos, via nela uma figura inquestionável de confiança. Quando Taehyung se aproximou, o grande lobo curvou a cabeça diante da avó, que sorriu orgulhosa e o reverenciou também, antes dele se deitar sobre as patas e Jungkook descer de suas costas com as roupas em mãos.
— Veio carregado, mas pelo menos, completamente vestido — Yongok cutucou e Jungkook riu, enquanto ouvia o som dos ossos de Taehyung estalarem atrás dele.
— Irei reconstruir minha honra para que veja que sou um moço direito — Jungkook brincou e Yongok riu. Sentiu a mão do alfa tocar seu ombro e sem desviar o olhar para direções perigosas, virou-se em direção a ele para lhe entregar as roupas.
— A senhora sabe o motivo da nossa vinda? — Taehyung perguntou enquanto se vestia e Jungkook virou-se para que pudesse encará-la, a viu assentir com um sorriso e não soube dizer o porquê, mas suas bochechas esquentaram.
— Salìk lhe conta sobre os momentos privados de seus filhos? — Jungkook deixou escapar e Yongok gargalhou.
— Não, mas vocês fizeram algo privado que eu não deveria saber? — Ela perguntou com uma sobrancelha arqueada e aquilo fez suas bochechas arderem ainda mais.
— Vovó pare de provocá-lo — Taehyung também riu e quando Jungkook o encarou, ele abotoava sua camisa. O alfa pegou as botas e as calçou antes de encará-lo.
— Vocês dois agora são a razão da existência um do outro, literalmente — Yongok disse com um sorriso imenso e os dois a encararam. Ela então virou-se em direção ao templo e subiu as escadas. — Sigam-me.
Os dois se encaram por alguns segundos antes de caminharem para dentro do templo, o arrepio que sentia sempre pisava na entrada dele, já era mais uma sensação estranha, por isso ignorou e caminhou atrás de Yongok. Alguns dos ajudantes dela o reverenciavam e então voltavam a fazer seus afazeres, caminhou até estarem na sala onde ficava o altar novamente, como estava de noite, a abertura do teto era iluminado pela luz do luar, que pareceu se intensificar quando estava no cômodo, o que o fez sorrir. Os dois se sentaram sobre as almofadas dispostas no centro e Yongok se dirigiu até alguns papiros, ela os segurou e caminhou até eles, os colocou no chão e sentou-se de frente para eles. Ela vestia sua túnica branca com detalhes em dourado, o que a deixava com o aspecto pequeno e delicado, sua aparência remete a uma idosa, mas quem a conhecia, sabia que Yongok era a que mais esbanjava vitalidade entre eles.
— Então… a marca do outro alfa se foi — ela iniciou e os dois assentiram. — A partir do momento que a marca do Tae substituiu a dele, ele não conseguirá mais senti-lo de maneira nenhuma.
— Mesmo que a marca tenha sido rejeitada pelo lobo dele, o outro alfa ainda assim podia senti-lo? — Taehyung perguntou e Yongok assentiu.
— Ele não tinha influência sobre as escolhas do lobo do Jungkook, mas mesmo que forçada, ainda era uma ligação, então ele podia senti-lo, mas não o contrário, para o ômega de Jungkook ele era apenas um alfa que o machucou, por isso que ele havia escolhido você desde o início — ela respondeu a Taehyung, que arregalou os olhos. Yongok então o encarou, enquanto permanecia quieto, apenas absorvia as informações que ouvia. — Quando fez a iniciação, me perguntou o que Ma Noluk significava, se lembra?
— Sim — Jungkook respondeu. Aquela era uma dúvida que martelava em sua cabeça de tempos em tempos. — A senhora disse que eu só entenderia o significado depois que a marca daquele maldito saísse do meu pescoço.
— Exatamente — Yongok sorriu. — Ela significa meu alfa em Cunän.
Aquilo o fez arregalar os olhos de imediato e seu olhar encontrou o de Taehyung, que parecia tão chocado quanto ele.
— Por conta da marca do outro alfa, seu lobo ficou encoberto para Taehyung — ela continuou a explicar e atraiu a atenção dos dois novamente. Ela então olhou para o neto. — Mas você sentiu que havia algo diferente nele desde o começo não sentiu?
— Sim, mas eu achei que era porque seu lobo era diferente, não sabia que era por causa de uma conexão de almas — Taehyung respondeu, podia ver o quão confuso ele estava.
— Era porque você sentiu, mesmo com a marca de outro alfa, que ele era seu ômega — Yongok disse com um sorriso e a cada palavra dela, o constrangimento de Jungkook aumentava ainda mais. Já era difícil dizer a frase “meu alfa”, mas ouvi-la dizer a ele “seu ômega”, conseguia ser ainda mais inquietante.
— E o que fazemos com essa informação? — Taehyung perguntou confuso, podia ver de canto de olho, a fumaça sair da cabeça dele, pois nitidamente seu cérebro fritava com tantas informações.
— Como assim o que vocês fazem? — Ela perguntou com um vinco sobre a testa. — Vocês comemoram oras! Acabaram de encontrar o parceiro destinado, isso é motivo de festa, porque mesmo que todos tenhamos um, não é sempre que o encontramos. Vocês são um caso ainda mais raro, são filhos de divindades diferentes, são a prova viva que não existe rivalidade entre elas.
— Será que esse é o nosso propósito? — Jungkook perguntou e atraiu a atenção dos dois. — Mostrar que podemos unificar os filhos de divindades diferentes?
— Acho que o propósito de vocês vai muito além disso — ela abriu um sorriso e Jungkook franziu o cenho. — Isso é algo que descobriremos com o tempo, por isso não foque nisso agora. Como estão os preparativos do ritual de união lupina? Salìk parece estar de acordo com a data que escolhermos — Yongok perguntou a Taehyung.
— Minha mãe está cuidando da organização e meu pai da segurança — Taehyung respondeu.
— O ritual deixará claro a todos que são almas destinadas, isso trará aceitação de alguns e indignação de outros — Yongok alertou e olhou em direção a Jungkook. — Salìk não me revelou quando, mas deve se preparar Jungkook.
— Para o que? — Perguntou preocupado e Yongok negou com a cabeça.
— Não sei e acredito que nunca saberemos, existem coisas que precisam acontecer, por isso as divindades não irão interferir, apenas irão nos auxiliar para o melhor caminho, então não espere que Unàh vá lhe mostrar como evitar todos os perigos que vá enfrentar — ela explicou e Jungkook assentiu. — Tudo o que eu sei, é que você enfrentará um mal extremamente difícil e que estará sozinho. — Ela voltou o olhar para Taehyung. — Contra esse mal, você não conseguirá poupá-lo Tae.
— Por que Unàh não me mostrou nada sobre isso? — Jungkook perguntou ao ver a expressão endurecida de Taehyung, como se a ideia de não conseguir protegê-lo lhe causasse dor física. Direcionou o olhar para Yongok, que também o encarava. — Fui agraciado com o dom da sabedoria, em Presa me disseram que a minha ligação com Unàh é ainda mais intensa que complexa do que sua ligação com Salìk. Mas sinto que você está sempre um passo à frente sobre tudo.
— E estou — ela respondeu e Jungkook franziu o cenho. — Não porque minha ligação com Salìk é mais forte, mas porque a sua não está tão fortalecida. Apesar de eu conseguir a orientação da minha divindade de tempos em tempos, não é sempre que funciona, às vezes Salìk me deixa sem resposta ou me responde de maneira tão vaga que sequer consigo decifrar. — Ela explicou e ele assentiu. — A diferença com você é exatamente essa, Unàh lhe dá o máximo de respostas que ela pode, a sabedoria lhe dá o poder de saber sobre o passado, presente e futuro, você apenas não sabe como fazer isso.
— Em Presa tentaram me ensinar, mas minha professora era a mãe de Minhwan, seus ensinamentos eram voltados a como eu poderia servir o filho dela ou servir de totem de adoração, mesmo que eles tenham me mantido em cárcere a maior parte do tempo — Jungkook explicou e os dois ficaram em silêncio para escutá-lo. — Então não sei até onde posso ir, tudo o que eu sei é que eu consigo sentir o perigo, ver através dos animais e Unàh me dá visões do futuro.
— Você pode ir muito além disso — Yongok revelou e abriu um pequeno sorriso. — Nossas habilidades são complementares, a força e a agilidade são usados para nos proteger, enquanto a sabedoria foi entregue a vocês para que possamos crescer a força é usada para proteção. Juntos era para criarmos um mundo incrível, onde nenhum perigo seria páreo para nós, podem ver isso pelo o que está acontecendo agora, Canis tem dois escolhidos, os dois criaram uma barreira em volta de nossa alcateia muito difícil de quebrar.
— Então somos escolhidos para que juntos possamos nos completar? — Jungkook perguntou e Yongok assentiu. Ela desceu o olhar para os papiros e os empurrou em sua direção.
— Esses papiros foram escritos pelos meus antecessores, eles contém conhecimento sobre Unàh e seus escolhidos, são extremamente antigos, sequer foram reescritos nos livros — ela explicou e Jungkook encarou os papiros. — Não é nem de longe o conhecimento que Presa deve ter, mas o ajudará a entender a si mesmo e se conectar melhor com Unàh. Mas uma coisa eu posso te dizer sobre nós, não podemos usar nossas habilidades sempre, o que vemos, ouvimos e fazemos com as bênçãos são parte dos poderes das divindades, nosso corpo não foi criado para suportar tanto poder, então se usá-los de maneira irresponsável você irá se adoentar.
— Certo — Jungkook assentiu e Yongok virou-se em direção a Taehyung.
— Não deixem que o vejam como uma ferramenta de guerra Tae, pois mesmo que ele não fique mal agora, ele usa as bençãos com frequência, as consequências uma hora virão e quando precisarem, ele não poderá ajudar se estiver doente — ela disse com seriedade e Taehyung assentiu.
— Não permitirei — ele garantiu e sua avó sorriu.
— Vão para casa, vocês precisam dormir — ela ordenou e fez um gesto com a mão, como se os expulsassem. — Preparem-se para o ritual, pois vocês serão a atração principal do evento.
— Sim senhora — os dois responderam em uníssono e se levantaram para partir. Os dois caminharam para fora do templo e se despediram de Yongok, mas ao contrário da ida, Taehyung pediu para que caminhassem até a mansão.
Aquilo o deixou inquieto, tudo sobre Taehyung o deixava inquieto depois da marca.
— Como se sente? — Taehyung perguntou quando adentraram o bosque novamente.
— Confuso e muito surpreso — respondeu e o alfa assentiu.
— Eu consegui deixá-lo menos assustado naquela hora? — Ele perguntou e Jungkook o encarou. — Consegui deixá-lo mais relaxado antes de marcá-lo? Eu pude sentir as sensações físicas, mas não sei o que se passava em sua cabeça.
— Sim, eu estava relaxado — o tranquilizou e ele pareceu contente.
— Talvez tenha sido porque tínhamos um bom relacionamento antes da marca, talvez tenha lhe ajudado a relaxar — ele divagou e Jungkook o encarou novamente.
— Não foi por isso — respondeu e Taehyung o encarou também. — Se fosse por esse motivo, Minhwan teria conseguido me marcar muito antes daquele momento que eu lhe mostrei nas minhas memórias.
— Como assim? — Ele perguntou com o cenho franzido e Jungkook direcionou o olhar para o bosque, que era iluminado pela luz do luar e alguns vagalumes que de vez em quando saíam dos arbustos.
— Quando meus pais me levaram até a mansão dele, ele era jovem no posto de líder, então eu não o conhecia, apenas ouvi comentarem sobre ele pela alcateia. Quando nos vimos pela primeira vez, achei que eu tinha encontrado o meu alfa, acreditei que aquela troca de olhar que tivemos significava muito mais do que eu imaginava — explicou e Taehyung permaneceu em silêncio, apenas ouviu suas palavras de maneira concentrada. — Minhwan e eu tivemos um relacionamento, fomos prometidos um ao outro por meses, ele era completamente diferente dos alfas que já conheci. Foi gentil e me tratava como se eu fosse a lua dele, só fui descobrir que aquilo era obsessão e não amor, muito tempo depois.
— Você gostava dele então — Taehyung constatou e Jungkook assentiu. — Como descobriu a verdade?
— Eu o vi dormir com outro ômega — revelou e Taehyung o encarou de imediato. — Não só doeu ver o homem que eu achei que seria o meu parceiro para o resto da vida me trair, como foi ainda pior ouvi-lo chamar por meu nome enquanto se deitava com outro.
— Alfa nojento… — Taehyung disse com a voz mais baixa e rouca que o normal. Jungkook assentiu e suspirou.
— Minhwan me desejava mais do que tudo, mas não podia tocar em mim sem que tivesse certeza que Unàh não traria uma maldição ainda pior a eles, pois a Najin Uruk anterior foi morta após ter sua pureza tirada à força pelo antigo líder de Presa — após sua fala, Jungkook sentiu a presença do lobo de Taehyung inflar ao seu lado. Mas por alguma razão aquilo não o assustava, pelo contrário, saber que o lobo dele se irritou por ele, era estranhamente satisfatório.
— Então ele não o tocou? — Ele perguntou com cautela. Jungkook o encarou, pois quando mostrou suas lembranças, ocultou os detalhes mais sórdidos dos abusos que sofreu.
— Sim tocou, das maneiras mais nojentas que você possa imaginar, mas não me deitei com ele — respondeu, pois se sentia seguro em contar seus segredos a ele. Jungkook notou que os olhos de Taehyung aos poucos adquiria uma coloração avermelhada e apesar de notar que aquilo já acontecia há algum tempo, depois da marca, se tornaria ainda mais recorrente, por conta da ligação de seus lobos. — Os anciões do conselho acreditavam que tirar a minha pureza iria enfurecer Unàh, temiam que a próxima maldição os levasse à ruína.
— Lembro-me que você disse que havia perdido sua pureza ainda jovem e que seu pai ficou uma feracom o alfa — relembrou e Jungkook assentiu. — Foi isso que deixou Minhwan tão possesso quando fugiu de Presa, não foi?
— Sim, saber que o objeto de sua obsessão já havia sido tomado por outro, quando ele tinha que se segurar para não me tomar a força, pareceu tirá-lo dos eixos — Jungkook respondeu e desviou o olhar para o bosque novamente. — Se ele me visse agora, provavelmente me torturaria e o mataria por ter me tomado dele.
— Ele pode tentar — Taehyung respondeu com desdém e Jungkook o encarou novamente. Quando seus olhos se encontraram, eles estavam completamente tomados por um vermelho vivo. — Ele nunca foi o seu alfa, eu sou.
Aquilo fez uma sensação esquisita surgir no estômago de Jungkook, que não soube o que responder.
— E enquanto eu viver, não deixarei que ele faça mal algum a você e se ele for ousado o suficiente para tentar, afundarei minhas presas na garganta dele até que seus ossos se partam — ele prometeu com os olhos fixos aos seus. Jungkook ainda com os papiros em mãos sequer havia notado que ambos haviam parado no meio do bosque e estavam a poucos palmos de distância. — Você merece um homem, um alfa de verdade, não um cachorro vira-lata como ele, que sequer tem culhão para tratá-lo da maneira que merece.
Foi ali, exatamente naquele momento, que o coração de Jungkook vacilou pela primeira vez em direção ao precipício que era Taehyung.
~🐺~
Não se preocupem, o que é do Minhwan tá guardado!
Eu avisei que era slowburn, mas foi rapidinho né? Só demorou 12 capítulos e um prólogo :)
O primeiro beijo deles talvez role no capítulo 42.
Brincadeira KKKK
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top