capítulo 5: limites
— Alguém pode me explicar que gastos foram esses?
Agust estava de braços cruzados na ponta da mesa enquanto os seus capangas de confiança olhavam entediados.
— Jimin. – Vante pegou um cigarro do bolso e acendeu, assim que soprou a fumaça voltou a falar – ele está aproveitando bastante sua carta branca para comprar qualquer coisa.
— Além de aproveitar bastante o "eles farão o que você pedir" – Bunny se aproximou de Vante que pôs o cigarro em sua boca – porra eu tive que viajar 3 horas só pra ir buscar um sorvete artesanal, porque tinha que ser da marca que ele queria.
— Isso não é nada – RM estralou o pescoço parecendo exausto – eu tive que tirar casca de uma bacia de uvas pra ele comer.
— Eu vou falar com ele – Agust estalou os dedos da mão direita – acho que seu presente de boas vindas está saindo do controle.
Quando Agust encontrou Jimin o rapaz estava jogando vídeo game, o criminoso esperou a partida acabar antes de começar a falar.
— Jimin?
— Oi?
— Eu disse que você teria o que quisesse, mas isso não significa fazer meus capangas de escravos.
— Lição de moral? Logo de você?
— Jimin, Jimin, não me teste, eu estou sendo muito bonzinho com você.
— Eu não posso fazer nada, eu não posso sair, eu tô longe da minha família, você quer que eu faça o que?
— Me dê motivos para confiar em você, e eu dou essas oportunidades.
Sem esperar uma resposta, Agust saiu da sala, assim que se viu sozinho Jimin jogou o controle remoto na TV.
— Porcaria!
Cuidar de Jimin não era o passatempo favorito de nenhum deles, Vante estava muito mal humorado por ser sua vez, para a sua surpresa o rapaz apenas pediu companhia para beber, o capanga aceitou afinal era forte para álcool e não era como se não estivesse a tempos desejando tomar umas. Só que as garrafas foram secando, e a vontade de beber de Jimin não diminuía, mesmo que Vante tivesse lhe dito para parar ele seguia bebendo como se fosse água, sequer aparentava estar bêbado, a noite ia chegando mas eles apenas foram para o quarto beber mais.
O jantar logo chegou, porém Jimin não estava na mesa, Agust esperou mas nada do rapaz aparecer, furioso ele subiu as escadas batendo os pés, quando chegou no quarto avistou a silhueta do outro entre os cobertores, ele puxou a coberta com força atirando no chão, porém o que viu fez seu coração acelerar e um grito de ódio sair do fundo se sua garganta.
— Jiii por favor... para de provocar.
— Parar? Você tem certeza que é isso que quer?
— Eu preciso terminar de arrumar esse carro logo.
— Eu não to fazendo nada de mais...
Ji rebolava no colo de RM, este estava com parte do corpo debaixo do carro tentando arrumar um pedaço do escapamento, os dois então ouviram o barulho de coisas caindo, eles se levantaram rápido e foram ver o havia feito o barulho.
A caixa de ferramentas havia caído de cima da mesa, e a porta que saia da casa para garagem estava meio aberta.
— Que porra é essa? – RM olhou em volta quando eles ouviram um novo barulho.
Sem pensar muito Ji puxou o controle do bolso fechando a saída da garagem, uma batida foi ouvida no metal, como se algo tivesse tentado sair sem sucesso. Eles começaram a se aproximar com cuidado, contornando o carro, antes que pudessem ver o que era a porta da casa abriu com força.
Tudo aconteceu muito rápido, Ji puxou a arma da cintura de RM e apontou para a porta com a mão no gatilho, RM se pôs em frente ao rapaz puxando duas facas da bota, pela porta Agust saiu praticamente correndo olhando em volta da garagem e logo indo contornar o carro, enquanto Vante vinha atrás cambaleando só de cueca e Hope chegou correndo entregando um casaco pra ele se cobrir.
Ninguém estava entendendo nada, até Agust sair de trás do carro puxando Jimin pelos cabelos que vestia a roupa escura de Vante, o grande casaco com touca cobria o colete a prova de balas.
— Achei! – o rapaz se debatia buscando liberdade, mas o criminoso era muito mais forte. – todo mundo na sala, agora!
— Chamar o Bunny? – RM ja guardava a faca na bota por ver que a situação estava razoavelmente inofensiva.
— Código azul. Azul claro.
Rm olhou para Ji e eles engoliram em seco, Jimin não sabia o que raios código azul significava mas não parecia ser coisa boa.
Ja com todos na sala, Agust estava em pé de braços cruzados enquanto os outros dividiam o sofá.
— Beleza, alguém me explica o motivo disso tudo? Eu tava fazendo patrulha. – Bunny cruzou os braços parecendo irritado – quem embebedou quem?
— Como você... – Jimin parecia assustado, ele estava com os meninos o tempo todo, eles apenas haviam passado um radio chamando Bunny.
— Codigo azul claro – Agust suspirou antes de continuar – companheiro abatido por álcool. Agora escuta aqui Jimin, que ideia foi essa de dar álcool pro Vante? Sabe a merda que poderia ter dado se fosse outra pessoa?
— Ele bebeu comigo, eu não obriguei ninguém a beber, e qual o maior problema em deixar que bebam? Me deixem escapar?
— Não bobinho – Ji olhou com um ar superior enquanto cruzava as pernas – alguns aqui tem problemas maiores do que você imagina, dê álcool pra pessoa errada e acabe precisando chamar a ambulância. Nem sempre será para o outro.
— Jimin eu achei que tinha deixado claro as coisas, achei que você não seria burro o suficiente pra tentar fugir, mas pelo visto você não entende, a partir de agora você vai ficar sozinho no quarto, só sai pras refeições, um segurança o tempo todo na porta, se eu ver que posso confiar em você de novo eu mudo isso.
— Mas por que só eu vou ser punido? O Vante bebeu comigo.
— Ele é responsabilidade de outra pessoa, não minha. – Agust sorriu de lado e apontou com a cabeça para Hope que segurava o casaco sobre os ombros de Vante.
— Sabe garoto, você tem sorte de ser o marido do meu chefe. Ou eu te encheria de porrada! – Hope fez menção de levantar furioso quando Bunny que estava mais perto o segurou.
— Calma. Calma... a noite ja ta agitada demais não precisamos de mais agito.
— Mas que porra! Por que todo mundo age como se eu fosse um monstro e o Vante não tivesse escolha em beber?
— Jimin... Jimin... nunca dê a um ex viciado a base dos seus vícios. – Hope o encarava sério, como Jimin nunca tinha visto ele fazer antes – eu lutei muito... nós lutamos muito pra ajudar ele, você não tem idéia do quanto eu sofri por causa disso, mas pra você não é nada, eu me pergunto como você não está bêbado.
— Eu pus água no lugar de bebida pra mim – Jimin negou com a cabeça sentindo ainda o peso das palavras de Hope, parecia que ele realmente se importava com o outro – eu só queria que ele ficasse bêbado pra que eu pudesse pegar suas roupas, me disfarçar, e tentar escapar logo, então misturei algumas bebidas mais fortes na garrafa dele, eu nunca imagi...
Um tapa estalado na bochecha de Jimin fez ele se calar, ele abaixou a cabeça sentindo a pele queimar enquanto os outros tentavam acalmar a situação. Agust o pegou pelo braço e levou até o quarto, literalmente o jogando la dentro antes de voltar para sala.
Vante estava encolhido no sofá enquanto os outros tentavam acalmar Hope, que estava com as mãos em punho e respiração desregulada.
— Hope, vou dar folga pra vocês descansarem, se precisar de qualquer coisa só me peça, você sabe que acima de tudo nós 6 somos uma família.
— Obrigado Agust.
— Sinto muito por tudo isso, aliás você tem tomado seus remédios?
— Eles... acabaram – Hope desviou o olhar para um ponto qualquer – eu não podia ir consultar e não consegui comprar.
— Você devia ter me pedido, Bunny você e Ji vão arranjar o remédio dele, Hope vá com o Vante descansar, use um dos quartos daqui, e RM... fique de olho na porta do meu quarto, preciso trabalhar mais um pouco.
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